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AFORISMOS

por Thynus, em 25.05.16
Só gente chique escreve em aforismos. Nietzsche era um deles; Cioran, outro; Karl Kraus, outro. Como dizia o autor argentino Jorge Luís Borges, escrevo textos curtos porque sou preguiçoso. Com o tempo e com a escrita semanal em jornal, aprendi que quase nada exige mais do que algumas poucas palavras. Dirão os pobres de espírito que sou superficial. Mas, no fundo, não me interessa o que os pobres de espírito pensam. Só lembro que existem porque são maioria, e na democracia, o regime de quantidades por excelência, a maioria pesa no seu pescoço. Na realidade, não me interessa nada do que ninguém pensa, quase nunca. Dirão as analistas amigas minhas que isso é desdobramento da melancolia. Somente quando estou muito feliz me interessa o que alguém pensa. Porque a felicidade verdadeira é sempre uma forma de generosidade com o mundo. O que está em jogo no aforismo não é a superficialidade, como pensa o pobre de espírito – que como todo pobre de espírito é prolixo –, mas a urgência em dizer algo e ir embora. Para você que me lê na cama antes de dormir, o aforismo também serve para esgotar um tema antes de você cair no sono, depois de um dia inteiro de escravidão a este mundo besta em que vivemos. E ainda dorme se sentindo um pouco mais inteligente, o que faz bem, na maioria dos casos, mas, às vezes, pode tirar o sono. E tem mais uma coisa: os aforismos, estes textos curtos que você tem em mãos, são sempre um atestado de impaciência com este mesmo mundo. A impaciência pode ser uma forma legítima de defesa.

(LUIZ FELIPE PONDÉ -  GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DO SEXO)

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