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Há na sensualidade uma espécie de alegria cósmica.
(Jean Giono)

 

“Platão salientou a felicidade que existe na prática da virtude. Ensinou a tolerância à injúria e aos maus tratos, e condenou o suicídio. Recomendou o humanismo, a castidade e o pudor, e condenou a volúpia, a vingança e o apego demasiado aos bens. Sua moral baseou−se na exaltação da alma, no desprezo dos sentidos e na vida contemplativa. O Padre Nosso foi copiado de Platão. Quem conhece bem a obra de Platão percebe os traços comuns entre a mesma e o cristianismo. Filon inspirou−se em Platão e, a Igreja, na obra de Filon, que helenizou o judaísmo.” 
(“Jesus Cristo Nunca Existiu”, La Sagesse)



“Nem os papas eram campeões de castidade. Pio II (1458-1464), intelectual "neopagão", quando jovem era conhecido por escrever poesias e contos eróticos. É verdade que, quando pontífice, ostentou grande sobriedade, mas absolutamente duvidada por seus contemporâneos. Dentre seus sucessores, havia personagens como Alexandre IV Bórgia, cuja crueldade era bem conhecida, ou Júlio II, o papa guerreiro, que dizem ter tido três filhos antes de ascender ao trono pontifício.” 
(“O Livro Negro do Cristianismo”, Jacopo Fo)

“E preciso que se entenda que a "castidade" não é e nem poderia jamais ser objeto de um "voto"; ou o homem é casto, ou o homem não é casto. Não se pode dominar essa prodigiosa força (sexual) através de um simples voto (uma intenção). E necessário que o homem se situe em uma esfera consciencial, muitíssimo elevada, para que possa transcendê-la. Todavia, não seria essa mesma esfera consciencial a que se poderia esperar, normalmente, de um verdadeiro "Representante de Deus"?
No entanto, esse não é, em absoluto, o caso desses sacerdotes de "Cristo" que, em realidade, não passam de homens comuns que, conduzidos a essa elevada posição (?), vêem-se forçados a essa, absolutamente, desnecessária repressão sexual representada pela exigência do celibato. Como consequência disso, acabam por cair, invariavelmente, na prática desses desvios, abusos e aberrações.” 
(“Regnum”, Carlos A. Gonçalves)

“Este envenenamento vai muito mais longe do que a maioria imagina: encontro o arrogante hábito de teólogo entre todos aqueles que se consideram “idealistas”, entre todos que, em virtude uma origem superior, reivindicam o direito de se colocarem acima da realidade, e olhá-la com suspeita... O idealista, assim como o eclesiástico, carrega todos os grandes conceitos em sua mão (– e não apenas em sua mão!); os lança com um benevolente desprezo contra o “entendimento”, os “sentidos”, a “honra”, o “bem viver”, a “ciência”; vê tais coisas abaixo de si, como forças perniciosas e sedutoras, sobre as quais “o espírito” plana como a coisa pura em si – como se a humildade, a castidade, a pobreza, em uma palavra, a santidade, não tivessem causado muito mais dano à vida que quaisquer outros horrores e vícios... O puro espírito é a pura mentira... Enquanto o padre, esse negador, caluniador e envenenador da vida por profissão for aceito como uma variedade de homem superior, não poderá haver resposta à pergunta: Que é a verdade? A verdade já foi posta de cabeça para baixo quando o advogado do nada foi confundido com o representante da verdade.” (“O Anticristo, F. Nietzche)

“A árvore da vida não pode causar a morte; o homem, porém, ao comer o fruto, pecou, e foram os seus pecados que o mataram. O sexo é o caminho à iluminação, mas a paixão sexual é o querubim com a espada flamígera, que por si mesmo impede ao homem impuro a entrada no Éden. A castidade afastada do sexo não tem valor algum. A verdadeira castidade deve estar na pureza e na santidade do sexo. O verdadeiro casto é aquele que leva à Divindade a sua virilidade. Deus fez-se homem por meio do sexo, e o homem se fez Deus mediante o sexo. Fugir do sexo é tão nocivo como buscar somente nele o prazer. O prazer sexual fora da pureza sexual é incompleto.” 
(“Do Sexo à Divindade”, J. Adoum)

“Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à vida sexual, qualquer tentativa de maculá-la através do conceito de “impureza” é o maior pecado contra o Espírito Santo da Vida.” 
(O Anticristo, F. Nietzche)

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publicado às 14:17


Repressão sexual na ICAR

por Thynus, em 26.11.12

Quando da divisão do Império Romano em oriental e ocidental, a igreja romano-alexandrina dividiu-se, ficando a oriental (Bizantina) conhecida como "Ortodoxa" e a ocidental como "Católica Romana", ambas, um amontoado de mentiras.
Tornando-se o "Senhor" do homem ocidental, o "infalível" bispo de Roma criou e ditou regras de ética, moral e educação que causaram malefícios imponderáveis à sua formaçã
o psíquica e social, cujos frutos são colhidos até os dias de hoje. O homem ocidental viu-se, então, escravizado física, emocional e mentalmente pela igreja e pelo Estado, tendo sua vida limitada ao trabalho, ao pagamento de impostos e à mera sobrevivência. A ausência de relacionamentos e de interações sociais, intelectuais, artísticas e econômicas entre pessoas e grupos, que pudessem resultar em necessidades em termos de soluções e sistemas que as regulamentassem e as fizessem desenvolver-se, aliada a uma total obstrução da liberdade de expressão, acabaram por impedir o homem de crescer e progredir, não só material como também intelectual e espiritualmente.

No entanto, o mais insano de tudo, afora a dependência absoluta do homem em relação à Igreja e ao Estado, refere-se ao sexo, considerado pela Santa Igreja como sujo e impuro.
Essa imposição impediu que homens e mulheres se tornassem "Deus" através do ato sexual", cujo caráter deveria ser, isso sim, sacralizado como manifestação do "Supremo Ato da Criação".
Não se trata de apoiar a licenciosidade, a libertinagem ou a luxúria e a pornografia, coisas que nenhuma religião no mundo recomendaria ou permitiria, mas de sacralizar o ato em si, promovendo a divinização do corpo humano e encarando-o como algo puro e belo e não como algo do qual o homem devesse envergonhar-se (premissa da maioria das religiões orientais).

(...)Aliás, a igreja sempre se esmerou em fazer a apologia do medo, do sofrimento e dos "pecados" deixando de lado ou esquecendo-se, quase sempre, de enaltecer a alegria e as virtudes do homem.
As sequelas dessa visão distorcida sobre tão importantes assuntos, especialmente no que se refere à repressão sexual, são hoje sobejamente conhecidas. Além dos muitos problemas de ordem psíquica e social houve, também, o aparecimento de inúmeros fantasmas, monstruosidades e aberrações, todos relacionados a essa visão equivocada e deturpada desse colégio de "eunucos infalíveis", que fez com que o sexo deixasse de ser encarado como algo sagrado, natural e necessário à saúde física e psíquica do homem e passasse a ser visto como algo proibido e sujo.
Em verdade, o sexo não deixou de ser praticado pelo simples fato de que ele faz parte da natureza humana (a atração, a sensualidade), independentemente da necessidade de procriação. No entanto, ao praticá-lo, o homem sentia-se impuro, culpado.
É preciso que se entenda que a "castidade" não é e nem poderia jamais ser objeto de um "voto"; ou o homem é casto, ou o homem não é casto. Não se pode dominar essa prodigiosa força (sexual) através de um simples voto (uma intenção). E necessário que o homem se situe em uma esfera consciencial, muitíssimo elevada, para que possa transcendê-la. Todavia, não seria essa mesma esfera consciencial a que se poderia esperar, normalmente, de um verdadeiro "Representante de Deus"?
No entanto, esse não é, em absoluto, o caso desses sacerdotes de "Cristo" que, em realidade, não passam de homens comuns que, conduzidos a essa elevada posição (?), vêem-se forçados a essa, absolutamente, desnecessária repressão sexual representada pela exigência do celibato. Como consequência disso, acabam por cair, invariavelmente, na prática desses desvios, abusos e aberrações.

