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As bolas que queremos tapar

por Thynus, em 01.10.14
 
Por volta dos quarenta anos de idade, os aspectos negados da sua personalidade terão obtido energia suficiente para causar danos na vida desta pessoa. A Debbie Ford explica este fenómeno de uma maneira fácil de compreender.
Imagine que cada aspecto que rejeita em si é uma bola de praia. Há uma bola da estupidez, outra da arrogância, outra do egoísmo, outra ainda da prepotência, outra da mentira, outra da infidelidade. Cada um de nós possui muitas bolas. E como temos pavor que os outros descubram estes aspectos deserdados, iremos gastar uma energia descomunal a manter cada uma das bolas debaixo de água, para que ninguém as consiga ver. E, se possível, para que nós mesmos não as consigamos ver. A energia que utilizamos para manter estas bolas fora do nosso campo de visão é a da raiva. A energia mais poderosa que algum ser humano é capaz de possuir.
Num momento de distracção, em que pensamos que a nossa vida não podia estar melhor, estas bolas saltam! E vão molhar muitas pessoas! Irão magoar-nos a nós e aos que nos são queridos. Vemos isto todos os dias!
O condutor que insulta outro e ameaça, podendo chegar ao extremo de sair do carro para agredir. O padre que é descoberto a “dedicar-se” à pedofilia. A boa mãe que bate no filho num centro comercial. A empregada doméstica que rouba um anel da patroa. O político que usa o seu poder para beneficiar um amigo. O director da empresa que se deixa subornar. A professora que tem um caso com um aluno menor. A boa rapariga que come mais do que precisa e se torna obesa. O juiz que se descobre pertencer a uma rede de prostituição.
Basta-nos ver um telejornal para verificar a sombra em acção. Os nossos aspectos deserdados.
Por detrás destes comportamentos inapropriados há apenas a vergonha, a culpa, o medo e a raiva. Emoções tóxicas que surgiram na infância e adolescência e não foram devidamente reconhecidas nem expressas. E que eventualmente serão a origem dos danos que causamos a nós próprios e aos que nos são queridos. Ninguém é inocente. As pessoas mais perigosas são precisamente as que se encontram em estado de negação ou que são moralistas. São estas as que possuem a sombra mais densa e nefasta. Parece um pesadelo de antagonismos. Mas a pessoa boa que não é capaz de reconhecer os seus impulsos mais animais é a que é capaz das maiores atrocidades.
Temos que nos recordar continuamente que de cada vez que apontamos o dedo a alguém, há três dedos a apontar na nossa direcção.
É aqui que o sentimento da compaixão é importante. Em vez de nos apressarmos a julgar os outros, seria mais apropriado julgar a acção. Porque a pessoa que mente não é mentirosa. É mentirosa e honesta. É maldosa e bondosa. É bela e feia. É traiçoeira e fiel. E cada um de nós pode escolher o que quer ver. Posso escolher ver que uma pessoa mentiu, mas o acto de mentir é apenas um de muitos aspectos da pessoa. Se reparar à sua volta irá ver que as pessoas que mais danos lhe causaram são as mesmas pessoas capazes do maior gesto de bondade.

(Emídio Carvalho - A Sombra Humana)

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publicado às 11:04



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