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A Religião dos Gregos Clássicos

por Thynus, em 13.03.16
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Zeus, O líder e o mais poderoso deus do Olimpo
Os gregos concebiam o mundo como parte de um relato, o mito. Os mitos tratavam do surgimento do mundo, do seu funcionamento e da sorte dos humanos. Imortais e mortais amavam, sentiam paixões, cometiam erros, vingavam-se. Sua diferença não ia muito além do poder e da eternidade dos deuses diante da fraqueza e da finitude radical dos seres humanos. As forças do amor e do desejo aparecem como componentes da religiosidade. Os gregos da Antiguidade nunca foram muito unidos. Falavam dialetos variados, viviam em diferentes regimes políticos e sociais, variadas eram suas origens étnicas. Embora sua religião fosse também local e particularizada, havia tanto características compartilhadas como especificidades que nos permitem falar em religiosidades gregas antigas. Neste capítulo, essa diversidade religiosa será explorada, para mostrar o quanto dela ainda nos diz respeito. Mesmo quando completamente estranha para nós — ou baseada em outros valores —, essas experiências continuam a inspirar as gerações posteriores. Ou a causar espanto e admiração ao mesmo tempo. Talvez se possa afirmar que a religião grega, ou seus aspectos e mitos, constitua o fundamento mais sólido da maneira como nós pensamos o nosso próprio mundo moderno. Mais do que qualquer outra religião que o mundo esqueceu, ela surge no nosso cotidiano, tanto em conceitos elaborados (por exemplo, o “complexo de Édipo” da psicanálise), quanto em expressões populares (como “bacanal”, que descreve uma festa meio desregrada). O que significavam para os gregos? Como chegaram até nós? O que nos dizem, ainda hoje?

Quem praticava a religião grega, e desde quando?
Os gregos nunca constituíram um estado, com fronteiras delimitadas, uma língua nacional, uma capital. Eram definidos, por si mesmos, como os helenos: aqueles que falavam dialetos aparentados e cultuavam mais ou menos os mesmos deuses. Isso significa que, onde houvesse gregos, havia uma certa religiosidade grega. Quando pensamos na Grécia antiga, logo nos vem à mente a Cidade-Estado, conhecida por seu nome original: polis. A polis, contudo, é tardia, tendo surgido nos inícios do primeiro milênio a.C.; muitos gregos viviam em assentamentos humanos que não eram cidades, como os povoamentos ou etnias (ethné). Suas origens, também, são mais longínquas no tempo e variadas do que se pode supor. Desde o início do segundo milênio a.C., existem civilizações que foram as precursoras da Grécia antiga: os minoicos e os micênicos. Estes últimos, em particular, são mais bem conhecidos, tendo nos deixado escritos, em um grego arcaico, que foram decifrados no século xx. Em meados do primeiro milênio a.C., no Peloponeso, floresceu uma civilização centrada em palácios. Nos documentos decifrados, foram encontrados os nomes de algumas das principais divindades gregas clássicas: Zeus, Hera, Posidão, Ártemis, Atena, Hermes, Ares, Dioniso, entre outros. Também, encontraram-se vestígios de templos e referências a sacerdotes e sacerdotisas, chamados com os mesmos nomes que teriam posteriormente (ijereu, que daria hieros, prefixo que chegou até nós: “hierarquia”, poder sagrado).
Na verdade, não sabemos muito sobre a religiosidade nesses séculos. Com o fim da civilização micênica, no final do primeiro milênio a.C., os gregos tardarão alguns séculos a voltar a escrever (1200 - 800 a.C.). Nesse período, houve a chegada de povos vindos do norte e do leste, que contribuíram para a formação do que seria a Grécia antiga. Os dórios chegam por volta de 1200 a.C. Nos primeiros séculos do primeiro milênio a.C., surgem as cidades (poleis), em sociedades aristocráticas e guerreiras, e o início dos jogos olímpicos, em 776 a.C., segundo a tradição, marca a presença da religião como base cultural dos helenos. Essas competições eram reuniões de caráter religioso. A religiosidade grega que conhecemos é essa das Cidades-Estados, desde o século VIII a.C., que atinge seu apogeu nos séculos seguintes, mas que continuará até a instituição do cristianismo como religião oficial em 380 d.C.
A religião grega, com suas origens no Mediterrâneo oriental, expandiu-se junto com os colonos gregos no sul da Itália, Sicília e costas da França e da Espanha. A partir das conquistas de Alexandre, o Grande (356 - 323 a.C), a religião grega, adaptada por inúmeros povos, atingiu povos do Oriente e do Ocidente. Os romanos adotaram, em particular, muitos mitos gregos, ao seu gosto e maneira. Está na hora de vermos quais as especificidades da religiosidade grega e por que exerce tanto fascínio ainda hoje.
Hades, irrmão de Zeus e deus do mundo subterrâneo
 
