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A OUTRA EURÍDICE

por Thynus, em 13.06.17
O idealista é incorrigível: se é expulso do seu céu, faz um ideal do seu inferno.
 
“Quando de noite ele me chamar para a atração do inferno, irei. Desço como um gato pelos telhados. Ninguém sabe, ninguém vê. Só os cães ladram pressentindo o sobrenatural.” 


Vocês venceram, homens de fora, e refizeram sua história assim como lhes agrada, para condenar a nós, os de dentro, ao papel que vocês gostam de nos atribuir, de potências das trevas e da morte, e o nome que nos deram, os Ínferos, vocês o carregam de tons funestos. Claro que, se todos esquecerem do que de fato aconteceu entre nós, entre Eurídice e Orfeu e mim, Plutão, aquela história toda, ao contrário de como vocês a contam, se realmente ninguém mais recordar que Eurídice era uma das nossas e que nunca tinha habitado a superfície da Terra antes que Orfeu a raptasse de mim com suas músicas mentirosas, então o nosso antigo sonho de fazer da Terra uma esfera viva estará definitivamente perdido.

   Agora já quase ninguém se lembra do que significava fazer viver a Terra: não o que vocês acreditam, recompensados pela dissipação de vida que se pousou na fronteira entre a terra a água o ar. Eu gostaria que a vida se expandisse do centro da Terra, se propagasse às esferas concêntricas que a compõem, circulasse entre os metais fluidos e compactos. Esse era o sonho de Plutão. Só assim se tornaria um enorme organismo vivo, a Terra, só assim se evitaria aquela condição de exílio precário a que a vida teve de se reduzir, com o peso opaco de uma bola de pedra inanimada abaixo de si, e acima o vazio. Vocês nem sequer imaginam mais que a vida podia ser alguma coisa diferente daquilo que acontece lá fora, ou melhor, quase fora, já que acima de vocês e da crosta terrestre ainda existe a tênue crosta do ar. Mas não há comparação com a seqüência de esferas em cujos interstícios nós, criaturas das profundezas, sempre vivemos, e das quais ainda subimos para povoar seus sonhos. A Terra, dentro, não é compacta: é descontínua, feita de cascas sobrepostas de densidades diferentes, até lá embaixo no núcleo de ferro e níquel, que também é um sistema de núcleos, um dentro do outro e cada qual girando separado do outro conforme a maior ou a menor fluidez do elemento.

Vocês querem ser chamados de terrestres, sabe-se lá com que direito porque o verdadeiro nome de vocês seria extraterrestres, gente que está fora; terrestre é quem vive dentro, como eu e como Eurídice, até o dia em que vocês a levaram de mim, enganando-a, para esse fora desolado de vocês.

   O reino de Plutão é este, porque é aqui dentro que sempre vivi, junto com Eurídice, antes, e depois sozinho, numa dessas terras internas. Um céu de pedra girava acima das nossas cabeças, mais límpido que o de vocês, e atravessado, como o seu, por nuvens, ali onde se condensam suspensões de cromo ou de magnésio. Sombras aladas levantam vôo: os céus internos têm suas aves, concreções de rocha leve que descrevem espirais escorrendo para o alto até desaparecerem da vista. O tempo muda de repente; quando descargas de chuva plúmbea se abatem, ou quando saraivam cristais de zinco, não há outra salvação a não ser se infiltrar nas porosidades da rocha esponjosa. Aos intervalos, a escuridão é sulcada por um ziguezague abrasado; não é um raio, é metal incandescente que serpenteia veio abaixo.

   Considerávamos terra a esfera interna na qual acontecia pousarmos, e céu a esfera que cerca aquela esfera: exatamente como vocês fazem, enfim, mas por aqui essas distinções sempre eram provisórias, arbitrárias, já que a consistência dos elementos mudava o tempo todo, e a certa altura percebíamos que o nosso céu era duro e compacto, uma mó nos esmagando, ao passo que a terra era uma cola viscosa, agitada por sorvedouros, pululante de pequenas bolhas gasosas. Eu procurava aproveitar as efusões de elementos mais pesados para me aproximar do verdadeiro centro da Terra, do núcleo que serve de núcleo para todo núcleo, e segurava Eurídice pela mão, guiando-a na descida. Mas cada infiltração que abria seu caminho em direção ao interior expulsava outros materiais e os obrigava a subir para a superfície; às vezes, em nosso afundar éramos envolvidos pela onda que jorrava em direção às camadas superiores e que nos enrolava em seu caracol. Assim tornávamos a percorrer em sentido oposto o raio terrestre; nas camadas minerais abriam-se canais que nos aspiravam e abaixo de nós a rocha tornava a se solidificar. Até nos percebermos sustentados por outro solo e dominados por outro céu de pedra, sem saber se estávamos mais acima ou mais abaixo do ponto de onde havíamos partido.
É próprio do ser humano tornar-se inconsolável diante das perdas e assim como Orfeu, é natural tentar se recuperar das perdas.
 
