Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A felicidade do absurdo

por Thynus, em 29.06.15
Homeostasia
 
 Uma das muitas descobertas perturbadoras do século XX foi a revelação de que a vida é essencialmente absurda. Kafka foi o primeiro a desenvolver essa ideia. Em suas histórias de busca, o herói se frustra constantemente, sempre incapaz de conseguir entrar no Castelo ou ter a ajuda da Lei, mas igualmente incapaz de abandonar a busca. Em outras palavras, a busca por significado jamais o encontra, mas apesar disso deve continuar.
E, enquanto Kafka desenvolvia esse tema na literatura, os físicos chegavam à conclusão de que, no nível subatômico, nada existe a menos que seja observado. Assim, a busca pela natureza da realidade revelou que na verdade não existe realidade. Werner Heisenberg, descobridor do princípio da incerteza, declarou, desesperado, que a própria natureza era absurda.
Na filosofia, Camus comparou a condição humana ao destino de Sísifo, condenado a empurrar uma rocha montanha acima pela eternidade. Apesar de um destino absurdo, Camus acreditava que Sísifo podia ser feliz.
Depois Beckett acrescentou uma nova tendência: uma saga de busca sem busca. Em Esperando Godot, seus dois vagabundos modernos são muito indolentes e muito pouco curiosos para partir numa jornada em busca de significado. Ao contrário, apenas esperam que o significado venha até eles. “Godot está prestes a se revelar”, eles repetem infinitamente, mesmo sabendo que ele jamais chegaria. Para Beckett, esse absurdo era hilariante.
E o riso sarcástico parece ser a única reação possível. Não há como voltar à certeza, à simplicidade e à inocência. O único caminho é o da confusão, da incerteza e da astúcia. O suspiro de assombro torna-se o grito sardônico de descrença. O absurdo é o novo sublime. A boa notícia é que, enquanto outros recursos definham, o absurdo se multiplica, floresce e se espalha pelo mundo. Há sempre maneiras mais bizarras de passar o tempo enquanto se espera por Godot. Um funcionário de estacionamento, Bob Prior, realiza sua busca no conforto de sua casa, dedicando todo o seu tempo livre a construir cenários e personagens de Jornada nas estrelas com caixas do cereal Rice Krispies.1 É o detalhe das caixas de cereal que torna a história sublime. Desprezando os simples modelos em escala, um cover de Elvis, James Cawley, gastou dez anos e 150 mil dólares para construir uma réplica em tamanho natural da ponte de comando da nave Enterprise na garagem.2
Para os tipos esportivos que gostam de dar espetáculo, há os concursos de glutões, um esporte que, apesar de novo, já tem seu organismo oficial, a Federação Internacional de Comilança Competitiva, que registra recordes mundiais e organiza um ranking e competições internacionais, desclassificando qualquer competidor que tenha um “incidente” em consequência de “urgências contrárias à deglutição”. Assim como o Brasil domina o futebol, o Japão domina os concursos de glutões e tem seu campeão mundial, Takeru “Tsunami” Kobayashi, que devorou 53 hot dogs em doze minutos (e 8 quilos de miolos de boi em quinze minutos). Outros atletas gastronômicos são Carl “Crazy Legs” Conti, que engoliu 168 ostras em dez minutos, Oleg Zhornitskiy, que conseguiu acabar com quatro vidros de 900 gramas de maionese em oito minutos, e Don “Moses” Lerman, que consumiu sete barras de manteiga de 115 gramas em cinco minutos. Só de pensar neste último feito uma pessoa comum já teria um “incidente”. A comilança tem seu paradoxo: todos os maiores glutões são magros. Kobayashi pesa apenas 60 quilos.
Aos de temperamento artístico, a arte contemporânea oferece esplêndidas oportunidades de vivenciar o absurdo. Importante instituição que goza de financiamento público pagou um artista para exibir os absorventes usados de sua namorada; outra contratou corredores e organizou corridas por uma galeria de arte a cada trinta segundos; e uma terceira contratou um artista para se filmar descendo pela parede de um estúdio nu e com um pino de segurança de escalada no gelo enfiado no reto. A Tate Britain investiu mais de 30.000 libras do dinheiro dos contribuintes na Monochrome Till Receipt (White), que é uma nota fiscal de supermercado de artigos como arroz pré-cozido, ovos em conserva, absorventes e uma lixeira de tampa móvel. É claro que a lixeira pode ser um material usado pelos artistas. Uma das enigmáticas obras, provavelmente um autorretrato, era uma lata de lixo preta cheia de ar.
