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Jesus viu crianças sendo amamentadas. Ele disse a seus discípulos: "Esses
pequeninos que mamam são como aqueles que entram no Reino." Eles lhe disseram: Nós
também, como crianças, entraremos no Reino?" Jesus lhes disse: "Quando fizerdes do dois
um e quando fizerdes o interior como o exterior, o exterior como o interior, o acima como o
embaixo e quando fizerdes do macho e da fêmea uma só coisa, de forma que o macho não
seja mais macho nem a fêmea seja mais fêmea, e quando formardes olhos em lugar de um
olho, uma mão em lugar de uma mão, um pé em lugar de um pé e uma imagem em lugar de
uma imagem, então, entrareis (no Reino).
 
.
 
Pintei uma cruz hipercúbica na qual o corpo de Cristo torna-se metafisicamente o nono cubo. (Dalí)

Ao dedicar este epílogo a você como cristão, espero que faça jus ao seu título como discípulo de Jesus. Você pode já ter algum mestre neste momento, pode ter tido diversos mestres em seu passado; mas Jesus tem sido sempre seu maior mestre, o que os hindus chamariam sadguru, um verdadeiro guru, um mestre cujo espírito acha-se estabilizado.

A pergunta importante para todos os cristãos é a seguinte: será que o Deus que a ciência está redescobrindo é o mesmo Deus que o cristão? Venho reassegurando isso no seguinte caso: o Deus da nova ciência é o mesmo Deus de que tem falado o cristianismo esotérico e místicos cristãos como Mestre Eckhart e Santa Teresa de Ávila. Contudo, posso demonstrar essa tese comparando os ensinamentos de Jesus com os ensinamentos da física quântica, o que deve remover qualquer dúvida. Pelo menos, é o que espero.

Jesus foi um dos maiores mestres espirituais de todos os tempos. Seus ensinamentos eram passados na forma de enigmas e paradoxos, o que demonstra uma semelhança com as lições da física quântica, que também criam enigmas e paradoxos em nossas mentes. Tanto Jesus quanto a física quântica falam da realidade, mas será que falam da realidade de maneira idêntica? Esta é a grande pergunta. Se estão falando da realidade em termos de metáforas idênticas, por mais enigmáticas e paradoxais que sejam essas metáforas para nossa mente racional, existem motivos para concluir que esses ensinamentos são convergentes. Fundamentalmente, são os mesmos. O Deus de Jesus e a consciência-Deus quântica são a mesma coisa.

O tecido básico da realidade
Ao dedicar este epílogo a você como cristão, espero que faça jus ao seu título como discípulo de Jesus. Você pode já ter algum mestre neste momento, pode ter tido diversos mestres em seu passado; mas Jesus tem sido sempre seu maior mestre, o que os hindus chamariam sadguru, um verdadeiro guru, um mestre cujo espírito acha-se estabilizado.

A pergunta importante para todos os cristãos é a seguinte: será que o Deus que a ciência está redescobrindo é o mesmo Deus que o cristão? Venho reassegurando isso no seguinte caso: o Deus da nova ciência é o mesmo Deus de que tem falado o cristianismo esotérico e místicos cristãos como Mestre Eckhart e Santa Teresa de Ávila. Contudo, posso demonstrar essa tese comparando os ensinamentos de Jesus com os ensinamentos da física quântica, o que deve remover qualquer dúvida. Pelo menos, é o que espero.

Jesus foi um dos maiores mestres espirituais de todos os tempos. Seus ensinamentos eram passados na forma de enigmas e paradoxos, o que demonstra uma semelhança com as lições da física quântica, que também criam enigmas e paradoxos em nossas mentes. Tanto Jesus quanto a física quântica falam da realidade, mas será que falam da realidade de maneira idêntica? Esta é a grande pergunta. Se estão falando da realidade em termos de metáforas idênticas, por mais enigmáticas e paradoxais que sejam essas metáforas para nossa mente racional, existem motivos para concluir que esses ensinamentos são convergentes. Fundamentalmente, são os mesmos. O Deus de Jesus e a consciência-Deus quântica são a mesma coisa.
O tecido básico da realidade

Analise a ideia do tecido básico da realidade. Os materialistas dizem que, em sua base, a realidade se reduz aos tijolos chamados partículas elementares, quarks e elétrons, por exemplo. A causação é uma causação ascendente, a partir dessa base.

Entretanto, a física quântica diz outra coisa. Na física quântica, não há objetos materiais manifestados independentes dos sujeitos – os observadores. Na física quântica, os objetos permanecem como potenciais, ondas de possibilidade, até serem manifestados pelo ato da observação. Objetos quânticos são ondas de possibilidade, mas possibilidades de quê? São possibilidades da consciência. A consciência, e não a matéria, é a base da existência, na qual a matéria existe como possibilidade. Pelo ato da mensuração ou observação quântica, a consciência converte a possibilidade em realidade (ou causa o colapso de ondas em partículas ou coisas) e, ao mesmo tempo, divide-se em um sujeito que vê e em objeto(s) visto(s).

