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Desejo: o dele e o dela

por Thynus, em 22.02.18
“Quando o pênis endurece, o cérebro amolece.”
Um de meus melhores amigos em meu primeiro ano de faculdade foi um brilhante e rude jogador de rugby a quem apelidamos de “Hulk”. Até hoje recordo o conselho que, segundo ele, o pai, um alemão, lhe deu quando ele saiu de casa para estudar.
A máxima tinha um tempero brechtiano, deturpadamente sarcástico. O conselho dizia mais ou menos assim: “Quando o pênis endurece, o cérebro amolece.”
Dito de forma mais técnica, o circuito neural para o sexo inibe as regiões subcorticais das via secundárias, localizadas além do alcance do cérebro pensante.
Como esses circuitos mais baixos nos orientam com uma urgência cada vez maior, nos importamos cada vez menos com os conselhos que as regiões racionais da via principal podem nos oferecer.
Num sentido mais geral, esse mapa de circuito é responsável pela irracionalidade de tantas escolhas nos relacionamentos amorosos: nosso circuito lógico nada tem a ver com a questão. O cérebro social pode amar e importar-se com o outro, mas a luxúria trafega pelos ramos mais inferiores da via secundária.
O desejo parece vir em duas formas: o dele e o dela. Quando casais apaixonados examinaram fotos dos parceiros, um estudo de imagens cerebrais revelou uma diferença reveladora: nos homens apaixonados – mas não nas mulheres apaixonadas –, os centros do processamento visual e da excitação sexual se ativaram, mostrando que a aparência da mulher amada dispara a paixão do homem. Não é de se admirar que homens no mundo inteiro se interessem por pornografia visual, como observam os pesquisadores, ou que as mulheres tendam a valorizar tanto a aparência pessoal e dedicar-lhe tanta energia, para “anunciar visualmente seus ativos”, como dizem elas próprias.1
Por outro lado, nas mulheres apaixonadas, examinar a foto de seus amados ativa centros muito diferentes no circuito do cérebro social: centros cognitivos de memória e atenção.2 Tal diferença sugere que as mulheres ponderam melhor seus sentimentos e avaliam o homem como possível cônjuge e provedor. As mulheres que estão iniciando um romance, notoriamente, tendem a ser mais pragmáticas do que os homens; portanto, apaixonam-se de forma mais lenta. Um dos pesquisadores comenta que, para as mulheres, normalmente o “sexo casual” não é tão casual quanto para os homens.3
Afinal, o radar do cérebro para o apego em geral precisa de uma série de encontros para tomar sua decisão de se envolver. Quando se apaixonam, os homens mergulham de cabeça, com o auxílio da via secundária. Certamente, os homens usam a via secundária na ida, mas também usam a principal na volta.
Uma visão mais sarcástica diz que “os homens estão em busca de objetos sexuais; as mulheres estão em busca de objetos de sucesso”. No entanto, embora as mulheres realmente tendam a se sentir atraídas por sinais externos de poder e riqueza de um homem, e os homens, por sua vez, pela aparência física da mulher, esses não são os principais fatores que atraem a ambos –apenas os aspectos nos quais eles mais diferem.4 Tanto para o homem quanto para a mulher, a bondade encabeça a lista.
Para confundir mais ainda a vida amorosa, os circuitos dentro da via principal, por meio de sentimentos elevados ou puritanos, lutam resolutamente para conter as correntes subterrâneas da luxúria. Ao longo da história, as culturas aplicaram freios da via principal aos desejos da via secundária – nas palavras de Freud, a civilização sempre combateu os descontentes. Por exemplo, durante séculos, casamentos na classe alta européia eram decididos unicamente pelas famílias como forma de assegurar que suas propriedades permanecessem em determinada linhagem; em essência, as famílias se casavam com outras famílias por meio de casamentos arranjados. Que se danassem a luxúria e o amor – afinal, sempre haveria o adultério.
Os historiadores sociais nos dizem que, pelo menos na Europa, foi somente durante a Reforma que surgiu a atual noção de amor romântico como um elo emocional de amor e desejo entre marido e mulher – um afastamento do ideal medieval de castidade, que via o casamento como um mal necessário. Foi somente por volta da época da Revolução Industrial, com a ascensão da classe média, que a noção de amor romântico tornou-se suficientemente popular no Ocidente, com a idéia de que bastava apenas um casal se apaixonar para se casar. E, é claro, em culturas como a Índia, na fronteira entre tradição e modernidade, os casais que se casam por amor continuam sendo uma pequena minoria, muitas vezes encontrando forte resistência dos familiares, que preferem um casamento arranjado.
Mas a biologia nem sempre coopera com o ideal moderno de casamento que associa companheirismo e cuidados para a vida inteira com as delícias mais volúveis do ardor romântico. Anos de familiaridade enfraquecem notoriamente o desejo – às vezes, isso pode acontecer assim que o relacionamento se torna estável.
Para piorar ainda mais as coisas, a natureza considerou adequado dotar homens e mulheres com tendências diferentes até mesmo nas moléculas do amor. Os homens geralmente têm níveis mais altos do que as mulheres das substâncias químicas que estimulam o desejo e níveis mais baixos das que estimulam o apego. Tais discrepâncias biológicas criam muitas das tensões clássicas entre homens e mulheres na arena da paixão.
À parte a cultura e a diferença de gêneros, talvez o maior dilema para o amor romântico tenha suas origens na tensão essencial entre os sistemas cerebrais subjacentes à noção segura de apego e os subjacentes a carinho e sexo. Cada uma dessas redes neurais abastece um conjunto de motivos e necessidades próprias – que podem ser compatíveis ou conflitantes. Quando existem conflitos, o amor pode cambalear; quando existe harmonia, o amor pode florescer.
