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A FILOSOFIA LIBERTINA

por Thynus, em 27.12.15
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Poema aos homens do nosso tempo
O Marquês de Sade, que viveu no século 18, é conhecido por ser o maior expoente da chamada filosofia libertina. Essa filosofia ficou conhecida como aquela contra a moral da época por excelência. Mas suspeito que, se Sade vivesse hoje, ele talvez atacasse, cruelmente – como era de seu estilo – outros signos do ridículo social. Sade vomitaria sobre o politicamente correto.
Ridículo, especialmente, é quem tenta fazer de Sade um arauto do sexo livre “entre iguais”. A república de Sade era uma república de quem gostava de violar meninas virgens. Aqui não vem ao caso defender seus exageros estilísticos, mas sim reter seu foco crítico na hipocrisia social que rege a vida sexual, ontem e hoje. Mesmo, e principalmente, quando essa hipocrisia muda de lugar. Antes essa hipocrisia era basicamente de substância religiosa; hoje, ela é de substância política. Talvez daqui a 500 anos isso fique mais claro. Nossos descendentes rirão de como tornamos a vida sexual um inferno de demandas enquanto fazíamos um discurso de liberdade. Uma das provas óbvias é que as chatinhas e os chatinhos que hoje se julgam revolucionários sexuais são superpuritanos quando se fala em pornografia. A esquerda um dia foi libertária, hoje ela é puritana. Qualquer mulher que usa o seio como ícone político é, na realidade, uma puritana, porque o seio é da mãe ou da fêmea, nunca da militante. Claro que uma mulher pode fazer o que quiser com o seio. Mas achar que isso seja uma grande coisa é que dá sono. As políticas do sexo retiram o Eros do corpo porque gozam com a política, não com o corpo. Até mesmo psicanalistas bobos falam de “pulsão política”. Se Freud ou Lacan estivessem vivos hoje para ver as bobagens que fazem em nome deles (tipo dizer que eles acreditam na transformação política do homem), também vomitariam em cima das políticas do sexo.
O que seria uma filosofia libertina hoje? Seria uma filosofia que riria das chatinhas e dos chatinhos e seus coletivos-formiga que falam a mesma coisa o tempo todo como que querendo suprimir o ruído do mundo. Em meia hora de Pré-história (nossa alma continua sendo pré-histórica e nosso inconsciente também) toda essa discussão de gênero apareceria no seu ridículo. Essas pessoas são pessoas apenas querendo viver bem com suas agonias pessoais (o que elas têm direito de fazer), e, para isso, inventam que homens e mulheres são criação social (o que elas não têm o direito de ensinar para os mais jovens, mas o fazem). Na verdade, “criação social” deles (os corretinhos), fruto da repressão deles sobre as pessoas reais. Nelson Rodrigues é a evolução de Sade: Nelson entendeu que o gozo não salva ninguém, ainda que o desejo seja irresistível. Não existe lugar no sexo libertino para o respeito, tampouco lugar para a saúde. O sexo politicamente correto é uma conversa entre mudos porque não entende o que a mulher pede quando sua boca enche de água. Não fosse isso, por que chamar o ato de fazer sexo com uma mulher de “penetração”? Uma mulher que é respeitada o tempo todo morre de tédio. A cura do tédio feminino é tratá-la como objeto de desejo.

(LUIZ FELIPE PONDÉ - GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DO SEXO)

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publicado às 23:23



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