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Existe, de fato, a continuidade após a morte?
Observem a natureza: tudo que é vivo e
tem energia renasce.
E tudo é energia que flui.
Energia não se perde, se transforma.

Se nós somos energia, por que não acreditar
que somos eternos, só nos transformamos,
nos renovamos, evoluímos?

(I L A N A S K I T N E V S K Y - Viver, morrer e o depois...)
 
 As células fazem algo que só podemos invejar e mal entendemos: elas concentram toda a sua energia em permanecer vivas e, mesmo assim, não têm medo de morrer. Já falamos de apoptose, (1) que é a morte programada que geneticamente diz a uma célula a hora de morrer. Mas, na maior parte do tempo, as células se dividem em vez de morrer do modo como tememos – elas desafiam a mortalidade quando se transformam em uma nova geração de células. A reencarnação ocorre diante de seus olhos se você observar a mitose celular através de um microscópio. (2) O ser humano tem uma atitude mais insegura quanto a morrer, porém, nas últimas décadas – mais enfaticamente depois do livro revolucionário de Elisabeth Kübler-Ross, Sobre a morte e o morrer [São Paulo, WMF Martins Fontes, 2008], de 1969 –, nossas atitudes sociais se tornaram menos temerosas. A sabedoria das células está perfeitamente correlacionada com os maiores professores do mundo. A morte não é o oposto da vida. Ela faz parte da vida, o que abrange tudo. Tudo o que nasce, morre, e, no esquema cósmico, a morte é apenas uma transição para outro tipo de vida. A renovação é um tema constante da natureza. Esses assuntos são controversos quando as pessoas comparam suas crenças religiosas ou quando entram em guerra por uma verdade dogmática. Contudo, as células não são teológicas, nem a natureza como um todo.
Um cético irá reagir a qualquer visão de vida baseada na fé, argumentando que o universo é frio e impessoal, guiado por eventos aleatórios, e indiferente à existência humana. Estranhamente, a controvérsia entre fé e ceticismo não parece influenciar o modo como uma pessoa trata sua própria mortalidade. Lidar com a morte é tão pessoal que transcende a crença. Há devotos que estremecem só de pensar na morte e céticos que a encaram com serenidade. O ponto essencial, abordado em grande escala primeiro por Kübler-Ross, é que a morte é um processo que passa por estágios. Hoje, esses estágios são conhecidos: luto, negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. (Deepak conhece duas senhoras que acompanharam a mãe de 89 anos durante sua internação numa casa de repouso. Elas se sentavam cada uma de um lado da cama, revezando a leitura em voz alta de Sobre a morte e o morrer, esperando dar consolo à mãe, que ouvia tranquilamente com os olhos fechados. De repente, elas perceberam que ela havia morrido. Espontaneamente, uma das irmãs exclamou: “Mas você está apenas no quarto estágio!”)
Nos últimos anos, surgiu a polêmica sobre se Kübler-Ross havia descrito corretamente os estágios da morte e sobre a ordem em que ocorrem. A maior lição, contudo, é que morrer deve ser tão dinâmico quanto viver, uma experiência que evolui à medida que se passa por ela. Algumas culturas, como o budismo tibetano, oferecem ampla preparação para a morte e uma teologia extremamente detalhada de diversos céus e infernos (embora esses bardos, ou períodos intermediários, sejam mais considerados como estados de consciência após o corpo físico ter sido deixado para trás). O Ocidente não tem tradição desse tipo – exceto entre os índios americanos –, e cada pessoa deve pensar a morte de sua própria maneira. Mas pensar nela é preciso. Se você tem medo de morrer, isso é ruim para o seu corpo, não porque a morte surge de maneira tão obscura, mas porque qualquer tipo de medo é tóxico.
A imagem dos ciclos de feedback enviando mensagens o tempo todo é inevitável.
A boa notícia é que o sofrimento da morte é predominantemente psicológico, portanto pode ser removido. A natureza está a seu lado. A grande maioria dos pacientes terminais aceitou isso; funcionários de casas de saúde notam que muitas vezes é a família do doente que sofre da maior ansiedade e estresse. Além do mais, é muito casual, e equivocado, ligar envelhecimento e morte. O envelhecimento ocorre com o corpo; a morte, com o self. Assim, a pessoa que tem um forte senso do self, que investigou profundamente a grande questão “Quem sou eu?”, tende a ter mais tranquilidade no encontro com a morte.
Teremos muito mais a dizer sobre como chegar ao seu verdadeiro ou essencial self. É uma questão vital desde que as tradições de sabedoria declararam que a morte não toca o verdadeiro self – e é isso o que o apóstolo São Paulo quis dizer com “morrendo até morrer”. Queremos enfatizar que morrer é parte natural da vida, assim como toda célula em seu corpo já passou por isso. O caminho para fazer as pazes com a morte segue passos como estes:
Não penso na morte. Não há sentido nisso.
O mais importante é viver a vida neste exato minuto.
De qualquer forma, lá no fundo, eu não acredito que vou envelhecer e morrer.
Para ser honesto, não penso no assunto porque é muito assustador.
Já testemunhei a morte – de um amigo, parente ou animal de estimação. Sei que terei que encará-la algum dia.
Estou começando a me sentir mais tranquilo a esse respeito. Posso olhar a morte sem ter que fugir.
A morte atinge a todos. É melhor abordá-la com calma, de olhos abertos.
Senti as primeiras pontadas sérias de mortalidade. É hora de encará-la.
Acho que quero realmente saber do que se trata a morte.
Posso aceitar a morte como um estágio natural da vida – e aceitei.
Conquistar a sabedoria é um projeto de vida. Somos encorajados pela “nova terceira idade” e por estudos que mostram o lado positivo de envelhecer, que pode ser classificado sob o título de “maturidade”. Pessoas mais velhas geralmente têm pior desempenho em testes de memória e Q.I. em comparação com as mais jovens, mas, em aspectos de experiência de vida, elas superam. Isso é especialmente verdade em testes que pedem que você tome uma decisão em relação a uma situação desafiadora, como demitir um funcionário, contar a um amigo que a esposa o está traindo ou enfrentar o diagnóstico de uma doença grave na família. O que se precisa em situações assim é de maturidade e, apesar de a inteligência emocional entrar em ação, não há um único aspecto do Q.I. que se iguale à maturidade. É necessário viver uma vida para adquiri-la. Por que não viver essa vida em conformidade com a evolução, como a incorporada em suas células?

