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Em 26 de Março de 2010 o diário americano The New York Times publicou uma reportagem que alega que, quando era arcebispo de Munique, Bento XVI teria sabido da transferência para outra paróquia do padre Peter Hullermann, acusado de abuso sexual de crianças. Segundo o jornal, que citou dois prelados, o Cardeal Joseph Ratzinger "tinha sido informado de que o sacerdote, que ele mesmo aprovou que fosse enviado a terapia para ser curado de sua pedofilia, tornaria, pelo contrário, para um o trabalho pastoral, a poucos dias do início do tratamento psiquiátrico. " A notícia foi publicada pelo diário após no dia anterior ter apresentado um relatório em que Bento XVI, quando era o guardião da ortodoxia católica e da disciplina como "ministro" de João Paulo II, ocultou o abuso sexual de 200 crianças surdas por um padre norte-americano.
É o vigário da arquidiocese de Munique na época do Cardeal Ratzinger, monsenhor Gerhard Gruber, a pessoa que detonou novamente o caso que mais compromete num dos escândalos o mesmo Pontífice.
Segundo a Der Spiegel as alegações a Gruber, que hoje tem 81 anos e vive aposentado, sustentam que o ex-vigário foi pressionado a dar uma rota de fuga das suas próprias responsabilidades a Joseph Ratzinger.
Monsenhor Gruber teria sido pressionado especialmente pelo arcebispo de Munique e numa carta a seus amigos o ex-vigário disse ter recebido por fax da mesma arquidiocese, a carta e a lista com a declaração em que Gruber assume “ter agido de forma arbitrária no caso do padre Hullermann ". O ex-vigário agora diz que não quer continuar a ser o bode expiatório de uma história tão difícil e nega ter agido com "arbitrariedade".
Na Igreja, quando ocorriam estes casos de abuso sexual por parte de um padre, a prioridade era o "bem da Igreja" para o qual se tentava evitar o escândalo. Normalmente, o padre ou os responsáveis eram transferidos para outras dioceses. Foi o que aconteceu com o padre Hullermann e na sede da arquidiocese houve uma reunião presidida pelo arcebispo Joseph Ratzinger. A versão do Vaticano, que respondeu às acusações do The New York Times foi de que a decisão do atual papa estabeleceu que Hullermann recebesse um tratamento psiquiátrico, mas não realizasse actividades pastorais numa paróquia, especialmente onde houvesse rapazes.
Mas dias depois, outra carta emanou uma ordem que autorizava o padre pedófilo a executar tarefas comuns na paróquia. Hullermann voltou novamente para as suas andanças e, anos mais tarde, foi condenado por outros casos de abuso sexual infantil. O vigário Gruber assumiu todas as culpas. Na carta que agora diz que foi escrita na arquidiocese, manifesta que se tinha equivocado e que o arcebispo Ratzinger não sabia que Hullermann podia novamente abordar as vítimas potenciais. Segundo o The New York Times, o atual papa foi informado de que Hullermann retomava as suas atividades pastorais.
Para o Der Spiegel os amigos do ex-vigário desejam repor a verdade, que poria em apuros o Papa, se se comprovar que o vigário Gruber informou o seu superior Joseph Ratzinger da autorização a Hullermann e que o ex-vigário foi pressionado a fim de retirar Bento XVI da linha de fogo dos escândalos.

Quando o Comandante deixa o navio ou se demite das suas funções, os ratos invadem os porões e, em caso de naufrágio, também são sempre os primeiros a abandonar o navio... Será também por estas “ratices” que Ratzinger sente vergonha e chora?!

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publicado às 12:19

Bento XVI enviou através do Secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, uma mensagem à associação católica americana Os Cavaleiros de Colombo (que tem quase dois milhões de membros), reunidos neste dias em Washington.

Segundo o papa, “a resposta mais eficaz <…> aos ataques, frequentemente injustos e infundados, à Igreja e aos seus líderes” é “uma grande fidelidade à palavra de Deus, uma mais resoluta procura da santidade, um acrescido empenho da caridade na verdade por parte de todos os fiéis”.

Um passo importante, uma declaração política que não pode cair no silêncio porque revela a estratégia que o Vaticano escolheu para sair do escândalo de pedofilia no clero e fortalecer as fileiras internas.

