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Celibato do Padre

por Thynus, em 29.07.14

Não há História, seja de qualquer dinastia asiática ou européia, por mais devassa que tenha sido, do que a História dos Papas, que ocuparam a famosa cadeira de Pedro.
Mais adiante, numa resenha que faremos, salientaremos somente algumas dúzias de verdadeiros Paxás da Turquia, que fizeram do Vaticano o maior harém conhecido e onde os crimes de defloramentos, de incestos, de pederastia não encontram paridade com os praticados nos maiores lupanares da Roma antiga.
Há mesmo no Vaticano, junto aos aposentos particulares do Papa, uma escadaria subterrânea para acesso de pessoas mais íntimas, que não passam pelas portas protocolares.
Não há quem não conheça a história de Lucrécia Bórgia e da Papisa Joana, que deu à luz em plena procissão. O escândalo foi de tal ordem que a Congregação dos Ritos teve de criar a Cadeira furada, na qual teriam de se sentar futuros papas, para o reconhecimento, em pleno cerimonial da sua máscula personalidade. Dizem mesmo, mas não garantimos, que eram pronunciadas as seguintes palavras, acompanhadas por órgãos e cantochão: "Em quan... ti... da... de... Amém!".
Onze séculos após a morte do pobre Cristo, o escândalo público era de tal ordem, não só internamente, como entre o clero civil, que o papa Hildebrando foi forçado a decretar o Celibato do padre.
Após uma série de peripécias, a Igreja, ora permitindo aos que fossem casados residirem com suas esposas e filhos, de acordo com a recomendação de São Paulo, era proibida a convivência sob o mesmo teto, ora permitindo a concubinagem aos celibatários, ora proibindo, ora substituindo-a pela convivência com dois noviços, ora com um só, ora anulando esse pernicioso costume, nos dá uma idéia do espírito de dissolução que sempre reinou no Vaticano.
O voto de celibato, na opinião de Estanislau Orichorius, cônego na Catedral de Premislaw, citado por M. Gregóire, bispo de Blois, em sua obra Histoire des mariages des prêtres (1826), é idêntico ao voto que ele tivesse feito de tocar o céu com o dedo, pois tal voto não o obriga a coisa alguma.
Valham-nos, ao menos, os Jainas, da Índia, de cuja seita só fazem parte os que triunfam da sensualidade.
Pio II escreveu que, "por invencíveis razões, interditou-se o casamento dos padres; porém, por mais invencíveis razões, era preciso permiti-lo".
Entretanto, ainda em 1859, era hábito no Vaticano castrarem-se jovens seminaristas, ainda não tonsurados para servir nos coros da igreja de São Pedro, a fim de cantar os hinos da dor e da compunção, por ocasião da Semana Santa.
Quem nos poderá garantir que tal costume não continue em vigor, dado o conservadorismo dos regulamentos?
É possível que se tal medida, copiada dos haréns da Turquia, onde se castravam os eunucos, não fosse revogada e prevalecesse como uma das condições da ordenação, o clero católico seria hoje bem reduzido, mas composto de homens comprovadamente inofensivos à moral pública e, quiçá, verdadeiros cristãos.
Isso corroboraria a frase de Bermond Choveronius, cônego de Viviers, em seu livro De publicis concubinariis, página 8: "O mugir dos bois ou o grunhir dos porcos são mais agradáveis a Deus que os cânticos dos padres fornicadores".
Quando o clero for casado, o confessionário só se prestará para guarita de soldados.
Não há religião ou Culto no mundo que use de tal processo para santificar seu clero. Essa formalidade só tem trazido formidáveis escândalos.
Sem recorrermos a milhares de casos, extrairemos um dos processos arquivados na Torre do Tombo, em Lisboa, armário 5°, maço 7°, datado do ano 1478, referente à sentença lavrada contra o padre Fernandes Costa, que extraímos do jornal A Fraternidade da cidade de Coimbra.
Diz este documento:

"Padre Fernandes Costa, prior que foi de Trancoso, da idade de 62 anos, será degradado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas ao rabo de cavalos, esquartejado o seu corpo e posto em quartos e a cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime de que foi argüido, que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com 29 afilhadas, tendo delas 97 filhas e 37 filhos; de cinco irmãs teve 18 filhos e filhas; de nove comadres teve 38 filhas e 18 filhos; de nove amas teve 29 filhas e cinco filhos; de duas escravas teve 21 filhas e sete filhos; dormiu com uma tia chamada Anna da Costa de quem teve três filhos e ... da própria mãe teve dois filhos!!! Total 275 filhos sendo 200 do sexo feminino e 75 do masculino, sendo concebidos de 54 mulheres!
“O rei João II perdoou ao fecundo sotaina e o mandou pôr em liberdade em 17 de março de 1487 e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença e mais papéis que formam o processo!"

