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A concepção cristã de Deus

por Thynus, em 13.01.13
A concepção cristã de Deus – Deus como protetor dos doentes, o Deus que tece teias de aranha, o Deus na forma de espírito – é uma das concepções mais corruptas que jamais apareceram no mundo: provavelmente representa o nível mais ínfero da declinante evolução do tipo divino. Um Deus que se degenerou em uma contradição da vida. Em vez de ser sua própria glória e eterna afirmação! Nele declara-se guerra à vida, à natureza, à vontade de viver! Deus transforma-se na fórmula para todas calúnias contra o “aqui e agora” e para cada mentira sobre “além”! Nele o nada é divinizado e a vontade do nada se faz sagrada!...

(Friedrich Nietzsche - "O antiCristo")

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publicado às 22:16

SEJA HEDONISMO, seja pessimismo, seja eudemonismo: todas essas maneiras de pensar, que se baseiam em prazer e dor, isto é, em estados anexos e em acessórios, para medir o valor das coisas, são maneiras de pensar de fachada, e ingenuidades, para as quais todo aquele que tem consciência de forças afiguradas e de uma consciência1 de artista olhará de cima, não sem zombaria, e também não sem compaixão. Compaixão por vós! - esta não é sem dúvida a compaixão como vós a entendeis: não é compaixão pela "miséria social", pela "sociedade" e seus doentes e desafortunados, por viciosos e alquebrados desde o começo, tais como jazem no chão em tomo de nós; e menos ainda compaixão por resmungadoras, oprimidas, sediciosas camadas de escravos, que anseiam por dominação - e a denominam "liberdade". Nossa compaixão é uma compaixão superior, que enxerga mais longe: - nós vemos como o homem se apequenou, como vós o apequenastes! - e há instantes em que é precisamente vossa compaixão que vemos com uma indescritível angústia, em que nos defendemos contra essa compaixão - em que achamos vossa seriedade mais perigosa do que qualquer leviandade. Quereis, onde possível - e não há nenhum "onde possível" mais maluco -, abolir o sofrimento; e nós? - parece, precisamente, que nós o preferimos ainda superior e pior do que jamais foi! Bem-estar, como vós o entendeis - isso nem sequer é um alvo, para nós parece-nos o fim! Um estado que logo torna os homens ridículos e desprezíveis - que faz desejar que sucumbam! A disciplina do sofrimento, do grande sofrimento - não sabeis que somente essa disciplina criou todas as elevações do homem até agora? Aquela tensão da alma na infelicidade, que faz crescer sua força, seu arrepio à vista do grande ir-ao-fundo, sua inventividade e bravura no carregar, agüentar, decifrar, utilizar a infelicidade, e tudo o que jamais lhe foi dado de profundeza, de segredo, de máscara, de espírito, de ardil, de grandeza: - não lhe foi dado sob sofrimentos, sob a disciplina do grande sofrimento? No homem, criatura e criador estão unificados: no homem há matéria, fragmento, excedente, argila, lodo, insensatez, caos: mas no homem há também criador, formador, dureza de martelo, divindade de espectador e sétimo dia - entendeis vós essa oposição? E que vossa compaixão é pela "criatura no homem", por aquilo que tem de ser formado, quebrado, moldado, dilacerado, queimado, abrasado, depurado - por aquilo que necessariamente tem de sofrer e deve sofrer? E nossa compaixão - não compreendeis por quem é nossa compaixão inversa, se ela se defende contra vossa compaixão como o pior dos atenuantes e fraquezas? - Compaixão, pois, contra compaixão! - Mas, dito mais uma vez, há problemas mais altos do que todos os problemas de prazer e sofrimento e compaixão: e toda filosofia que se esgota nestes é uma ingenuidade.