Primeiro a negação. Os ataques são "frequentemente injustos e infundados", ou seja, o problema é menor que o propagado pela mídia. Sabemos bem que o problema, pelo contrário, é muito maior, pois, um a um, continuam a vir a público casos antigos de anos, se não décadas, e sempre cobertos e silenciados pelo Vaticano, com a participação ativa do então chefe da Congregação para a Doutrina da fé, o próprio Ratzinger. E quantos desses casos nunca virão à luz do dia, relegando ao esquecimento a dor das vítimas e a impunidade dos agressores?

Mas a passagem mais ofensiva vem depois. Talvez alguém, mesmo dentro de uma platéia de acólitos, poderia esperar uma declaração de rigor, de luta cerrada contra aqueles que cometem um crime como o estupro de crianças, a afirmação de um forte desejo da instituição Igreja de colaborar com a justiça. Em vez disso, para superar este momento de crise, do papa vem apenas uma simples receita, quase mágica, cujos ingredientes são "fidelidade à palavra de Deus", a "busca da santidade" e, finalmente, "um acrescido empenho da caridade na verdade por parte de todos os fiéis."

Mas o que é a caridade na verdade? Como podem entrar a misericórdia, o amor, a compaixão e a misericórdia naquela abominável verdade que vai surgindo sobre os casos de pedofilia?

A mensagem é clara. A caridade é o prelúdio para o perdão. E o perdão lava o pecado daqueles que abusaram de uma, dez ou mil crianças. Caso contrário, não há necessidade. A comunidade católica deve usar a caridade na verdade para procurar a santidade para si mesma. Só perdoando, o mais cristão dos ensinamentos, a Igreja vai emergir deste flagelo.

A pedofilia, portanto, continua a ser vista pela Igreja como um problema interno. Uma afronta aos milhares de vítimas que ainda acreditam no deus católico ou não mais. Se a justiça terrena não vai certamente restaurar a sua infância extirpada e profanada, a justiça divina (ou presumida como tal), usando o perdão com os seus algozes, como meio de elevação à santidade, inevitavelmente torna-se co-responsável pelos seus crimes horrendos.

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publicado às 21:30

 

O Papa Ratzinger, obviamente, não sabe o que fazer.
A Igreja está a atravessar um dos momentos mais sombrios das últimas décadas, e Bento XVI não é capaz de encontrar a luz no grande poço escuro, onde ele caiu juntamente com todo o sistema eclesiástico por culpa dos escândalos dos padres pedófilos.
E agora verifica-se que o terceiro segredo de Fátima revelou que a Igreja está em crise, mostrando ao mundo o seu lado sombrio feito de corrupção, abusos e problemas financeiros.
O Papa tenta salvar-se in corner, e, tristemente, admite que "estava previsto: a Virgem tinha-nos avisado!" Bom para ele, embora neste caso o famoso lema "homem prevenido vale por dois" não valha muito.
A reação dos seguidistas é tendencialmente comum: estamos tão decepcionados, irritados, aborrecidos.
Mas também um pouco cinicamente aliviados, porque, pela primeira vez, a Cúria não se mete conosco, pobres pecadores, ou com a ameaça comunista do costume; mas, principalmente, porque são menos dramáticas as previsões apocalípticas de punições de vários tipos previstas por visionários e teólogos no último milênio. E desculpem-nos se é pouco.
Portanto, a sujeira está dentro da Igreja, mas a limpeza desejada é mais difícil do que o esperado. Porque o sistema eclesiástico revela ao mundo de ser um lobby económico, como tantos outros, com homens de poder que, enquanto tais, lutam para segurar sua própria cadeira e os seus interesses pessoais.
Ratzinger, que não é notoriamente um homem de ação, está em apuros porque não quer ver o que está claro para todos: a Igreja é pecadora, porque feita de homens pecadores; não está imune às tentações, ao erro, à perversão, à sede de riqueza e poder. E, para cúmulo, nem sequer é suficientemente simpática para gerar compaixão naqueles que acreditam que a Fé é algo que vai além das estruturas anacrônicas que procuram geri-la e organizá-la.
Como fará o velho Pontífice, que a revista Time botou fora da lista dos cem homens mais importantes do mundo, para sair deste en-passe?
Até então, nada, e mantém um perfil baixo
Mas desde já há uma guerra dentro da instituição. Falanges conservadoras contra progressistas; a questão feminista que inflama a mente das mulheres que já praticam o ofício pastoral mas não são oficialmente reconhecidas; o problema do celibato dos padres, uma questão em debate desde há décadas. E Deus sabe, e assim por diante.
Bispos contra bispos, padres contra teólogos, todos contra todos.
Bem-vinda ao Terceiro Milénio, Igreja!

