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 Se não tivéssemos as dúvidas, Onde, então,
haveria uma certeza jubilante?

Goethe
 
A intolerância é intrínseca apenas ao monoteísmo: um deus único é, por natureza,
um deus ciumento, que não tolera nenhum outro além dele mesmo.

(Arthur Schopenhauer - A ARTE DE INSULTAR)  

Em 1951, Eric Hoffer, estivador e filósofo de botequim americano, publicou um pequeno livro intitulado The True Believer, no qual apresentou uma profunda descrição desse tipo de ser humano. Os movimentos de massa, ele argumentou - como movimentos religiosos, social-revolucionários e nacionalistas -, propagam ideologias muito diferentes, mas têm uma característica em comum: elas geram e são transmitidas por pessoas que, em casos extremos, estão dispostas até a morrer pela causa, que preconizam a ação conformista e que promovem e são motivadas pelo fanatismo, pelo ódio e pela intolerância. De maneira muito diferente das doutrinas que pregam e dos programas que projetam, esses movimentos de massa compartilham a mesma mentalidade - isto é, a mentalidade fanática do verdadeiro crente. Hoffer identificou esse tipo de mentalidade no extremismo cristão e muçulmano (hoje em dia, falamos de islamismo e fundamentalismo protestante), no comunismo, no nazismo e em várias formas de nacionalismo. A observação a seguir, feita por Hoffer em 1951, continua válida: "[Visto que] apesar de vivermos em uma era sem Deus, ele é o exato oposto do irreligioso. O verdadeiro crente está por toda parte e, ao mesmo tempo, convertendo e antagonizando, molda o mundo à sua própria imagem." E, como na época de Hoffer, há muitos outros "ismos" criados e propagados por verdadeiros crentes, como o modernismo esclarecido, o romantismo antirracional e o pós-modernismo igualmente antirracional.
A maioria desses "ismos" pode ser chamada de "deuses" - isto é, objetos de devoção e adoração -, apesar de um profeta hebraico poder definilos como `falsos deuses". Eles, muitas vezes, são "deuses que fracassaram", parafraseando o título de uma compilação de ensaios de seis intelectuais europeus que, no período entre 1917 e 1939, acreditaram nas bênçãos do comunismo, mas perderam a fé depois de conhecerem a versão terrorista de Stalin. Esses deuses seculares caem por terra em particular quando suas profecias fracassam, como quando a revolução proletária, as previsões de fim do mundo ou o retorno profetizado da figura messiânica não ocorrem. No início do cristianismo, havia altas expectativas em relação ao retorno iminente de Jesus Cristo para criar o Reino de Deus na Terra. Sugeriu-se que essa escatologia frustrada tenha impulsionado as atividades missionárias do Apóstolo Paulo e o estabelecimento da Igreja Cristã como uma organização formal. O pontífice de Roma era visto não apenas como o CEO (Chief Executive Officer) da Igreja Católica Romana, mas também como o representante de Cristo na Terra até o seu retorno.
Em seu estudo clássico When Prophecy Fails (1956), Leon Festinger argumentou que as pessoas profundamente comprometidas com uma crença e suas linhas de ação não perdem a fé quando os eventos refutam suas alegações, como quando um evento profetizado deixa de ocorrer. Pelo contrário, elas vivenciam um aprofundamento de suas convicções e se põem a pregar sua fé para confirmá-la. Quanto mais as pessoas se apegam à sua fé, mais verdadeira ela deve ser - pelo menos é o que se imagina. No entanto, Festinger acrescenta que, na maioria dos casos, há um momento em que as evidências perturbadoras se acumulam a ponto de 249/466 permitir a entrada de dúvidas obstinadas. Essas dúvidas, à medida que crescem, acabam causando a rejeição da crença - isto é, a menos que os crentes consigam criar uma sólida institucionalização, como foi o caso do cristianismo. A dissolução de movimentos apocalípticos é mais provável quando se dá uma data precisa para o fim do mundo (e essa data passa sem que o mundo acabe). Mais cedo ou mais tarde, transcorrida essa data sem a ocorrência de nenhum desastre apocalíptico, um movimento desse tipo geralmente cai por terra (apesar de não devermos subestimar a capacidade dos seres humanos de negar as evidências invalidantes).