O que era a religião grega?
Religião sem livro sagrado, a vivência espiritual dos gregos baseava-se em algumas crenças que, em grande parte, eram vistas como especulações do ser humano diante do que não sabia explicar. Não havia textos ou sacerdotes que pudessem definir, sem direito a contestação, dogmas. Por isso mesmo, as explicações e os mitos variavam de um lugar a outro, de uma época a outra e mesmo de um indivíduo a outro. As divergências entre as versões dos mitos, que podem parecer ilógicas, resultam, justamente, da crença de que nada está certo de forma segura sobre o mundo dos deuses. Heródoto (século V a.C.) afirma em suas Histórias (2, 53):
Penso que Hesíodo (século VIII a.C.) e Homero (século VIII a.C.) são mais antigos do que quatrocentos anos e que foram eles que criaram a genealogia dos deuses para os gregos, dando um epíteto a cada deus, distribuindo suas funções e suas características, assim como suas aparências.
Dois poetas tudo criaram! Sem ter certeza de nada. Não por acaso, uma premissa básica da religião grega era: “conhece-te a ti mesmo”. Isso significava: saiba da sua ignorância e mortalidade (esta a grande certeza).
Chegamos, aqui, a um segundo aspecto essencial: a mortalidade humana e imortalidade divina. Essa divisão era, em princípio, essencial e intransponível. Mas na prática havia dúvida se um humano poderia tornar-se divino ou qual a porção de divino que um homem poderia alcançar. Os heróis eram humanos que, mortos e enterrados, recebiam culto e, de alguma forma (mas só parcialmente), eram deuses. Alguns poucos heróis foram considerados quase deuses de verdade, como Héracles (Hércules) e Asclépio (Esculápio), protetor da saúde. Os deuses tudo podiam, os homens, nada, daí a importância do culto.
A morte levaria a uma situação miserável, como está na Odisseia (11, 488-91): Não tente falar-me com subterfúgio da morte, glorioso Odisseu. Preferia, se pudesse viver na terra, servir como servo de outra pessoa, como escravo de um sem-terra de poucos recursos, do que ser um grande senhor de todos os mortos que já pereceram. No dia a dia, as lápides funerárias mostram que era apenas lembrança entre os vivos o que se esperava haver após a morte:
Se tivesses alcançado a maturidade, pela graça da fortuna, todos antevíamos em ti Macareus, um grande homem, um mestre da arte trágica entre os gregos. Mas, agora, o que permanece é a tua reputação de temperança e virtude. (Inscriptiones Graecae, II, 2, 6626.)