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publicado às 13:50

 

Uma carta de Paolo Farinella (padre)


Se Bento XVI, civilmenente Joseph Ratzinger, fosse conhecido como papa Francisco I ou Zeferino I, ao povo da Irlanda teria escrito a seguinte carta:
Senhoras e Senhores, mulheres e homens de Irlanda, não vos chamo «Caríssimas e caríssimos filhas e filhos» como é uso adocicado nos documentos eclesiásticos e também porque não posso dirigir-me a vós com espressões afetuosas como se nada tivésse sucedido. Dirijo-me a vós, não com destaque, mas com temor e tremor, com respeito, mantendo a devida distância, em bicos de pés e consciente de que nenhuma palavra pode aliviar a vossa raiva, a vossa dor e a marca indelével que foi impressa na vossa carne viva. Não sou digno de dirigir-me a vós com palavras de afecto.
Escrevo para dizer-vos que em breve irei encontrar-vos, irei só, sem séquito e sem alardes: descalço e com a cabeça descoberta, humilde e penitente, sim, como convém a um "servo dos servos de Deus". Irei para ajoelhar-me diante de vós e pedir-vos perdão do fundo do coração porque sobre uma coisa não podemos, vós e eu, ter dúvidas: a responsabilidade de tudo o que envolveu os vossos filhos e filhas, rebentos inocentes, arruinados para sempre, é minha, só minha, exclusivamente minha. Assumo totalmente a responsabilidade da culpa de pedofilia de que se mancharam muitos padres e religiosos em institutos e colégios sob a jurisdição da Igreja católica.
Como bispo da Igreja Universal não tenho palavras e sentimentos para aliviar o trágico jugo que foi posto sobre as vossas costas. Fui por mais de um quarto de século chefe da congregação da doutrina da fé e não soube avaliar a gravidade do que estava acontecendo em todo o mundo: nos USA, na Irlanda, na Alemanha e agora também na Itália e, certamente, também em todos os outros países do mundo. A ferida é grande, generalizada e galopante e eu não fui capaz de ver a sua gravidade, o perigo e a ignomínia.
Preferi salvar o rosto da Instituição e, com este fim, em 2001 emanei um decreto em que advogava a mim os casos de pedofilia e impunha o «silêncio papal»: isto significa que quem falasse era excomungado «ipso facto», ou seja, imediatamente. Se houve “omertà” (silêncio imposto), se houve cumplicidade dos padres, religiosos, bispos e leigos, a culpa é minha e só minha. Para salvar a face da Igreja, acabei por condenar homens e mulheres, meninos e meninas que foram abatidos pela ignomínia do abuso sexual que é grave quando acontece entre adultos, mas é terrível, horrível, blasfemo e delinquencial quando acontece sobre menores.

Não foram poucas pessoas que erraram. Iludi-me que assim fosse, mas agora noto amargamente que a responsabilidade está principalmente naquela estrutura que se chama «seminário», cujos critérios de formação, eu e outros líderes da Igreja lançamos, mantivemos e pretendemos que fossem actuados. Com os nossos métodos de educação pouco humanos e desencarnados, fizémos padres e religiosos devotos, mas divorciados da vida e da sua problemáta, homens e mulheres inconsistentes, prontos a obedecer porque sem espinha dorsal e sem personalidade.
Numa palavra criámos monstros sagrados que foram lançados sobre vítimas inocentes, apenas entraram em choque com a realidade que não souberam aguentar e com que não puderam confrontar-se. Personalidades infantis que abusaram de crianças sem sequer tomarem consciência do facto.
Hoje acho que uma grande responsabilidade está relacionada com o celibato obrigatório dos padres e religiosos, un sistema que hoje não funciona, como nunca funcionou na história da Igreja: por trás da fachada formal, muito poucos observaram este estato que em si mesmo é um valor, mas apenas se desejado por opção de vida, livre e consciente. Neste ponto, tomo o compromisso de colocar na ordem do dia o significado do celibato para que se chegue a um clero casado, mas também célibe por opção e apenas por opção.
Chego até vós, privado de toda a autoridade porque a perdi e de maõs vazias a pedir-vos perdão e em seguida, na cúria romana e nas igrejas locais, despedirei todos os que de qualquer modo estão implicados neste drama. Finalmemente, enquanto a justiça humana fará o seu papel, confiarei as pessoas responsáveis por estas ignomínias a um tratamento de saúde porque trata-se de mentes e corações doentes.