Para quem tem preocupações políticas, existe a possibilidade de se tornar líder do mundo ocidental dizendo coisas como “As pessoas dizem que sou indeciso, mas não sei nada disso”, “Alguém tem mão forte quando há mais pessoas jogando com as mesmas cartas” e “Sei que os humanos podem coexistir pacificamente com os peixes”.3 Quem não se sentiria feliz de viver em um século em que tais coisas são possíveis? Senhor, como são tolos esses mortais! Mas o mundo dos negócios, pelo menos, é muito pragmático para ser absurdo, não é? Nem um pouco. Grandes empresas pagam grandes somas a um guru administrativo que se define como “a maior autoridade mundial em pensamento criativo” e alega que, “sem querer se vangloriar”, seu mais novo sistema é “a primeira nova maneira de pensamento a ser desenvolvida em 2.400 anos, desde os tempos de Platão, Sócrates e Aristóteles”. Conhecido como os “Seis Chapéus do Pensamento”, seu sistema requer que os executivos usem um chapéu vermelho para propor um projeto, um amarelo para listar suas vantagens, um preto para suas desvantagens e assim por diante. Mas, além dos chapéus coloridos, os que investem no sistema recebem aforismos do grande pensador desde Sócrates: “Não se pode cavar um buraco num lugar diferente cavando mais fundo no mesmo buraco”, “Quando há um problema, procura-se uma solução” e “Um pássaro é diferente de um avião, embora ambos voem pelo céu”.4
Inspirado em sua sabedoria, o empresário pode descobrir muitas maneiras absurdas de ganhar dinheiro, como, por exemplo, vender sujeira. Não a sujeira figurada da pornografia, mas sujeira de verdade. Alan Jenkins, imigrante irlandês nos Estados Unidos, ficou multimilionário vendendo sacolas plásticas cheias de terra oficial irlandesa. Sendo um astuto homem de negócios, ofereceu a um advogado de Manhattan natural da cidade irlandesa de Galway terra irlandesa suficiente para seu repouso final pelo preço razoável de 100.000 dólares – e, por apenas 148 mil dólares, despachou para um natural de Cork várias toneladas de terra irlandesa para ser usada como fundação segura para sua nova casa na América. Parece que o século XXI assiste a uma nova fase da experiência de imigração: depois de se estabelecer e enviar dinheiro para a família, o imigrante paga pela sujeira natal. Jenkins já tem um correspondente judeu na pessoa de Steven Friedman, fundador da Terra da Terra Santa, que importa terra de Israel com o selo oficial de aprovação do rabino Velvel Brevda, diretor do conselho de Geula, em Jerusalém. Há uma óbvia oportunidade de importar terra islâmica de Meca, mas um verdadeiro visionário vai enxergar possibilidades e fundar a empresa Solo Sagrado Internacional para despachar terra de qualquer lugar do mundo.
E a ciência pragmática é tão absurda quanto o pragmático mundo dos negócios. A busca pela natureza da realidade penetra ainda mais fundo na experiência do absurdo. É difícil saber qual é mais absurdo: o micro ou o macro, a física do átomo ou a física espacial. No início o átomo era só um núcleo cercado de elétrons, e só o elétron era misterioso. Como um moderno bissexual, ele podia ser uma partícula num momento e uma onda no momento seguinte, dependendo de quem estivesse flertando com ele. Como uma moderna celebridade, ele não existia se ninguém estivesse olhando. Isso era perturbador, mas pelo menos o núcleo era sólido e confiável. Mas então descobriu-se que o núcleo supostamente sólido podia gerar partículas misteriosas. Era um criadouro de partículas. Não, na verdade eram todas a mesma partícula: o quark. Portanto, só há duas partículas elementares, o elétron e o quark. Exceto que existem dois elétrons mais pesados, o múon e o tau, seis tipos de quarks e também superquarks conhecidos como squarks.
E, aparentemente, os átomos, que deveriam ser a base de tudo, só respondem por 4 por cento do universo. Os outros 96 por cento estão faltando – mas são formados provavelmente por 25 por cento de matéria escura e 75 por cento de energia escura. Os cientistas explicam, com preocupação, que não há gravidade suficiente. Até o vácuo, o último mosteiro, não é mais casto. Parece que o vácuo não está vazio. O firmamento é uma incessante agitação de matéria transformando-se em antimatéria e de novo em matéria. Até a própria matéria é incorrigivelmente instável e inquieta, e tenta infinitamente tornar-se o seu oposto, mas também não se contenta com isso.
E o misterioso micro se mistura misteriosamente com o misterioso macro devido a um misterioso fenômeno conhecido como entrelaçamento quântico, o que significa que um evento quântico na Terra pode mudar instantaneamente as coisas em alguma galáxia distante.
