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A DÁDIVA DA VISÃO

por Thynus, em 09.03.17
Onde não há revelação divina, o povo se desvia.
– Provérbios 29:18
 

Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor lembre-se: se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor com ele você conquistará o mundo.

 
Em seus escritos, Platão não usou o termo turvo – no sentido de obscuro, nebuloso – para descrever nossa situação, mas bem que poderia. Na Primeira Epístola aos Coríntios, São Paulo se expressou assim, quando disse que vemos o mundo através de “um reflexo obscuro, como em um espelho”. A Terra, conforme sugere a sabedoria tradicional, é um lugar no qual é difícil enxergar com clareza.
Mas a visão que a vida terrena obscurece de forma tão radical não é a física. É a visão espiritual: aquela que nos permite enxergar o universo imaterial, assim como nossos olhos nos permitem ver o plano físico.
Duzentos anos atrás, quando a ciência ainda engatinhava, o poeta William Blake batizou essa recusa em reconhecer a existência do lado espiritual do mundo de Visão Única.
 
Agora percebo uma visão dupla...
Que Deus nos proteja
Da visão única e do sono de Newton.
 
O Newton a que Blake se refere é Sir Isaac Newton: matemático, físico, formulador da lei da gravidade e um dos maiores cientistas da história – talvez o maior de todos. Mas, apesar de todas as suas realizações, ele cometeu um erro. Em sintonia com René Descartes, dividiu o mundo em “interno” e “externo” e afirmou que apenas o último era real:
 
Minhas observações indicam que nada que não possua comprimento, largura e profundidade, podendo assumir várias formas e tipos de movimento, pode pertencer à natureza essencial do corpo. Elas também indicam que formas e movimentos são apenas estados, dos quais nenhuma força pode vir a existir separadamente; do mesmo modo que cores, cheiros, sabores e todo o resto não passam de sensações que existem em meu pensamento, e são tão diferentes quanto meu corpo é diferente da dor e o movimento é diferente do objeto que o inflige.
 
Assim que a ciência mediu tudo o que havia no mundo “externo”, Newton e outros cientistas contemporâneos seus acreditaram que não havia mais nada a saber. Eles excluíram a consciência da equação. Por quê? Porque não era possível encontrá-la. Não era possível isolá-la, medi-la, pesá-la. Portanto, não podia ser real.
Nosso mundo ainda gira em torno dessa velha distinção entre matéria (o mundo “lá fora”) e a mente (o mundo “aqui dentro”) que Descartes estabeleceu. “Para o bem ou para o mal”, escreve o psicólogo Lawrence LeShan em seu livro A New Science of the Paranormal (Uma nova ciência da paranormalidade), publicado em 2013, “vivemos em uma cultura científica. Podemos dar ouvidos a líderes religiosos, gurus e políticos, mas acreditamos que quem fala a verdade mesmo são os cientistas.”
LeShan pergunta o que aconteceria se a ciência começasse a levar a espiritualidade a sério:
 
Seria senso comum dizer que os seres humanos são mais do que é revelado pelos nossos sentidos e que não estamos permanentemente presos dentro da nossa pele. Mas a realidade é que esse fato ainda não nos tocou de verdade. Isso não representa uma ameaça ao mundo externo. Continuo fazendo tudo como antes, mesmo depois de aprender que a mesa aparentemente sólida sobre a qual me debruço é apenas um espaço vazio com áreas compostas de massa, energia e velocidade ao seu redor, que ela é composta de, para usar a frase de Werner Heisenberg, um “espaço vazio assombrado por singularidades”.
 
Nós acordaríamos do sono de Newton.
 
