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A Solidão

por Thynus, em 05.10.14
Para algumas pessoas, a solidão é uma companhia mais rica que a sociedade.
(DEEPAK CHOPRA, RUDOLPH E. TANZI)
 
O homem urbano contemporâneo possui muito 
e vive mergulhado em solidão.
(Manoelita Dias dos Santos)
 
Escolhei a boa solidão, a solidão livre, a
que vos permite seguir sendo bons em qualquer sentido.
(Nietzsche)

 
Vivemos num planeta com mais de sete mil milhões de habitantes e, todavia, sentimo-nos cada vez mais sós.
Os motivos que nos levam a sentirmo-nos cada vez mais sós são vários, mas as causas são sempre as mesmas. Sentimo-nos na solidão, ou pelas coisas que aconteceram nas nossas vidas, e gostaríamos que voltassem a acontecer, ou sentimonos envolvidos na solidão pelas coisas que ainda não aconteceram e desejamos ardentemente que aconteçam. Em ambos os casos é tudo um trabalho interior, mental.
Como podemos estar sós quando vivemos num mar de gente? Como podemos afirmar que os outros não nos compreendem quando nós próprios não sabemos quem somos e muito menos sabemos pedir aquilo que desejamos?
Conheço muitas pessoas que vivem em relacionamentos mortos, onde não há qualquer partilha, excepto aqueles momentos em que a sombra começa a fazer algum barulho. Quando o marido chega tarde a casa. Quando os filhos tiram más notas na escola. Quando a esposa se senta em frente à televisão à espera que sejam horas de ir dormir. E nunca, mas mesmo nunca, conseguimos arranjar uma hora para partilhar a nossa vida com aqueles que são de facto importantes. E nunca, mas mesmo nunca, temos a coragem para dizer que não gostamos do caminho que estamos a percorrer com aqueles que nos deveriam dizer algo ao coração.
O motivo está directamente escondido na nossa Sombra. Temos a sombra de escuridão, em que projectamos tudo aquilo que rejeitamos em nós nos outros. E conseguimos assim um marido infiel, uma esposa prepotente, um filho preguiçoso, um pai déspota, uma mãe mártir, um sogro frio e distante, uma sogra bisbilhoteira, uma amiga viperina e um patrão sádico. E não temos tempo para nos aperceber que todas estas pessoas, que mexem emocionalmente connosco, com a nossa essência, são simples projecções dos nossos aspectos negados, rejeitados e atirados para o saco da inconsciência.
Mas temos também a nossa sombra de luz. E a sombra de luz é ainda mais pesada e difícil de carregar aos ombros. Então atiramos com o que de melhor há em nós para cima dos outros. Para o marido que é um exemplo da honestidade, a esposa que é a pessoa mais carinhosa que conhecemos, o filho que é um génio, o pai que sabe ouvir os nossos problemas, a mãe que nos prepara as refeições mais saborosas do mundo, o sogro que nos ajuda quando estamos preocupados, a sogra que pinta quadros maravilhosos, a amiga que é capaz de uma empatia extraordinária, o patrão que é criativo como mais ninguém.
E mais uma vez estamos a projectar todas as nossas qualidades. E, eventualmente, temos que resgatar essas qualidades, trazê-las para o nosso consciente e aplicá-las para uma vida mais.
Mas como podemos nós resgatar a criatividade genial do nosso patrão quando não estamos minimamente preparados para a pôr em prática? Não podemos. É necessário todo um treino mental para que nos seja possível abraçar a nossa luz, o nosso Ouro Interior.
O trabalho do resgate do nosso Ouro Interior tem que começar sempre por um estudo, uma observação. Em que situações seria de benefício, para mim, possuir a criatividade do meu patrão? Em que situações me seria útil possuir o afecto da minha esposa?
Para avançar neste processo iremos encontrar o maior obstáculo de todos: o medo. É o medo de sermos autênticos, verdadeiros à nossa essência, que nos impede de brilhar. E temos medo porque fomos ensinados há muitas gerações atrás, a ter medo do desconhecido. E, assim, perpetuamos este medo de nos descobrir, de nos revelarmos a nós mesmos.
Então, o primeiro passo que temos que dar é o de verificar quais as qualidades que vemos naqueles que têm um significado especial para nós. Só o facto de estarmos conscientes destes aspectos irá ajudar-nos a dar o próximo passo.
Atreva-se a sentir o medo de ser quem é.

(Emídio Carvalho - A Sombra Humana)

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publicado às 14:29



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