O que Jesus tem a dizer sobre o tecido da realidade? Ele é bem inequívoco, embora um pouco sarcástico com relação aos que apoiam a supremacia material (todas as citações do Evangelho segundo Tomé referem-se ao número da página em Guillaumont et al., 1959):

Seria uma maravilha
se a carne tivesse surgido
por causa do espírito.
Mas seria a maior das maravilhas
se o espírito tivesse surgido
por causa do corpo.
(Tomé, p. 21)

Jesus diz, como um eco com a física quântica, que a carne surgiu por causa do espírito e não o contrário.

Também me agrada muito o fato de Jesus ter dito: “O Espírito é que dá a vida, a carne não serve para nada” (João 3,6; 6,63). Aqui não há apoio para as teorias materialistas da origem da vida, inclusive para a teoria da autopoiese emergente do holista. Mas a frase de Jesus ressoa plenamente com a ideia quântica de que a vida se origina da mensuração quântica em hierarquia entrelaçada, feita pela consciência. Dessa forma, sendo místico, Jesus subestima a carne, a matéria. Agora, na nova ciência, podemos explicitar o papel de contribuição da matéria: tornar possível a manifestação e fazer representações do sutil.

Não localidade e transcendência

O cristianismo popular postula que Deus e o Espírito são separados de nós; e é esse dualismo que faz com que a maioria dos cientistas considere o cristianismo não científico. Se Deus é algo realmente separado de nós, como podemos receber sua orientação e amor? Como a carne, a substância material, pode interagir com o divino não material?

A física quântica possui uma posição diferente. Deus não é separado de nós; Deus vive em nós, em nosso inconsciente. A consciência é a base de tudo, o que nos inclui. Isto repercute muito bem com a frase de Jesus: “O Pai e eu somos um”. E, se você interpretar esta frase considerando que Jesus está falando apenas de si mesmo, que apenas ele é “filho do Pai” e, portanto, idêntico a Ele, os evangelhos dizem outra coisa. Jesus diz, em todo momento, aos seus ouvintes, que todos são filhos de Deus; basta perceber isso:

Quando conseguirdes conhecer a vós mesmos,
então, sereis conhecidos
e compreendereis que
sois filhos do Pai vivo.
(Tomé, p. 3)

A física quântica também ensina: “Você e eu somos um”. A consciência ou Deus causa o colapso de ondas de possibilidade similares em nossos cérebros quando estamos “correlacionados”, dando a cada um de nós a oportunidade de constatar essa ideia de unidade. Esta ideia tem sido comprovada até em laboratório. Se a consciência pode causar o colapso simultâneo de ondas de possibilidade no seu cérebro e no meu, quando estamos correlacionados, devemos estar vinculados por meio da consciência, que é não local e uma unidade para nós dois, e, por inferência, uma unidade para todos nós.

O conceito de não localidade é sutil e também implica que você e eu estamos vinculados sem quaisquer sinais pelo espaço e pelo tempo. Contudo, também somos manifestações da mesma consciência; é a consciência que é imanente em nós.

Qual a opinião de Jesus sobre esses assuntos? Vamos estudar a conhecida declaração de Jesus: “O reino de Deus está em toda parte, mas as pessoas não o vêem”. Assim, sem dúvida, Jesus conhecia e pregava sobre o Deus imanente no mundo. Mas seria esta uma visão de mundo animista? Não vamos nos apressar. Eis outra frase famosa de Jesus:

Os fariseus perguntaram a Jesus
sobre o momento em que chegaria
o reino de Deus. Jesus respondeu:
“O reino de Deus não surge ostensivamente.
Nem se pode dizer:
‘Está aqui’ ou ‘está ali’,
porque o reino de Deus
está no meio de vocês”.
(Lucas 17,20-21)

Mais uma vez, diz Jesus:
Pois bem, o reino está dentro de vós,
e também está em vosso exterior.
(Tomé, p. 3)

O reino não pode ser localizado; não podemos dizer, ele está aqui ou está em algum outro lugar. Ele está tanto fora como dentro; é tanto transcendente quanto imanente. Tudo está em ressonância com a mensagem da física quântica.

Circularidade, hierarquia entrelaçada e auto-referência

Uma das características mais interessantes da física quântica é a circularidade que existe no efeito do observador: não há colapso sem um observador, mas não há observador (manifestado) sem colapso. A circularidade é uma hierarquia entrelaçada de lógica que nos oferece a auto-referência, a cisão sujeito-objeto experimentada pelo observador. Incrível, mas Jesus já intuía isso, pois disse:

Se vos perguntarem:
“De onde vindes?”
respondei:
“Viemos da luz,
do lugar onde a luz nasceu dela mesma”.
(Tomé, p. 29)

A luz aqui se refere ao Espírito Santo, o self quântico na linguagem da física quântica. Viemos da luz, pois nossa individualidade é fruto do condicionamento. A luz se originou de si mesma, pela circularidade, pela hierarquia entrelaçada.

Jesus e o self quântico

Em páginas anteriores, eu disse que o estágio final da iluminação espiritual é atingido quando a pessoa se posiciona firmemente na consciência quântica, em Deus, sempre que está realizando um processamento inconsciente. Creio que Buda chegou a este estágio de iluminação, pois há muitas histórias sobre sua equanimidade.