Dr. Alexander,
No dia 19 de agosto de 1999, meu pai foi internado na ala de doentes terminais do hospital da nossa região. Ele tivera uma série de derrames que o deixaram em estado vegetativo. Depois de muitas conversas com os médicos, a família decidiu que estava na hora de deixá-lo partir.
Na madrugada do 13º dia de internação, papai começou a respirar daquela forma ritmada que indica que o fim está próximo. O ambiente estava mergulhado na escuridão, exceto por uma luz noturna acoplada à parede que iluminava uma pequena parte do recinto.
Papai deu seu último suspiro. Seus pés e mãos já estavam frios. Eu estava sentado numa cadeira a cerca de 30 centímetros da cama. Quando ia me levantar para falar com minha irmã, que estava no sofá do outro lado do quarto, algo me chamou a atenção. Parecia que uma poeira tinha pousado na têmpora de papai. Pensei: “Como estou conseguindo ver esta ‘poeira’?” O quarto estava completamente escuro, e mesmo assim eu conseguia ver aquela coisa iluminada! Olhei à minha volta em busca de alguma fonte de luz que pudesse estar incidindo sobre a cabeça dele – mas não havia nenhuma.
Fechei os olhos por alguns instantes, esfreguei-os com os dedos e voltei a abri-los; a “poeira” continuava ali, ainda inexplicavelmente visível. Aproximei-me dela, imaginando que isso a faria ser soprada para longe. Mas ela permaneceu onde estava. Então, enquanto eu olhava, uma pequena esfera, de menos de meio centímetro, começou a brotar debaixo da têmpora do meu pai. Tinha aquele azul intenso que se pode ver na base da chama de uma vela. E emitia raios brancos. A primeira coisa que me veio à mente foram fogos de artifício, mas as faíscas irradiavam em câmera lenta. Após cerca de um minuto, toda a esfera tinha vindo à tona e parecia estar pousada sobre a têmpora do meu pai.
Passados alguns segundos, a esfera levitou uns 60 centímetros e pairou ali por mais alguns instantes. Então, vagarosamente, subiu mais e flutuou em direção ao lado oposto do quarto, até que chegou ao teto e desapareceu.
Eu ainda estava sentado, olhando para onde a esfera tinha ido. Virei-me para minha irmã, esperando que ela dissesse alguma coisa – mas ela não falou nada. Não quis fazer nenhuma pergunta que pudesse induzir uma resposta, então eu apenas perguntei: “Você viu o que aconteceu?”
Minha irmã então respondeu: “Está falando da luz que acabou de sair da cabeça do papai?”
Acredito que Shakespeare tinha razão quando disse que “há mais coisas entre o Céu e a Terra do que sonha nossa vã filosofia”.
David Palmer
 
Você viu o que aconteceu?”
O que foi isso?”
Você sentiu o mesmo que eu?”
 