   Eurídice, assim que via acima de nós o metal de um novo céu se tornando fluido, era dominada pela fantasia de voar. Mergulhava para o alto, atravessava a nado a cúpula de um primeiro céu, de outro, de um terceiro, se agarrava às estalactites que pendiam das abóbadas mais altas. Eu ia atrás dela, um pouco para fazer o seu jogo, um pouco para lembrá-la de retomar o nosso caminho, no sentido oposto. Claro que Eurídice, assim como eu, estava convencida de que o ponto para o qual pendíamos era o centro da Terra. Só tendo alcançado o centro poderíamos chamar de nosso o planeta todo. Éramos os iniciadores da vida terrestre e por isso tínhamos que começar a tornar a Terra viva desde o seu núcleo, irradiando aos poucos a nossa condição para todo o globo. Pendíamos para a vida terrestre, isto é, da Terra e na Terra; não ao que desponta da superfície e vocês acreditam poder chamar de vida terrestre, embora nada mais seja do que mofo dilatando suas manchas na casca rugosa da maçã.

   Sob os céus de basalto, já víamos surgirem as cidades plutônicas que fundaríamos, cercadas por muros de jaspe, cidades esféricas e concêntricas, navegantes sobre oceanos de mercúrio, atravessadas por rios de lava incandescente. Era um corpo vivo-cidade-máquina que gostaríamos que crescesse e ocupasse o globo todo, uma máquina telúrica que utilizaria sua energia desmedida para se construir continuamente, para combinar e permutar todas as substâncias e formas, cumprindo na velocidade de uma sacudida sísmica o trabalho que vocês lá fora tiveram que pagar com o suor de séculos. E essa cidade-máquina-corpo vivo seria habitada por seres como nós, gigantes que dos céus giratórios esticariam seu abraço membrudo sobre gigantas que nas rotações das terras concêntricas se exporiam em sempre novas posições, tornando possíveis sempre novos acoplamentos.

   Era o reino da diversidade e da totalidade que se originaria daquelas misturas e vibrações: era o reino do silêncio e da música. Vibrações contínuas que se propagaram com vagarosidade diversa, conforme as profundidades e as descontinuidades dos materiais, que encrespariam nosso grande silêncio, o transformariam na música incessante do mundo, na qual se harmonizariam as vozes profundas dos elementos.

   Isso para lhes dizer como está errado o seu caminho, a sua vida, na qual trabalho e gozo estão em contraste, em que a música e o barulho estão divididos; isso para lhes dizer como desde então as coisas estavam claras, e o canto de Orfeu nada mais era do que um sinal desse mundo de vocês, dividido e parcial. Por que Eurídice caiu na armadilha? Pertencia inteiramente ao nosso mundo, Eurídice, mas sua índole encantada a levava a preferir todo estado de suspensão, e assim que lhe era permitido pairar em vôo, em saltos, em escaladas das chaminés vulcânicas, a víamos posicionar sua pessoa em torções e pinotes e cabragens e contorções.

Os lugares fronteiriços, as passagens de uma camada terrestre à outra lhe proporcionavam uma tênue vertigem. Eu disse que a Terra é feita de telhados sobrepostos, como invólucros de uma imensa cebola, e que cada teto remete a um teto superior, e todos juntos preanunciam o teto extremo, ali onde a Terra cessa de ser Terra, onde o dentro todo fica do lado de cá, e do lado de lá há apenas o fora. Para vocês, essa fronteira da Terra se identifica com a própria Terra; acreditam que a esfera seja a superfície que a enfaixa, não o volume; sempre viveram naquela dimensão bem achatada e nem sequer supõem que se possa existir alhures e de outro modo; para nós então essa fronteira era alguma coisa que sabíamos existir, mas não imaginávamos poder ver, a não ser que se saísse da Terra, perspectiva que nos parecia, mais do que amedrontadora, absurda. Era ali que era projetado em erupções e jorros betuminosos e grandes sopros tudo aquilo que a Terra expelia das suas vísceras: gases, misturas líquidas, elementos voláteis, materiais de pouca importância, resíduos de todo tipo. Era o negativo do mundo, alguma coisa que não podíamos representar nem mesmo com o pensamento, e cuja idéia abstrata bastava para provocar um arrepio de desgosto, não, de angústia, ou melhor, um aturdimento, uma — justamente — vertigem (aqui está, nossas reações eram mais complicadas do que se pode acreditar, especialmente as de Eurídice), na qual se insinuava uma parte de fascínio, como uma atração pelo vazio, pelo bifronte, pelo último.

