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O movimento albigense ou catarismo é parte de uma cadeia de religiões que se denominam dualistas. Dualismo é uma concepção religiosa que compreende o mundo dividindo-o entre dois poderes antagônicos: dois deuses ou entidades espirituais que se opõem, sendo geralmente um deles o Deus do bem e da espiritualidade e, no contraponto, um deus maligno e inserido no mundo material e carnal.
Esse dualismo é muito antigo e há evidências de que suas origens remontem às sociedades pré-históricas. Os registros que temos nos indicam que muitos movimentos dualistas foram contemporâneos ao surgimento do judaísmo e do cristianismo. Entre os locais onde surgiram essas religiões, se sobressai a região da Mesopotâmia e da Pérsia (Irã atual). Nesse espaço de encontro entre as expressões religiosas do Oriente e do Ocidente, deu-se a concepção de inúmeras religiões de caráter dualista. As razões são imprecisas. Alguns autores acreditam que a tensão entre os espaços contrastantes como o deserto com sua aridez e os vales alagados pelos rios, e o choque entre as populações sedentárias e os nômades, possam ser um fator de criação do embate criado no panteão dos deuses regionais, entre entidades benignas e dotadas de fertilidade por um lado e outras com potenciais opostos, ou seja, originadas no deserto e sendo malignas. Isso se altera na sequência, mas prevalece o dualismo.
Na Pérsia e na Mesopotâmia surgiram, por exemplo, o zoroastrismo (1000 a.C.) e o maniqueísmo (200 d.C.) além de outras concepções religiosas dualistas. Uma das hipóteses dos historiadores é que dali se expandiram para todas as direções. Outros historiadores entendem que nas sociedades agrárias ou pastoris existe uma maior dependência dos elementos da natureza. Assim podem tender ao animismo e ao politeísmo. Em certas condições, algumas inclinam-se a uma aguda dependência de elementos naturais e elaboram concepções dualistas. Isso não seria uma regra válida para todos os casos. No que tange a origem há duas hipóteses: surgimento local ou expansão do dualismo. No primeiro caso, a elaboração de concepções dualistas teria ocorrido de maneira espontânea no Ocidente, sem contato ou com pouca influência do Oriente. Na segunda hipótese, considera-se que a difusão do dualismo ocorreu de leste para oeste, o que fez com que chegasse à Europa ocidental. Nesse caso poderia ter sua origem na Pérsia.
Na nossa compreensão, a segunda hipótese tem maior sustentação: surgiram movimentos dualistas de leste a oeste e em tempos subsequentes. Ou seja, há uma cadeia de religiões dualistas surgindo e se expandindo a partir do gnosticismo (séculos II e III d.C.) e do maniqueísmo (século III d.C). Mani viveu e pregou na Pérsia (216-277 d.C.). Pregou o mito cosmológico dos princípios eternos e não engendrados dotados de um poder semelhante: luz x trevas; bem x mal; deus x matéria. Após sua morte a doutrina maniqueia se expandiu para todas as direções. Santo Agostinho no século IV e início do século V conviveu com o maniqueísmo: foi maniqueu na sua juventude e posteriormente combateu sua doutrina, na região do norte da África. O maniqueísmo chegara à região em pouco mais de um século após a morte de Mani ocorrida em 277. Isso no período baixoimperial. Há um claro movimento leste-oeste nesse e noutros casos.

As religiões dualistas no final do mundo antigo: maniqueísmo

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