Teogonia
A mais consistente descrição das origens dos deuses foi a do poeta Hesíodo (século VIII a.C.). Tudo se inicia com o surgimento espontâneo do Caos, seguido da Terra (Gaia), lugar dos deuses e dos homens, do lugar e deus inferior Tártaro e de Eros (Amor ou Desejo), que permitirá a união de machos e fêmeas (deuses e humanos). Do Caos, nascem o Escuro e a Noite, de cuja união nasce o Brilho e a Luz. Da Terra, surgem o Céu, a Montanha e o Mar. Do cruzamento do Céu e da Terra, nascem doze Titãs, três Ciclopes e três hecatônquiros. Diversos desses personagens representam forças como a Justiça Divina (Têmis) e a Memória (Mnemosine).
O Céu, temeroso de que um dos filhos o fosse destronar, prendeu-os na Terra, o que a incomodava. Ela pediu aos filhos que punissem o pai, mas apenas Cronos teve coragem e, quando o Céu veio para dormir com a mãe-Terra, ele o castrou. O sangue derramado gerou as deusas da vingança (Eríneas ou Fúrias) e dos testículos surgiu a deusa do amor, Afrodite (Vênus). Da noite, por concepção virginal, nascem diversos filhos, como a Morte e o Sono, assim como de Éris nascem a Dor, as Lutas, as Desordens e até mesmo as Narrativas. A Terra cruza com Pontos (o Mar) e gera os antepassados dos seres do mar, como as ninfas do mar (Nereides). A Terra e Tártaro produzem seres como a Hidra e Cérbero. Na família dos Titãs são gerados, entre outros, o Sol, a Lua, a Alvorada, assim como os ventos (Zéfiro, Bóreas, Notos). As origens são, assim, atribuídas a gerações espontâneas ou a casamentos divinos, de modo a explicar o mundo como um todo, do céu à terra, dos ventos aos impulsos humanos.
A Ritualidade
Em qualquer tradição religiosa, a maioria das pessoas tem pouco ou nenhum conhecimento dos preceitos teológicos e mesmo os relatos sagrados podem ser apenas parcialmente conhecidos. Os ritos, contudo, constituem a vivência, aquilo que torna vivo o sentimento religioso. Isso era tanto mais verdadeiro para os gregos antigos, pois acreditavam que dos rituais dependesse a sorte dos humanos. Em geral, os ritos existentes levaram os gregos a propor mitos que os explicassem. Daí que os rituais precediam os deuses, o que já nos diz muito sobre sua importância. Tudo girava em torno do altar de sacrifícios (bomos), a tal ponto que havia altares sem edifícios, mas nunca o contrário. Os gregos distinguiam três partes mais ou menos sagradas. No centro, havia o lugar sagrado, hieron, onde estava o altar de sacrifícios, bomos. Em seguida, estava o edifício que recobria bomos e hieron, chamado de naos. Englobando altar e edifício, havia uma área cercada, que delimitava o campo sagrado, temenos, o terreiro. Este estava marcado por muros ou limites do sagrado, horoi, recortando e separando o sagrado do profano. Temenos significa “recortado”. O centro de tudo era o altar. Assim, havia altares sem construções, mas não tinha sentido um edifício sem altar: não seria sagrado, não seria um templo.
Para os deuses celestes, o sacrificador ficava sobre uma plataforma, onde se cortava o pescoço do animal. Uma parte da carne era queimada para que o odor agradasse ao deus, sendo o restante da vítima consumida. Para os deuses subterrâneos, havia um buraco para se verter o sangue do animal e queimava-se toda a vítima. Os sacrifícios para os deuses e a morte estão contaminados, impuros, como um miasma a ser eliminado, daí que tudo fosse posto ao fogo. Sacrifícios humanos também existiam: um casal de inimigos podia ser morto, como remédio mágico (pharmacoi) para os males da coletividade. A exceção do deus infernal Hades, todos os cultos podiam ser celestes ou infernais (urânios e ctônicos, em grego).

O rito é uma festa
A palavra grega para denominar o sacrifício significa também festa religiosa (thysia). Quase todas eram de caráter local, ainda que ligadas a eventos do calendário agrícola, como as festas de renascimento da vida e da vegetação, que marcam o fim do inverno e o inicio do ano agrícola. Os sacrifícios, parte essencial do culto e das festas, são acompanhados de cânticos, música, de caráter mágico, assim como danças, movimentos ritmados. A pureza ritual podia exigir a abstinência sexual, assim como morrer ou nascer eram considerados tabus e deviam ser evitados. Os nascimentos e mortes infringiam a pureza ritual. Caso houvesse um nascimento ou morte, apesar das precauções, era necessário um ritual de purificação.
A maior parte das festas nos santuários incluía jogos ou competições, o que chamavam de uma disputa (agon).Eram artísticas (canto coral de crianças e adultos, de instrumentos musicais), de ginástica e atléticas. Os jogos em honra a Zeus em Olímpia, de todos os gregos, davam-se em volta do templo do deus. Pausânias (século II d.C.) diz-nos que: O altar de Zeus Olímpios é constituído das cinzas dos restos das vítimas sacrificadas para o deus. A circunferência na base atinge 38,1 metros, sendo ao alto 9.7 metros, com altura total de 6,7 metros. As vítimas são sacrificadas no nível inferior, mas as partes a serem queimadas são levadas para o topo. Os degraus que levam ao primeiro nível são de pedra e dali até o topo são feitos de cinzas, como o próprio altar. Mulheres e garotas, quando não são excluídas de Olímpia, podem chegar ao primeiro nível, mas apenas varões podem subir ao topo. Mesmo quando o festival não está sendo celebrado, sacrifício é oferecido ao deus por indivíduos e, todo dia, pelos habitantes da cidade de Elea. (Pausânias, Descrição da Grécia 5, 13, 8-11, adaptado.)
Não apenas os jogos eram religiosos, mas também as representações teatrais, tragédia e comédia, tinham esse caráter ritualístico. Dioniso era o deus do êxtase, que significa “estar (stasy) fora (ec) de si”. Era o deus das vinhas e das moças tomadas pelo êxtase: as Mênades. Estava aí a origem das representações teatrais. A saga de Dioniso, retratada tão bem nas Bacantes, de Eurípides (século V a.C.), revela bastante sobre a relação dos gregos com seus deuses. Em uma palavra, o deus, tendo sido rejeitado, é apresentado, ao mesmo tempo, como o mais terrível e o mais gentil para a humanidade. Terrível, se não for satisfeito. Gentil, se for cultuado. Como dizem suas devotas, em coro: “abençoado aquele que, feliz, conhece os ritos dos deuses, puro em sua vida, junta-se aos grupos de dança dionisíacos, aquele que celebra os ritos báquicos nas montanhas” (Bacantes 72-76, adaptado).