   Seguindo Eurídice nessas suas fantasias errantes, tomamos a garganta de um vulcão extinto. Acima de nós, ao atravessar como o aperto de uma ampulheta, abriu-se a cavidade da cratera, grumosa e cinzenta, uma paisagem não muito diferente, em forma e essência, daquelas habituais das nossas profundezas; porém o que nos deixou atônitos foi o fato de a Terra ali parar, não recomeçar a girar sobre si mesma sob outro aspecto, e dali em diante começar o vazio ou, de todo modo, uma substância incomparavelmente mais tênue do que as que tínhamos atravessado até então, uma substância transparente e vibrante, o ar azul.

   Foram essas vibrações que desencaminharam Eurídice, tão diferentes das que se propagam lentas através do granito e do basalto, diferentes de todos os estalidos, os clangores, os cavernosos retumbares que percorrem torpemente as massas dos metais fundidos ou as muralhas cristalinas. Aqui vinham ao seu encontro como um disparar de centelhas sonoras miúdas e puntiformes sucedendo-se numa velocidade para nós insustentável de qualquer ponto do espaço: era uma espécie de cócegas que nos dava uma impaciência desalinhada. Tomou conta de nós — ou ao menos, tomou conta de mim; daqui em diante sou obrigado a distinguir os meus estados de espírito daqueles de Eurídice — o desejo de nos retrairmos no negro fundo de silêncio no qual o eco dos terremotos passa fofo e se perde na distância. Mas para Eurídice, como sempre atraída pelo raro e temerário, havia a impaciência de se apropriar de alguma coisa única, boa ou ruim que fosse.

   Foi naquele instante que a insídia foi detonada: além da borda da cratera o ar vibrou de modo contínuo, aliás, de modo contínuo que continha diversas maneiras descontínuas de vibrar. Era um som que se erguia pleno, se extinguia, retomava volume, e nesse modular-se seguia um desenho invisível estendido no tempo como uma sucessão de cheios e vazios. Outras vibrações se sobrepunham a essa, e eram agudas e bem separadas umas das outras, mas se apertavam em um halo ora doce ora amargo, e se contrapunham ou acompanhavam o curso do som mais profundo, impunham como um círculo ou campo ou domínio sonoro.

   Logo o meu impulso foi subtrair-me daquele círculo, retornar para a densidade acolchoada; e deslizei para dentro da cratera. Mas Eurídice, no mesmo instante, tinha tomado impulso despenhadeiros acima, na direção de onde provinha o som, e antes que eu pudesse retê-la, tinha superado a borda da cratera. Ou foi um braço, ou alguma coisa que pude pensar fosse um braço, que a agarrou, serpentino, e a arrastou para fora; consegui ouvir um grito, o grito dela, que se unia ao som de antes, em harmonia com ele, em um único canto que ela e o desconhecido cantor entoavam, escandido nas cordas de um instrumento, descendo as encostas externas do vulcão.

   Não sei se essa imagem corresponde ao que vi ou ao que imaginei; estava já afundando em minha escuridão, os céus internos se fechavam um a um sobre mim: abóbadas silícicas, telhados de alumínio, atmosferas de enxofre viscoso; e o matizado silêncio subterrâneo ecoava à minha volta, com seus estrondos contidos, com seus trovões sussurrados. O alívio em me descobrir distante da nauseabunda margem do ar e do suplício das ondas sonoras tomou conta de mim junto com o desespero por ter perdido Eurídice. Pronto, estava só; não soubera salvá-la do desespero de ser arrancada da Terra, exposta à continua percussão de cordas estendidas no ar com que o mundo do vazio se defende do vazio. Meu sonho de tornar à Terra viva alcançando com Eurídice o último centro falhara. Eurídice era prisioneira, exilada nas charnecas destampadas do lado de fora.

   Seguiu-se um tempo de espera. Meus olhos densamente espremidos contemplavam paisagens umas sobre as outras preenchendo o volume do globo: cavernas filiformes, cadeias montanhosas empilhadas em lascas e lâminas, oceanos torcidos como esponjas; quanto mais reconhecia com comoção nosso mundo apinhado, concentrado, compacto, tanto mais sofria por Eurídice não estar ali habitando-o.