Fundamentalistas religiosos e seculares e seus adversários se engalfinharam em amargas controvérsias ao longo da História. Apesar de esses grupos serem diversos, normalmente têm três características principais em comum: em primeiro lugar, têm muita dificuldade de ouvir opiniões e ideias discordantes. Em segundo lugar, alegam estar de posse de uma verdade irrefutável (seja religiosa ou secular). Em terceiro lugar, alegam que sua verdade é a única verdade; em outras palavras, declaram deter o monopólio sobre a verdade. As posições antagônicas dos "criacionistas" e "evolucionistas" apresentam um exemplo revelador. Se esses debates permanecessem restritos a espaços como a igreja, a mesquita, o templo, a sinagoga ou a universidade, seriam relativamente inócuos. No entanto, os verdadeiros crentes debatem em locais públicos - em particular, na arena política -, onde podem causar danos consideráveis.
Devido à convicção de que detêm o monopólio da verdade, os "verdadeiros crentes" reprimem até o menor sinal de dúvida. Eles ridicularizam e até perseguem os representantes da moderação liberal. O fanatismo religioso foi o que levou Voltaire a exclamar "Écrasez l'infâme" ("Destruam a infâmia!") - sendo os infames a Igreja e talvez o cristianismo em geral. Mas o Iluminismo também produziu o próprio fanatismo assassino. Não muito tempo depois de a deusa da razão ter sido entronizada pela Revolução Francesa (nada menos que na Igreja de la Madeleine, em Paris), o terror foi liberado, superando facilmente as crueldades do ancien régime, que tanto ultrajou Voltaire.
A supressão da dúvida com motivações religiosas pode ser ilustrada por um dos vários exemplos históricos apresentados por séculos de conflitos religiosos na Europa. O reformista francês do século XVI João Calvino, um dos verdadeiros crentes mais inflamados da História, estabeleceu uma teocracia protestante na cidade de Genebra. Ele nunca ambicionou posição política, tendo permanecido Ministro da Igreja por toda a vida. Entretanto, como uma espécie de ayatollah, ele tentou manter o firme controle do cenário político de sua cidade. No início, ele não conseguiu: o prefeito e o conselho da cidade se recusaram a se entregar às doutrinas de Calvino e de seu colega igualmente fanático Guillaume Farel, e os baniu de Genebra. Mas, dois anos mais tarde, quando as relações entre facções foram alteradas no conselho, os dois reformistas foram solicitados a voltar a Genebra. Depois de retornar, Calvino lançou suas Ordonnances ecclésiastiques, que foram aceitas pelo conselho da cidade. Com essas rigorosas regras eclesiásticas, Calvino instituiu um conselho radicalmente presbiteriano - consistindo em laicos mais velhos e ministros com treinamento teológico - para ocupar o lugar do tradicional conselho episcopal, governado por bispos. Vale notar que esses homens laicos também eram oficiais do governo.
Calvino determinou que a Igreja precisaria ser autônoma, mas a cidade-estado deveria ser subordinada à Igreja, particularmente no amplo campo da moralidade. A teocracia de Calvino enfrentou uma enxurrada de disputas e conflitos, mas ele conseguiu manter firme controle doutrinário e moral sobre os cidadãos de Genebra.
Naturalmente, Calvino foi confrontado com a feroz oposição de alguns teólogos. Um deles foi o Cardeal Jacopo Sadoleto, secretário do Papa Leão X e bispo de Carpentras, no sul da França. Em uma carta endereçada ao conselho e aos cidadãos de Genebra, ele tentou persuadir esses "hereges" protestantes, Calvino e Farel, a retornar à Igreja-mãe. Usando como coringa o tema da salvação, Sadoleto levantou a seguinte questão: O que acontecerá com a nossa alma - a essência de nossa identidade - quando morrermos? Danação ou salvação? A Igreja Romana Sagrada, com mais de 14 séculos de existência, argumentou Sadoleto, oferece a salvação por meio da eucaristia, da confissão dos pecados e sua absolvição, das orações dos santos a Deus em nosso nome e nossas orações a Deus em nome dos mortos.