Mas Jesus viveu por pouco tempo, e a maior parte do tempo em viveu está envolvida em mistérios e controvérsias. O relato que recebemos sugere que Jesus praticou ocasionalmente a meditação; mas os evangelhos estão repletos daquilo que Jesus disse e de histórias de milagres.

Essas histórias de milagres de Jesus são bastante reveladoras. Naturalmente, os milagres não são realizados no inconsciente e, por isso, não sugerem se Jesus estava firme na consciência quântica ou Deus. Mas os milagres sugerem que, nessas ocasiões, Jesus atuava a partir do self quântico, ou daquilo que no cristianismo é chamado Espírito Santo, ou simplesmente Espírito, escolhendo entre possibilidades situadas além de toda e qualquer limitação.

A ideia é que a criatividade comum – vital e mental – envolve as leis e os contextos codificados no domínio supramental da consciência. Milagres que violam leis físicas, como a conversão de água em vinho, sugerem uma criatividade no plano físico além das leis supramentais da física. Em outras palavras, a pessoa que está fazendo isso tem acesso inconsciente a possibilidades além do supramental, além da limitação das leis quânticas da física, no próprio corpo de êxtase, na consciência turiya.

Desta forma, não surpreende saber que Jesus às vezes falava a partir desse self quântico ou consciência do Espírito, criando muita confusão, como na célebre frase:

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.
Ninguém vai ao Pai senão por mim.
(João 14,6)

A Igreja cristã explorou essas palavras até a exaustão na perseguição a outras religiões e outros credos. Mas também é confuso para os orientais, quando comparam a frase de Jesus com afirmativas de sábios orientais como: “Aqueles que são iluminados não dizem, aqueles que dizem não são [iluminados]”. Uma pessoa, cuja auto-identidade superou o ego e chegou ao Espírito, não deveria ser humilde? Segundo todos os relatos, Jesus era um homem muito humilde quando estava em seu ego, agindo a partir do estado normal da consciência. As confusões nos dois grupos desaparecem se considerarmos que, quando Jesus faz esse tipo de declaração, Ele está falando do estado não comum e relativamente raro do self quântico. É o mesmo estado não comum a partir do qual realizava milagres que superavam as leis físicas.

E se você ainda tem dúvidas de que, às vezes, Jesus falava a partir do estado não comum do self quântico, entenda porque ele teria feito esta declaração: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” (João 8,58). Ou algo como: “Assim vocês conhecerão, de uma vez por todas, que o Pai está presente em mim, e eu no Pai” (João 10,38). A pessoa precisa estar no estado da hierarquia entrelaçada do self quântico para perceber a circularidade que dá origem à condição humana.

Jesus e a criatividade

Os discípulos pediram a Jesus: “Diga-nos como é o reino do Céu”.
Ele lhes disse:
“Ele se assemelha a uma semente de mostarda,
a menor de todas as sementes.
Mas, quando cai em terra fértil,
produz uma grande planta
e torna-se um refúgio para as aves do céu”.
(Tomé, p.15)

O que isso significa para você? Por que Jesus enfatiza uma semente que é a menor de todas? É que um insight é um vislumbre do supramental, menor do que outras sementes, os pensamentos que habitualmente lotam nossa psique. Contudo, quando essa semente cai em terra fértil, torna-se uma grande árvore na qual as aves do céu se refugiam. No entanto, quando um insight chega para uma pessoa preparada (terra fértil), produz uma mente transformada (uma grande árvore) onde muitos dos arquétipos (aves do céu) podem ser representados (podem encontrar refúgio). Assim, Jesus conhecia os três estágios da criatividade interior, a preparação, o insight e a manifestação. Ele não mencionou o estágio do processamento inconsciente nessa frase, mas sim em outro lugar:

E Jesus continuou dizendo: “O reino de Deus
é como um homem que espalha a semente na terra.
Depois ele dorme e acorda,
noite e dia, e a semente vai
brotando e crescendo, mas o homem
não sabe como isso acontece”.
(Marcos 4,26-28)

A frase “ele não sabe como isso acontece”, mostra claramente que parte do processamento da criatividade interior, o desenvolvimento do reino do Céu em nosso interior, é inconsciente.

Jesus atingiu a perfeição, estimulando as pessoas a fazer o mesmo:

Portanto, sejam perfeitos
como é perfeito o Pai de vocês
que está no céu.
(Mateus 5,48)

E no que consiste a perfeição? Ela se situa no comando do supramental, por trás da mente – o reino das dualidades:

Jesus lhes disse:
“Quando fizerdes do dois um
e quando fizerdes o interior
como o exterior,
o exterior como o interior,
o acima como o embaixo
e quando fizerdes
do macho e da fêmea uma única coisa,
de forma que o macho não seja mais macho
nem a fêmea seja mais fêmea,
… então, entrareis (no reino)”.
(Tomé, p. 17)

Muitos autores hesitam em atribuir autenticidade ao Evangelho de Tomé. Se for esse o caso, podemos confiar na autenticidade dessas palavras? Vieram mesmo de Jesus? Na minha opinião, se essas palavras foram inseridas por outro autor no texto de Tomé, essa outra pessoa também teria de ser sábia. Deveríamos procurar por evidências históricas de sua presença. E, enquanto não encontrarmos essa pessoa, podemos muito bem atribuir essas palavras a Jesus.