As pessoas fazem esse tipo de pergunta umas às outras em situações como a de David: quando um ente querido está partindo e algo inexplicável acontece. O método científico exige que um fenômeno seja testemunhado por mais de uma pessoa. E que possa ser repetido. É nesse aspecto que histórias como essa se tornam tão fáceis de serem desbancadas pelos céticos.
Ou pelo menos é o que a maioria das pessoas acredita.
Quando eu cursava a pós-graduação no centro médico da Universidade Duke, sempre passava por um prédio pequeno próximo ao campus chamado Instituto de Parapsicologia. Nunca lhe dei muita atenção. Sem dúvida um monte de gente bem-intencionada trabalhava duro lá dentro, tentando adivinhar cartas sacadas aleatoriamente de um baralho e coisas do gênero.
Experimentos desse tipo estavam de fato ocorrendo. O que eu não sabia era que essas experiências, conduzidas em universidades dos Estados Unidos, do Canadá, do Reino Unido e de vários outros países, tinham provado de forma praticamente irrefutável que a telepatia é real.
Mas o que resultou desta descoberta? Segundo LeShan, muito pouco. O problema não está no fato de os fenômenos inexplicáveis existirem ou não. Eles existem. O problema está em assimilarmos plenamente essa realidade. Em aceitá-la de corpo e alma. Em nos tornarmos algo diferente do que éramos antes.
É, na verdade, uma questão de transformação.
Nós sempre soubemos quem somos. Este conhecimento veio à tona, retornou às profundezas e ressurgiu incontáveis vezes em inúmeros lugares diferentes. É tão antigo quanto o Paleolítico (a Idade da Pedra, cerca de 30 mil anos atrás), quando nossos antepassados enterravam seus entes queridos em posição fetal, cobertos de flores e conchas, sugerindo que, embora seus corpos estivessem debaixo da terra, eles iriam renascer em outro mundo. E é tão recente quanto a confirmação experimental feita em 2014 do teorema de 1964 do físico John Stewart Bell de que partículas gêmeas separadas por milhões de anos-luz se moverão em sintonia instantânea uma com a outra, pois tempo e distância são ilusórios.
Nós sempre vivemos no universo real. Isso nunca mudou. Nós é que mudamos, repetidas vezes. Nós nos afastamos dele, nos reaproximamos e nos afastamos novamente. Mas nunca estivemos tão distantes, e por tanto tempo, quanto agora. Hoje conhecemos as consequências de tratar a natureza como um objeto – uma coisa sem vida que podemos manipular a nosso bel-prazer. Sabemos que o planeta está enfrentando sérios problemas. Mas nem todos têm consciência de que a solução está no mundo material e no espiritual – na necessidade de modificar não só a maneira como vivemos, mas de transformar a forma como respondemos àquelas três perguntas fundamentais da humanidade.
Por quê? Porque o único jeito de viver alegremente na Terra é estarmos iluminados pelo céu. Viver desconectado do céu é ser um escravo do anseio por completude que só pode ser suprido pelo conhecimento da existência. Esse desejo reprimido levou a muitos dos excessos que tantos danos trouxeram ao nosso planeta, a ponto de ameaçar sua própria sobrevivência.
 
Você já viu uma raposa em seu habitat natural? Eu cresci na Carolina do Norte, então vi muitas. Ver um animal dessa forma é uma ótima maneira de entender o que Newton, Galileu, Descartes e outros arquitetos da visão científica nos deram e o que tiraram de nós.
Tente imaginar o que um camponês da Idade Média via ao olhar para uma raposa. Ele via uma enorme quantidade de associações bíblicas, mitológicas e folclóricas que não necessariamente tinham a ver com o animal. A raposa era astuta, sensual, desonesta, pecaminosa... todas as características humanas que ela obviamente não possuía, mas que um indivíduo daquela época, treinado para ver a natureza pela ótica da Bíblia, não conseguia deixar de enxergar nela.
Quando a ciência se estabeleceu no século XVI, promoveu uma ruptura revolucionária com essas velhas associações. As raposas, descobriram os pioneiros da ciência, não eram seres ardilosos, sensuais e pecaminosos. Eram animais – membros caninos da classe dos mamíferos, que habitavam uma determinada extensão territorial e possuíam um período de gestação de cerca de cinquenta dias. Já não eram trapaceiras pecaminosas antropomórficas.
Para refletir sobre o mundo, Aristóteles usava a lógica, e não o método científico. Ele não ia a campo e realizava testes. No passado, ninguém havia se interessado em dissecar uma raposa; comparar sua estrutura craniana à de outros carnívoros; analisar como seu coração, fígado ou intestino diferia do da vaca, do ganso ou do ser humano. Os pais da Revolução Científica levaram o espírito da observação aristotélica um passo adiante. Não olhavam para o mundo e simplesmente refletiam a seu respeito – eles o desmantelavam até os mínimos detalhes.
Além de ser muito útil, essa nova e corajosa maneira de encarar o mundo era também profundamente honesta. Respeite a realidade do mundo material, era o que ela nos dizia. Não se deixe confundir por um sistema religioso imaginário que aplica seus sentidos igualmente imaginários ao mundo e às coisas que o habitam. Saia e investigue o mundo por conta própria, e descubra como ele é de verdade.
Isso é maravilhoso. Mas, é claro, sabemos o que aconteceu em seguida. Fomos longe demais. Ao mesmo tempo que avançamos na ciência, desenvolvemos uma visão de que o mundo e tudo o que existia nele não passavam de meros objetos a serem capturados, mortos, dissecados e, acima de tudo, utilizados. Em pouco tempo, as raposas – assim como todas as outras coisas – passaram a ser julgadas pelo seu valor material, e só. A raposa se transformou em um predador de galinhas e de outros animais de criação úteis; a portadora de uma pele valiosa como vestimenta; um animal usado para alguns fins esportivos… e não muito mais do que isso.
Mas uma raposa é muito mais do que isso. É uma criatura multidimensional cuja forma perceptível é física, mas cuja verdadeira natureza é espiritual.
Assim como nós.
 