 
UM ESPERTO TRUQUE DA NATUREZA
Uma escritora independente e empreendedora sempre viajava com a fronha do travesseiro com que o marido havia dormido. Aonde quer que ela fosse, colocava-a no travesseiro do hotel. Sua explicação: tinha mais facilidade de pegar no sono em uma cama que não era a dela se sentisse o perfume do marido.
Essa atitude faz sentido do ponto de vista biológico e nos oferece uma dica sobre os truques da natureza na tentativa de preservar a espécie. Alguns dos princípios da atração sexual – ou pelo menos do interesse sexual – seguem o caminho da via secundária: os sentidos, e não o pensamento formulado (ou até mesmo a emoção). Para as mulheres, essa intriga subliminar inicial pode surgir de uma impressão olfativa; para os homens, de uma impressão visual.
Os cientistas descobriram que o cheiro do suor masculino pode ter efeitos notáveis sobre as emoções das mulheres, melhorando seu humor, relaxando-as e elevando seus níveis dos hormônios luteinizantes, que provocam a ovulação.
O estudo que sugere isso, porém, foi realizado em circunstâncias puramente clínicas (e decididamente não-românticas), em laboratório. Amostras extraídas da axila de homens que não haviam usado desodorante durante quatro semanas foram colocadas em uma mistura aplicada ao lábio superior de uma jovem que se oferecera como voluntária para o que acreditava ser um estudo do cheiro de produtos de limpeza.5 Quando o perfume era do suor masculino, e não de outra fonte, a mulher ficava mais relaxada e feliz.
Em um contexto mais romântico, propõem os pesquisadores, esses odores também podem provocar desejos sexuais. Assim, presumivelmente, quando os casais dançam, seu abraço hormonal pode abrir silenciosamente caminho para a excitação sexual, à medida que seus corpos orquestram subliminarmente condições propícias à reprodução. Na verdade, o estudo fazia parte de uma pesquisa sobre novas terapias para fertilidade, com o objetivo de ver se o ingrediente ativo na transpiração poderia ser isolado; a pesquisa foi publicada no periódico Biology of Reproduction.
Para o homem, a conseqüência pode muito bem ser a visão do corpo da mulher nos centros de prazer do seu cérebro. O cérebro masculino contém detectores de sinais aparentemente ligados para aspectos-chave do corpo feminino, particularmente a proporção das medidas busto-cintura-quadril, um sinal de beleza jovem que, em si, pode provocar excitação sexual nos homens.6 Quando homens ao redor do mundo classificaram a atratividade dos contornos femininos com proporções variadas, a maior parte escolheu mulheres cuja circunferência equivalia a 70% da medida dos quadris.7
Há décadas, os motivos pelos quais o cérebro masculino funciona assim vêm despertando muita polêmica. Há quem veja nesse circuito neural uma forma de fazer com que os sinais biológicos do pico de fertilidade da mulher sejam singularmente atraentes para eles, economizando, assim, seu esperma.
Qualquer que seja a razão, trata-se de elegantes designs da biologia humana: a própria visão da mulher lhe causa deleite e o odor dele a prepara para o amor. Sem dúvida, tal tática funcionou bem nos estágios iniciais da pré-história humana. Porém, na vida moderna, a neurobiologia do amor passou por algumas complicações.
 
O CÉREBRO DA LIBIDO
Apaixonar-se “de verdade, profunda e loucamente” foi um dos critérios para selecionar homens e mulheres para um estudo no University College, em Londres. As 17 pessoas que se ofereceram foram submetidas a imagens cerebrais referentes à análise de uma fotografia de seu parceiro romântico e, em seguida, de fotografias de amigos. Conclusões: eles parecem ser dependentes do amor.
Tanto nos homens quanto nas mulheres, o objeto da paixão – e não os amigos – ativou setores singularmente associados do cérebro, um circuito tão específico que parece especializado no amor romântico.8 Grande parte desse circuito, como propôs o neurocientista Jaak Panksepp, é ativada em outro estado eufórico: com cocaína e opiáceos. Essa descoberta sugere que a natureza enlevada e viciante do romance intenso tem um fundamento neural. É intrigante constatar que nos homens esse circuito do amor não adianta muito durante a excitação sexual em si, embora as áreas adjacentes às do romance se ativem, sugerindo uma ligação anatômica quando o desejo sexual aumenta.9
A neurociência, por meio de tais estudos, desvendou o mistério da paixão sexual, desvendando o mix de hormônios e substâncias neuroquímicas que conferem à luxúria tal tempero. A receita para o desejo certamente varia um pouco entre os sexos. Mas os ingredientes e seu timing durante o ato sexual revelam um plano engenhoso, que confere à propagação de nossa espécie seu vigor.
O circuito da luxúria, onde reside a libido, abrange uma boa parte do cérebro límbico.10 Os sexos compartilham grande parte desse circuito da via secundária para o ardor sexual, mas existem algumas diferenças reveladoras. Tais diferenças causam disparidades nas maneiras como homem e mulher vivenciam o ato sexual, bem como no valor que cada um deles atribui aos vários aspectos de um encontro romântico.
Para os homens, tanto a sexualidade quanto a agressividade são ativadas pela ação da testosterona, o hormônio sexual, em áreas conectadas do cérebro.11 Quando os homens ficam excitados sexualmente, seus níveis de testosterona disparam. O hormônio masculino também alimenta o desejo sexual nas mulheres, ainda que não seja com tanta intensidade quanto nos homens.