Naturalmente, precisamos da misericórdia de Deus, mas boas ações são igualmente necessárias para nossa salvação. O tom de Sadoleto foi conciliador, mas, em certos pontos, ele explodiu em uma fúria fanática: "Pois bem sei eu que tais inovadores das coisas anciãs e bem consolidadas, tais perturbações, tais dissenções, são não apenas pestilentas às almas dos homens (o maior de todos os maus), como também perniciosas às relações privadas e públicas." Mas ele conclui a carta em um tom cortês: "Não rezarei para que o Senhor destrua os lábios ludibriadores e as línguas retumbantes deles e nem que Ele acrescente iniquidade à iniquidade deles, mas rogarei fervorosamente para que o Senhor, meu Deus, os converta e lhes traga lucidez de espírito, como faço agora."
Apesar de a missiva não ser endereçada diretamente a ele, Calvino respondeu em cinco meses com uma longa e elaborada exposição. Ele começou dizendo que suas atividades em Genebra não pretendiam promover seus interesses privados, como sugerira Sadoleto. Tudo o que ele vinha fazendo, afirmou, era feito a serviço de Jesus Cristo e em obediência não à Igreja, mas à Bíblia, "uma causa à qual o Senhor me incumbiu". Na verdade, ele acrescentou, "se desejasse consultar meus próprios interesses, jamais teria deixado seu partido. Certamente, conheço mais que um punhado de homens da minha própria idade que se insinuaram na eminência - alguns aos quais eu poderia ter me igualado e outros que teria superado". E, com todo o respeito, ele continuou, é, de certa forma, suspeito que uma pessoa que nunca esteve em Genebra e nunca tenha demonstrado interesse algum pelos genebreses "agora subitamente professe por eles tamanha afeição, apesar da inexistência de qualquer indício prévio de tanto afeto". Calvino acreditava que a verdadeira intenção do bispo era "devolver os genebreses ao controle do pontífice romano". E, quanto à salvação, Calvino acreditava que a teologia não se deveria restringir aos pensamentos e temores individuais - isto é, à alma de um indivíduo, mas que era primordialmente necessário demonstrar a glória de Deus. Sim, boas ações são importantes, mas não para conquistar uma vida no Céu, e sim para honrar a glória de Deus. Ademais, não deveríamos confundir essa glória com a glória do pontífice de Roma e de seus subordinados. A salvação pode ser atingida somente pela fé e pela misericórdia de Deus: "Mostraremos que o único refúgio seguro está na misericórdia de Deus, manifestada em Cristo, no qual cada parte da nossa salvação está completa. Considerando que toda a humanidade é, aos olhos de Deus, composta de pecadores perdidos, sustentamos que o Cristo é a única virtude da humanidade, já que, por Sua obediência, Ele expurgou todas as nossas transgressões."
Em determinado ponto dessa resposta epistolar, Calvino se vangloriou de sua "escrupulosa retidão, profunda sinceridade e franqueza do discurso". Em comparação com Sadoleto, ele chegou a afirmar ter sido "consideravelmente mais afortunado na tarefa de manter a gentileza e a moderação". Essa resposta foi escrita em agosto de 1539. Calvino, sem dúvida, perdeu toda a "gentileza" quando publicou seu Catechismus Genevensis seis anos mais tarde, em que revelou o regime teocrático e disciplinador ao qual os cidadãos de sua cidade deveriam sujeitar-se. Nesse ponto, o calvinismo já havia se tornado uma ideologia consolidada. Todas as críticas foram suprimidas com fanatismos, mas os críticos não puderam ser silenciados. A reação mais estrondosa veio de Sebastian Castellio, que fora amigo íntimo de Calvino, mas que se distanciou de seu cada vez mais intenso fanatismo, criticando em especial a doutrina calvinista da predestinação. Castellio acabou fugindo de Genebra a Basel, onde intensificou sua ênfase anticalvinista na tolerância e na liberdade de consciência. Em 1553, Miguel Servetus, teólogo laico de certa forma confuso que rejeitou a doutrina da Trindade, foi queimado em público na fogueira - uma morte extremamente dolorosa à qual Calvino objetou, propondo, sem sucesso, o enforcamento como uma alternativa (isso é que é "gentileza"!). Em resposta a essa atrocidade, Castellio publicou dois tratados em que rejeitou fervorosamente a perseguição e a execução de hereges. Ele se distanciou de maneira mais radical do fanatismo teológico com seu tratado intitulado "The Art of Doubt, Faith, Ignorance and Knowledge" (1563) - a arte da dúvida, fé, ignorância e conhecimento -, no qual tentou responder à multifacetada questão: Quais doutrinas cristãs deveriam ser sujeitas à dúvida, em quais o indivíduo deveria acreditar, quais ele não deveria precisar conhecer e quais deveria conhecer? Apesar da amplitude do tratado, Castellio estava mais interessado na questão da dúvida, em oposição a fanáticos como Calvino.