(FRIEDRICH NIETZSCHE - OBRAS INCOMPLETAS)

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publicado às 14:54

"O velho Deus, todo “espírito”, todo grão-padre, todo perfeição, passeia pelo seu jardim: está entediado e tentando matar tempo. Contra o enfado até os Deuses lutam em vão. O que ele faz? Cria o homem – o homem é divertido... Mas então percebe que o homem também está entediado. A piedade de Deus para a única forma da aflição presente em todos os paraísos desconhece limites: então em seguida criou outros animais. Primeiro erro de Deus: para o homem esses animais não representavam diversão – ele buscava dominá-los; não queria ser um “animal”. – Então Deus criou a mulher. Com isso erradicou enfado – e muitas outras coisas também! A mulher foi o segundo erro de Deus. – “A mulher, por natureza, é uma serpente: Eva” – todo padre sabe disso; “da mulher vem todo o mal do mundo” – todo padre sabe disso também. Logo, igualmente cabe a ela a culpa pela ciência... Foi devido à mulher que o homem provou da árvore do conhecimento. – Que sucedeu? O velho Deus foi acometido por um pavor mortal. O próprio homem havia sido seu maior erro; criou para si um rival; a ciência torna os homens divinos – tudo se arruína para padres e deuses quando o homem torna-se científico! – Moral: a ciência é proibida per se; somente ela é proibida. A ciência é o primeiro dos pecados, o germe de todos os pecados, o pecado original. Toda a moral é apenas isto: “Tu não conhecerás” – o resto é deduz-se disso. – O pavor de Deus, entretanto, não o impediu de ser astuto. Como se proteger contra a ciência? Por longo tempo esse foi o problema capital. Resposta: expulsando o homem do paraíso! A felicidade e a ociosidade evocam o pensar – e todos pensamentos são maus pensamentos! – O homem não deve pensar. – Então o “padre” inventa a angústia, a morte, os perigos mortais do parto, toda a espécie de misérias, a decrepitude e, acima de tudo, a enfermidade – nada senão armas para alimentar a guerra contra a ciência! Os problemas não permitem que o homem pense... Apesar disso – que terrível! – o edifício do conhecimento começa a elevar-se, invadindo os céus, obscurecendo os Deuses – que fazer? – O velho Deus inventa a guerra; separa os povos; faz com que se destruam uns aos outros (– os padres sempre necessitaram de guerras...). Guerra – entre outras coisas, um grande estorvo à ciência! – Inacreditável! O conhecimento, a emancipação do domínio sacerdotal prosperam apesar da guerra! – Então o velho Deus chega à sua resolução final: “O homem tornou-se científico – não existe outra solução: ele precisa ser afogado”..."

(in "O Anticristo", Friedrich Nietzsche)

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publicado às 19:19

O neurótico constrói um castelo no ar. O psicótico mora nele. O psiquiatra cobra o aluguer. (Jerome Lawrence)

Já reparou como ‘seja o que Deus quiser’ é sempre a decisão certa? (Marilyn Monroe)

Amo tudo o que é velho: velhos amigos, velhos tempos, velhas maneiras, velhos livros, velhos vinhos. (Oliver Goldsmith)

Todos se preocupam com a explosão demográfica, mas não no momento certo. (Arthur Hoppe)

Azar existe. Pergunte a um fracassado. (Anônimo)

A sorte existe. O que mais pode explicar o sucesso de nossos concorrentes. (Gen Matejka)

Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos. (Eduardo Galeano)

 A principal causa dos problemas do mundo de hoje é que os obtusos estão seguríssimos de si, enquanto que os inteligentes estão cheios de dúvidas. (Bertrand Russell)

A mulher foi o segundo erro de Deus. (Friedrich Nietzsche)

O otimista proclama que vivemos no melhor dos mundos. O pessimista teme que seja verdade. (James Branck Cabell)

O dinheiro não tem a mínima importância desde que a gente tenha muito. (Truman Capote)

Os que falam bem das mulheres não as conhecem bastante, e os que delas falam mal menos ainda as conhecem. (Pigault-Lebrun)

É-nos fácil analisar os homens; quanto às mulheres, limitemo-nos a amá-las. (Oscar Wilde)

O mais perigoso dos doces que se pode comer é o bolo de seu casamento. (Ditado americano)