Há, também, a questão da dependência. Tanto para os homens quanto para as mulheres, a dopamina – substância química que injeta intenso prazer em atividades tão diversas quanto jogar e usar drogas – se eleva nos encontros sexuais. Os níveis de dopamina aumentam não apenas durante a excitação sexual, mas também com a freqüência das relações e a intensidade da libido da pessoa.12
A oxitocina, substância química que dá origem à nossa necessidade de cuidar do outro, permeia mais o cérebro da mulher do que o do homem, por isso tem mais impacto sobre a ligação sexual da mulher. A vasopressina, hormônio intimamente relacionado à oxitocina, também pode desempenhar um papel na formação dessa ligação.13 Curiosamente, os receptores de vasopressina são abundantes nas células fusiformes, os conectores ultra-rápidos do cérebro social. Por exemplo, as células fusiformes estão envolvidas quando fazemos julgamentos rápidos e intuitivos sobre alguém que acabamos de conhecer. Embora os estudos ainda sejam inconclusivos, essas células parecem ser boas candidatas à parte do sistema cerebral que gera o amor – ou pelo menos o desejo – “à primeira vista”.
No período que antecede o ato sexual, os níveis de oxitocina atingem seu pico no cérebro masculino, assim como a fome hormonal provocada pela arginina e pela vasopressina (conhecidas coletivamente como AVP). O cérebro masculino tem mais receptores de AVP do que o feminino, e grande parte se concentra no circuito sexual. A dupla AVP, que se torna abundante na puberdade, parece alimentar o desejo sexual masculino, acumula-se com a aproximação da ejaculação e declina rapidamente no momento do orgasmo.
Tanto no homem quanto na mulher, a oxitocina alimenta muitos dos deliciosos sentimentos do contato sexual. Durante o orgasmo, são secretadas grandes doses desse hormônio; após, uma inundação dele parece estimular a sensação de aconchego e afeto – colocando homem e mulher no mesmo comprimento de onda durante certo tempo.14 A secreção de oxitocina continua intensa após o orgasmo, em particular no período que se segue a ele.15
A oxitocina é secretada com força ainda maior nos homens durante esse período “refratário” após o orgasmo, quando eles normalmente não conseguem ter ereção. É intrigante observar que, pelo menos nos roedores (e possivelmente nos seres humanos), a satisfação sexual nos homens faz com que os níveis de oxitocina fiquem três vezes maiores – uma mudança cerebral que aparentemente aproxima a química do cérebro masculino da química do cérebro feminino, pelo menos durante aquele período. De qualquer forma, essa engenhosa manobra química após o amor proporciona um período de relaxamento durante o qual os elos se consolidam, outra função da oxitocina.
O circuito da luxúria também prepara o casal para o próximo encontro. O hipocampo, estrutura-chave no armazenamento da memória, possui neurônios ricos em receptores tanto de AVP quanto de oxitocina. O AVP, particularmente no homem, parece gravar na memória, com força especial, a imagem instigante da parceira fervendo de paixão, tornando o ato sexual singularmente memorável. A oxitocina gerada pelo orgasmo também acentua a memória, mais uma vez gravando a figura da pessoa amada no olho da mente.
Embora essa bioquímica primordial instigue a atividade sexual, os centros cerebrais da via principal também exercem sua influência, que nem sempre é compatível. Os sistemas cerebrais que durante anos funcionaram bem para a sobrevivência humana hoje parecem vulneráveis aos conflitos e tensões, e isso pode fazer com que o trabalho do amor vá por água abaixo.
 
DESEJO INSACIÁVEL
Vejamos o caso de uma bela e jovem advogada cujo noivo, escritor, trabalhava em casa. Sempre que ela chegava em casa, o noivo largava tudo o que estava fazendo para ficar atrás dela. Certa noite, quando se preparava para dormir, mal ela se deitou, ele a puxou impacientemente para junto de si.16
“Calma, assim você sufoca meu amor”, protestou ela – e o comentário feriu seus sentimentos. Ele ameaçou ir dormir no sofá.
O comentário revela o outro lado de uma interação muito próxima: ela pode ser sufocante. O objetivo da sintonia não é simplesmente emaranhar-se continuamente, acompanhar absolutamente todo e qualquer pensamento e sentimento do outro; inclui também dar ao outro espaço para ficar sozinho quando for preciso. Este ciclo de conexão estabelece um equilíbrio entre as necessidades do indivíduo e as do casal. Como diz um terapeuta de família: “Quanto mais um casal pode ficar longe, maior sua capacidade de ficar junto.”
As principais expressões do amor – apego, desejo e cuidado – têm uma biologia singular cujo objetivo é reunir os parceiros com uma cola química específica. Quando eles se alinham, o amor se fortalece. Quando se estranham, o amor pode minguar.
Considere o desafio para toda ligação que ocorre quando três sistemas de amor biológico se desalinham, como é comum ocorrer na tensão entre apego e sexo. Tal desalinhamento ocorre, por exemplo, quando um dos parceiros se sente inseguro ou, pior ainda, sente ciúmes ou medo de ser abandonado. Sob a perspectiva neural, o sistema de apego, quando toma a direção da ansiedade, inibe a operação dos outros. Essa apreensão atormentadora pode facilmente intimidar o desejo sexual e abafar as manifestações de carinho – pelo menos durante certo tempo.
A fixação do escritor na noiva advogada como objeto sexual se assemelha à insaciedade de um bebê ao ser amamentado, que nada sabe sobre os sentimentos e necessidades da mãe. Esses desejos também se manifestam durante o ato sexual, quando dois adultos apaixonados mergulham um no corpo do outro com o mesmo fervor de um bebê.
Como observamos, as raízes da intimidade vigentes na infância reaparecem entre os amantes com o uso de linguagem tatibitate e apelidos infantis. Os etólogos argumentam que essas pistas disparam no cérebro dos amantes reações parentais de ternura e cuidados. A diferença entre o desejo adulto e o desejo do bebê, porém, reside na capacidade de empatia do adulto; assim, a paixão se mistura à compaixão ou, pelo menos, ao afeto.