(DEEPAK CHOPRA, RUDOLPH E. TANZI - SUPERCÉREBRO)
(1) Quando as células não são mais necessárias, elas morrem com o que só podemos chamar de total dignidade. Demolem todos os suportes e escoras que as mantêm coesas e, tranquilamente, devoram suas partes componentes. O processo é conhecido como apoptose ou morte celular programada. A cada dia, bilhões de suas células morrem em seu benefício e bilhões de outras arrumam a bagunça. As células também podem ter uma morte violenta – por exemplo, quando infectadas –, mas quase sempre morrem porque recebem ordem de morrer. Na verdade, se não forem instruídas a viver – se não receberem algum tipo de instrução ativa de outra célula –, elas automaticamente se matam. As células precisam de muito apoio.
Quando, como acontece às vezes, uma célula não expira da maneira prescrita, mas começa a dividir-se e a proliferar caoticamente, chamamos o resultado de câncer. Células cancerosas não passam de células confusas. As células cometem esse erro com certa regularidade, porém o corpo dispõe de mecanismos elaborados para enfrentar o problema. É muito raro o processo fugir de controle. Em média, os seres humanos sofrem uma malignidade fatal a cada 100 milhões de bilhões de divisões de células.{Ridley , Genome, p. 237} O câncer é azar no sentido pleno do termo.
(BILL BRYSON - Breve história de quase tudo)

(2) O desenvolvimento de novos neurônios é chamado de “neurogênese”. Foi observado pela primeira vez há cerca de vinte anos no cérebro de certos pássaros. Por exemplo, quando o mandarim australiano está crecendo e aprendendo novos cantos para acasalar, seu cérebro cresce consideravelmente – novas células nervosas são produzidas para acelerar o processo de aprendizado. Depois que ele aprende o canto, muitas das células novas morrem, e o cérebro volta a seu tamanho original. Esse processo é conhecido como “morte cerebral programada”, ou “apoptose”. Os genes não apenas sabem quando é hora de novas células nascerem (por exemplo, quando nossos dentes permanentes crescem para substituir os dentes de leite, ou quando passamos pelas mudanças da puberdade), mas também a hora de as células morrerem, como quando trocamos células da pele e em vários outros casos. Muita gente fica surpresa ao saber desse fato. A morte existe a serviço da vida – podemos resistir a essa ideia, mas nossas células a entendem perfeitamente. (DEEPAK CHOPRA, RUDOLPH E. TANZI - SUPERCÉREBRO)

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publicado às 19:00



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