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A Redenção de Judas?

por Thynus, em 22.08.14

É claro que tal revelação teria que gerar alguma polêmica no mundo cristão. A idéia de que Judas teria traído Jesus a mando Deste, idéia que já foi explorada no cinema por Martin Scorsese e seu também polêmico filme A última tentação de Cristo, suscitou debates. Uma corrente de manifestantes, que já se encontravam exaltados com o assunto religião, desde que O código da Vinci, de Dan Brown, assolou as livrarias e telas de cinema do mundo com a tese de que Jesus teria sido casado com Maria Madalena.
Em uma busca simples feita na internet, encontramos diversos sites que tentam minimizar a idéia lançada pelo documento encontrado no Egito, o berço de diversos apócrifos. Em um artigo de Ricardo Westin, publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 8 de abril de 2006, lemos:
O chamado Evangelho de Judas é um texto autêntico, foi realmente escrito 1700 anos atrás, mas não representa uma ameaça às tradicionais bases do cristianismo, de acordo com estudiosos da religião. Por isso, Judas Iscariotes, o apóstolo renegado pelos cristãos, não deve ser alçado à condição de herói.
O autor cita também um teólogo ortodoxo russo, Andréi Kuráyev, professor da Academia Espiritual de Moscou, que afirma que o documento alardeado pela National Geographic não acrescenta conhecimentos sobre a vida de Jesus. Kuráyev lembra que no mesmo período do Evangelho de Judas havia várias correntes pseudocristãs, das quais algumas tinham por objetivo a adoração dos
personagens mais detestados da Bíblia, como os cainitas, que adoravam Caim, o primeiro assassino, que matou Abel, seu irmão, e os ofitas, que adoravam a serpente que causou a expulsão do casal Adão e Eva do Jardim do Éden.
O ponto que levanta maior suspeita é a afirmação de que o documento teria sido escrito pelo discípulo traidor. "Não pode ser obra de Judas Iscariotes, porque ele se enforcou no mesmo dia em que Jesus foi crucificado. Não pode haver nenhum Evangelho de Judas".
No mundo católico, a polêmica também se fez presente. O padre Thomas Williams, decano da Faculdade de Teologia da Universidade Regina Apostolorum de Roma, disse em entrevista à agência católica de notícias Zenit, que o Vaticano nunca se preocupou em esconder os textos apócrifos. "Basta ir a qualquer biblioteca católica e ver que esses textos também estão lá, embora saibamos que não são verdadeiros". Uma busca em livrarias católicas brasileiras também apresentou o mesmo resultado. O site O Verbo publicou uma notícia que afirmava que a descoberta do Evangelho de Judas não afeta a doutrina cristã para a igreja russa. Diz a nota:
O patriarcado ortodoxo de Moscou afirmou ontem que a descoberta do "Evangelho de Judas", cujo texto foi publicado ontem por cientistas americanos e suíços, não afeta a doutrina cristã e só tem interesse histórico. "Não podemos imaginar que a descoberta de um texto atribuído a um personagem do início do cristianismo, ou mesmo de um dos discípulos de Cristo, mude a composição da Sagrada Escritura", declarou o porta-voz do departamento de Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou, o padre Mikhail Dudkó.
Mais para a frente, o texto complementa:
O porta-voz da Igreja Ortodoxa Russa disse que textos relativos ao período inicial do cristianismo já foram encontrados outras vezes e continuarão sendo. Por isso, "o interesse no 'Evangelho de judas' é acima de tudo, histórico". "Não há possibilidade alguma de incorporar o livro à Sagrada Escritura. Mas ele pode revelar novos detalhes históricos", explicou Dudkó. Ele acrescentou que será necessário um minucioso estudo para determinar o verdadeiro valor histórico do documento.

Variações sobre o mesmo tema
Há uma grande quantidade de textos que querem trazer à tona uma versão diferente de Judas. Uma delas teria sua origem no Alcorão, ou Corão, o livro sagrado do Islamismo. Essa lenda diz que Judas, em algumas versões, seria Simão de Cirene ou Simão o Cireneu, o homem que ajudou Cristo a levar a cruz, teria sido crucificado no lugar de Jesus. Essa "teoria da substituição" teria como suposta fonte a seguinte passagem do Alcorão, identificada como surata 4 §:
E por os judeus dizerem: "Matamos o Messias, Jesus, filho de Maria, o Mensageiro de Alá", embora não sendo, na realidade, certo que o mataram, nem o crucificaram, senão que isso lhes íoi simulado. E aqueles que discordam, quanto a isso, estão na dúvida, porque não possuem conhecimento algum, abstraindo-se tão-somente em conjecturas; porém, o fato é que não o mataram.
A explicação mais coerente do trecho é de que os judeus seriam incapazes de se vangloriar por terem matado Jesus porque, na prática, era Deus quem estava no controle dos acontecimentos, e foi apenas por obra Dele que Jesus morreu na cruz. Essa teoria da substituição revela-se, assim, como uma maneira de suavizar a crucificação em si. Embora tal história não tenha o aval de nenhuma tradição islâmica, há uma base árabe para ela, oriunda de escritos de um cosmógrafo do século XIV.
Outra versão de Judas pode ser encontrada numa leitura realizada pelos padres da Igreja nos primeiros séculos da fé católica. Havia, segundo eles, uma analogia entre a venda de Jesus aos romanos, com a mesma situação que foi vivida por José, vendido por seu irmão, Judá, para os ismaelitas, de acordo com Genesis 37:26,27. O próprio nome, Judas, teria seu significado em hebraico como sendo "trinta". Assim, alguns intérpretes afirmam que, ao trair Jesus, Judas traiu também sua própria pessoa.

(Sérgio Pereira Couto - Os Arquivos Secretos do VATICANO)

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publicado às 19:11



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