Dessa forma, Mark Epstein, o psiquiatra da advogada, sugeriu-lhe uma alternativa: diminuir o ritmo o suficiente para se sintonizar emocionalmente e, assim, criar um espaço psicológico que lhe permitisse manter-se em contato com o próprio desejo. Essa reciprocidade de desejo e manutenção da interação do casal lhe proporcionou uma maneira de recuperar a paixão que ela estava perdendo.
Isso nos reconduz à famosa pergunta de Freud: “O que quer uma mulher?” E Epstein responde: “A mulher quer um parceiro que se importe com seus desejos.”
OBJETO CONSENSUAL DO DESEJO
Anne Rice, autora de uma série de romances sobre vampiros – e de romances eróticos, sempre sob pseudônimo –, lembra-se de ter vívidas fantasias sadomasoquistas desde a infância.
Uma de suas primeiras fantasias girava em torno de sofisticados cenários de jovens na Grécia Antiga sendo leiloados como escravos sexuais; a atração entre homens sempre a fascinou. Depois de adulta, ela se descobriu atraída por amizades com gays e pela cultura gay.17
Esse é o material do qual se compõe sua ficção; os romances de vampiros de Rice, nos quais prevalecem subtemas homoeróticos, definem o tom para o universo romântico dos góticos. E, em seus romances eróticos, escritos sob pseudônimo, ela detalha atividades sadomasoquistas praticadas por ambos os sexos. Apesar de as fantasias sexuais serem, sem sombra de dúvida, as favoritas de todos, nada nelas está além do que as descobertas dos pesquisadores exemplificam como os devaneios eróticos de pessoas comuns.
As cenas sexuais exibicionistas que Rice elaborou em riqueza de detalhes não são “depravadas” no sentido normativo; ao contrário, estão entre os temas de fantasias normalmente descritos por homens e mulheres em vários estudos. Por exemplo, uma pesquisa descobriu que as fantasias sexuais mais freqüentes são: reviver um encontro sexual excitante; imaginar-se tendo relações sexuais com o parceiro de alguém ou outra pessoa, fazer sexo oral, fazer amor em um lugar romântico, ser irresistível – e ser forçado à submissão sexual.18
Uma grande variedade de fantasias sexuais pode refletir uma sexualidade saudável, oferecendo uma fonte de excitação que aumenta a excitação e o prazer.19 Quando ambas as partes consentem, isso inclui as mais bizarras fantasias, como as de Rice, que inicialmente pareceriam apresentar cenários cruéis.
Já caminhamos muito desde a declaração de Freud, um século atrás, que dizia: “Uma pessoa feliz nunca fantasia, só a insatisfeita.”20 Mas uma fantasia é apenas isso: intensa imaginação. Como Rice menciona explicitamente, ela concretizou suas fantasias, apesar das oportunidades. As fantasias sexuais podem não ser concretizadas com outra pessoa, mas, mesmo assim, acabar sendo úteis. Os estudos originais de Alfred Kinsey (que, em uma análise retrospectiva, representaram uma amostra distorcida) revelaram que 89% dos homens e 64% das mulheres admitiram ter fantasias sexuais durante a masturbação – uma descoberta chocante na década de 1950, mas particularmente desinteressante hoje em dia. Como o bom Professor Kinsey deixou claro, uma gama surpreendente de comportamentos sexuais nos homens e nas mulheres é muito mais comum do que admitimos publicamente.
Os tabus sociais que ainda reinam nos dias de hoje – apesar da ubiqüidade dos sites pornôs – significam que a incidência real de várias predileções é invariavelmente mais elevada do que as pessoas estão dispostas a admitir. Na verdade, os pesquisadores sexuais presumem rotineiramente que qualquer estatística baseada nos relatos das pessoas sobre seu comportamento sexual subestima os números reais. Quando estudantes universitários, tanto homens quanto mulheres, registraram em um diário cada fantasia ou pensamento sexual que tiveram durante o dia, os homens informaram sete por dia e as mulheres, de quatro a cinco. Em outros estudos, porém, no qual os estudantes responderam a um questionário que pedia que se lembrassem da mesma informação, os homens estimaram ter apenas uma fantasia sexual por dia e as mulheres, uma por semana.
Considere homens e mulheres que admitem ter fantasias sexuais durante a relação. Em praticamente todas as formas de comportamento sexual, os números referentes aos homens costumam ser mais altos do que os das mulheres, mas, no quesito fantasiar, durante a relação parece haver um equilíbrio; até 94% das mulheres e 92% dos homens admitem ter fantasiado (embora alguns relatos falem em 47% para os homens e 34% para as mulheres).
Um estudo revelou que ter relações sexuais com o amante atual é um devaneio que não ocorre durante o ato em si, mas imaginar-se transando com outra pessoa é uma fantasia mais freqüente durante a relação.21 Esses dados levaram um comediante a observar que, quando parceiros românticos fazem amor, na verdade quatro pessoas estão envolvidas: as duas pessoas reais e as outras duas imaginárias.
Em geral, as fantasias sexuais descrevem o outro como um objeto, um ser criado para satisfazer o próprio desejo, independentemente do que o outro, ou outra, deseje na situação. Mas, quando se trata de fantasia, vale tudo.
Consentir em participar, compartilhar e realizar uma fantasia sexual ao vivo é um ato de convergência; “interpretar” o roteiro com um parceiro disposto a entrar no jogo, em vez de impor a fantasia e fazer do outro um objeto, faz toda a diferença.22 Se ambos os parceiros concordarem e desejarem, até mesmo um cenário imaginário Eu-Isso pode gerar uma intimidade maior. Nas circunstâncias certas, considerar o amante como um objeto – quando a decisão é consensual – pode fazer parte do jogo do sexo.