No Oriente a mulher não pode ver o homem antes de casar-se. No Ocidente, depois.  (Álvaro de Laiglesia)

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor. (Chico Anísio)

Os pobres dos países ricos são menos pobres do que os pobres dos países pobres. Mas os ricos dos países pobres não são mais pobres do que os ricos dos países ricos. (Jô Soares)

O melhor movimento feminino ainda é o dos quadris. (Millor Fernandes)

O mundo estaria salvo se os homens de bem tivessem a mesma ousadia dos canalhas. (Nelson Rodrigues)

Quando sou boa, sou ótima. Mas, quando sou má, sou muito melhor. (Mae West)

Há tantas coisas na vida mais importantes que o dinheiro! Mas, custam caro. (Grouxo Marx)

O que me incomoda na Bíblia não são os trechos que não compreendo. São justamente os que compreendo. (Mark Twain)

O pior dessa juventude é que a gente não faz parte dela. (Bernard Shaw)

A bigamia consiste em ter uma mulher a mais. A monogamia é a mesma coisa. (Oscar Wilde)

Alguns levam felicidade aonde vão. Outros, quando se vão. (Oscar Wilde)

O mundo pode ser um palco, mas o elenco é um horror. (Oscar Wilde)

Muitos querem deixar um mundo melhor para os filhos. Poucos pensam em deixar filhos melhores para esse mesmo mundo. (Anônimo)

Álcool: substancia que mata o que está vivo e conserva o que está morto . (Michel Zamacois)

Bebo para tornar as outras pessoas interessantes. (George Jean Nathan)

Ama-me quando menos o mereça, pois é quando mais o necessito. (Provérbio chinês)