O poder
Os gregos mantinham uma relação ambígua no que se refere ao poder, e o faziam a partir de um questionamento religioso do mundo. Os deuses tudo podem, já o homem está sempre diante da possibilidade de extrapolar, de ser arrogante, descontrolado, desmedido. Chamavam-na de hybris (soberba). Para o ser humano, deixar-se levar pela soberba era “não se conhecer a si mesmo”, não reconhecer as limitações do humano, à diferença do divino. Édipo é um bom exemplo disso. Laio, rei de Tebas, consulta um oráculo que prediz que ele será morto por seu filho. Com a concordância da esposa Jocasta, seus tornozelos são perfurados (o que lhe resultará em pés inchados: este o significado do seu nome Édipo), e o bebê é exposto às feras. Um pastor escravo de Laio fica com pena, salva o menino e o dá para criar a um pastor de Corinto, que o presenteia ao rei sem filhos, Polibo. Dezoito anos depois, alguém lhe conta que é bastardo, o que o leva ao oráculo de Delfos para saber se era filho legítimo. Ali, ao ser informado de que mataria o pai e casaria com a mãe, decide não retornar a Corinto e dirige-se a Tebas. No caminho, encontra um senhor, tem uma discussão na estrada e o mata. Ao chegar a Tebas, encontra-a tomada de terror pela esfinge que mata todos que não resolvem seus enigmas. Questionado pela esfinge sobre “qual o animal que tem dois, três ou quatro pés, sendo mais lento com três?”, ele acerta a resposta: o homem, que usa uma bengala na velhice. Dão-lhe o trono e a viúva Jocasta como esposa. Tem quatro filhos, mas pragas caem sobre Tebas por uma impureza religiosa. Édipo manda que perguntem em Delfos qual a causa e a resposta é que o assassino de Laio está impune. Édipo amaldiçoa o culpado, quem quer se seja. Jocasta diz a Édipo que não ligue para oráculos. É informado que Polibo morreu e, ao afirmar que não irá a Corinto enquanto a mãe estiver viva, o mensageiro conta que não há problema, pois ela não era sua mãe, visto que ele era adotado. Jocasta percebe o que se passa e se mata. O pastor que testemunhara o assassinato e que sabia que Édipo havia matado o pai volta e, sob ameaça, revela a verdade a Édipo, que vai ao encontro de Jocasta, já morta, retira os fechos da sua roupa e se cega.
Esse mito mostra como as relações de poder estavam no cerne da religiosidade grega. Aparecem a incerteza (moira) e o acaso (tykhe) — ambos forças mágicas —, mas o tema central é o poder ilimitado e sua punição. O que causa a perdição de Édipo é sua pretensão:

 (Pedro Paulo Funari e outros - As Religiões que o Mundo esqueceu)
Eros – Deus do amor e filho de Afrodite

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publicado às 04:13



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