Você percebe como as descobertas e conclusões da nova ciência estão sintonizadas com os ensinamentos de Jesus? Jesus disse, integre o interior e o exterior. Em geral, os místicos enfatizam o mundo interior e menosprezam o exterior. Mas não Jesus; ele sabia que Deus é ambos. Assim como o denso/exterior atrai o materialista, o sutil/interior pode parecer atraente para os conhecedores da consciência. Mas devemos resistir à tentação e fazer apenas um o exterior e o interior.

Do mesmo modo, precisamos integrar o que está acima com o que está embaixo, o transcendente e o imanente, a onda e a partícula, na linguagem quântica. Devemos evitar a tendência do religioso – abraçar o transcendente em preferência ao imanente. Do mesmo modo, devemos evitar a indulgência materialista de acatar apenas o imanente, negando o transcendente.

Por fim, o que Jesus quis dizer ao sugerir que integrássemos homem e mulher? Isso não parece ter nada a ver com a física quântica, não é? Mas penso que Jesus não está falando da integração de nossas tendências psicológicas masculinas e femininas, à maneira de Jung. Creio que ele está falando de masculino-yang e feminino-yin – no sentido da medicina chinesa, os modos criativo e condicionado com que processamos nossos corpos sutis. Os saltos quânticos criativos devem ser seguidos de manifestação. Depois é que devemos transformar – depois é que devemos entrar no reino do Céu.

Se Jesus foi transformado, por que foi tão implacável?

O filósofo Bertrand Russell escreveu:

Há, a meu ver, um defeito muito sério no caráter moral de Cristo, e isso por que Ele acreditava no inferno. Quanto a mim, não acho que qualquer pessoa que seja, na realidade, profundamente humana, possa acreditar no castigo eterno [...] Há, por certo, o texto familiar acerca do pecado contra o Espírito Santo: “Quem falar contra o Espírito Santo não será perdoado, nem neste mundo, nem no futuro” [...] Não me parece, realmente, que uma pessoa dotada de um grau adequado de bondade em sua natureza teria posto no mundo receios e terrores dessa espécie (citado em Mason, 1997, p. 186).

É uma expectativa razoável que uma pessoa transformada veria apenas o potencial de Deus em outro ser humano. Com efeito, o santo transformado Vivekananda, discípulo de Ramakrishna, disse o seguinte sobre seu guru: “Meu guru tem olhos maravilhosos, pois não consegue ver mais o mal em pessoa alguma, vê apenas o potencial divino”. Com efeito, está bem documentado o fato de Ramakrishna tratar prostitutas e brâmanes com o mesmo amor, causando muito desconforto entre estes últimos.

Mas, se Jesus era tão rancoroso, a ponto de condenar as pessoas ao inferno eterno, então por que não nos sentimos como Bertrand Russell e condescendemos Jesus? Como Russell, qualquer cristão moderno pode se sentir assim.

O autor Mark Mason (1997) tratou desse assunto com excelência e recomendo a leitura de seu livro. Mason demonstra que Jesus nunca usou a palavra “inferno” e que, tampouco, teve essa intenção. Primeiro, deve-se a erros de tradução do original grego, e também à manipulação da Igreja cristã medieval, o fato de a imagem de Jesus ter ficado manchada dessa maneira. Mason também argumenta que a palavra “perdoado”, com o significado de falar algo contra o Espírito Santo, também é um infeliz erro de tradução que não está de acordo com o contexto.

Quanto a ser implacável, se analisadas adequadamente, muitas histórias, como a parábola do bom samaritano (Lucas 10,29-37), sugerem o contrário (Mason, 1997). E quem não conhece o episódio em que ele protegeu uma mulher de ser apedrejada até a morte, dizendo: “Quem de vocês não tiver pecado, atire nela a primeira pedra”.

Jesus foi um avatar?

Há mais uma coisa que um cristão moderno pode achar interessante analisar. Os hindus aceitam Jesus como um avatar, que é a palavra por eles utilizada para designar uma pessoa plenamente transformada. Acredita-se que os avatares encarnam na forma humana sempre que o movimento da consciência estagna (sempre que a evolução da consciência se imobiliza). Isso se enquadra com a situação de Jesus?

Na verdade, sim. Os hindus consideram avatares pessoas como Krishna, Buda, Shankara e Ramakrishna porque todos viveram em épocas nas quais a religião e a espiritualidade haviam perdido crédito na vida das pessoas, obscurecidas por forças que promoviam uma atitude não espiritual diante da vida. Esses avatares restauraram a espiritualidade às suas sociedades. De forma análoga, Jesus salvou o judaísmo de um intenso período de estagnação.

Outro paralelo é bem conhecido. Krishna diz, no Bhagavad Gita: “Sou a meta do sábio e sou o caminho”. De forma análoga, Jesus disse: “Sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.

E Jesus também disse:

Tenho também outras ovelhas que não são deste curral. Também devo conduzi-las; elas irão escutar a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.
(João 10,16)

Isso ressoa bem com a declaração de Krishna no Bhagavad Gita:

A cada era retorno
para mostrar o sagrado,
para destruir o pecado do pecador
para estabelecer a justiça.