Um psicoterapeuta observa que “uma boa relação sexual é como uma boa fantasia sexual” – excitante, porém segura. Quando os dois têm necessidades emocionais complementares, acrescenta, a química resultante – como fantasias que se misturam – pode gerar uma excitação capaz de diminuir o desinteresse sexual entre casais que estão juntos há muitos anos.23
A empatia e a compreensão entre os parceiros fazem toda a diferença entre uma fantasia divertida e outra dolorosa. Se ambos virem a relação sexual como um jogo, a própria facilidade em relação à fantasia cria uma empatia tranqüilizadora. À medida que entram na realidade da fantasia, a interação com a própria fantasia aumenta seu prazer mútuo e evidencia uma aceitação radical – um ato implícito de afeto.
 
QUANDO O SEXO SE CONCRETIZA
Imaginemos a vida amorosa de um narcisista patológico, conforme um relato de caso de seu psicoterapeuta:
Vinte e cinco anos de idade e solteiro, ele se apaixona facilmente pelas mulheres que encontra e é obcecado por intensas fantasias com cada uma delas. Porém, depois de uma série de encontros com cada mulher, ele sempre se decepciona com elas e, de uma hora para outra, passa a considerá-las pouco inteligentes, grudentas ou repugnantes fisicamente.
Por exemplo, quando se sentiu sozinho no Natal, tentou persuadir sua namorada da época – com quem mantinha um relacionamento de apenas algumas semanas – a ficar com ele, em vez de ir visitar a família. Quando ela se negou, ele a chamou de egoísta e, muito bravo, decidiu nunca mais voltar a vê-la.
Ao acreditar que tem direito a tudo, sem ressalvas, o narcisista sente que as regras e os limites comuns não se aplicam a ele. Como vimos antes, ele acredita que tem todo direito ao sexo quando uma mulher o encoraja ou provoca – mesmo que ela lhe peça claramente para parar. Ele continuará de qualquer maneira, mesmo que, para isso, tenha de usar a força bruta.
Lembre-se: a incapacidade de sentir empatia ocupa o topo da lista das características do narcisista, junto com a atitude exploradora e o egoísmo. Por isso, não deve ser surpresa o fato de que homens narcisistas endossam atitudes que favorecem a coação sexual, como a idéia de que as vítimas de estupro “tiveram o que pediram” ou que, quando uma mulher diz não ao sexo, na verdade quer dizer sim.24 Os narcisistas entre os universitários americanos tendem a concordar que “se uma garota aceita afagos e carinhos e a coisa esquenta demais, é culpa dela se o parceiro forçá-la a transar”. Para alguns homens, essa crença justifica os estupros nos casos em que o homem força uma relação com a mulher com quem troca carícias, mas que não quer ir em frente.
A prevalência de tais atitudes entre alguns homens pode explicar parcialmente por que, nos Estados Unidos, aproximadamente 20% das mulheres alegam terem sido forçadas à atividade sexual indesejada apesar de sua resistência – na maioria das vezes, pelo cônjuge, parceiro ou alguém com quem estejam romanticamente envolvidas na época.25 Na verdade, dez vezes mais mulheres são forçadas ao sexo por alguém que amam do que por um estranho. Um estudo realizado com estupradores confessos revelou que cada caso de coação aconteceu depois de uma brincadeira sexual consensual; o estuprador simplesmente ignorou os protestos da mulher para que não continuasse.26
Ao contrário da maioria dos homens, os narcisistas, na verdade, gostam de filmes em que o casal está em um clima quente e a mulher quer parar e, em seguida, o homem força o sexo apesar de sua dor e angústia evidentes, considerando-os excitantes sexualmente.27 Enquanto assistem a uma cena como essa, os narcisistas desviam a atenção do sofrimento da mulher e se concentram somente na gratificação do agressor. De maneira intrigante, os narcisistas deste estudo não gostaram da seqüência que mostra somente o estupro, sem as preliminares e a recusa.
A falta de empatia torna os narcisistas indiferentes ao sofrimento que causam às suas “namoradas”. Enquanto ela experimenta o sexo forçado como um ato distinto de violência, ele não entende por que ela não sente prazer com o ato, tampouco sente compaixão por ela. Na verdade, quanto mais dotado de empatia for o homem, menos probabilidade ele terá de agir como predador sexual ou até mesmo imaginar-se fazendo isso.28
Uma força hormonal adicional pode estar em ação no sexo forçado. Estudos descobriram que níveis extremamente elevados de testosterona aumentam a probabilidade de os homens tratarem a outra pessoa como um mero objeto sexual. Isso também os torna parceiros problemáticos no casamento.
Um estudo sobre os níveis de testosterona realizado com 4.462 homens americanos revelou um padrão alarmante entre os que apresentavam leituras muito elevadas do hormônio sexual masculino.29 Eles eram mais agressivos de um modo geral, apresentando maior probabilidade de ser presos e envolver-se em brigas. Além disso, eram péssimos maridos: tendiam a bater nas esposas, manter relações sexuais extraconjugais e, compreensivelmente, divorciar-se. Quanto mais elevado o nível de testosterona, pior a situação.
Por outro lado, observa o estudo, muitos homens com altos níveis de testosterona são felizes no casamento. Os autores do estudo postulam que o que faz a diferença é a capacidade de controle que os homens aprendem a ter sobre os ferozes impulsos provocados pela testosterona. O segredo para controlar os diversos tipos de impulsos, tanto os sexuais quanto os de agressividade, encontra-se nos sistemas pré-frontais. Isso nos reconduz à necessidade da via principal e à sua capacidade de colocar um freio na via secundária, como um contrapeso para a libido.