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publicado às 09:09


A doença chamada Homem

por Thynus, em 05.01.13

Esta frase é de F. Nietzsche e quer dizer: o ser humano é um ser paradoxal, são e doente: nele vivem o santo e o assassino. Bioantropólogos, cosmólogos e outros afirmam: o ser humano é, ao mesmo tempo, sapiente e demente, anjo e demônio, dia-bólico e sim-bólico. Freud dirá que nele vigoram dois instintos básicos: um de vida que ama e enriquece a vida e outro de morte que busca a destruição e deseja matar. Importa enfatizar: nele coexistem simultaneamente as duas forças. Por isso, nossa existência não é simples mas complexa e dramática. Ora predomina a vontade de viver e então tudo irradia e cresce. Noutro momento, ganha a partida a vontade de matar e então irrompem crimes como aquele que ocorreu recentemente no Rio.
Podemos superar esta dilaceração no humano? Foi a pergunta que A. Einstein colocou numa carta de 30 de julho de 1932 a S. Freud: ”Existe a possibilidade de dirigir a evolução psíquica a ponto de tornar os seres humanos mais capazes de resistir à psicose do ódio e da destruição”? Freud respondeu realisticamente: ”Não existe a esperança de suprimir de modo direto a agressividade humana. O que podemos é percorrer vias indiretas, reforçando o princípio de vida (Eros) contra o princípio de morte(Thanatos). E termina com uma frase resignada: ”esfaimados pensamos no moinho que tão lentamente mói que poderemos morrer de fome antes de receber a farinha”. Será este o destino da espernaça?
Por que escrevo isso tudo? É em razão do tresloucado que no dia 5 abril numa escola de um bairro do Rio de Janeiro matou à bala 12 inocentes estudantes entre 13-15 anos e deixou 12 feridos. Já se fizeram um sem número de análises, foram sugeridas inúmeras medidas como a da restrição à venda de armas, de montar esquemas de segurança policial em cada escola e outras. Tudo isso tem seu sentido. Mas não se vai ao fundo da questão. A dimensão assassina, sejamos concretos e humildes, habita em cada um de nós. Temos instintos de agredir e de matar. É da condição humana, pouco importam as interpretações que lhe dermos. A sublimação e a negação desta anti-realidade não nos ajuda. Importa assumi-la e buscar formas de mantê-la sob controle e impedir que inunde a consciência, recalque o instinto de vida e assuma as rédeas da situação. Freud bem sugeria: tudo o que faz surgir laços emotivos entre os seres humanos, tudo o que civiliza, toda a educação, toda arte e toda competição pelo melhor, trabalha contra a agressão e a morte.
O crime perpretado na escola é horripilante. Nós cristãos conhecemos a matança dos inocentes ordenada por Herodes. De medo que Jesus, recém-nascido, mais tarde iria lhe arrebatar o poder, mandou matar todas as crianças nas redondezas de Belém. E os textos sagrados trazem expressões das mais comovedoras: ”Em Ramá se ouviu uma voz, muito choro e gemido: é Raquel que chora os filhos e não quer ser consolada porque os perdeu”(Mt 2,18). Algo parecido ocorreu com os familiares.
Esse fato criminoso não está isolado de nossa sociedade. Esta não tem violência. Pior. Está montada sobre estruturas permanentes de violênca. Aqui mais valem os privilégios que os direitos. Marcio Pochmann em seu Atlas Social do Brasil nos traz dados estarrecedores: 1% da população (cerca de 5 mil famílias) controlam 48% do PIB e 1% dos grandes proprietários detém 46% de todas as terras. Pode-se construir uma sociedade sem violência com estas relações injustas? Estes são aqueles que abominam falar de reforma agrária e de modificações no Código Florestal. Mais valem seus privilégios que os direitos da vida.
O fato é que em pessoas pertubadas psicologicamente, a dimensão de morte, por mil razões subjacentes, pode aflorar e dominar a personalidade. Não perde a razão. Usa-a a serviço de uma emoção distorcida. O fato mais trágico, estudado minuciosamente por Erich Fromm (Anatomia da destrutividade humana, 1975) foi o de Adolf Hittler. Desde jovem foi tomado pelo instinto de morte. No final da guerra, ao constatar a derrota, pede ao povo que destrua tudo, envene as águas, queime os solos, liquide os animais, derrube os monumentos, se mate como raça e destrua o mundo. Efetivamente ele se matou e todo os seus seguidores próximos. Era o império do princípio de morte.
Cabe a Deus julgar a subjetividade do assassino da escola de estudantes. A nós cabe condenar o que é objetivo, o crime de gravíssima perversidade e saber localizá-lo no âmbito da condição humana. E usar todas as estratégias positivas para enfrentar o Trabalho do Negativo e compeender os mecanismos que nos podem subjugar. Não conheço outra estratégia melhor do que buscar uma sociedade justa, na qual o direito, o respeito, a cooperação e a educacção e saúde para todos sejam garantidos. E o método nos foi apontado por Francisco de Assis em sua famosa oração: levar amor onde reinar o ódio, o perdão onde houver ofensa, a esperança onde grassar o desespero e a luz onde dominar as trevas. A vida cura a vida e o amor supera em nós o ódio que mata.

(Leonardo Boff)

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publicado às 16:13


Deus morreu?