Mas as galáxias não parecem estar dispostas ao entrelaçamento. Aparentemente, as estrelas estão fugindo de nós com rapidez cada vez maior. E quem poderia culpá-las depois do primeiro contato com humanos no espaço? A busca mais espetacular e mais absurda da história humana foi o pouso do homem na Lua. Nem mesmo Kafka ou Beckett juntos teriam imaginado uma fábula tão sublime. Esse fato deu início a muitas das principais características da época: a primazia da imagem sobre o conteúdo (o pouso não ofereceu nenhum outro benefício a não ser fotos, mas as fotos foram mais valorizadas do que a rocha lunar), de valores diferenciais sobre valores absolutos (o verdadeiro objetivo dos Estados Unidos era pousar na Lua antes da União Soviética) e dos meios sobre os fins (o homem foi à Lua para mostrar que era possível ir à Lua).
Esse foi também o primeiro evento de mídia global e a apoteose da moderna tecnologia. Quase 600 milhões de pessoas assistiram ao pouso pela tevê, mas nenhuma delas tinha consciência da fragilidade da tecnologia ou da possibilidade de fracasso. O módulo lunar não acertou o local do pouso, e o computador de navegação, que tinha menos potência que um telefone celular contemporâneo, produziu sob tensão uma mensagem de erro “1202”, que ninguém tinha visto até então. Imagine o que é sobrevoar a superfície lunar com o medidor de combustível quase a zero e receber como solução uma mensagem 1201. Homens de tendência filosófica teriam interpretado essa mensagem como uma prova conclusiva de que Deus tem um grande senso de humor. Mas os astronautas não tinham inclinação nem tempo para tais pensamentos. Neil Armstrong teve que assumir o controle e ver o terreno rochoso passar correndo por ele à medida que o combustível se esgotava. Apenas dez segundos antes que o combustível se esgotasse, ele encontrou uma área suficientemente plana para pousar.
Os 600 milhões assistiam e esperavam. E esperaram. Estaria Neil supervisionando o terreno, checando o equipamento ou sofrendo para proferir suas primeiras palavras? Talvez estivesse aterrorizado com sua insignificância diante do cosmo. Nada disso, Neil estava lavando os pratos. Homem organizado, ele passara o fim de semana anterior ao voo desmontando e remontando a lavadora de pratos de sua casa.
Finalmente surge Neil, seguido por Buzz Aldrin, e os dois hesitam pelo que parece uma eternidade na escada do módulo. Seria Buzz mais sensível que seu companheiro ao terror e assombro cósmico? Não, ele tinha parado apenas para fazer xixi. E esse poderia ter sido um ato de rebeldia, como fazer xixi numa piscina, porque Buzz deveria ter sido o primeiro a sair e ainda estava infeliz de ter sido rebaixado. Então, quando desceu na Lua e recebeu ordem de fotografar Neil, ele se recusou, com a desculpa de estar “muito ocupado”,5 e a única foto de Neil na Lua foi batida por ele mesmo e mostra seu reflexo no visor do companheiro. Esse é outro exemplo do poder dos diferenciais e da tendência negativa. Como disse um de seus colegas astronautas, Buzz se ressentiu mais de não ter sido o primeiro do que apreciou ter sido o segundo. Na verdade, ele alcançou uma distinção única – foi o primeiro e provavelmente o único homem a bufar de raiva ao pisar na Lua (e, melhor ainda, a defecar no mar da Tranquilidade).
Buzz tinha muitos motivos para reclamar, entre eles a roupa de baixo fornecida pela NASA. Quando voltou à Terra depois de estar perto da morte na Lua, suas primeiras palavras para a esposa foram: “Joan, será que você poderia me trazer uma das minhas cuecas Jockey amanhã de manhã?”6 E, em consequência dos três dias de interrogatório da NASA, os astronautas perderam o tumulto da mídia, que Buzz profeticamente imaginava ser o evento real. A excitação da mídia não tinha precedentes. Um certo reverendo Terence Mangan publicou um projeto detalhado para a construção de uma igreja na Lua, e o grupo de hotéis Hilton pensou em construir um resort subterrâneo (prevendo que a Lua seria o destino mais popular para a lua de mel)7, enquanto o Nepal se ofendeu com a violação do lugar de descanso das almas dos mortos e a União dos Contadores de Histórias da Pérsia passou a acreditar que as histórias nunca mais seriam as mesmas.
E as fotografias da Apollo revelaram pela primeira vez a insignificância da Terra – um minúsculo corpo perdido numa infinidade de escuridão. Na Lua, Armstrong descobriu que podia causar um eclipse da Terra apenas erguendo o polegar. “Isso o fez sentir-se realmente grande?”, perguntaram-lhe. “Não, isso me fez sentir-me realmente pequeno.”8