Finalmente, resignarei do cargo de papa e o farei desde a Irlanda, o país, talvez mais atingido. Retirar-me-ei num mosteiro para fazer penitência durante os dias que me restam porque falhei como padre e como papa. Não vos peço que esqueçam, suplico-vos que olheis em frente, sabendo que o Senhor que é Pai amoroso, de quem fomos indignos representantes, não abandona alguém e não permite que a angústia e o sofrimento tenham vantagem. Que Deus me perdoe, e com Ele, se puderdes, fazei-o vós também. Com estima e trepidação.
Francesco I, papa (ainda por pouco tempo) da Igreja católica.

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publicado às 11:51

A pretexto de escândalos pedófilos no seu seio, a Igreja Católica, segundo os seus seguidistas e apoiantes, está a sofrer um dos muitos ataques previstos pelo seu fundador. Perseguição rotineira quotidiana, portanto, nada de novo sob o sol: as forças "diabólicas" fazem o seu trabalho. Segundo essa carneirada de seguidistas, o que precisamos saber sobre os "inquisidores secularistas" do terceiro milénio é que a prática da pedofilia é pregada e defendida pelos seus próprios referenciais culturais. Para dar apenas alguns exemplos, sem qualquer pretensão de ordem no tempo:

* Rousseau, profeta da Educação relativista e Iluminista, comprou por alguns francos uma menina de dez anos para animar sexualmente as suas noites.

* Dacia Maraini, na esteira dos filósofos iluministas que praticavam sexo com os filhos, argumentou que o incesto é uma prática natural.

* Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Michel Foucault, Jack Lang, futuro ministro francês, assinaram uma petição em que se exigia a legalização de relações sexuais com menores.

* Daniel Cohn-Bendit, líder dos Verdes em Bruxelas e um dos líderes do Maio de 1968, disse ter tentado e promovido a pedofilia e o sexo com menores na escola, como professor.

* Aldo Busi explicou que a idade para relações homossexuais, que ele retém como lícitas, é permitida a partir da idade de treze anos, porque nessa idade um rapaz, diz, seria adulto e livre de decidir ter relações sexuais com outro homem.

* Nichi Vendola, governador da Apúlia, em Itália, numa entrevista ao jornal a Repubblica, em 1985, afirmava: "Não é fácil abordar um tema como a pedofilia, por exemplo, o direito das crianças a ter a sua sexualidade, de terem relações entre si, ou com adultos, enquanto aqueles que lidam com a sexualidade sempre a viram em relação à família.

* Os radicais italianos organizaram uma conferência, a 27/10/1998, nas salas do Senado, cuja apresentação dizia: "Ser pedófilo não pode ser considerado um crime; a pedofilia torna-se um crime, quando se prejudica outras pessoas.” Como querendo dizer que a pedofilia é permitida, desde que a criança consinta e que a lei o permita.

* A Internacional dos Gays e Lésbicas (ILGA) colaborou politicamente e culturalmente com os pedófilos Americanos (NAMBLA North American Man-Boy Lovers Association) durante dez anos, antes de separar-se deste movimento.

* O filósofo homossexual Mario Mieli alegou a função redentora da pedofilia. Nas suas obras (consideradas a bíblia dos gays) são recomendadas como experiências redentoras a promover, além da pedofilia, a necrofilia e a coprofagia.

