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AS RELIGIÕES E AS CIÊNCIAS

por Thynus, em 12.03.16
 
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No início do século XX, começaram a se realizar pesquisas entre cientistas, principalmente físicos e biológos, a fim de se revelar a existência de Deus e a imortalidade do homem. Não se especificou nas perguntas se o interêsse nas respostas era desta ou daquela religião monoteista. Estas representaram cêrca de 50% em cada uma das perguntas. No fim do século se questionou, nos Estados Unidos, separadamente, as mesmas perguntas, com cêrca de 1.800 membros da Academia Nacional de Ciências. O resultado foi bem diferente, pois apenas 10% deles responderam afirmativamente, quanto à crença numa vida após a morte biológica ou num Deus em comunicação intelectual e afetiva com o homem, denunciando, com isso, serem ateus ou agnósticos. Isso confirma aquilo que em todos os tempos sempre disse o homem mais culto: “Quanto maior a cultura, menor a Fé dos homens”.
No entanto, sabe-se que a grande maioria leiga acredita em Deus, em qualquer parte do mundo. Surgiram já grandes debates em torno do assunto. O presidente de uma Associação de Antropólogos declarou que muitos cientistas são ateus ou agnósticos, porque acreditam que o mundo natural que estudam é tudo o que existe e, sendo humanos, a ciência lhes dá apoio contra a religião, vista como oposta à liberdade individual e, portanto, como inimiga da verdade.
Os biólogos modernos já afirmaram, também, que, no nível do DNA (código genético), ao qual já chegaram, é possível entender a vida em toda a sua complexidade e, portanto, Deus não seria mais necessário para explicá-la. Segundo êles, não é possível acreditar-se em coisas sobrenaturais. Por outro lado, é tão retrógrada a resistência dos que acreditam que Deus criou os animais e o homem, que já criou o condão de afastar os biólogos da religião. Por fim, acrescentaram: Como podemos dizer que Deus existe com toda a maldade e crueldade que existe no mundo?
É a controvérsia da teoria da evolução de Darwin que tem alimentado a discussão sôbre a existência ou não de Deus. Também Newton estabelecera ideias fundamentais, como fôrça e inércia e sôbre o movimento dos corpos, além da sua “Lei da Gravidade”, que marcou o fim da ideia de que havia áreas do conhecimento vetadas aos seres humanos, por pertencerem à esfera do divino.
Os físicos e matemáticos, por sua vez, percebem uma tal ordem e beleza em seus trabalhos que só uma divindade poderia criar. Se a natureza é perfeita, sòmente um Sêr sumamente inteligente deve tê-la feito assim.
Para Ernest Mayr, ateu e grande biólogo da Universidade de Harvard, a maioria dos cientistas combina sempre dois argumentos: a existência de Deus e o sentimento, mas acaba concluindo ser impossível acreditar em Deus.
Se existe um universo físico, não se pode deixar de conceber um universo espiritual. Mas a ciência não pode responder à questão da origem e do destino ou finalidade do universo. Pode explicar até os comportamentos humanos em têrmos de processos bioquímicos do cérebro, mas não pode determinar o que seja comportamento ético. Mais recentemente, disse Einstein que o mundo seria mais um “vasto pensamento do que uma grande máquina”.
Para êle, Einstein, todas as ações e todas as imaginações humanas têm em vista satisfazerem as necessidades dos homens e trazer lenitivo às suas dores. Experimentar e desejar constituem os impulsos primários do sêr, antes mesmo de se considerar a majestosa criação do mundo. O que os leva, então, a crer ou a pensar em religião? No primitivo, era o temor e a necessidade de ver mitigado o medo das feras, das doenças, da morte e da fome. Se as relações causais são limitadas, o espírito humano tende a inventar sêres mais ou menos à sua imagem, transferindo para a vontade e o poder deles as experiências dolorosas e trágicas de suas vidas. Segundo a imaginação humana, êsse Deus-Providencia tem conceito moral e social, ama e favorece a tribo, a humanidade e a vida, consola na adversidade e protege os mortos.
No arsenal da teologia clássica existem três chamadas grandes provas da existência de Deus: 1) a cosmológica, ativada pela idéia do “big-bang”, no sentido de que, se o mundo não existiu sempre, é preciso que êle tenha sido criado e, portanto, deve ter existido um criador de fora do mundo, isto é, um Deus todo-poderoso; 2) a fisicoteológica, que considera o mundo como uma ordem maravilhosa, uma organização perfeita, tão bem calculada que bastaria modificar o menor parâmetro em sua origem para que nada tivesse ocorrido, como a vida e a consciência humana; 3) a ontológica, ou da idéia de um sêr infinito, que possui todas as qualidades e, se a existência é uma realidade, necessariamente Êle existirá.
Se a existência de Deus, admitamos por hipótese, nos fosse demonstrada em devida forma, com um rigor e precisão perfeitamente científicos, ninguém teria paradoxalmente nenhuma razão para acreditar, ou ter fé, porque “saberiamos” Deus, como sabemos ter existido Napoleão ou Santo Tomás de Aquino.
A religiosidade ante o cósmos, cujos dados o budismo organizou e Schopenauer nos ensina a decifrar em maravilhosos textos, pode ser considerada como religião cósmica e superior, que não tem dogmas nem teologia, nem Deus concebido à imagem do homem. Por isso, muitas vezes foram tidos como ateistas homens sábios como Demócrito e Spinoza.
A interpretação histórica considera ciência e religião como adversários irreconciliáveis. Aquele que se convenceu de que a lei causal rege todo o acontecimento não pode encarar a idéia de um sêr a intervir no processo cósmico nem encontrar lugar para um Deus-angústia. O comportamento moral do homem se fundamenta eficazmente nos compromissos sociais e não implica uma base religiosa. Por isso as Igrejas muitas vezes combatem as ciências.

(Laurindo Toretta - DEUS, AS RELIGIÕES E O UNIVERSO)
 

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publicado às 15:20



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