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Confissão e inquisição

por Thynus, em 18.01.15
Para garantir o completo extermínio dos cátaros e de todos aqueles que com eles simpatizassem, o Papa criou um órgão especializado na tortura, o mais terrível instrumento de crueldade que o mundo já conheceu. Na cidade de Toulouse, capital do Languedoc, terra dos cátaros, foi criado o Tribunal do Santo Ofício, que passou a ser chamado de Inquisição, pois sua especialidade era inquirir até que a vítima não suportasse mais os sofrimentos e assinasse uma confissão ditada pelos inquiridores.
(A. J. BARROS - O ENIGMA DE COMPOSTELA)
 
Ouviu batidas na porta e o monge estava lá, com uma nova bacia de água quente. Ele lavou o rosto, as mãos e se vestiu. Pouco depois, o menino chegou e pediu a bênção, beijou a sua mão e disse em voz baixa:
— É preciso que o senhor confesse e comungue.
Não acreditava mais naquelas cerimônias, mas fora instruído para agir como um católico fervoroso para não comprometer a vida do garoto e os membros da comunidade.
Foi uma missa simples, e o celebrante fez a pregação, contando a história do Advento, do nascimento do Cristo Rei, o Cristo Redentor, aquele que veio para salvar o mundo e foi reverenciado pelos Reis Magos.
Sentiu tristeza porque a cerimônia religiosa lhe tocava o coração e era aquela religião que sua mãe também lhe ensinara. Mas a missa não combinava com a matança que a Igreja praticava. Havia agora a Santa Inquisição, criada pela Ordem dos Dominicanos, que também queimava cristãos, não importando se eram mulheres grávidas, velhos, doentes ou crianças.
Aqueles que tinham idéias diferentes daquilo que os padres diziam eram condenados à fogueira. Assistira a muitos espetáculos de cremação de pessoas
vivas, e naqueles momentos percebia o regozijo dos que acreditavam estar livrando o reino de Deus de hereges que não mereciam estar nele.
(A. J. BARROS - O ENIGMA DE COMPOSTELA)
 
- Inquisição! O Santo Ofício! Os autos-de-fé! A fogueira! O confisco de bens! O uso de mulheres que tinham de se sujeitar ao clero para não serem queimadas vivas! Quantos crimes! Quantos crimes!
(A. J. BARROS - O ENIGMA DE COMPOSTELA)
 
O Vaticano continua com as suas cruzadas e com a Inquisição condenando inocentes. A nossa especialidade foi semear a dúvida para depois colher a discórdia. O Vaticano é hoje tão criticado como o governo americano. Só os católicos praticantes apoiam o Vaticano e só os americanos não odeiam os Estados Unidos.
(A. J. BARROS - O ENIGMA DE COMPOSTELA)
Um dia, O Deus do Mal se vestiu com as roupas do Deus do Bem e veio de mansinho ao Languedoc, imitando os perfeitos.
Ele tomou o nome de Domingos de Gusmão e desceu para a cidade de Longeais vestido como um bom cristão. Andava descalço e, como os perfeitos, ia de vilarejo em vilarejo, pregando o catolicismo. Mas era um falso e, diante do fracasso de suas tentativas, criou uma organização criminosa para torturar e perseguir os bons cristãos.
No ano de 1216, ele fundou na cidade de Toulouse a Ordem dos Dominicanos, que passou a ser chamada de Ordem dos Cães do Senhor (Domini Cannes, em latim). Sua crueldade foi tanta, que inspirou a criação do Tribunal do Santo Ofício, também chamado de Inquisição, cuja missão era acabar com a heresia dos cátaros.
Temidos e odiados, os dominicanos transformaram o arrasado Languedoc numa região de terror, traição e denúncias. Só escapava da fogueira quem denunciasse o vizinho, o pai ou um amigo. Onde chegavam, mandavam desenterrar os mortos e os empilhavam na praça central sobre feixes de madeiras embebidas em betume e ateavam fogo. Gritavam para o povo:
— Isso é o que acontecerá a vocês se não confessarem suas heresias ou não denunciarem aqueles que não aceitam os sacramentos da Igreja Católica.Para facilitar as denúncias, o Papa Inocêncio III, no Concilio de Latrão de 1215, obrigou a confissão uma vez por ano diante de um padre. Aqueles que não se confessassem eram considerados hereges ou judeus, e a Inquisição os torturava e depois os matava. Essa obrigatoriedade tinha por finalidade descobrir quem não era católico. Aos que se confessavam, eram prometidos o reino dos céus e os bens pertencentes ao herege que tivesse denunciado.

(A. J. BARROS - O ENIGMA DE COMPOSTELA)

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publicado às 14:58


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