Após a morte, um homem não deixa de ser um homem.
– Emanuel Swedenborg
 
Recuperar essa visão multidimensional – que nos permite ver raposas, nós mesmos e tudo mais que existe na Terra dentro do contexto do universo espiritual – é a essência do casamento entre ciência e espiritualidade que finalmente está ocorrendo. Não se trata de uma visão de mundo “religiosa” no antigo e dogmático sentido do termo, nem “científica” no sentido reducionista e materialista da expressão. É uma forma de ver o mundo que nos permite estudá-lo cientificamente sem nos perdermos na perspectiva puramente materialista.
Mesmo antes da nossa era, alguns cientistas acreditavam que o racionalismo precisava ser reformulado se pretendia ser verdadeiramente útil. O escritor do século XVIII Johann Wolfgang von Goethe, um grande poeta e também um dos pais da ciência moderna, provavelmente estava se referindo às religiões dos mistérios quando escreveu os famosos versos abaixo:
 
...enquanto não tiver experimentado morrer para então germinar, não passará de um hóspede atormentado desta Terra sombria.
 
Mesmo hoje, como sugere Goethe nestes versos, devemos ser iniciados. Sem a iniciação no conhecimento da nossa verdadeira identidade e do lugar de onde viemos, ficamos perdidos. Para quem está cego pela falta desse conhecimento, o mundo se torna de fato um lugar muito sombrio.
Quando o grande cientista e matemático Blaise Pascal morreu, em 1662, esta mensagem foi encontrada em seu paletó.
 
O ano da graça de 1654.
Segunda-feira, 23 de novembro, dia de São Clemente, papa e mártir, e de outros no martirológio.
Vigília de São Crisógono mártir e de outros.
De cerca das dez e meia da noite até cerca de meia-noite e meia.
Fogo.
Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó
E não dos filósofos e dos eruditos.
Certeza absoluta: além da razão. Alegria. Paz.
Esquecimento do mundo e de tudo, à exceção de Deus.
O mundo não te conheceu, mas eu te conheci.
Alegria! Alegria! Alegria! Lágrimas de alegria!
 
Gustav Fechner foi um respeitado físico do século XIX e um dos grandes nomes da psicologia experimental moderna. Em seu livro The Religion of a Scientist (A religião de um cientista), ele escreveu o seguinte:
 
Certa manhã de primavera, saí bem cedo de casa. Os campos estavam verdejantes, os pássaros cantavam e o orvalho cintilava... Então sobre tudo isso recaiu uma luz transformadora. Percebi que aquela era apenas uma pequena parcela da Terra, apenas um ínfimo momento em sua existência. Contudo, à medida que eu alcançava mais e mais com minha visão, ela me parecia tão bela, tão clara, tão inconfundivelmente angelical, tão rica, pura e viçosa, e ao mesmo tempo tão estável e sólida, tão linda e tão verdadeira que me perguntei como os homens poderiam ter conceitos tão equivocados a ponto de ver a Terra apenas como um torrão seco, e buscar por anjos nos céus vazios, sem jamais encontrá-los.
 
