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A ascendência do fundamentalismo islâmico pode ser datada da terrível derrota sofrida pelos árabes às mãos dos israelenses na guerra de 1967. Gamal Abdel Nasser, [presidente da República Árabe Unida (Egito e Síria) - N.T.], tinha levado os árabes a crer que a vitória, depois de 19 anos de preparativos, estava assegurada. A derrota devastadora foi, por isso, duplamente humilhante. Foi essa derrota, todavia, que provocou o atual reavivamento do Islã.
(...) Por razões que variam da ignorância e desleixo à maldade e manobras políticas, várias pessoas estão tentando fazer uma lavagem cerebral do público americano de modo a equacionar o fundamentalismo islâmico com terrorismo. Não permitam que isso aconteça... Não há nada no ensino islâmico que possa causar pânico a qualquer americano... O Islã adora o mesmo Deus que o cristianismo e o judaísmo... O conceito de jihad, ou guerra santa, não difere em nada do conceito cristão da guerra justa. Os muçulmanos só são obrigados a irem à guerra se o próprio Islã for atacado...
Dave Hunt - Jerusalém um Cálice de tontear)
 
O antigo primeiro-ministro britânico Winston Churchill
observou que “a democracia é a pior forma de
governo que existe, com exceção de todas as
demais”. Realmente, se compararmos o modelo
democrático com as demais experiências políticas
dos últimos cem anos — fascismo, nazismo, comunismo
e fundamentalismo islâmico — veremos que
a democracia vence de longe. Ou seja, apesar das
fraquezas do sistema democrático como o conhecemos,
ele ainda é a melhor opção na prateleira.
ALEXANDRE OSTROWIECKI, RENATO FEDER - CARREGANDO O
ELEFANTE

O futuro da humanidade dependerá, em
ampla medida, do êxito ou do fracasso coletivo
em lidar com a dificuldade da coexistência
entre as diferenças. E poucas
diversidades colocam-nos um desafio mais
urgente do que o fundamentalismo muçulmano.
Acredito que possamos evitar o anunciado
“choque das civilizações” entre o
Ocidente e o islã, uma guerra na qual todos
nós sofreremos, desde que ambos os lados
façam as concessões e os esforços necessários.
A primeira tarefa, imprescindível, é exercitar
a compreensão. Ao Ocidente, cabe

entender como a riqueza histórica do mundo
muçulmano se vincula à sua ira atual – e
como o próprio mundo ocidental é cúmplice,
de certa forma, da crise contemporânea do
islã. Um entendimento da dinâmica interna
do mundo muçulmano, assim como de sua
interação com os povos vizinhos, constitui o
primeiro passo para desenhar políticas mais
compassivas, e mais efetivas, frente a ele.
Peter Demant - O Mundo Muçulmano

 
"Escolhemos atacar uma escola do exército porque o Governo está a atacar as nossas famílias e as nossas mulheres. Queremos que sintam a dor." Foi assim que Mohammed Khurasani, o porta-voz do grupo Tehreek-e-Taliban Paquistão (TTP), justificou pelo telefone aos jornalistas o ataque da manhã desta terça-feira a uma escola militar em Peshawar, no Paquistão. Como se explica este atentado?
 
1. RETALIAÇÃO CONTRA O EXÉRCITO
O ataque provocou pelo menos 126 mortos, na maioria crianças , mas a decisão de atacar uma escola não foi inocente. Uma das razões para o ataque, um dos mais letais de sempre na região, foi dada directamente por Khurasani: "O ataque é uma resposta a Zarb-e-Azab, à morte dos lutadores Talibã e ao assédio às suas famílias". Ou seja, é uma resposta às ofensivas do exército paquistanês contra os talibãs, que têm sido bem-sucedidas. Uma das mais fortes foi a de Zarb-e-Azab, no Waziristão do Norte, em junho, onde mais de 1.600 talibãs morreram, segundo a AFP. O exército garante ter limpo 90% da região dos militantes talibãs e está também a realizar outra operação perto de Peshawar, que já matou mais de 179 combatentes.
A escolha desta escola em particular é por isso uma retaliação clara, já que grande parte das crianças serão filhas de militares. "Muitos membros dos TTP perderam membros das suas famílias e por isso dizem querer infligir dor", explica Kamal Hyder, correspondente da cadeia de televisão Al Jazeera no Paquistão. "Mas muitas pessoas comuns põem os seus filhos em escolas militares devido aos padrões mais altos de educação que estas têm. Por isso, os cidadãos normais também foram atingidos por isto."
 
2. PESHAWAR, ZONA SENSÍVEL
A cidade de Peshawar, onde vivem cerca de quatro milhões de pessoas, tem-se tornado nos últimos tempos um viveiro de talibãs, que com os seus ataques contínuos e violentos vão causando o caos. Não é por isso de admirar que a escalada de violência culmine num ataque desta dimensão, com centenas de mortos.
Já em julho de 2013, o "New York Times" escrevia sobre o domínio talibã em Peshawar, dizendo que os militantes têm atacado a cidade "uma vez por dia, em média, nos últimos cinco meses, segundo as estatísticas do governo da província. "Isso corresponde a cerca de metade dos episódios [de violência] militante na [província de] Khyber-Pakhtunkhwa".
 
3. A DEFESA DA EDUCAÇÃO ISLÂMICA E A RELAÇÃO COM MALALA
Ahmed Rashid, jornalista paquistanês, apontou ainda outras duas possíveis razões que não podemos excluir para explicar este ataque. Numa entrevista à BBC, Rashid declara que "não podemos esquecer que Malala tem recebido prémios por todo o mundo e acabou de ganhar o prémio Nobel". Os talibãs que balearam a jovem Malala Yousafzai, defensora do direito à educação, pertencem precisamente ao TTP.
Rashid acrescenta ainda que o grupo poderá por isso querer mandar uma mensagem forte, que diz 'não gostamos do vosso sistema escolar, queremos uma escola islâmica.'
 
4. AS CONSEQUÊNCIAS
O ataque do TTP pode não ter as consequências que o grupo deseja. O ministro da Informação Pervaiz Rashid já reagiu, dizendo que os militantes não conseguirão deter a ação militar do Governo. "Vamos continuar a nossa operação contra eles, ainda com mais intensidade e maior força." A violência do ataque e o facto da maior parte das vítimas serem crianças chocam a opinião pública, que provavelmente apoiará ainda mais a ação militar a partir de agora.
 
Mesmo em termos políticos, o atentado poderá servir como ponto de viragem, unindo todas as fações políticas contra os talibãs. É isso que escreve o jornalista da BBC no Paquistão Owen Bennett-Jones: "Poucas horas depois do ataque, o primeiro-ministro, Nawaz Sharif, fez uma declaração clara - algo pouco habitual - contra os atacantes. E o líder da oposição cancelou a greve que estava planeada para 18 de dezembro. Pode ser que com a morte de tantas crianças, os talibãs paquistaneses tenham conseguido unir os políticos e o exército".

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publicado às 15:57



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