Anos atrás, quando eu era jornalista científico do The New York Times, estava conversando com um funcionário do FBI especializado em análise psicológica de serial killers. Ele me contou que tais assassinos estão, na grande maioria das vezes, vivendo fantasias sexuais perversas e cruéis nas quais as súplicas das vítimas tornam-se um estímulo para continuar. Na verdade (felizmente), um pequeno subconjunto de homens excita-se mais por descrições de estupros do que por cenas eróticas de sexo consensual.30 Seu estranho apetite por sofrimento separa esse grupo da grande maioria dos homens: nem mesmo os estupradores narcisistas se excitam sexualmente com o estupro direto.
Essa total falta de empatia parece explicar por que os estupradores em série não se deixam deter pelas lágrimas e pelos gritos de suas vítimas. Um número significativo de estupradores condenados informou posteriormente que durante o estupro nada sentiu em relação às suas vítimas e simplesmente não sabia ou não ligava para o que elas sentiam. Quase metade se convenceu de que as vítimas haviam “gostado”, apesar de terem ficado suficientemente transtornadas a ponto de colocá-los na cadeia.31
Um estudo realizado com estupradores condenados revelou que eles conseguiam entender as outras pessoas na maioria das situações, com uma notável exceção: eram incapazes de perceber expressões negativas nas mulheres, mas percebiam as positivas.32 Assim, embora tenham capacidade de empatia em geral, esses estupradores parecem incapazes ou pouco dispostos a ler os sinais que poderiam detê-los. Tais predadores podem ser seletivamente insensíveis, interpretar de modo equivocado os sinais que menos querem ver – a recusa ou o sofrimento da mulher.
Os mais problemáticos são homens muito depravados que preferem compulsivamente concretizar suas fantasias em cenários Eu-Isso – um padrão típico dos criminosos condenados por estupros em série, molestamento sexual infantil e exibicionismo. Esses homens normalmente são estimulados por fantasias desses atos abusivos com muito mais freqüência do que por cenas sexuais comuns.33 Obviamente, o simples fato de ter uma fantasia não significa que uma pessoa forçará outra a concretizá-la. Porém, aqueles que, como os criminosos sexuais, realmente impõem suas fantasias a outras pessoas eliminaram a barreira neural entre pensamento e ação.
Quando a via secundária rompe a barreira da via principal e concretiza um impulso abusivo, as fantasias tornam-se combustível para a malevolência, alimentando a libido desenfreada (há quem fale em desejo de poder), que leva aos crimes sexuais em série. Em casos assim, tais fantasias tornam-se um sinal de perigo – particularmente quando o homem não tem empatia por suas vítimas, acredita que elas  apresentavam leituras muito elevadas do hormônio sexual masculino.29 Eles eram mais agressivos de um modo geral, apresentando maior probabilidade de ser presos e envolver-se em brigas. Além disso, eram péssimos maridos: tendiam a bater nas esposas, manter relações sexuais extraconjugais e, compreensivelmente, divorciar-se. Quanto mais elevado o nível de testosterona, pior a situação.
Por outro lado, observa o estudo, muitos homens com altos níveis de testosterona são felizes no casamento. Os autores do estudo postulam que o que faz a diferença é a capacidade de controle que os homens aprendem a ter sobre os ferozes impulsos provocados pela testosterona. O segredo para controlar os diversos tipos de impulsos, tanto os sexuais quanto os de agressividade, encontra-se nos sistemas pré-frontais. Isso nos reconduz à necessidade da via principal e à sua capacidade de colocar um freio na via secundária, como um contrapeso para a libido.
Anos atrás, quando eu era jornalista científico do The New York Times, estava conversando com um funcionário do FBI especializado em análise psicológica de serial killers. Ele me contou que tais assassinos estão, na grande maioria das vezes, vivendo fantasias sexuais perversas e cruéis nas quais as súplicas das vítimas tornam-se um estímulo para continuar. Na verdade (felizmente), um pequeno subconjunto de homens excita-se mais por descrições de estupros do que por cenas eróticas de sexo consensual.30 Seu estranho apetite por sofrimento separa esse grupo da grande maioria dos homens: nem mesmo os estupradores narcisistas se excitam sexualmente com o estupro direto.
Essa total falta de empatia parece explicar por que os estupradores em série não se deixam deter pelas lágrimas e pelos gritos de suas vítimas. Um número significativo de estupradores condenados informou posteriormente que durante o estupro nada sentiu em relação às suas vítimas e simplesmente não sabia ou não ligava para o que elas sentiam. Quase metade se convenceu de que as vítimas haviam “gostado”, apesar de terem ficado suficientemente transtornadas a ponto de colocá-los na cadeia.31
Um estudo realizado com estupradores condenados revelou que eles conseguiam entender as outras pessoas na maioria das situações, com uma notável exceção: eram incapazes de perceber expressões negativas nas mulheres, mas percebiam as positivas.32 Assim, embora tenham capacidade de empatia em geral, esses estupradores parecem incapazes ou pouco dispostos a ler os sinais que poderiam detê-los. Tais predadores podem ser seletivamente insensíveis, interpretar de modo equivocado os sinais que menos querem ver – a recusa ou o sofrimento da mulher.
Os mais problemáticos são homens muito depravados que preferem compulsivamente concretizar suas fantasias em cenários Eu-Isso – um padrão típico dos criminosos condenados por estupros em série, molestamento sexual infantil e exibicionismo. Esses homens normalmente são estimulados por fantasias desses atos abusivos com muito mais freqüência do que por cenas sexuais comuns.33 Obviamente, o simples fato de ter uma fantasia não significa que uma pessoa forçará outra a concretizá-la. Porém, aqueles que, como os criminosos sexuais, realmente impõem suas fantasias a outras pessoas eliminaram a barreira neural entre pensamento e ação.
