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o Inferno

por Thynus, em 27.11.12
Em sensu proprio, o dogma torna-se revoltante. Pois, em virtude das penas eternas do inferno, não apenas faz expiar com infindáveis martírios os erros ou até mesmo a falta de fé de uma vida que, na maioria das vezes, não chega aos vinte anos, mas também faz com que essa condenação quase universal constitua na verdade o efeito de um pecado original e, portanto, o resultado inevitável da primeira transgressão do homem. No entanto, de todo modo essa transgressão deveria ter sido prevista por aquele que, em primeiro lugar, não criou os homens melhores do que são, e depois lhes preparou uma armadilha, mesmo sabendo que nela cairiam, uma vez que tudo era obra sua e nada permanecia escondido às suas vistas. Sendo assim, ele teria evocado do nada para a existência um gênero humano fraco e sujeito ao pecado, para depois condená-lo ao martírio infindável. Por fim, há que se acrescentar que Deus, que prescreve a indulgência e o perdão a toda culpa até chegar ao amor pelo inimigo, não manifesta nenhum sentimento semelhante, mas cai em sentimentos opostos; isso porque uma pena, que sucede ao fim das coisas, quando tudo já passou e se concluiu, não pode ter como objetivo nem a melhora, nem a intimidação e, portanto, não passa de uma vingança. Visto por esse ângulo, chega a parecer que, na prática, todo o gênero humano tenha sido destinado e criado expressamente para a tortura e a condenação eternas — a não ser por aquelas poucas exceções que, não se sabe por quê, foram salvas pela escolha divina. Sem levar em conta tais casos, o querido Deus parece ter criado o mundo para que o diabo o carregasse; sendo assim, ele teria feito muito melhor se tivesse deixado de criá-lo.

(Arthur Schopenhauer - "A Arte de Insultar")

publicado às 19:47


A Angústia em Kierkegaard

por Thynus, em 05.12.10

Depois de ter delineado os estados fundamentais da existência, Kierkegaard aprofundou os conceitos de angústia e desespero.
A angústia, como Kierkegaard exprime em O conceito de angústia, é entendida como relação do eu com o mundo.
A angústia é o sentimento do possível, a condição existencial gerada pela “vertigem” da liberdade, ou seja, das infinitas possibilidades da existência.
A tal propósito, Kierkegaard vai às raízes da antropologia, relevando que a angústia é o fundamento do pecado original. Indica assim os vários estádios existenciais de Adão:
1. INOCÊNCIA
A inocência de Adão é uma ignorância (daquilo que pode) que contem um elemento que não é nem calma ou repouso, nem perturbação e luta (porque não existe nada contra que lutar), mas é um nada, e este nada gera a angústia. A angústia, enquanto sentimento do possível, não se refere a nada de preciso, e difere, portanto, do temor, que se refere a alguma coisa determinada.
2. PROIBIÇÃO DIVINA
A proibição divina inquieta Adão porque o põe frente à possibilidade da liberdade, a angustiante possibilidade de poder. Adão não sabe o que pode, porque não conhece a diferença entre bem e mal. Nele está presente unicamente a possibilidade de poder, que se concretiza, na experiência vivida, na angústia.
3. FUTURO
A angústia está ligada ao futuro visto que a angústia é o sentimento do possível, e o possível corresponde ao futuro.

O passado pode angustiar apenas quando se representa como uma possibilidade de repetição no futuro. Portanto uma culpa passada gera angústia apenas se não è realmente passada; de facto, no caso em que seja realmente passada, essa gera arrependimento, mas não angústia. A angústia está com efeito ligada à possibilidade, àquilo que não é ainda mas pode ser, à ameaça do nada (ao nada que é possível).
A angústia está ligada apenas à condição humana e não dos animais. De facto, no caso da humanidade, o indivíduo é superior à espécie.
De facto, o animal tem uma essência (característica fixa) e está determinado (age mecanicamente); a essência é o reino da necessidade, de que a ciência procura as leis.
Ao contrário, a existência do indivíduo é o reino da possibilidade, do devir, do contingente, da história, portando, da liberdade: o homem é aquilo que escolhe ser, aquilo que se torna.
O modo de ser da existência não é a necessidade, mas a possibilidade.
A possibilidade é a mais pesada das categorias, embora alguns, entendendo-a como possibilidade de felicidade ou de fortuna, retêm que seja ligeira. Pelo contrário, na possibilidade tudo é igualmente possível, essa tanto pode ter um lado terrível como um reverso agradável.
Nas páginas conclusivas de O conceito de angústia Kierkegaard põe em relevo que a angústia é constitutiva da condição humana e está ligada à possibilidade. Em particular Kierkegaard contradiz Lutero, segundo quem a frase que revela a humanidade de Cristo é “Meu Deus, porque me abandonaste?”, substituindo-a por sua vez por aquela que Cristo dirige a Judas: “Apressa-te a fazer aquilo que tens a fazer!”. A primeira parte exprime o sofrimento daquilo que acontecia, a segunda a angústia daquilo que poderia acontecer.
O antídoto da angústia não é a previsão, ou seja, o cálculo das possibilidades, a prevenção, pois não pode nada em relação à omnipotência ou infinidade do possível (“No possível, tudo é possível”), ou seja, a indeterminação das possibilidades que causa a angústia.
A única solução para a angústia e a fé religiosa naquele para quem “tudo é possível”.