Dessa forma, são notáveis os paralelos; assim, pergunto mais uma vez, Jesus era um avatar? O conceito de avatar é aceitável para a nova ciência de Deus e da espiritualidade que formamos aqui?

Em outro trabalho (Goswami, 2001) disse que as pessoas que estão completamente transformadas (e outra palavra para isso é “liberadas”) saem do ciclo nascimento-morte-renascimento. Podemos perguntar: o que acontece com suas mônadas quânticas quando morrem, com seus padrões de vida plenamente aperfeiçoados? De maneira científica, devemos admitir que a mônada quântica deve estar potencialmente disponível para uso futuro.

Uso futuro? Como?

Um uso seria invocar esta mônada quântica como um guia espiritual por meio de canalização, o que já é feito. Um hindu tem a opção de adotar Krishna ou Shankara como seu guia espiritual. De modo análogo, um budista tem Buda, um judeu tem Moisés, um muçulmano tem Maomé e um cristão tem Jesus.

Um segundo uso seria atender às necessidades da evolução da consciência. Sempre que a evolução estagna, a pressão evolucionária causa o renascimento da mônada quântica do avatar anterior. Foi por isso que Jesus disse: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou”. Um avatar não acumula karma algum durante sua vida. Ele nasce com o condicionamento aperfeiçoado da mesma mônada quântica aperfeiçoada do avatar anterior.

Muito bem, chegamos lá. Se aquilo que apresentei aqui ajudá-lo a se orientar melhor, como cristão, para a nova ciência integrativa, então considere as palavras de Jesus: “[...] haverá um só rebanho e um só pastor”. Sem dúvida, Jesus anteviu algum tipo de integração de todas as religiões. Será a nova ciência o foco para um diálogo unificador entre todas as religiões do mundo? Cabe a você fazer isso acontecer.
Analise a ideia do tecido básico da realidade. Os materialistas dizem que, em sua base, a realidade se reduz aos tijolos chamados partículas elementares, quarks e elétrons, por exemplo. A causação é uma causação ascendente, a partir dessa base.

Entretanto, a física quântica diz outra coisa. Na física quântica, não há objetos materiais manifestados independentes dos sujeitos – os observadores. Na física quântica, os objetos permanecem como potenciais, ondas de possibilidade, até serem manifestados pelo ato da observação. Objetos quânticos são ondas de possibilidade, mas possibilidades de quê? São possibilidades da consciência. A consciência, e não a matéria, é a base da existência, na qual a matéria existe como possibilidade. Pelo ato da mensuração ou observação quântica, a consciência converte a possibilidade em realidade (ou causa o colapso de ondas em partículas ou coisas) e, ao mesmo tempo, divide-se em um sujeito que vê e em objeto(s) visto(s).

O que Jesus tem a dizer sobre o tecido da realidade? Ele é bem inequívoco, embora um pouco sarcástico com relação aos que apoiam a supremacia material (todas as citações do Evangelho segundo Tomé referem-se ao número da página em Guillaumont et al., 1959):

Seria uma maravilha
se a carne tivesse surgido
por causa do espírito.
Mas seria a maior das maravilhas
se o espírito tivesse surgido
por causa do corpo.
(Tomé, p. 21)

Jesus diz, como um eco com a física quântica, que a carne surgiu por causa do espírito e não o contrário.

Também me agrada muito o fato de Jesus ter dito: “O Espírito é que dá a vida, a carne não serve para nada” (João 3,6; 6,63). Aqui não há apoio para as teorias materialistas da origem da vida, inclusive para a teoria da autopoiese emergente do holista. Mas a frase de Jesus ressoa plenamente com a ideia quântica de que a vida se origina da mensuração quântica em hierarquia entrelaçada, feita pela consciência. Dessa forma, sendo místico, Jesus subestima a carne, a matéria. Agora, na nova ciência, podemos explicitar o papel de contribuição da matéria: tornar possível a manifestação e fazer representações do sutil.
Não localidade e transcendência

O cristianismo popular postula que Deus e o Espírito são separados de nós; e é esse dualismo que faz com que a maioria dos cientistas considere o cristianismo não científico. Se Deus é algo realmente separado de nós, como podemos receber sua orientação e amor? Como a carne, a substância material, pode interagir com o divino não material?

A física quântica possui uma posição diferente. Deus não é separado de nós; Deus vive em nós, em nosso inconsciente. A consciência é a base de tudo, o que nos inclui. Isto repercute muito bem com a frase de Jesus: “O Pai e eu somos um”. E, se você interpretar esta frase considerando que Jesus está falando apenas de si mesmo, que apenas ele é “filho do Pai” e, portanto, idêntico a Ele, os evangelhos dizem outra coisa. Jesus diz, em todo momento, aos seus ouvintes, que todos são filhos de Deus; basta perceber isso:

Quando conseguirdes conhecer a vós mesmos,
então, sereis conhecidos
e compreendereis que
sois filhos do Pai vivo.
(Tomé, p. 3)

A física quântica também ensina: “Você e eu somos um”. A consciência ou Deus causa o colapso de ondas de possibilidade similares em nossos cérebros quando estamos “correlacionados”, dando a cada um de nós a oportunidade de constatar essa ideia de unidade. Esta ideia tem sido comprovada até em laboratório. Se a consciência pode causar o colapso simultâneo de ondas de possibilidade no seu cérebro e no meu, quando estamos correlacionados, devemos estar vinculados por meio da consciência, que é não local e uma unidade para nós dois, e, por inferência, uma unidade para todos nós.