Quando a via secundária rompe a barreira da via principal e concretiza um impulso abusivo, as fantasias tornam-se combustível para a malevolência, alimentando a libido desenfreada (há quem fale em desejo de poder), que leva aos crimes sexuais em série. Em casos assim, tais fantasias tornam-se um sinal de perigo – particularmente quando o homem não tem empatia por suas vítimas, acredita que elas “gostam”, sente hostilidade em relação a elas e é emocionalmente solitário.34 Essa combinação explosiva praticamente assegura os problemas.
Compare a fria desassociação da sexualidade Eu-Isso com o afeto conectado de uma relação Eu-Tu. O amor romântico depende da ressonância; sem essa ligação íntima, apenas o desejo permanece. Com total empatia bilateral, o parceiro torna-se também um sujeito, sintonizado como um Tu, e a carga erótica aumenta radicalmente. Quando um casal mistura-se em união emocional associada à intimidade física, ambos perdem a noção de separação, no que foi chamado de “orgasmo do ego” – um encontro não só de corpos, mas também de seus próprios seres.35
Mesmo assim, nem o melhor orgasmo do mundo oferece garantia de que os amantes vão se importar um com o outro na manhã seguinte. O afeto tem uma lógica neural própria.
 
 (Goleman, Daniel - Inteligência social)
 
NOTAS:
 
1. Sobre imagens cerebrais enquanto se examina a foto do ser amado, vide H. A. Fisher et al., “Early Stage Intense Romantic Love Activates Cortical-basal Ganglia Reward/ Motivation, Emotion, and Attention Systems”, apresentação na reunião anual da Society for Neuroscience, Nova Orleans, 11 de novembro de 2003.
2. Os dois centros são: o núcleo caldado e o septo.
3. Sobre sexo casual, consulte Helen Fisher, Why We Love (Nova York: Henry Holt, 2004), 14p. 117.
4. Sobre características atrativas, consulte David Buss, “Sex Differences in Human Mate Preference: Evolutionary Hypotheses Tested in 37 Cultures”, Behavioral and Brain Sciences 12 (1989), pp. 1–49.
5. Sobre o estudo da transpiração, consulte Charles Wysocki, “Male Axillary Extracts Contain Pheromones that Affect Pulsatile Secretion of Luteinizing Hormone and Mood in Women Recipients”, Biology of Reproduction 68 (2003), pp. 2.107–13.
6. Sobre a proporção busto-cintura-quadril, vide David Buss, “Sex Differences”.
7. Devendra Singh, “Female Mate Value at a Glance: Relationship of Hip-to-Waist Ratio to Health, Fecundity, and Attractiveness”, Neuroendocrinology Letters, suppl.4 (2002), pp. 81–91.
8. As principais áreas ativadas durante o amor romântico são a ínsula medial, o CCA, o núcleo caldado e o putâmen, todos em ambos os lados. Todas essas áreas se ativam durante felicidade intensa. Igualmente importantes, porções do giro cingulado e da amígdala que se ativam durante a disforia foram desativadas. Vide Andrea Bartels and Semir Zeki, “The Neural Basis of Romantic Love”, NeuroReport 17 (2000), pp. 3.829–34.
9. Sobre excitação sexual e circuito cerebral nos homens, vide Serge Stoleru et al., “Neuroanatomical Correlates of Visually Evoked Sexual Arousal in Human Males”, Archives of Sexual Behavior 28 (1999), pp. 1–21; S. L. Rauch et al., “Neural Activation During Sexual and Competitive Arousal in Healthy Men”, Psychiatry Research 91(1999), pp. 1–10.
10. O circuito neural para o sexo inclui estruturas no cérebro límbico superior como a área do septo, o núcleo BNSA e as áreas pré-ópticas, que se conectam, por meio do hipotálamo anterior, ao prosencéfalo medial do hipotálamo lateral. Vide Jaak Panksepp, Affective Neuroscience: The Foundations of Human and Animal Emotions (New York: Oxford University Press, 1998).
11. O circuito da agressão se concentra nos lobos temporais, uma área mais ativa nos homens; o circuito da educação terna, concentrado na área cingulada, tende a ser mais ativo nas mulheres. Aqui, como em qualquer outra parte do cérebro, o que acontece depende de detalhes específicos: exatamente como a testosterona afeta o desejo sexual nas mulheres difere dependendo da dose; níveis moderados aumentam a libido, enquanto níveis muito altos a reduzem. Vide R. C. Gur et al., “Sex Differences in Regional Cerebral Glucose Metabolism During a Resting State”, Science 267 (1995), pp. 528–31.
12. A dopamina eleva os níveis de testosterona, assim os antidepressivos que elevam os níveis de dopamina muitas vezes elevam também a libido. See J. P. Heaton, “Central Neuropharmacological Agents and Mechanisms in Erectile Dysfunction: The Role of Dopamine”, Neuroscience and Biobehavioral Reviews 24 (2000), pp. 561–69.
 
13. A vasopressina também pode estimular a agressão. A vasopressina e a oxitocina atuam nos cérebros tanto do homem quanto da mulher: esta possivelmente energizando o lado mais assertivo da maternidade nas mulheres e a outra encorajando o lado mais suave da paternidade nos homens.
14. Este relato simplificado da neuroquímica do amor baseia-se em Panksepp, Affective Neuroscience. Panksepp observa que uma gama muito maior de substâncias químicas cerebrais entra em ação na sexualidade, mas ainda sabemos muito pouco sobre elas.
15. Vide C. S. Carter, “Oxytocin and Sexual Behavior”, Neuroscience and Behavioral Reviews 16 (1992), pp. 131–44.
16. Sobre o jovem advogado e sua noiva, vide Mark Epstein, Open to Desire (Nova York: Gotham, 2005).
17. Anne Rice falou sobre suas fantasias sexuais em Katherine Ramsland, Roquelaure Reader: A Companion to Anne Rice’s Erotica (Nova York: Plume, 1996).
