Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




A PROVA ESTÁ NO PUDIM (DE BAUNILHA)

por Thynus, em 24.04.17
Eu simplesmente amo pudim de baunilha, mas o filósofo em mim ama ainda mais provar coisas e, infelizmente, o primeiro é muito mais fácil de obter do que o segundo.
O que constitui, portanto, uma “prova” de algo? Um modelo possível poderia vir da ciência, visto que o cientista tem certa teoria; de acordo com essa teoria, se ele faz determinada experiência, vai conseguir um resultado particular. Ele então faz a experiência e, se consegue o resultado, a teoria está provada. Se não, é recusada.
Mas não é tão simples.
Na verdade, todo tipo de falsa teoria permanece viva por anos, pois muitas das suas previsões pareciam ser verdade, portanto simplesmente conseguir o resultado que você espera não fornece nenhuma “prova” real da sua teoria, nem um resultado inesperado na verdade refuta sua teoria, porque você pode ter calculado a previsão de maneira equivocada; algo poderia estar errado com seus aparelhos; ou fatores desconhecidos poderiam interferir em seu resultado.
Então, nenhuma experiência pode provar nada. O que poderíamos dizer é somente que várias experiências podem fornecer alguma indicação a favor ou contra uma teoria.
Mas nem isso resolve.
Suponhamos que você tinha a teoria de que “todos os corvos são negros”. Obviamente, quanto mais corvos você observou, mais confiante se sentiu com relação a essa teoria; e se você viu um corvo não negro, provavelmente desistiu da teoria. Mas dizer que “todos os corvos são negros” é o equivalente, na verdade – se você pensar nisso por um momento –, a dizer que “todas as coisas não negras não são corvos”. E se isso for equivalente, então qualquer prova de uma suposição deve também ser evidência para a outra.
Aqui vamos ao pudim e ao problema. Se um corvo negro fornece a prova de que “todos os corvos são negros”, então um não corvo não negro – que é o caso do pudim de baunilha – forneceria a prova de que “todas as coisas não negras não são corvos”. Mas como essas duas sentenças são equivalentes, a prova para um é prova para a outra, portanto o pudim de baunilha termina contando como prova de que “todos os corvos são negros”!
Algo deu errado em algum ponto.
 
 
(Andrew Pessin - Filosofia em 60 segundos : expanda sua mente com um minuto por dia!)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:25



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D