publicado às 23:39


Pecado Original

por Thynus, em 05.12.10

O termo não é bíblico. Foi uma invenção de Tertuliano (160-200), um dos primeiros Padres da Igreja, e alude à maldade universal da espécie humana, aditada pela tradição ao primeiro pecado cometido por Adão. Mas quem o elevou duzentos anos mais tarde ao nível de doutrina foi Santo Agostinho aportando, como se fora pouco, uma idéia horrenda: a noção de que a mancha do pecado se transmite de geração em geração mediante o acto da procriação. Agostinho de Hipona, (354-430), considerado o maior dos padres da Igreja e um dos mais eminentes doutores da Igreja ocidental, foi um personagem estranho e um caso clínico de neurose obsessivo-compulsiva. Na sua juventude viveu uma vida dissoluta e libertina, entregue a todos os vícios inimagináveis, e, por "méritos" próprios, foi apodado de "o grande pecador" e "o maior “putanheiro” de Mauritânia". Mais tarde desenvolveu um sentimento obsessivo de culpa e se converteu durante nove anos ao maniqueísmo, uma religião dualista baseada na luta entre o corpo material (carnal e perverso) e a alma espiritual, com a crença de que a salvação da maldade apenas se podia lograr dominando os desejos carnais. Aos iniciados era-lhes exigida castidade total e uma vida dedicada à oração; não se chegava a tanto com os meros aspirantes (de nível espiritual inferior) que não obstante eram proibidos de ter relações sexuais durante o período fértil de suas mulheres e, portanto, procriar. Já com trinta anos Agostinho se converteu ao cristianismo e além de demonstrar, como quase todos os conversos, atitudes bastante fanáticas a favor de sua nova religião e contrárias à antiga, absorveu desta (maniqueísmo) conceitos totalmente estranhos àquela. Tanto o pecado original como o conceito da predestinação dupla (segundo a qual e devido a que a salvação e a glória estão predestinadas, a condenação e a destruição também serão predestinadas) inventado por Agostinho, são, sem ter sido nunca formulados como tal, inerentes ao maniqueísmo. A predestinação dupla nunca teve êxito dentro do catolicismo e os teólogos católico-romanos rejeitaram a doutrina, insistindo em que não existe nenhuma predestinação para o mal e que aqueles que sofrem condenação são os únicos responsáveis disso. O expoente mais entusiasta da predestinação dupla foi João Calvino, resultando que a Igreja romana condenou o conceito explicitamente no Concílio de Trento reconfirmando que o homem tem livre arbítrio e inclinação natural ao bem. O horroroso da predestinação dupla é que, se aceitamos, e apenas como hipótese, a verdade do relato bíblico de Adão e Eva, a serpente e a expulsão do Éden (difere apenas em detalhes de outros mitos similares do antigo Oriente Próximo e de outras regiões) por ter comido a fruta proibida da árvore do bem e do mal (da sabedoria), implicaria que Deus teria predestinado Adão e Eva a revelar-se contra Ele para depois ter justificativa suficiente para castigá-los, a eles e a toda a sua descendência, o que converteria Deus num autêntico monstro, no mesmíssimo Satanás.
Ao contrário, a Igreja adotou com entusiasmo a doutrina do pecado original já que apresentava a perfeita justificação para a sua misoginia e o seu vilipendio das relações sexuais. Estas em vez de serem consideradas como um presente de Deus pelos seus efeitos positivos orgásticos sobre a saúde tanto física como mental e pelo seu prazer sexual que ajuda a manter o vínculo na parelha humana, foram julgadas como se fossem obra do mesmo demónio. Surpreendente, porque parece que à Igreja nunca lhe entrou na cabeça que se Deus tivesse algo contra a sexualidade humana nos poderia ter criado, como aos animais, com um instinto de procriação limitado a um par de períodos de cio anuais. De qualquer modo, a recusa doentia da sexualidade de um ex-putanheiro como Agostinho ficou demonstrada quando exclamou: "Se apenas pudéssemos ter filhos sem a sordidez da cópula". Com esta atitude poder-se-ia esperar que também tivesse introduzido no cristianismo o conceito anti-procriativo do maniqueísmo, mas certamente intuiu que a Igreja não iria comungar com um conceito que em poucas gerações teria significado a sua própria desaparição.
Se a predestinação dupla punha, pelas suas implicações, em cheque o conceito mesmo de Deus, o conceito de pecado original é totalmente anticristão por negar os fundamentos básicos do cristianismo: a expiação do pecado e propiciação de Deus mediante a encarnação, a vida, o sofrimento e a morte de Jesus. Cristo é o Salvador que morreu para redimir a humanidade de seus pecados. Seria totalmente incompreensível se esta redenção não incluísse o mais importante dos pecados, o pecado original, se este na verdade tivesse existido antes da sua chegada.
Como sempre quando há que defender conceitos extravagantes, a Igreja, também neste caso, deitou mão dos Evangelhos para justificar-se. E supostamente hão encontrado algo em Rm. 7, 1; Jo. 5,19 e Lc. 11,1. No último pelo menos há uma referência à "maldade", nos outros dois nem isto sequer. Parece que para a Igreja os Evangelhos valem tanto para um roto como para um descosido e podem ser usados para demonstrar qualquer coisa e o seu contrário também.

