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A função da filosofia

por Thynus, em 01.12.14
"Se me pedissem para mencionar a data mais importante da História e da Pré-história da raça humana, eu responderia sem a mínima hesitação: o dia 6 de agosto de 1945. A razão é simples. 
Desde o alvorecer da consciência até o dia 6 de agosto de 1945, o homem precisou conviver
 com a perspectiva de sua morte como indivíduo. A partir do dia em que a primeira 
bomba atômica sobrepujou o brilho do Sol em Hiroshima, a humanidade, como um todo, deve conviver com a perspectiva de sua extinção como espécie."
 (Arthur Koestler.)

"A humanidade inteira, se continuar a viver, não será simplesmente porque nasceu, mas porque terá decidido prolongar sua vida. Não mais existe espécie humana. A comunidade que se fez guardiã da bomba atômica está acima do reino natural, porque é responsável por sua vida e por sua morte; a cada dia, a cada minuto, será preciso que consinta em viver. Eis o que experimentamos hoje, na angústia. Nosso mundo é uno. Mas é um mundo dilacerado. Este mundo é uno porque o desenvolvimento da técnica e da produção engendrou um mercado mundial, a economia de um mundo fechado no qual o destino de cada homem depende de fato Econômica, política, moralmente, do de todos os outros.
Política, moralmente, a vida cotidiana de cada homem sofre a ressaca das mais longínquas: na Bolsa de Nova York, uma manifestação em Tóquio, um plano econômico em Moscou, uma revolta na África ou na Ásia. As crises tornaram-se mundiais, as guerras também.
Mas esta interdependência universal não é uma solidariedade universal. Está feita de contradições e conflitos. A universalidade só se exprime concretamente porque, doravante, todas as lutas se desenvolvem em escala planetária: as lutas de classe, as lutas nacionais, as lutas ideológicas.
Nenhum conflito tem caráter regional. Nenhuma responsabilidade tem caráter limitado. Nenhuma liberdade é solitária. De direito, estamos todos implicados na grande contestação do mundo. A história o quis assim. Estamos aí e não podemos fazer de outro modo. A responsabilidade é pessoal, ninguém pode furtar-se a ela."

(Roger Garaudy)

Uma das funções da filosofia é analisar os fundamentos da ciência. O próprio cientista já está na verdade colocando questões propriamente filosóficas quando se pergunta em que consiste o conhecimento cientifico, qual o seu alcance, qual a validade do método que utiliza e qual é sua responsabilidade no que se refere às conseqüências das descobertas. Por isso é importante que o cientista se disponha a filosofar, a fim de investigar os pressupostos e as implicações do seu saber. Além disso, a filosofia busca recuperar a visão de totalidade, perdida diante da multiplicação das ciências particulares e da valorização do mundo dos "especialistas". É a filosofia que, diante do saber e do poder, avalia se estes estão a serviço do homem ou contra ele, isto é, se servem para seu crescimento espiritual ou se o degradam, se contribuem para a liberdade ou para a dominação. O sono da razão desperta monstros (1799), de Francisco de Goya. A razão precisa estar desperta para identificar se os fins da ciência e da técnica estão a serviço da humanização ou da alienação. Assim, é preciso questionar a ideologia do progresso que justifica as ilusões e preconceitos do homem "civilizado" por este se julgar superior a qualquer outro. Não é em nome do progresso que as tribos indígenas têm sido sistematicamente expulsas dos seus territórios? E não seria o caso de perguntar quais são os valores do homem "urbano e civilizado" que é individualista, sofre de solidão e tem sido vítima dos descontroles do progresso, como a poluição ambiental? Diante de tais questões, não há como sustentar a neutralidade da ciência. A bomba atômica não pode ser considerada apenas como resultado do saber sobre a energia atômica, nem como simples técnica de produzir explosão. Trata-se de um saber e de uma técnica que dizem respeito à vida e à morte de seres humanos. Como tal, cabe ao cientista a responsabilidade social de indagar a respeito dos fins a que se destinam suas descobertas. E não é possível alegar isenção, uma vez que a produção científica não se realiza fora de um determinado contexto social e político cujos objetivos a serem alcançados estão claramente definidos. As altas cifras necessárias ao encaminhamento das pesquisas supõem o apoio financeiro das instituições públicas e privadas, que evidentemente subvencionam os trabalhos que mais lhes interessam. Pode-se falar que, por muito tempo, houve uma "indústria da guerra" alimentando a "corrida armamentista" e exigindo o constante desenvolvimento da ciência e tecnologia no campo militar. O papel da filosofia consiste, portanto, em analisar as condições em que se realizam as pesquisas científicas, investigar os fins e as prioridades a que a ciência se propõe, bem como avaliar as conseqüências das técnicas utilizadas. Resta lembrar que, no desempenho desse papel, o filósofo não tem respostas prontas, nem um saber acabado. Não caberia ao filósofo nortear, de forma onipotente, os rumos da ciência. A filosofia deve caminhar ao lado dos cientistas e dos técnicos a fim de que a abordagem específica que ela é capaz de fazer os auxilie a não perder de vista que a ciência e a técnica são apenas meios, e devem estar a serviço da humanidade.

(MARIA LÚCIA DE ARRUDA ARANHA, MARIA HELENA PIRES MARTINS - TEMAS DE
FILOSOFIA)

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publicado às 17:01



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