Goethe, Pascal e Fechner não possuíam o conhecimento científico que temos hoje, mas fizeram parte do mundo moderno, e cada um deles foi, em sua época, um gigante da ciência em cujos ombros ainda nos apoiamos. O mesmo pode ser dito do cientista do século XVII Emanuel Swedenborg. Ele passou a maior parte da vida como inspetor de minas na Suécia, um trabalho que exigia um conhecimento considerável de engenharia e física e uma habilidade prática em técnicas hidráulicas para extração de carvão e outros minerais em solos profundos. Swedenborg também era um exímio geômetra, químico e anatomista, e foi a primeira pessoa a formular um conceito rudimentar sobre a verdadeira função do cerebelo, a área do cérebro responsável por grande parte da coordenação motora. Ele era, sob todos os aspectos, um gênio.
Swedenborg tinha um interesse especial pelo cérebro e passou muitos anos tentando isolar a morada da consciência – a localização física daquilo que, em sua época, ainda era chamado de alma. Então, por volta da metade da sua vida, Swedenborg descobriu (nas palavras do psicólogo Wilson van Dusen, estudioso da vida e da obra do cientista) que estava “procurando no lugar errado”. Entrou numa crise espiritual. Um momento de revelação fez seu velho mundo entrar em colapso e um novo universo surgir em seu lugar.
Swedenborg dedicou o resto da vida a estudar os mundos espirituais com o mesmo rigor que aplicara anteriormente ao estudo do universo físico. Foi o primeiro cientista moderno a tratar o céu como um lugar real, e o primeiro a tentar mapeá-lo.
Cultivando um estilo de “observação interna”, entrando numa espécie de transe meditativo, Swedenborg catalogou uma grande quantidade de mundos, sobre os quais escreveu com riqueza de detalhes. Esses relatos algumas vezes eram um tanto bizarros, o que lhe rendeu problemas com os colegas cientistas e com os defensores do cristianismo. Os mundos que Swedenborg explorou tinham pessoas, árvores e casas. Ele falou com anjos e demônios. Descreveu, com a precisão de um meteorologista detalhando uma frente fria, o clima dos diferentes mundos espirituais que visitou.
A natureza de cada um desses mundos era determinada principalmente por um fator: a quantidade de amor ou de ódio presente nele. Se você fosse uma pessoa definida pelo amor, afirmava Swedenborg, terminava em uma das inúmeras zonas espirituais que, reunidas, compunham o que ele chamava de céu. Se fosse uma pessoa definida pelo ódio, acabava no inferno.
Swedenborg acreditava no antigo conceito de microcosmo, no qual cada um de nós é uma espécie de universo em miniatura. Se olharmos para dentro de nós mesmos da maneira certa, dizia ele, encontraremos não apenas o mapa do céu, mas o céu propriamente dito. Toda a nossa ideia de “externo” significando algo real e “interno” significando o mundo imaginário se baseia nas nossas experiências no domínio material, onde a consciência é mediada pelo cérebro e nos locomovemos por meio de um corpo físico que acreditamos definir quem somos. A verdade é que aquilo que experimentamos como nosso eu “interno” não está em nosso “interior”. Quando alguém como Swedenborg afirma que existem mundos inteiros “dentro” de nós, não está falando sobre a nossa capacidade de imaginar lugares irreais. Ele está dizendo que o universo é um lugar mais espiritual do que físico, e que o universo espiritual possui muitos mundos – “muitas moradas”, como disse Jesus.
Em outras palavras, mapear o céu era, para Swedenborg, não só ciência legítima; era algo de que necessitávamos para nos tornarmos verdadeiramente humanos.
Segundo escreveu o místico persa Najmoddin Kobra, o céu não é o “céu externo visível”, pois existem “outros céus, mais profundos, mais sutis, azuis, puros, luminosos, inumeráveis e ilimitados”. Outros céus de verdade? Sim. Kobra não estava falando de forma metafórica. Mas essas regiões só podem ser acessadas por quem está espiritualmente sintonizado com elas. Nos universos além do mundo físico, não é possível invadir territórios. É preciso entrar em sintonia com eles, harmonizar-se com eles. “Quanto mais puro você se torna”, escreveu Kobra, “mais puro e mais belo o céu se apresenta aos seus olhos, até que você adentre a pureza divina. Mas a pureza divina também é ilimitada. Então jamais acredite que além do que você alcançou não existe mais nada, algo ainda mais elevado.”
Eu sei que místicos como Kobra e cientistas como Swedenborg têm razão. O céu não é uma abstração; não é um sonho inventado a partir de um desejo ilusório. É um lugar tão real quanto o quarto, o avião, a praia ou a biblioteca em que você está agora. Ele tem objetos. Árvores, campos, pessoas, animais e até mesmo – se dermos ouvidos ao livro do Apocalipse, ao visionário persa do século XII Suhrawardi, ou ao filósofo e místico árabe do século XII Ibn ‘Arabi – cidades de verdade. Mas as regras de como as coisas funcionam lá – as “leis da física do céu”, digamos assim – são diferentes das nossas. A única regra de que precisamos nos lembrar é que vamos voltar para o lugar ao qual pertencemos e que seremos conduzidos até lá pela quantidade de amor que temos dentro de nós, pois o amor é a essência do céu. É de amor que ele é feito. O amor é a moeda corrente daquele reino.
O mais sensato é aplicarmos este princípio também a nossas vidas terrenas – amar verdadeiramente a nós mesmos como os seres espirituais eternos que somos e transmitir esse amor aos nossos semelhantes e a toda a criação. Quando nos tornamos canalizadores do amor incondicional de Deus pela criação ao demonstrarmos compaixão e capacidade de perdoar, levamos uma energia curadora a todos os níveis deste reino material.
É por isso que a principal qualidade exigida de nós, se pretendemos ter um vislumbre do céu enquanto estamos vivos, não é o intelecto, a coragem ou a perspicácia, mas a honestidade. A verdade pode ser abordada de milhares de maneiras diferentes. Como semelhante atrai semelhante, o que precisamos para alcançar a verdade é sermos verdadeiros com nós mesmos, até em relação ao que há de bom e de ruim dentro de nós. O universo é baseado no amor, e se não tivermos amor, o universo estará fechado para nós. Passaremos toda a vida declarando que o mundo espiritual não existe porque não conseguimos despertar o sentimento que seria capaz de nos abrir as portas do universo. Não é possível chegar à verdade mentindo. Você não pode viver com apenas uma parte de si mesmo, deixando para trás seu eu mais amplo e profundo. Se quiser conhecer todo o céu, precisa trazer a si mesmo por completo.
 