 

HYPERLINK:
* Vaticano decreta o fim do limbo para não-batizados

publicado às 19:56


Gnosticismo

por Thynus, em 05.12.10

Gnosticismo (Gr. gnosis,"conhecimento revelado" movimento religioso esotérico que floresceu durante os séculos II e III. A maioria das seitas gnósticas professavam o cristianismo, mas as suas crenças eram diferentes das da maioria das seitas cristãs existentes nos primeiros tempos da Igreja. Para os seus seguidores o gnosticismo prometia um conhecimento secreto do reino divino. Raios ou sementes do Ser Divino caíram desde este reino transcendental até ao universo material, que é mau na sua totalidade, e foram encarceradas nos corpos humanos. O conhecimento poderia voltar a despertar esses elementos divinos que deste modo voltariam a sua própria casa no reino espiritual. Apesar de muitos gnósticos se considerarem a si mesmos cristãos, estes se negavam a identificar o Deus do Novo Testamento como Pai de Cristo, com o Deus do Antigo Testamento, e elaboraram as suas próprias interpretações; assim escreveram evangelhos apócrifos (como os evangelhos de Tomé e de Maria) para justificar a sua afirmação de que Jesus expôs a seus discípulos a verdadeira interpretação gnóstica de seus ensinamentos: Cristo, o espírito divino, habitou o corpo do homem Jesus mas não morreu na cruz, mas ascendeu ao reino divino do qual tinha vindo. Os gnósticos recusavam assim o sofrimento, a morte expiatória de Jesus assim como a ressurreição do corpo terreno. Apesar das seitas antigas não terem sobrevivido, periodicamente reapareceram aspectos do mundo gnóstico sob numerosas formas: a antiga religião dualista chamada maniqueísmo e as "heresias" medievais dos albigenses, os bogomilos e os paulicianos; a filosofia judia mística medieval conhecida como a cabala; a especulação mística em torno da alquimia do renascimento; a teosofia do século XIX; o existencialismo e o niilismo do século XX, e os escritos do psicólogo suíço do século XX, Jung. a essência do gnosticismo mostrou ser muito perdurável: a ideia de que o espírito interior da humanidade tem que ser libertado de um mundo que é por sua própria natureza enganoso, opressivo e mau.

É interessante a razão porque recusaram o Deus judeu, já que estava baseado num facto erróneo somente reflectido na Septuaginta: a introdução do mito mesopotâmico de Adão, Eva e a maçã. Consideravam que um Deus que depois de ter criado o ser humano como racional e inteligente, lhe negava o uso de sua inteligência, de sua humanidade, e o condenava ao sofrimento eterno devido ao "pecado original" - ou seja por ser humano - não era Deus mas o mesmíssimo Satanás. (sic)

publicado às 19:39


Homosexualidade na Igreja de Roma

por Thynus, em 06.04.10


A homossexualidade sempre sempre foi um grave problema para a Igreja; sempre o condenou e nunca compreendeu que o cristianismo romano com a sua misogenia, sua anti(hetero)sexualidade, e o seu "medo da mulher" (ginofobia) atribuindo a culpa de pecado original à pérfida Eva, tinha, e tem, todos os atributos para germinar uma psicologia homossexual passiva, combinado em geral com um excessivo companheirismo masculino.
Não há dúvida de que para a maioria do clero, incluindo muitos papas, a sua misogenia era mais teórica que prática e não restringia a nada o seu apetite heterossexual, mas para uma minoria bastante importante - mais entre o clero regular que entre o secular - a misogenia era tão obsessiva que levou à total recusa da mulher e à homossexualidade como único escape para a sua libido. Por isso, não é de estranhar que no medievo a homossexualidade em certos mosteiros e conventos fosse habitual; nos tempos mais recentes a prática se deslocou para seminários e escolas confessionais.
Nos últimos quarenta anos nada menos que 30 arcebispos e bispos foram destituídos por escândalos sexuais, na sua maioria relacionados com pederastia e pedofilia, e na última década houve milhares de acusações similares contra sacerdotes e frades nos E.U. e também as haverá na Europa.
Não haja dúvida que a Igreja de Roma está moribunda do próprio veneno que criou!

publicado às 19:15


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