O conceito de não localidade é sutil e também implica que você e eu estamos vinculados sem quaisquer sinais pelo espaço e pelo tempo. Contudo, também somos manifestações da mesma consciência; é a consciência que é imanente em nós.

Qual a opinião de Jesus sobre esses assuntos? Vamos estudar a conhecida declaração de Jesus: “O reino de Deus está em toda parte, mas as pessoas não o vêem”. Assim, sem dúvida, Jesus conhecia e pregava sobre o Deus imanente no mundo. Mas seria esta uma visão de mundo animista? Não vamos nos apressar. Eis outra frase famosa de Jesus:

Os fariseus perguntaram a Jesus
sobre o momento em que chegaria
o reino de Deus. Jesus respondeu:
“O reino de Deus não surge ostensivamente.
Nem se pode dizer:
‘Está aqui’ ou ‘está ali’,
porque o reino de Deus
está no meio de vocês”.
(Lucas 17,20-21)

Mais uma vez, diz Jesus:
Pois bem, o reino está dentro de vós,
e também está em vosso exterior.
(Tomé, p. 3)

O reino não pode ser localizado; não podemos dizer, ele está aqui ou está em algum outro lugar. Ele está tanto fora como dentro; é tanto transcendente quanto imanente. Tudo está em ressonância com a mensagem da física quântica.
Circularidade, hierarquia entrelaçada e auto-referência

Uma das características mais interessantes da física quântica é a circularidade que existe no efeito do observador: não há colapso sem um observador, mas não há observador (manifestado) sem colapso. A circularidade é uma hierarquia entrelaçada de lógica que nos oferece a auto-referência, a cisão sujeito-objeto experimentada pelo observador. Incrível, mas Jesus já intuía isso, pois disse:

Se vos perguntarem:
“De onde vindes?”
respondei:
“Viemos da luz,
do lugar onde a luz nasceu dela mesma”.
(Tomé, p. 29)

A luz aqui se refere ao Espírito Santo, o self quântico na linguagem da física quântica. Viemos da luz, pois nossa individualidade é fruto do condicionamento. A luz se originou de si mesma, pela circularidade, pela hierarquia entrelaçada.
Jesus e o self quântico

Em páginas anteriores, eu disse que o estágio final da iluminação espiritual é atingido quando a pessoa se posiciona firmemente na consciência quântica, em Deus, sempre que está realizando um processamento inconsciente. Creio que Buda chegou a este estágio de iluminação, pois há muitas histórias sobre sua equanimidade.

Mas Jesus viveu por pouco tempo, e a maior parte do tempo em viveu está envolvida em mistérios e controvérsias. O relato que recebemos sugere que Jesus praticou ocasionalmente a meditação; mas os evangelhos estão repletos daquilo que Jesus disse e de histórias de milagres.

Essas histórias de milagres de Jesus são bastante reveladoras. Naturalmente, os milagres não são realizados no inconsciente e, por isso, não sugerem se Jesus estava firme na consciência quântica ou Deus. Mas os milagres sugerem que, nessas ocasiões, Jesus atuava a partir do self quântico, ou daquilo que no cristianismo é chamado Espírito Santo, ou simplesmente Espírito, escolhendo entre possibilidades situadas além de toda e qualquer limitação.

A ideia é que a criatividade comum – vital e mental – envolve as leis e os contextos codificados no domínio supramental da consciência. Milagres que violam leis físicas, como a conversão de água em vinho, sugerem uma criatividade no plano físico além das leis supramentais da física. Em outras palavras, a pessoa que está fazendo isso tem acesso inconsciente a possibilidades além do supramental, além da limitação das leis quânticas da física, no próprio corpo de êxtase, na consciência turiya.

Desta forma, não surpreende saber que Jesus às vezes falava a partir desse self quântico ou consciência do Espírito, criando muita confusão, como na célebre frase:

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.
Ninguém vai ao Pai senão por mim.
(João 14,6)

A Igreja cristã explorou essas palavras até a exaustão na perseguição a outras religiões e outros credos. Mas também é confuso para os orientais, quando comparam a frase de Jesus com afirmativas de sábios orientais como: “Aqueles que são iluminados não dizem, aqueles que dizem não são [iluminados]”. Uma pessoa, cuja auto-identidade superou o ego e chegou ao Espírito, não deveria ser humilde? Segundo todos os relatos, Jesus era um homem muito humilde quando estava em seu ego, agindo a partir do estado normal da consciência. As confusões nos dois grupos desaparecem se considerarmos que, quando Jesus faz esse tipo de declaração, Ele está falando do estado não comum e relativamente raro do self quântico. É o mesmo estado não comum a partir do qual realizava milagres que superavam as leis físicas.