* As Associações Homossexualistas (COC), fundadas por Jef Last (pedófilo homossexual e amigo de André Gide) nos Países Baixos, quiseram e conseguiram a descriminalização do contato sexual com meninos maiores de 12 anos. Em 1990, de facto, tinha sido descriminalizado na Holanda, o contato sexual (heterossexual e homossexual) com indivíduos com mais de 12 anos: a condição era o consenso do jovem ou da jovem e o nihil obstat dos pais.

É sem dúvida verdade, como disse Ratzinger ainda cardeal, que na igreja ainda há muito lixo, mas é igualmente verdade que do outro lado (a " inquisição secular") há um aterro de escala colossal.

Esta visão maniqueísta do mundo (os bons de um lado e os maus do outro) já vem da antiguidade, está na génese da Santa Inquisição da Igreja romana e foi sempre uma estratégia dessa mesma igreja: dividir para reinar! Não é de estranhar que os seus seguidistas continuem a adoptá-la e, enquanto tal, nada de novo sob o sol. O que é de estranhar é essa saudade dos velhos tempos inquisitoriais da santa madre igreja! Mas, não é por aí que vamos. Neste fenómeno da pedofilia, não poderemos de forma alguma ilibar a Igreja romana das suas responsabilidades, pois erigiu-se como guia moral e religiosa do Mundo e, como tal, no seu seio, a pedofilia e outros escândalos contradizem aquilo que ela mesma prega e pretende mostrar ser. Mais, o fenómeno da pedofilia na igreja romana não se restringe apenas a casos pontuais, mas é uma verdadeira doença orgânica, endémica à igreja, e, como tal, não pode ser vencida pela ação hipócrita de censura, reprovação e condenação do Vaticano. E o pior é que já não há água-benta que lhe valha!

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publicado às 03:23

Quase todos os sacerdotes e religiosos (até há poucos anos) entravam no seminário menor aos 10-11 anos de idade, ou seja, depois do ensino básico. Como se preparavam para uma vida em que teriam de permanecer celibatários, logo nessa idade era negado qualquer impulso sexual, reprimido, racionalizado e, muitas vezes, não recebiam uma educação consentânea ao assunto sexo que era até visto como tabu, cada um se desenrascava por conta própria, uns melhor e outros pior. Não se educava, reprimia-se mesmo porque a sexualidade não podia encontrar espaço para expressão num ambiente fechado feito só para rapazes sem qualquer contato com o sexo oposto. Estes rapazes não tiveram condições de ter um bom desenvolvimento psicossexual como acontecia normalmente com os seus coetâneos. A repressão da sexualidade, a supressão da afetividade, a aridez emocional, a negação e demonização dos impulsos sexuais naturais que fazem as pessoas crescer e amadurecer e contribuir significativamente para a construção da sua identidade em relação ao outro foram substituídas por dados intelectuais, racionais que eram relacionados com conteúdos de fé e ideais de vida demasiado elevados e abstratos para aquela idade, e, deste modo, geradores de sentimento de pecado, identidade sexual não resolvida e agressividade reprimida.

Esses ambientes criaram pessoas afetiva e emocionalmente imaturas que se projetam em forma desviada em meninos e meninas da idade na qual o que seu crescimento foi bloqueado. É verdade que são anagraficamente adultos, mas também é verdade que a sua idade sexual e emocional se manteve fixa na fase da pré-adolescência ou da adolescência.

A pedofilia, pelo menos olhando para as queixas e as pessoas envolvidas no âmbito eclesiástico, é, em grande parte, obra de pessoas com tendências homossexuais e, portanto, envolve mais meninos que meninas. Mas nem por isso é honesto dizer-se que o celibato não tem nada a ver com a maioria dos casos de pedofilia.

Talvez haja muitos padres com tendências homossexuais porque nunca atingiram e passaram a fase de desenvolvimento em que os rapazes aprendem a relacionar-se com o sexo oposto, algo que para o adolescente é um obstáculo que deve superar e aprender a gerir . Abrir-se ao sexo oposto é um dos passos mais importantes da maturação sexual.