18. Sobre temas comuns de fantasias, vide Harold Leitenberg e Kris Henning, “Sex Fantasy”, Psychological Bulletin 117 (1995), pp. 469–96.
19. Nem todas as fantasias sexuais envolvem uma cena elaborada; algumas são meramente pensamentos ou imagens de uma atividade romântica ou sexual. Para uma revisão do consenso atual em psicologia, vide ibid.
20. Sobre fantasias, vide Sigmund Freud, “Creative Writers and Daydreaming”, in James Strachey, org., The Standard Edition of the Complete Psychological Works of Sigmund Freud, Vol. 9 (1908; Londres: Hogarth Press, 1962), p. 146.
21. Sobre sonhar acordado, vide, por exemplo, G. D. Wilson e R. J. Lang, “Sex Differences in Sexual Fantasy Patterns”, Personality and Individual Differences 2 (1981), pp. 343–46.
22. Porém, se a realidade da fantasia for imposta ao outro, sem seu consentimento, o Eu-Tu se evapora, transformando-se na realidade Eu-Isso: “Isso me excita” e não “Você me excita”. A etiqueta para navegar nessa fronteira entre consentimento e imposição aparentemente foi bem definida na subcultura da ligação e da disciplina, em que a própria natureza das fantasias em operação pode muito facilmente escorregar para o desastre interpessoal.
23. Michael J. Bader, The Secret Logic of Sexual Fantasies (Nova York: St. Martin’s Press, 2002), p. 157.
24. Sobre narcisistas e atitudes sexuais, vide Brad J. Bushman et al., “Narcissism, Sexual Refusal, and Aggression: Testing a Narcissistic Reactance Model of Sexual Coercion”, Journal of Personality and Social Psychology 48 (2003), pp. 1.027–40.
25. Sobre mulheres forçadas a sexo sob coação, vide Edward O. Laumann et al., The Social Organization of Sexuality: Sexual Practices in the United States (Chicago: University of Chicago Press, 1994).
26. E. J. Kanin, “Date Rapists: Differential Sexual Socialization and Relative Deprivation”, Archives of Sexual Behavior 14 (1985), pp. 219–31.
27. Sobre sexo sob coação como estímulo ou não-estímulo, vide Bethany Lohr et al., “Sexual Arousal to Erotic and Aggressive Stimuli in Sexually Coercive and Noncoercive Men”, Journal of Abnormal Psychology 106 (1997), pp. 230–42.
28. K. E. Dean e N. M. Malamuth, “Characteristics of Men Who Aggress Sexually and of Men Who Imagine Aggressing”, Journal of Personality and Social Psychology 72 (1997), pp. 449–55.
29. Sobre testosterona, vide Alan Booth e James Dabbs, Jr., “Testosterone and Men’s Marriages”, Social Forces 72, n. 2 (1993), pp. 463–78.
30. Sobre excitação com imagens de estupro, vide G. Hall et al., “The Role of Sexual Arousal in Sexually Aggressive Behavior: a Meta-analysis”, Journal of Clinical and Consulting Psychology 61 (1993), pp. 1.091–95.
31. Sobre a falta de empatia dos estupradores condenados, vide D. Scully, Understanding Sexual Violence (Londres: HarperCollinsAcademic, 1990).
32. Sobre estupradores e mensagens negativas, vide E. C. McDonell e R. M. McFall, “Construct Validity of Two Heterosocial Perception Skill Measures for Assessing Rape Proclivity”, Violence and Victims 6 (1991), pp. 17–30.
33. Indícios clínicos sugerem que os criminosos sexuais se masturbam regularmente com fantasias de seu cenário preferido. Algumas prisões para pedófilos, estupradores e exibicionistas tentam redu zir o índice de repetição de ofensas após a libertação dos prisioneiros oferecendo programas de tratamento. Durante muitas décadas, o tratamento girava em torno de tentar mudar as fantasias do criminoso, por exemplo, associando o cenário durante a masturbação com um odor desagradável ou usando medicação bloqueadora de hormônios para eliminar o desejo perturbador. Hoje, porém, essas abordagens em si são vistas como insuficientes se não forem acompanhadas de outra que também aumente a empatia do criminoso pelas vítimas. Assim, os tratamentos podem incluir fazer com que o criminoso conheça vítimas reais de crimes como os cometidos por ele, a fim de ouvir sua descrição da dor e do sofrimento aos quais foram submetidas. Os tratamentos abordam também a noção distorcida do criminoso de como as vítimas os vêem. Os exibicionistas, por exemplo, são confrontados com o fato de que as mulheres às quais eles se expõem normalmente os verem como patéticos, não como impressionantes. A terapia também ataca o pensamento distorcido que permite a um perpetrador racionalizar o crime como inofensivo. Por outro lado, tentar suprimir as peri gosas fantasias pode ter um efeito paradoxal: elas podem aumentar, em vez de diminuir, à medida que tentamos evitá-las. Assim, nos programas mais eficazes, os criminosos aprendem a prevenir uma recaída detectando os sinais iniciais de fantasias perigosas e podando pela raiz os hábitos que no passado os levaram a colocar tais fantasias em prática. Vide Leitenberg e Henning, “Sex Fantasy”.
34. Consulte, por exemplo, Neil Malamuth, “Predictors of Naturalistic Sexual Aggression”, Journal of Personality and Social Psychology 50 (1986), pp. 953–62.
35. Sobre desejo com empatia, vide Judith Jordan, “Clarity in Connection: Empathic Knowing, Desire, and Sexuality”, in Women’s Growth in Diversity (Nova York: Guilford, 1997). Sobre orgasmo do ego, vide, por exemplo, Masud Khan, “Ego-Orgasm in Bisexual Love”, International Review of Psycho-analysis 1 (1974), pp. 143–49.

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