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A crise da meia-idade

por Thynus, em 17.05.16

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Crise da maia-idade: como lidar?
Trata-se da menopausa masculina, ou seja, das exigências de mudança que resvalaram para planos não liberados. A palavra grega krisis (= crise) quer dizer, entre outras coisas, decisão, e o homem de fato precisa decidir se quer empreender o caminho de volta conscientemente ou padecê-lo inconscientemente. A decisão sobre se ele quer seguir adiante como antes ou retornar não cabe a ele. O padrão não a admite e força ao retorno de uma forma ou de outra. Onde no caminho de ida valia a frase bíblica: "Conquistai a terra", para o caminho de volta vale: "Em verdade vos digo que se não retornarem e não voltarem a ser como as crianças, não alcançarão o reino celeste de Deus."
A maioria sente o puxão para trás nessa época. Só que, como sempre, a resolver as coisas no plano físico. Assim, pessoas de 50 anos, em vez de se tornarem outra vez como as crianças animicamente, tornam-se externamente infantis, vestem-se com moda jovem, compram carros esportivos e procuram namoradas jovens. Com o culto à juventude dominante, isso não é difícil. Já do ponto de vista financeiro, carros esportivos são construídos principalmente para senhores de idade, a moda de qualquer forma está dirigida para o jovem, e devido à separação anímica dos pais, que ocorre com freqüência, existem suficientes meninas jovens que de bom grado vivenciam com um senhor de idade o problema não resolvido com o pai. Essa administração da crise no mundo externo, algo ridícula, ainda é melhor que a recusa total em dar o passo necessário. Quem se nega a fazê-lo em sentido figurado força o corpo a tomar seu lugar. A depressão seria uma dessas formas não-redimidas de retorno. Depressão quer dizer literalmente "longe da pressão" ou "dis-tensão", e de fato essa postura de vida contém o relaxamento de todas as tensões, ainda que seja de forma totalmente não-redimida.
Em vez de parar com tudo e entregar o problema da própria vida à previdência do Estado, trata-se sim de relaxamento, mas de uma forma mais exigente. A tensão é máxima na periferia da mandala. Justamente lá, onde a expansão do poder e da influência está mais difundida, exige-se o retorno à unidade, onde não há qualquer tensão. O ditado seguinte o formula à sua maneira: "Quando está melhor é quando se deve parar". Por trás dele está a experiência de que, caso contrário, forçosamente se tornará menos belo.
O mito descreve o retorno da alma ao lar em todas as suas variantes: Parsifal precisa procurar esse caminho de volta à unidade exatamente como Ulisses ou os Argonautas. Na Bíblia é o filho pródigo, que recebe a recompensa merecida por retornar ao pai, o símbolo da unidade. Ele é muito superior ao outro, que não ousou empreender o caminho do mundo da dualidade, do desespero e da desavença. Todo herói de conto de fadas segue esse padrão arquetípico. As vezes o abandono da unidade é facilitado por uma madrasta má, em seguida ele precisa dominar o mundo e finalmente encontrar sua outra metade, ou seja, integrar sua sombra. Após casar-se com a figura da princesa, ambos retornam à casa do pai e "vivem felizes para sempre".
Este padrão também é válido da mesma maneira para as pessoas modernas(No filme de Hollywood "Em busca da criança dourada", por exemplo, trata-se exatamente desse padrão). Antes, o apoio mais substancial nesse caminho era a religião. Até mesmo em uma época em que as grandes religiões se alienam de seu conhecimento, a religio, como religação do inicio primordial, ainda está à altura dessa tarefa. A meditação tem igualmente por objetivo esse meio, esse centro, e antes o fazia também a medicina, tal como ainda se pode ver na palavra. De qualquer maneira, essa era uma medicina arquetípica, que confiava nos símbolos como indicadores do caminho, comparável em certa medida à medicina pretendida pelos índios. Ela não é tomada em forma de pílulas, mas levada no coração.

(Rüdger Dahlke - "A doença como linguagem da alma") 

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publicado às 23:59



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