por Thynus, em 01.01.13

Há pouco mais de cem anos, Nietzsche proclamou a morte de Deus. Desde então o mundo não é o mesmo. É certo que para Nietzsche o cristianismo é que é propriamente uma religião niilista, de tal modo que, com a proclamação da morte de Deus, é o mar infindo das novas possibilidades do sim à vida que se abre. No entanto, à morte de Deus não se seguiria a morte do homem e do sentido último de toda a realidade?
Segundo as análises de Gilles Lipovetsky, "Deus morreu, as grandes finalidades extinguem-se, mas toda a gente se está a lixar para isso (...). O vazio do sentido, a derrocada dos ideais não levaram, como se poderia esperar, a mais angústia, a mais absurdo, a mais pessimismo": isto escreveu ele em A era do vazio. Os espíritos mais atentos acham, porém, que é necessário dar antes razão a L. Kolakowski, o filósofo polaco agnóstico, quando afirma que, desde a proclamação da morte de Deus por Nietzsche, nunca mais houve ateus serenos: "Com a segurança da fé desfez-se também a segurança da incredulidade. Ao contrário de um mundo familiar, protegido por uma natureza benéfica e benigna, como era proposto pelo ateísmo iluminista, o mundo sem Deus dos nossos dias é sentido como um caos opressor, eterno. É um mundo privado de todo o sentido, de qualquer orientação, sinal de direcção, estrutura (...). De há cem anos a esta parte, (...) praticamente nunca mais vimos ateus serenos (...). A ausência de Deus tornou-se a ferida sempre aberta do espírito europeu, por maior que tenha sido o esforço feito para esquecê-la, recorrendo a toda a espécie de narcóticos (...)".
Como escreveu o filósofo Eusebi Colomer, recentemente falecido, a própria expressão "morte de Deus" não é unívoca, pois pode ter e tem múltiplos sentidos. Pode significar que Deus realmente nunca existiu, embora só recentemente tenhamos feito essa descoberta. Pode querer dizer que talvez Deus exista, mas os homens, que outrora se lhe dirigiram pela fé e pela invocação, hoje já não acreditam nele. Talvez queiramos apenas exprimir a experiência de ausência e aparente silêncio de Deus, própria do nosso tempo. Segundo a fé cristã, Deus morreu verdadeiramente no mundo na Sexta-Feira Santa histórica de há dois mil anos, e é talvez ainda em Sexta-Feira Santa que nos encontramos, de tal maneira que clamamos com Jesus do alto da cruz: "Meu Deus, meu Deus, por que é que me abandonaste?" Talvez estejamos apenas a referir-nos à necesssidade de transcender constantemente as nossas ideias acerca de Deus, e, neste sentido, a "morte de Deus" significa a morte dos ídolos fabricados por nós. Afinal, que Deus era esse que morreu? Se o Deus verdadeiro é o Deus sempre maior, que transcende sempre tudo quanto possamos pensar ou afirmar dele, então os deuses enquanto ídolos têm que morrer, para ser possível a fé no Deus verdadeiro...
Neste domínio, a pergunta essencial consiste em saber se é possível ser homem sem colocar honestamente a questão de Deus. É que ser homem é a abertura ao Infinito, e, assim, a questão do homem é a questão de Deus precisamente enquanto questão.

(Anselmo Borges - "Janela do (In)Visível")

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publicado às 12:13

 

 

 A MITOLOGIA GREGA CONTA que Pandora abriu a tampa da caixa proibida e aproximou o rosto da pequena abertura, mas teve que se afastar rapidamente, espantada. Uma fumaça densa e negra saía da caixa em espirais enquanto mil horríveis fantasmas se formavam naquelas nuvens que invadiam o mundo e escureciam o Sol.
Eram todas as doenças, as dores, os horrores e os vícios do mundo. Todos saíam da caixa de forma violenta, entrando nas tranquilas moradas dos homens.
Pandora tentou fechar a caixa e evitar que mais males escapassem, para remediar o desastre, mas foi em vão. O destino inexorável se cumpria e, desde então, a vida dos homens foi assolada por todas as desventuras desencadeadas por Zeus.
Quando a fumaça se desfez e a caixa parecia vazia, Pandora olhou para dentro dela e viu um lindo passarinho de asas cintilantes. Era a Esperança. Ela se apressou em fechar a caixa, impedindo que a Esperança escapasse também.
Dessa forma, a Esperança se conserva guardada no fundo de nosso coração.
(Allan Percy – “Nietzsche para Estressados”)

