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A LINGUAGEM QUE ESPELHA A REALIDADE

por Thynus, em 03.01.16
Enquanto a ciência ocidental apenas começa a compreender o que nossas relações com o espaço e o tempo significam dentro do contexto de conectividade, nossos ancestrais nativos já tinham pleno conhecimento dessas relações. O linguista Benjamin Lee Whorf, quando estudou a linguagem dos hopi, por exemplo, descobriu que as palavras refletiam diretamente o modo como eles viam o universo. A ideia que tinham de sermos humanos era muito diferente da maneira como costumamos pensar a nosso respeito — eles viam o mundo como uma entidade única, com tudo nele conectado à fonte. No seu livro pioneiro Language, Thought, and Realíty, Whorf resume o ponto de vista dos hopi: "Na visão dos hopi, o tempo desaparece e o espaço é alterado de modo que deixa de existir o espaço atemporal homogêneo e instantâneo da nossa suposta intuição ou o espaço da mecânica newtoniana clássica"(Benjamin Lee Whorf, Language, Thought, and Reality, John B. Carroll, org. (Cam- bridge, MA: MIT Press, 1964): pp. 58-59). Em outras palavras, os hopi simplesmente não concebem o tempo, o espaço, a distância e a realidade da mesma maneira que nós. Aos olhos deles, vivemos em um universo onde todas as coisas estão vivas, interligadas e acontecendo "agora". E a linguagem desse povo espelha essa perspectiva.
Por exemplo, quando olhamos para o oceano e vemos uma onda podemos dizer "Olhe aquela onda." Mas nós sabemos que, na realidade, ela não existe sozinha, ela só está ali por causa das outras ondas. "Sem a projeção da linguagem", diz Whorf, "ninguém nunca viu uma onda"(Ibid., p. 262). O que vemos é "uma superfície de movimentos ondulatórios sempre variáveis". Na linguagem dos hopi, entretanto, os falantes sempre dizem que o oceano está "ondulando", para descrever a presente ação da água. Mais precisamente, de acordo com Whorf, "Os hopi dizem walalata, significando 'muitas ondas estão acontecendo', e podem chamar atenção para um lugar na sucessão de ondas da mesma maneira que nós também podemos"(Ibid). Desse modo, ainda que possa nos parecer estranho, eles são mais precisos na maneira de descrever o mundo.
Em uma vertente semelhante, o conceito de tempo como tendemos a percebê-lo adquire uma significação inteiramente nova nas crenças tradicionais dos hopi. Os estudos de Whorf levaram-no a descobrir que "o manifestado compreende tudo o que é ou tem sido acessível pelos sentidos, o universo fí-sico histórico [...] sem nenhuma tentativa para distinguir entre o presente e o passado, mas excluindo tudo o que chamamos de futuro"(Ibid., p. 59). Em outras palavras, os hopi usam as mesmas palavras para identificar apenas o que "é" ou o que já aconteceu. Essa visão da passagem do tempo e do uso da linguagem tem sentido, se analisada levando em consideração as possibilidades quânticas. Os hopi descrevem as possibilidades que foram escolhidas e deixam o futuro com as portas abertas.
Nosso relacionamento com as concepções de espaço e tempo obviamente guardam mais correlações com as implicações da linguagem hopi e com exemplos comprovados de visão a distância, do que as correlações reconhecidas tradicionalmente. A essência da nova física sugere que o espaço-tempo não pode ser separado. Ao repensarmos o que a distância significa para nós dentro da Matriz Divina, fica claro que deveremos também reconsiderar nosso relacionamento com a passagem do tempo. É aqui que as possibilidades realmente ficam muito interessantes.

(Gregg Braden - A Matriz Divina)

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publicado às 22:33



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