No seu livro Padres Amantes, o ex-padre F. Mariano Rodrigues fala que "a perturbação dos padres, pelo fato de conviverem o tempo todo com a sensualidade de suas ovelhas e não poderem toca-las, nem ao menos olha-las os leva para o caminho invariável do homossexualismo como válvula de escape para suas emoções sexuais reprimidas." O mesmo autor descreve a posição dos "padres, que durante a confissão dos fiéis se excitam com a narrativa dos pecados, ficam com seus membros eretos e muitos até se masturbam durante o ato sagrado da confissão. Outros padres se servem das freiras, que trabalham como suas secretarias em várias paróquias, todas belas e sensuais, jovens em sua maioria, se entregam com volúpia e lascívia perpetrando o jogo proibido(e, como tal, apetecido) do sexo entre os filhos do Senhor."

Como sabemos, os seminários bem como a imposição do celibato eclesiástico (tal como os confessionários) são frutos do obscurantismo medieval da Igreja. Não será hora da Igreja romana repensar a sua posição intransigente a respeito da sexualidade, da confissão auricular e da obrigatoriedade do celibato?
"É preciso que se entenda que a "castidade" não é e nem poderia jamais ser objeto de um "voto"; ou o homem é casto, ou o homem não é casto. Não se pode dominar essa prodigiosa força (sexual) através de um simples voto (uma intenção). E necessário que o homem se situe em uma esfera consciencial, muitíssimo elevada, para que possa transcendê-la. Todavia, não seria essa mesma esfera consciencial a que se poderia esperar, normalmente, de um verdadeiro "Representante de Deus"? No entanto, esse não é, em absoluto, o caso desses sacerdotes de "Cristo" que, em realidade, não passam de homens comuns que, conduzidos a essa elevada posição (?), vêem-se forçados a essa, absolutamente, desnecessária repressão sexual representada pela exigência do celibato. Como consequência disso, acabam por cair, invariavelmente, na prática desses desvios, abusos e aberrações" (in Regnum, Carlos Alberto Gonçalves).

Na mesma linha de pensamento, António Farjani, "A linguagem dos deuses", escreve:
O fato de essa energia transcendental advir da primitiva energia sexual é que deu origem à superstição de que o sexo é pecaminoso, tal como apregoa a religião cristã. A abstinência sexual dos iluminados não é professada por questões da moral profana, e sim como um recurso de canalizar energia para se obter um estado superior de consciência, que não é atingido sem se pagar um certo preço. A castidade imposta "de fora para dentro" através de regras morais obtusas, tal como a que se impõe aos padres católicos, não possui a menor utilidade prática nem tem o menor valor espiritual. Como já disse o próprio Paulo de Tarso, "é melhor casar-se do que viver abrasado". 
Arnaldo Jabor (Amor é Prosa, Sexo é Poesia) afirma que "A pedofilia na Igreja é conseqüência direta do celibato. É óbvio que se a força máxima da vida é esmagada, a Igreja vira uma máquina de perversões. Claro. E de homossexualismo, visível em qualquer internato religioso." E continua:  "Outro dia, o Contardo Calligaris escreveu com precisão que a pedofilia não está só na carne do jovem assediado; a pedofilia é mais geral, abstrata, no prazer do domínio sobre os mais fracos, na pedagogia infantilizante das jovens ovelhas — como nos chamam os pastores de Deus — imoladas em sua inocência. Eu vi o diabo naquele colégio: rostos angustiados, berros severos e excessivos nas aulas, castigos sádicos, perseguições a uns e carinhos protetores a outros. Eu mesmo fui assediado por um padre famoso (do qual muitos colegas meus da época se lembram) que era notório comedor de menininhos: ele fazia mágicas e teatrinhos, para ser popular entre os meninos, e, um dia, tentou me beijar num canto da clausura. Criado na malandragem das ruas, fugi em pânico. E falei disso em confissão com outro padre, que mudou de assunto, como se fosse uma impressão minha, como se a pedofilia fosse uma prática necessária à manutenção do celibato, exatamente como os cardeais americanos estão fazendo hoje. O problema da Igreja com o sexo leva-a a uma compreensão quebrada da vida, leva-a a aceitar a Aids, a condenar o aborto, o controle social da natalidade e a outros erros maiores." E conclui: "Uma das grandes desvantagens da Igreja Católica diante de outras religiões é o celibato. Daí, em cascata, surgem problemas que justificam a queda do prestígio da Igreja na era do espetáculo e da desconstrução de certezas. Rabinos casam, pastores protestantes casam. Budistas do it, xintoístas do it,hindus do it, mesmo muçulmanos do it. Let's do it, pobres padres trêmulos de desejo, no meu remoto passado jesuíta e no presente do sexo massificado."