Armstrong manteve a estabilidade depois de ter ido à Lua, mas Buzz Aldrin afundou no alcoolismo e na depressão. A depressão é muitas vezes o destino da personalidade moderna – ambiciosa, faminta por atenção e ressentida, sempre convencida de merecer mais, sempre perseguida pela possibilidade de estar perdendo algo melhor, sempre sofrendo pela falta de reconhecimento e sempre insatisfeita. É preciso reencontrar a coragem e a humildade de Sísifo, que não exige recompensa, mas sabe transformar qualquer atividade em sua própria recompensa. Sísifo é feliz com o absurdo e a insignificância de seu ato de empurrar constantemente uma rocha montanha acima.
Naturalmente, ele resmunga de vez em quando. A rocha podia ser menos áspera, e a montanha, menos íngreme. Por outro lado, tanto a rocha quanto a montanha podiam ser mais cruéis. E há muito o que agradecer. Nada em sua condenação o obriga a usar um determinado caminho, e existe uma infinidade de caminhos onde cumprir a tarefa eterna. Portanto, mesmo enquanto procura o caminho perfeito, ele espera secretamente nunca encontrá-lo. Nem tampouco lhe está proibido um movimento lateral. E, se a coisa ficar difícil demais, ele pode afrouxar o passo e deixar a pedra rolar de volta. Mais tarde, o céu vai escurecer e estalar com o desgosto divino – mas Sísifo só pode dar de ombros e mostrar suas palmas vazias e ásperas. Muitas vezes ele finge estar encurralado e volta as costas para a rocha, aparentemente para empurrá-la com mais força – mas na verdade a rocha e o homem estão se apoiando. Nesses momentos, ele sonha, quase sempre se lembrando da mulher e tendo uma terna ereção. Muitas vezes, também, ele ataca a rocha com súbita força, empurrando-a até o topo numa única corrida frenética. Os deuses odeiam essa insolência, mas o que podem fazer? E, naturalmente, existe um momento de libertação no topo, sempre antecipado e, se nunca tão emocionante quanto prometia, ainda assim é um momento para ser saboreado. Terá ele algum motivo para descer tão precipitadamente quanto a rocha? Nenhum. Ele desce caminhando com provocadora indiferença, variando os caminhos. Que fúria impotente a dos deuses! A tarefa, que deveria ser imutável, na verdade tem infinitas variantes.
Mesmo que todas as variações fossem proibidas, ainda haveria esse relacionamento cada vez mais profundo com a rocha. À medida que suas mãos passam a conhecer cada depressão e cada protuberância, a rocha parece tornar-se mais receptiva, mais cooperativa. E quem teria acreditado que frágeis mãos humanas poderiam suavizar tal aspereza? Naturalmente, há maus momentos, quando a rocha teima em não se mover e Sísifo a amaldiçoa e até a golpeia. Mas, em outros momentos, a rocha parece alegre, brincalhona até, rolando facilmente como se o provocasse. Nesses momentos o toque de Sísifo é uma carícia leve.
Todos os deuses o observam com uma desaprovação cada vez maior. Eles também podem ser espertos e sutis. Um dia eles dizem: “Sísifo, temos observado com admiração sua engenhosidade para variar seu trabalho. E decidimos aliviar seu fardo. Existe uma rocha muito melhor”. Estupefato, Sísifo olha para baixo e vê uma rocha consideravelmente menor e portanto mais lisa e esférica. Ele até pode sentir as curvas encaixando-se em suas mãos quando ela rola sem esforço montanha acima. Ele nem consegue falar. Os deuses aguardam, com maligna segurança, e então acrescentam, não sem satisfação: “Você acreditou que o trabalho duro e eterno o libertaria? Nenhum homem escapa à agonia da sua escolha”. Sísifo não responde. Agora sua rocha parece um peso morto, repentinamente mais pesada graças à sua imperfeição e ao seu volume. Então, de uma hora para outra, a glória da criatura humana – a oposição – inunda sua alma com um vinagre intoxicante. Ele pode desobedecer. Pode se recusar. Pode dizer não. Ou, com arrogância e humildade, revolta e aceitação, absurdo e felicidade, com um tapinha amoroso, pode dizer: “Esta é a minha rocha”.

(Daudt, Francisco - A natureza humana existe : e como manda na gente)
 

NOTAS:
1. Sarah Hills, “It’s time for snap, crackle and Spock”, Metro, fevereiro de 2008.
2. Alex Godfrey, “Enterprise reprised”, Guardian, 2 de maio de 2009.
3. Jacob Weisberg, The Deluxe Election-Edition Bushisms, Simon & Schuster, 2004.
4. Citado em Wheen, op. cit.
5. Citado em Smith, op. cit.
6. Ibid.
7. Ibid.
8. Ibid.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:40


Comentar:

Comentar via SAPO Blogs

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

subscrever feeds