E se você ainda tem dúvidas de que, às vezes, Jesus falava a partir do estado não comum do self quântico, entenda porque ele teria feito esta declaração: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” (João 8,58). Ou algo como: “Assim vocês conhecerão, de uma vez por todas, que o Pai está presente em mim, e eu no Pai” (João 10,38). A pessoa precisa estar no estado da hierarquia entrelaçada do self quântico para perceber a circularidade que dá origem à condição humana.
Jesus e a criatividade

Os discípulos pediram a Jesus: “Diga-nos como é o reino do Céu”.
Ele lhes disse:
“Ele se assemelha a uma semente de mostarda,
a menor de todas as sementes.
Mas, quando cai em terra fértil,
produz uma grande planta
e torna-se um refúgio para as aves do céu”.
(Tomé, p.15)

O que isso significa para você? Por que Jesus enfatiza uma semente que é a menor de todas? É que um insight é um vislumbre do supramental, menor do que outras sementes, os pensamentos que habitualmente lotam nossa psique. Contudo, quando essa semente cai em terra fértil, torna-se uma grande árvore na qual as aves do céu se refugiam. No entanto, quando um insight chega para uma pessoa preparada (terra fértil), produz uma mente transformada (uma grande árvore) onde muitos dos arquétipos (aves do céu) podem ser representados (podem encontrar refúgio). Assim, Jesus conhecia os três estágios da criatividade interior, a preparação, o insight e a manifestação. Ele não mencionou o estágio do processamento inconsciente nessa frase, mas sim em outro lugar:

E Jesus continuou dizendo: “O reino de Deus
é como um homem que espalha a semente na terra.
Depois ele dorme e acorda,
noite e dia, e a semente vai
brotando e crescendo, mas o homem
não sabe como isso acontece”.
(Marcos 4,26-28)

A frase “ele não sabe como isso acontece”, mostra claramente que parte do processamento da criatividade interior, o desenvolvimento do reino do Céu em nosso interior, é inconsciente.

Jesus atingiu a perfeição, estimulando as pessoas a fazer o mesmo:

Portanto, sejam perfeitos
como é perfeito o Pai de vocês
que está no céu.
(Mateus 5,48)
“Quando fizerdes do dois um
e quando fizerdes o interior
como o exterior,
o exterior como o interior,
o acima como o embaixo
e quando fizerdes
do macho e da fêmea uma única coisa,
de forma que o macho não seja mais macho
nem a fêmea seja mais fêmea,
… então, entrareis (no reino)”.
 
E no que consiste a perfeição? Ela se situa no comando do supramental, por trás da mente – o reino das dualidades:

Jesus lhes disse:
“Quando fizerdes do dois um
e quando fizerdes o interior
como o exterior,
o exterior como o interior,
o acima como o embaixo
e quando fizerdes
do macho e da fêmea uma única coisa,
de forma que o macho não seja mais macho
nem a fêmea seja mais fêmea,
… então, entrareis (no reino)”.
(Tomé, p. 17)

Muitos autores hesitam em atribuir autenticidade ao Evangelho de Tomé. Se for esse o caso, podemos confiar na autenticidade dessas palavras? Vieram mesmo de Jesus? Na minha opinião, se essas palavras foram inseridas por outro autor no texto de Tomé, essa outra pessoa também teria de ser sábia. Deveríamos procurar por evidências históricas de sua presença. E, enquanto não encontrarmos essa pessoa, podemos muito bem atribuir essas palavras a Jesus.

Você percebe como as descobertas e conclusões da nova ciência estão sintonizadas com os ensinamentos de Jesus? Jesus disse, integre o interior e o exterior. Em geral, os místicos enfatizam o mundo interior e menosprezam o exterior. Mas não Jesus; ele sabia que Deus é ambos. Assim como o denso/exterior atrai o materialista, o sutil/interior pode parecer atraente para os conhecedores da consciência. Mas devemos resistir à tentação e fazer apenas um o exterior e o interior.

Do mesmo modo, precisamos integrar o que está acima com o que está embaixo, o transcendente e o imanente, a onda e a partícula, na linguagem quântica. Devemos evitar a tendência do religioso – abraçar o transcendente em preferência ao imanente. Do mesmo modo, devemos evitar a indulgência materialista de acatar apenas o imanente, negando o transcendente.

Por fim, o que Jesus quis dizer ao sugerir que integrássemos homem e mulher? Isso não parece ter nada a ver com a física quântica, não é? Mas penso que Jesus não está falando da integração de nossas tendências psicológicas masculinas e femininas, à maneira de Jung. Creio que ele está falando de masculino-yang e feminino-yin – no sentido da medicina chinesa, os modos criativo e condicionado com que processamos nossos corpos sutis. Os saltos quânticos criativos devem ser seguidos de manifestação. Depois é que devemos transformar – depois é que devemos entrar no reino do Céu.
Se Jesus foi transformado, por que foi tão implacável?

O filósofo Bertrand Russell escreveu:

Há, a meu ver, um defeito muito sério no caráter moral de Cristo, e isso por que Ele acreditava no inferno. Quanto a mim, não acho que qualquer pessoa que seja, na realidade, profundamente humana, possa acreditar no castigo eterno [...] Há, por certo, o texto familiar acerca do pecado contra o Espírito Santo: “Quem falar contra o Espírito Santo não será perdoado, nem neste mundo, nem no futuro” [...] Não me parece, realmente, que uma pessoa dotada de um grau adequado de bondade em sua natureza teria posto no mundo receios e terrores dessa espécie (citado em Mason, 1997, p. 186).