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publicado às 10:20


O macaco inteligente

por Thynus, em 25.12.12
Que animal é um Homo sapiens? O que o diferencia dos outros? Liberdade? Ou isso é uma ilusão? Estas são perguntas que pomos desde há séculos: sobre livre arbítrio e predestinação consumiu-se a fractura entre Catolicismo e Reforma; do homem-máquina e determinismo discutiu a filosofia do século XVII e XIX, em seguida, chegou Darwin com a sua “ideia perigosa " da evolução; no século XX, tudo parecia depender dos genes; os avanços na neurociência mudaram a investigação dentro do cérebro. Edoardo Boncinelli e Giulio Giorello fazem o ponto sobre o estado atual da pesquisa e analisam os limites teológicos, físicos, éticos e biológicos que condicionam o indivíduo. O resultado é uma nova concepção de liberdade: não mais um dom dado por certo, mas um processo intimamente ligado às nossas ações. O homem constrói sua liberdade dia após dia e não importa se ele actua contra Deus e a natureza, ou se aceitam as suas regras, porque, no final, não somos outra coisa que um produto das nossas escolhas.
O homem é condicionado mais do que se pensa: todos nós acreditamos ser livres, mas na verdade temos tantas influências que encaminham as nossas escolhas.
Nas páginas finais do livro Edoardo Boncinelli escreve: "Há um fragmento de Nietzsche que diz mais ou menos isto: " O problema dos filósofos é que são influenciados pelas palavras e caem na sua rede ". Ele continua dizendo: "Frequentemenete reflete-se nalguns dos meus colegas esta armadilha, porque acabam por falar apenas... de palavras. Espero que aqui, pelo menos parcialmente, seja conseguido o nosso esforço de tratar o menos possível de palavras e o mais possível de coisas." Giorello escreve em resposta a esta declaração: "A filosofia deveria ser emancipação intelectual. Às vezes é-o só porque livra-nos das gaiolas construídas por algum outro filósofo ..." 

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publicado às 12:23


UMA GUERRA NÃO É TRAVADA apenas nos campos de batalha tradicionais, em que tropas tentam aniquilar umas às outras. Graças à gana de poder de que falava Nietzsche, a luta acontece em qualquer área em que os seres humanos disputem influência.
Existem disputas pelo poder em qualquer grupo de trabalho e até mesmo em um casal, quando os dois membros usam suas armas para conseguir o papel central.
Nós, seres humanos, somos animais territoriais e estamos o tempo todo tentando aumentar nossos domínios, inclusive o emocional.
Como nem sempre encontramos um inimigo para opor ao inimigo que está nos assediando, às vezes precisamos recorrer a outras estratégias. O tratado mais antigo para qualquer tipo de luta nesses casos é A arte da guerra, de Sun Tzu, que chega à seguinte conclusão:
Se conhecer seu inimigo e a si mesmo, ainda que você enfrente 100 batalhas, nunca sairá derrotado. Se não conhecer seu inimigo mas conhecer a si mesmo, suas chances de perder ou ganhar serão as mesmas. Se não conhecer o inimigo nem a si mesmo, pode ter certeza de que perderá todas as batalhas.

(Allan Percy - "Nietzsche para estressados")

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publicado às 21:19

A palavra mais ofensiva e a carta mais grosseira são melhores e mais educadas que o silêncio

A MAIOR PARTE DAS GUERRAS PSICOLÓGICAS é iniciada mais pelo que não se diz do que pelo que se diz.
Vamos imaginar uma cena: A está chateado com B e parou de falar com B desde que este se esqueceu de lhe dar os parabéns pelo aniversário. A deveria ter dito: “Você não sabe que dia foi ontem?”, mas, como ficou magoado com a falta de atenção do amigo – que, na realidade, foi apenas um esquecimento –, resolveu pagar na mesma moeda: o silêncio. B acabou se chateando com A, que de uma hora para outra deixou de atender seus telefonemas e, quando conseguiram se falar, não se mostrou nada gentil.
São comportamentos infantis, porém muito mais comuns do que se imagina. Quantos casais brigam por mal-entendidos que duram dias ou meses até serem esclarecidos? A falta de comunicação também está na origem de muitos conflitos vividos no ambiente de trabalho.
Não dizer as coisas a tempo é um importante fator de estresse no mundo tumultuado em que vivemos, pois possibilita interpretações equivocadas que acabam pesando contra nós.
Nietzsche, que não tinha papas na língua, afirma que é melhor expressar nossos sentimentos – mesmo sem encontrar as palavras adequadas – do que ofender com o silêncio.


(Allan Percy - "Nietzsche para estressados")

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publicado às 21:05


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