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publicado às 11:03

É um facto. Por razões pouco claras, o número de pedófilos no clero é extremamente elevado. Talvez porque o diabo escolhe para tentar quem está 'mais próximo' de Deus, ou talvez porque muitas vocações estão longe de ser autênticas, ou talvez por algum outro motivo que desafia a lógica humana.
É bom lembrar as declarações chocantes do observador permanente junto das agências da ONU, em Genebra, monsenhor Silvano Tomasi, que em Setembro de 2009 disse, palavras textuais, que “apenas entre 1,5% e 5% do clero católico parece ter-se envolvido em casos de abuso de crianças”. Só 5%? Um em vinte?
Aplicando um percentual semelhante a toda a população portuguesa, deveríamos concluir que, hoje, em Portugal contaríamos com cerca de meio milhão de pedófilos, que, felizmente, parece um pouco irreal. Transpondo a mesma lógica estatística para a realidade brasileira (cerca de 200 milhões de habitantes), teríamos que concluir que no Brasil haveria cerca de 10 milhões de pedófilos. Que barbaridade!
É difícil levar um filho para os cuidados de um padre, quando se sabe que há 5% de chance de colocá-lo nas mãos de um pedófilo. Que ninguém duvide que a igreja tornou-se um lugar perigoso para as crianças!
Sempre em Genebra, perante o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, o porta-voz do Vaticano conseguiu declarar que, no entanto, na maioria dos casos de abuso no clero católico, não se trataria de facto de pedófilos, mas somente de homossexuais com certa atração por adolescentes.
Agora, como então, o Vaticano parece mais empenhado em diminuir a gravidade do fenómeno da pedofilia na Igreja que em combatê-lo com a determinação e coragem necessárias. Uma indicação clara desta atitude é a tendência de lembrar que a maioria dos casos de abuso infantil ocorre nas famílias e que mesmo Igrejas não-católicas têm o problema da pedofilia. Ou, então, alegar que isso é obra da maçonaria (ou do diabo, sabe-se lá!).
Finalmente, o caso do “padre” Murphy, um estuprador serial que foi capaz de abusar de "apenas" (pasme-se!) 200 crianças. Ele nunca foi punido. O Vaticano, segundo a reconstrução do New York Times, disse que Murphy, quando o seu caso foi analisado pela Igreja, ele então estava muito doente e que já tinha passado muito tempo desde esses factos, razão porque foi decidido não reduzi-lo ao estado secular ou puni-lo de outro modo.
O mesmo jornal americano acusa hoje o papa Ratzinger e o Secretário de Estado Bertone por ter estado entre aqueles que não decidiram agir contra o “padre” Murphy. O Vaticano e nomeadamente o Osservatore Romano falam de acusações vis e infundadas, negam qualquer tipo de encobrimento, mas não contestam a reconstrução do New York Times sobre a opção da Igreja em não punir Murphy com as sanções previstas no Direito(?) Canônico pelos muitos abusos de que ele foi artífice. Se fosse um desgraçado de um padre de uma paróquia da serra, estava certamente já a arder no fogo do inferno (ou do Tribunal da santa(?) inquisição); mas, tratando-se do “padre” Murphy dos dólares... coitado, estava doente! Enfim, uma igreja corrupta, com dois pesos e duas medidas!
E acabo com as palavras da teóloga inglesa Myra Poole: "É terrível o que estes homens (padres pedófilos) fizeram, mas a responsabilidade é dos bispos e do Papa", que "deviam ir para a prisão com eles", porque este tipo de abusos resulta de "uma cultura aceite pela Igreja"... "A grande tragédia" é que os altos responsáveis "não serão responsabilizados", antecipa. E os padres continuarão a ser "mudados para outras paróquias para continuar com as suas coisas". " É uma situação muito grave.
Uma igreja baixa e de costumes corruptos?! De uma igreja dessas libera nos, Domine!

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publicado às 14:11


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