É uma expectativa razoável que uma pessoa transformada veria apenas o potencial de Deus em outro ser humano. Com efeito, o santo transformado Vivekananda, discípulo de Ramakrishna, disse o seguinte sobre seu guru: “Meu guru tem olhos maravilhosos, pois não consegue ver mais o mal em pessoa alguma, vê apenas o potencial divino”. Com efeito, está bem documentado o fato de Ramakrishna tratar prostitutas e brâmanes com o mesmo amor, causando muito desconforto entre estes últimos.

Mas, se Jesus era tão rancoroso, a ponto de condenar as pessoas ao inferno eterno, então por que não nos sentimos como Bertrand Russell e condescendemos Jesus? Como Russell, qualquer cristão moderno pode se sentir assim.

O autor Mark Mason (1997) tratou desse assunto com excelência e recomendo a leitura de seu livro. Mason demonstra que Jesus nunca usou a palavra “inferno” e que, tampouco, teve essa intenção. Primeiro, deve-se a erros de tradução do original grego, e também à manipulação da Igreja cristã medieval, o fato de a imagem de Jesus ter ficado manchada dessa maneira. Mason também argumenta que a palavra “perdoado”, com o significado de falar algo contra o Espírito Santo, também é um infeliz erro de tradução que não está de acordo com o contexto.

Quanto a ser implacável, se analisadas adequadamente, muitas histórias, como a parábola do bom samaritano (Lucas 10,29-37), sugerem o contrário (Mason, 1997). E quem não conhece o episódio em que ele protegeu uma mulher de ser apedrejada até a morte, dizendo: “Quem de vocês não tiver pecado, atire nela a primeira pedra”.
Jesus foi um avatar?

Há mais uma coisa que um cristão moderno pode achar interessante analisar. Os hindus aceitam Jesus como um avatar, que é a palavra por eles utilizada para designar uma pessoa plenamente transformada. Acredita-se que os avatares encarnam na forma humana sempre que o movimento da consciência estagna (sempre que a evolução da consciência se imobiliza). Isso se enquadra com a situação de Jesus?

Na verdade, sim. Os hindus consideram avatares pessoas como Krishna, Buda, Shankara e Ramakrishna porque todos viveram em épocas nas quais a religião e a espiritualidade haviam perdido crédito na vida das pessoas, obscurecidas por forças que promoviam uma atitude não espiritual diante da vida. Esses avatares restauraram a espiritualidade às suas sociedades. De forma análoga, Jesus salvou o judaísmo de um intenso período de estagnação.

Outro paralelo é bem conhecido. Krishna diz, no Bhagavad Gita: “Sou a meta do sábio e sou o caminho”. De forma análoga, Jesus disse: “Sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.

E Jesus também disse:
Tenho também outras ovelhas que não são deste curral. Também devo conduzi-las; elas irão escutar a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.
(João 10,16)

Isso ressoa bem com a declaração de Krishna no Bhagavad Gita:

A cada era retorno
para mostrar o sagrado,
para destruir o pecado do pecador
para estabelecer a justiça.

Dessa forma, são notáveis os paralelos; assim, pergunto mais uma vez, Jesus era um avatar? O conceito de avatar é aceitável para a nova ciência de Deus e da espiritualidade que formamos aqui?

Em outro trabalho (Goswami, 2001) disse que as pessoas que estão completamente transformadas (e outra palavra para isso é “liberadas”) saem do ciclo nascimento-morte-renascimento. Podemos perguntar: o que acontece com suas mônadas quânticas quando morrem, com seus padrões de vida plenamente aperfeiçoados? De maneira científica, devemos admitir que a mônada quântica deve estar potencialmente disponível para uso futuro.

Uso futuro? Como?

Um uso seria invocar esta mônada quântica como um guia espiritual por meio de canalização, o que já é feito. Um hindu tem a opção de adotar Krishna ou Shankara como seu guia espiritual. De modo análogo, um budista tem Buda, um judeu tem Moisés, um muçulmano tem Maomé e um cristão tem Jesus.

Um segundo uso seria atender às necessidades da evolução da consciência. Sempre que a evolução estagna, a pressão evolucionária causa o renascimento da mônada quântica do avatar anterior. Foi por isso que Jesus disse: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou”. Um avatar não acumula karma algum durante sua vida. Ele nasce com o condicionamento aperfeiçoado da mesma mônada quântica aperfeiçoada do avatar anterior.

Muito bem, chegamos lá. Se aquilo que apresentei aqui ajudá-lo a se orientar melhor, como cristão, para a nova ciência integrativa, então considere as palavras de Jesus: “[...] haverá um só rebanho e um só pastor”. Sem dúvida, Jesus anteviu algum tipo de integração de todas as religiões. Será a nova ciência o foco para um diálogo unificador entre todas as religiões do mundo? Cabe a você fazer isso acontecer.

(Amit Goswami - Deus não está morto,evidências científicas da existência divina)

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publicado às 19:27


1 comentário

De Rafael Augusto Alves Garcia a 22.03.2018 às 23:12

Curti, tenho falado a respeito... e penso em mencionar algo de vcs... https://www.youtube.com/watch?v=Tl3-MlR8jd0

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