Ele argumentou que o Velho e o Novo Testamento continham muitas passagens difíceis de acreditar e passíveis de dúvida. Por exemplo, era possível encontrar muitas contradições que abriam os portais da dúvida. No entanto - e, neste ponto, Castellio elabora uma forma notadamente precoce da hermenêutica moderna -, deveríamos lidar com nossa dúvida nos concentrando na corrente principal, no espírito das palavras no contexto de sua coerência. Dessa forma, a dúvida e a incerteza abrem caminho para o conhecimento e a verdade indubitável. Bem, existe uma categoria de pessoas, ele prosseguiu, que insistem que um indivíduo não deveria oprimir-se com a incerteza, que aquiescem sem críticas a tudo o que está registrado nas escrituras e que condenam sem hesitação qualquer um que tenha opinião diferente. Além disso, essas pessoas não apenas jamais duvidam, como também não podem permitir o surgimento da dúvida na mente de qualquer outra pessoa. Se alguém continua a duvidar, os crentes fervorosos não hesitam em acusá-lo de ceticismo, como se alguém que duvida de algo automaticamente alegasse que nada pode ser conhecido ou vivenciado com certeza. Castellio parafraseou o Eclesiastes 3:2, dizendo: "Há um tempo de dúvida e há um tempo de fé; há um tempo de conhecimento e há um tempo de ignorância."
A parte mais interessante da teoria de Castellio é sua justaposição de ignorância e conhecimento por um lado e dúvida e crença por outro. Ele via a ignorância como uma fase preparatória inevitável para o conhecimento e, de maneira similar, via a dúvida como uma preparação para a fé. Ademais, e estamos falando de um notável passo dialético, ele via a ignorância e a dúvida não como opostos totalmente diferentes do conhecimento e da fé, mas como contrapartes intrínsecas. Isso, é claro, contraria a visão de mundo dos verdadeiros crentes - não apenas no mundo da religião, como também no mundo do racionalismo. No que se refere ao mundo do racionalismo, Castellio pareceu prever a ascensão do racionalismo científico como um componente inerente ao processo de modernização.
E sua previsão se provou correta: com a ascensão das ciências no mundo ocidental, testemunhamos o nascimento do que foi apropriadamente chamado de "cientificismo" - a crença muitas vezes fanática na onipotência das ciências (em grande parte, naturais) e suas aplicações tecnológicas. Trata-se de uma forma de racionalismo que combate com fanatismo todas as formas de suposta ignorância - em particular, da religião. Enquanto a fé religiosa é definida como ignorância irracional, as ciências racionais (inclusive as ciências sociais, elaboradas com base nas ciências naturais) são elevadas a alturas metafísicas. Auguste Cocote, que apresentamos em capítulo anterior, foi um dos primeiros representantes dessa visão de mundo racionalista, que ele chamou de "positivismo". Essa ideologia foi exemplificada pelo behaviorismo psicológico e sociológico no século passado e ainda se manifesta nas ciências naturais, embora encoberta pelo novo manto do geneticismo. O "deus" desse racionalismo hoje em dia é o "gene egoísta", um exemplar moderno da predestinação. Como seu antecessor calvinista, ele destrói a ideia de liberdade de escolha e de ações moralmente boas.
A dúvida como uma parte intrínseca da fé é, naturalmente, sempre rejeitada pelos verdadeiros crentes - aqueles que hoje rotulamos de "fundamentalistas". Para o verdadeiro crente fundamentalista, a fé não implica, como Paul Tillich a definiu, "acreditar no inacreditável", mas sim a confiança nas revelações indubitáveis de Deus ou de Alá, como registradas nos Livros Sagrados, contidas em tradições sagradas e vivenciadas em cerimônias sagradas. Há uma coalescência interessante do cientificismo e do fundamentalismo religioso no constante debate entre evolucionismo e criacionismo.

(Peter L. Berger, Anton C. Zijderveld - Em Favor da Dúvida)

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