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Biosfera

por Thynus, em 15.10.14
A biosfera inclui todos os ecossistemas que estão presentes desde as altas montanhas (até 10.000 m de altura) até o fundo do mar (até cerca de 10.000 m de profundidade).
 
Nosso organismo, como a própria Terra, consiste em ecossistemas interligados. Para a ecologia, a "capacidade de sustentação" de um ambiente se refere ao número máximo de pessoas (ou de qualquer outra espécie) que um ambiente específico pode suportar antes de ocorrerem danos. Assim como os sistemas da Terra têm um limite que eles podem suportar antes de começar a se degradar e entrar em colapso, os sistemas no interior de nosso corpo têm um limite para o acúmulo de compostos estranhos acumulados antes de se transformarem em doença.
Nosso ecossistema orgânico envolve interações altamente complexas entre os genes e as substâncias químicas industriais às quais somos expostos por meio dos alimentos que ingerimos, do ar que respiramos e dos objetos que tocamos. Elas se mostram tão complexas que raramente somos capazes de estabelecer ligações específicas entre uma única substância química suspeita e um resultado biológico específico. Com algumas exceções, desconhecemos a consequência biológica exata da exposição a quantidades até mesmo mínimas de substâncias químicas sintéticas no dia a dia sobre o organismo humano.
A principal desvantagem de nos expormos a milhares de substâncias químicas sintetizadas consiste no fato de a natureza ser econômica, reutilizando uma dada estrutura molecular de inúmeras maneiras diferentes para diversos propósitos. Uma resina alcaloide secretada no ovário do broto de uma papoula imita as endorfinas no sistema opioide humano, a fim de criar um estado de entorpecimento. Um químico industrial pode valorizar um composto molecular que evita que as panelas grudem ou mata a erva-daninha no quintal, enquanto a natureza encontrará outras finalidades para esse mesmo composto assim que ele entrar na fábrica química altamente complexa em que consiste o organismo humano.
Tampouco isso leva em consideração o que acontece quando essas substâncias químicas são absorvidas pelo organismo de outras espécies. Os compostos feitos pelo homem que vão parar no solo, na água e no ar não desaparecem; misturam-se aos complexos ecossistemas da natureza dos quais os animais dependem. Fizemos uma série de descobertas sobre os danos causados por substâncias químicas produzidas pelo homem - dos pesticidas ao Prozac - nos sistemas naturais que invadem. Mesmo doses mínimas de algumas substâncias químicas podem ter efeitos colaterais jamais previstos. A promessa de uma vida melhor oferecida pela química pode se transformar no pesadelo da natureza.
Vejamos, por exemplo, todos aqueles medicamentos que costumamos ter em casa, no armário de remédios. As substâncias farmacêuticas são desenvolvidas especificamente para iniciar uma reação biológica precisa com doses extremamente baixas. Essas substâncias químicas se transformam em algo semelhante a projéteis biológicos quando acabam na natureza, seja através do esgoto ou pela infiltração dos depósitos de lixo.(Bethany Halford, "Side Effects", Chemical and Engineering News, 25 de fevereiro de 2008, pp. 13-17) Doses mínimas de uma forma sintética de estrogênio encontrado em anticoncepcionais orais "feminilizam" peixes machos; cientistas que colocaram um pouco do composto químico em um lago canadense descobriram que alguns dos peixes machos deixaram de produzir esperma e passaram a produzir óvulos. Em três anos, os peixes haviam desaparecido e o número de trutas do lago que se alimentavam deles diminuíra quase 30%.(Karen A. Kidd et al., "Collapse of a Fish Population After Exposure to a Sy nthetic Estrogen", Proceedings of the National Academy of Science 104 (2007): 8897-8901. Muito embora o organismo humano secrete esses compostos de estrogênio sob a forma de um metabólito, nas estações de tratamento de águas residuais as bactérias se ligam ao metabólito para recriar o composto original)
