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O papa Inocêncio III, que deflagrou em 1202-1204 a Quarta Cruzada, é também o mentor da Cruzada contra os “heréticos” albigenses. O pretexto estava dado: a resistência dos “hereges”, a negativa do poder temporal da região do Languedoc em intervir e atuar na repressão e o fato gerador com a morte do legado papal. Inocêncio entabulou conversações com o rei da França, que se omitiu de agir de maneira direta. Um exército heterogêneo foi constituído por nobres do norte da França, aquitanos, borgonheses, flamengos e normandos com a presença de nobres como o duque da Borgonha e os condes de Nevers e de Bar. A narrativa se encontra em três crônicas. A mais conhecida é a do monge cisterciense Pierre des Vaux-de-Cernay. Há outras duas, uma de autoria de Guilherme de Tudela e outra de Guilherme de Puylaurens. Os detalhes da guerra são diversos e nos omitiremos de descrevê-los. Relataremos apenas um detalhe do primeiro cerco realizado pelos cruzados. Diante da cidade de Beziers, na qual viviam misturados albigenses e católicos, a nobreza questiona o legado papal sobre a postura a ser adotada quando penetrassem na cidade. Como distinguir os “heréticos” dos fiéis? A quem poupar e a quem sacrificar? A resposta é polêmica. Disse o legado: “Matem a todos, que Deus saberá distinguir quem são os seus fiéis.” A matança em Beziers não poupou nem mulheres nem crianças. Um massacre que deixou marcas na região. A Cruzada prosseguiu até 1213, mas teve sequências ao longo do século XIII.
A resistência passiva da população acabou sendo o motivador da instalação da Inquisição medieval. A resistência se deu em rincões isolados da região, que era repleta de montanhas e vales isolados. Muitos se esconderam em aldeias dos Pirineus, tal como Montaillou; outros nas escarpas elevadas da fortaleza de Mont Ségur, a qual foi assediada algumas décadas mais tarde e teve sua população chacinada. Esse processo se deu após a morte de Inocêncio. Seus sucessores, Honório III e Gregório IX, quiseram impedir que os poderes civis se inserissem na repressão da “heresia”. Isso porque a nobreza local, mesmo sendo católica, era refratária à repressão dos “hereges”, sendo que os tolerava e por vezes protegia. Assim, uma ordem de monges mendicantes, os dominicanos, foi escolhida para servir de “tropa de choque” do papado na repressão aos “hereges”, tornado-se a articuladora e executora da Inquisição. O catarismo albigense manteve-se por mais um século na região do sul da França, mas foi suprimido pela Inquisição e pelos poderes seculares. Um núcleo sobreviveu na Itália, mas não há informações sobre sua continuidade.

 (Pedro Paulo Funari e outros - As Religiões que o Mundo esqueceu)

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