   Libertá-la tornou-se meu único pensamento: forçar as portas do fora, invadir o exterior com o interior, reanexar Eurídice à matéria terrestre, construir sobre ela uma nova abóbada, um novo céu mineral, salvá-la do inferno daquele ar vibrante, daquele som, daquele canto. Espiava o juntar-se da lava nas cavernas vulcânicas, sua pressão para o alto pelos dutos verticais da crosta terrestre — o caminho era esse.

   Chegou o dia da erupção, uma torre de fagulhas ergueu-se negra no ar acima do Vesúvio decapitado, a lava galopava pelos vinhedos do golfo, forçava as portas de Herculano, esmagava o muladeiro e o animal contra a muralha, arrancava do avaro as moedas, o escravo dos cepos, o cão apertado pela coleira desarraigava a correia e procurava salvação no celeiro. Eu estava ali no meio: avançava com a lava, a avalanche incandescente se retalhava em línguas, em regatos, em serpentes, e na ponta que se infiltrava mais à frente estava eu, correndo em busca de Eurídice. Sabia — alguma coisa me avisava — que ainda era prisioneira do desconhecido cantor: onde quer que eu tornasse a ouvir a música daquele instrumento e o timbre daquela voz, lá estaria ela.

   Corria enlevado pela efusão de lava entre hortas apartadas e templos de mármore. Ouvi o canto e um harpejo; duas vozes se revezavam; reconheci a de Eurídice — mas como estava mudada! — acompanhando a voz desconhecida. Uma inscrição na arquivolta, em letras gregas: Orpheos. Arrebentei a porta, inundei além da soleira. Eu a vi, um só instante, ao lado da harpa. O lugar era fechado e cavo, feito de propósito — dir-se-ia — para que a música se juntasse ali, como numa concha. Uma cortina pesada — de couro, pareceu-me, aliás, estofada como um edredom — fechava uma janela, de modo a isolar sua música do mundo em volta. Assim que entrei, Eurídice puxou a cortina de repente, escancarando a janela: lá fora se abriam a enseada deslumbrante de reflexos e a cidade e as ruas. A luz do meio-dia invadiu a sala, a luz e os sons: um arranhar de violões erguia-se de todos os cantos e o ondulante mugido de cem alto-falantes, e se misturavam a um retalhado crepitar de motores e buzinações. A couraça do ruído estendia-se dali em diante sobre a superfície do globo: a faixa que delimita sua vida de superfície, com as antenas hasteadas nos telhados transformando em som as ondas que, invisíveis e inaudíveis, percorrem o espaço, com os transistores grudados nas orelhas para enchê-las a todo instante da cola acústica sem a qual não sabem se estão vivos ou mortos, com os jukeboxes que armazenam e derramam sons, e a ininterrupta sirene da ambulância recolhendo a cada hora os feridos da carnificina ininterrupta de vocês.

   Contra essa parede sonora, a lava parou. Transpassado pelos espinhos do alambrado de vibrações estrepitantes, ainda fiz um movimento adiante em direção ao ponto onde, por um instante, havia visto Eurídice, mas ela havia desaparecido, desaparecido seu raptor: o canto de onde e do qual viviam estava submerso pela irrupção da avalanche do ruído, eu não conseguia mais distinguir nem ela nem seu canto.

   Recuei, movendo-me para trás na efusão de lava, tornei a subir as encostas do vulcão, tornei a habitar o silêncio, a sepultar-me.

   Ora, vocês que vivem fora, digam-me, se por acaso lhes acontece captar, na densa massa de sons que os cerca, o canto de Eurídice, o canto que a mantém prisioneira e que por sua vez é prisioneiro do não-canto que massacra todos os cantos, se conseguem reconhecer a voz de Eurídice na qual ainda soa o eco distante da música silenciosa dos elementos, digam-me, dêem-me notícias dela, vocês extraterrestres, vocês provisoriamente vencedores, para que eu possa retomar meus planos de trazer Eurídice de volta ao centro da vida terrestre, de restabelecer o reino dos deuses do dentro, dos deuses que habitam a espessura densa das coisas, agora que os deuses de fora, os deuses dos altos Olimpos e do ar rarefeito deram a vocês tudo o que podiam dar, e está claro que não basta.


(Italo Calvino - Todas as Cosmicômicas) 

Relacionados:
* Orfeu nos infernos, ou por que a morte é mais forte do que o amor
* ORFEU E EURÍDICE - Lidando com o luto

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publicado às 17:15


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