Quanto mais a ciência avança em sua capacidade de detectar perigos ainda mais sutis dos efeitos colaterais das substâncias feitas pelo homem, mais a lista cresce. Os geneticistas que estudam as bactérias do solo e dos lagos afirmam que o uso maciço de antibióticos gera inadvertidamente germes que resistem a esses próprios antibióticos - e, quanto mais usamos, mais essas bactérias resistentes aos antibióticos se espalham na natureza. Embora matem uma bactéria específica, os antibióticos também favorecem a difusão das combinações de DNA imunes a seus efeitos; essas cepas resistentes acabam trocando seus genes com outras bactérias, que adquirem sua imunidade. Os mais de 11 milhões de quilos de antibióticos usados na engorda acelerada de ovelhas e vacas - barateando sua comercialização - acabam gerando enormes quantidades de bactérias que resistem a esses próprios antibióticos animais. Qualquer pessoa que tome antibióticos ou use sabonetes antibióticos contribui para o problema.
Essa é apenas uma das inúmeras maneiras como as substâncias químicas industriais interferem na natureza. Eis uma lista da longa relação de avaliações da Análise do Ciclo de Vida de como os compostos químicos afetam nossa saúde ou a biosfera:
•O impacto do câncer avalia um processo ou composto químico industrial em termos dos caminhos esperados dos carcinógenos despejados no meio ambiente, sua persistência depois que estão ali presentes, a probabilidade de exposição humana a eles, a potência cancerígena de cada composto químico e exatamente onde, na cadeia de suprimentos, todos esses impactos cancerígenos têm origem. Para 116 substâncias químicas altamente tóxicas liberadas no ar pelos processos industriais nos Estados Unidos ao longo de um ano, os cientistas ambientais calculam a ocorrência de 260 casos de câncer a mais por US$1 milhão de produção industrial envolvendo essas substâncias; os principais culpados foram os compostos aromáticos policiclícos liberados na produção do alumínio e as dioxinas liberadas pelas fábricas de cimento.
•Os anos de vida ajustados por incapacidade (DALY - Disability Adjusted Life Years) mede a quantidade de vida saudável perdida devido aos impactos de emissões de toxinas, carcinógenos etc. Isso pode ser calculado mesmo para quantidades mínimas de uma substância e traduzido em sua contribuição para a incidência crescente de câncer infantil ou de enfisema para as pessoas afetadas. A unidade básica, um DALY, representa a perda de um ano de saúde plena.
•A perda de biodiversidade refere-se ao grau de extinção de espécies causado por um processo ou uma substância específica. Tecnicamente medida como uma "fração potencialmente danificada", permite calcular quanto a liberação de uma substância química específica poderia reduzir um ecossistema, acelerando o declínio de plantas ou animais.
•A toxicidade personificada calcula quantas substâncias químicas problemáticas são dispostas na natureza durante o ciclo de vida do produto. Para uma cortina de chuveiro de PVC (polivinil clorado), temos de calcular o petróleo extraído e processado e o cloro acrescentado para a produção do polivinil clorado - rico em carcinógenos -, do qual a cortina do chuveiro é feita. Assim, quando usamos a cortina, há as emissões de gases do ftalatos que se misturam para deixar a cortina maleável à medida que suas moléculas vão se dissolvendo no ar. Quando uma cortina de chuveiro finalmente termina seus dias em um lixão, libera lentamente o gás cloro. Entretanto, o maior perigo de uma cortina de chuveiro para a vida humana afeta os operários durante sua produção ou decorre do cloro liberado quando ela for incinerada em um lixão. A toxicidade geral da cortina considera todos esses fatores ocultos durante o ciclo de vida do produto. A toxicidade incorporada remodela o que há muito consideramos "riscos profissionais" - como o risco aumentado de doença de Parkinson entre os soldadores em decorrência da inalação de fumaça de manganês - como problemas de consumo.
Gregory Norris nos adverte contra a mentalidade do tipo "ou tudo ou nada" a respeito desses impactos, lembrando-nos de que "tudo está conectado". Precisamos entender, diz ele, "que o ciclo de vida de todo produto está ligado à liberação de, pelo menos, quantidades-traço de poluentes em algum ponto da cadeia de suprimentos". Portanto, a pergunta a ser feita torna-se quantitativa: quanto de qual poluente é liberado e como podemos reduzir, da maneira mais eficaz, essas emissões? Uma vez que toda a cadeia de suprimentos causa tantos impactos, não podemos mais ignorar a mudança climática, a destruição dos habitats, as substâncias químicas liberadas ou incorporadas ou as condições dos trabalhadores - tampouco podemos nos concentrar exclusivamente em uma delas.

(Daniel Goleman - Inteligência Ecológica)

Os ecossistemas são unidades funcionais básicas em que os componentes bióticos e abióticos interagem e estão inseparavelmente relacionados.

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