Dr. Alexander,
Li seu livro com grande interesse, pois tive uma experiência inexplicável cerca de 25 anos atrás e que ainda permanece viva em minha memória. Não foi uma EQM, pois eu não estava doente ou incapacitado. Eu estava saindo do tribunal e indo para o meu carro. Lembro-me especificamente de ter pisado em uma rachadura no cimento da calçada e ter tido uma consciência profunda de que tudo estava perfeitamente bem. Quando digo “tudo”, estou falando no sentido mais amplo que você possa imaginar – incluindo o passado, o presente, o futuro, o universo, o cosmos, os acontecimentos, os eventos e as circunstâncias que já existiram, que existem hoje ou poderão existir um dia. Quando você fala de “ultrarrealidade” no livro, entendo perfeitamente o que quer dizer. A sensação de que tudo no universo estava bem – exatamente como devia ser – foi mais verdadeira, mais real e mais nítida do que qualquer experiência que já tivera na vida. Por ser advogado, sou treinado a questionar qualquer coisa, mas aquela sensação transcendia qualquer possibilidade de argumentação, questionamento ou dúvida. Enquanto voltava para o escritório, a sensação foi desaparecendo – e nunca mais voltei a tê-la.
Kenneth P.
 
(Alexander, Eben - Mapa do céu - como a ciência, a religião e as pessoas comprovam a vida após a morte)
Neurocirurgião lança livro contando que esteve no Céu

 
 

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