É impossível que o leitor não tenha corado e sentido seus nervos irritados, íamos continuar com uma lista de escandalosos fatos, ocorridos no nosso país, de autoria de padres inescrupulosos, alguns já falecidos e outros vivos, que não cessavam de pregar a moral; mas que se tranqüilizem; o arrependimento ainda poderá ser útil às suas almas.
As escabrosas questões a respeito de mulheres improdutivas nunca foram abordadas por nenhuma religião do mundo e ainda menos pelo Rabino da Galiléia que se limitou a dizer à mulher adúltera: "Vai e não peques mais". Isto é, não engane mais seu marido.
Mais adiante, porém, voltaremos ao assunto quando tratarmos de Moral Jesuítica.
Contudo, antes de fecharmos este artigo, vamos citar um dos milhares de pequenos casos que se repetem na nossa pátria, mas que a imprensa trata de embaralhar, ou por ignorância, ou por malícia, para encobrir o nome do segundo delinqüente, visto como, em ambas as notícias, trata-se do padre Victor Coelho de Almeida, ora chamado na notícia do A Noite, de dezembro de 192r — Padre Victor Coelho, ora chamado na de O Globo, de 11 de agosto de 1932 (dois anos e meses depois) de Victor de Almeida, ora Victor Coelho; não podendo, porém, ser o mesmo, pois o do A Noite "teve 15 filhos, goza a vida e sem mais explicações, abandona mulher e filhos e recolhe-se ao claustro", a: passo que o de O Globo, três anos depois, "abandona a mulher com uma filha de 15 anos, recolhe-se ao convento, produzindo o suicídio de sua infeliz esposa"!
Disse Jesus que não há pior cego do que aquele que não quer ver. Pior. porém, é aquele que procura tapar o sol com uma peneira para que os outros não possam vê-lo.
É lógico que os que se comprazem nessa prostituição rebatam os honestos colegas que romperam com esse foco de miasmas, dizendo às suas incautas ovelhas: Não os ledes, não os acrediteis, são filhos do diabo, que não puderam resistir à cruz do Cristo e fugiram para o inferno; mas não dizem que aqueles se afastaram envergonhados desse centro de prostituição, ao passo que eles permanecem, hipocritamente, usufruindo os gozos da vida.
E bom chamarmos a atenção desde já do leitor para nossa abstenção em tocar no dogma da "Confissão". São tais os horrores, são tais as infâmias e os crimes cometidos e relatados em centenas de obras, não por hereges, mas por inúmeros padres que, muitos, enojados e apavorados desse antro de perdição de moças virgens e senhoras casadas ou viúvas, despiram as vestes sacerdotais e deram o grito de alarme.
Contudo, vejamos o que diz a tal respeito um dos Sumos Pontífices da Igreja:
Chiniqui, à página 44, relata que o Papa Pio IV, em 1560, ordenou que todas as mulheres solteiras e casadas que tivessem sido seduzidas pelos seus confessores fossem denunciá-los.
Principiou-se por Sevilha. Tornado conhecido o Edito do Papa, o número de mulheres foi tão considerável que, apesar de haver três escrivãs, não puderam concluir o trabalho no prazo determinado. Mais 60 dias foram concedidos; mas tiveram de reconhecer que o número de padres sedutores era tanto que se tornaria impossível castigá-los e a coisa ficou nisso!
Como não ser assim se o padre é forçado a perguntar às penitentes, cautae et poucae!
Estupenda moral! E são esses que pregam contra o divórcio e o casamento civil por desorganizador da família!

 (E. Leterre - A VIDA OCULTA E MÍSTICA DE JESUS)

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publicado às 02:15



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