(C. Alberto Gonçalves – “Regnum”)

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publicado às 18:30

Se Bento XVI, civilmenente Joseph Ratzinger, fosse conhecido como papa Francisco I ou Zeferino I, ao povo da Irlanda teria escrito a seguinte carta:
Senhoras e Senhores, mulheres e homens de Irlanda, não vos chamo «Caríssimas e carissimos filhas e filhos» como é uso adocicado nos documentos eclesiásticos e também porque não posso dirigir-me a vós com espressões afetuosas como se nada tivésse sucedido. Dirijo-me a vós, não com destaque, mas com temor e tremor, com respeito, mantendo a devida distância, em bicos de pés e consciente de que nenhuma palavra pode aliviar a vossa raiva, a vossa dor e a marca indelével que foi impressa na vossa carne viva. Não sou digno de dirigir-me a vós com palavras de afecto.
Escrevo para dizer-vos que em breve irei encontrar-vos, irei só, sem séquito e sem alardes: descalço e com a cabeça descoberta, humilde e penitente, sim, como convém a um "servo dos servos de Deus". Irei para ajoelhar-me diante de vós e pedir-vos perdão do fundo do coração porque sobre uma coisa não podemos, vós e eu, ter dúvidas: a responsabilidade de tudo o que envolveu os vossos filhos e filhas, rebentos inocentes, arruinados para sempre, é minha, só minha, exclusivamente minha. Assumo totalmente a responsabilidade da culpa de pedofilia de que se mancharam muitos padres e religiosos em institutos e colégios sob a jurisdição da Igreja católica.
Como bispo da Igreja Universal não tenho palavras e sentimentos para aliviar o trágico jugo que foi posto sobre as vossas costas. Fui por mais de um quarto de século chefe da congregação da doutrina da fé e não soube avaliar a gravidade do que estava acontecendo em todo o mundo: nos USA, na Irlanda, na Alemanha e agora também na Itália e, certamente, também em todos os outros países do mundo. A ferida é grande, generalizada e galopante e eu não fui capaz de ver a sua gravidade, o perigo e a ignomínia.
Preferi salvar o rosto da Instituição e, com este fim, em 2001 emanei um decreto em que advogava a mim os casos de pedofilia e impunha o «silêncio papal»: isto significa que quem falasse era excomungado «ipso facto», ou seja, imediatamente. Se houve “omertà” (silêncio imposto), se houve cumplicidade dos padres, religiosos, bispos e leigos, a culpa é minha e só minha. Para salvar a face da Igreja, acabei por condenar homens e mulheres, meninos e meninas que foram abatidos pela ignomínia do abuso sexual que é grave quando acontece entre adultos, mas é terrível, horrível, blasfema e delinquencial quando acontece sobre menores.

Não foram poucas pessoas que erraram. Iludi-me que assim fosse, mas agora noto amargamente que a responsabilidade está principalmente naquela estrutura que se chama «seminário», cujos critérios de formação, eu e outros líderes da Igreja lançamos, mantivemos e pretendemos que fossem actuados. Com os nossos métodos de educação pouco humanos e desencarnados, fizémos padres e religiosos devotos, mas divorciados da vida e da sua problemáta, homens e mulheres inconsistentes, prontos a obedecer porque sem espinha dorsal e sem personalidade.
Numa palavra criámos monstros sagrados que foram lançados sobre vítimas inocentes, apenas entraram em choque com a realidade que não souberam aguentar e com que não puderam confrontar-se. Personalidades infantis que abusaram de crianças sem sequer tomarem consciência do facto.
Hoje acho que uma grande responsabilidade está relacionada com o celibato obrigatório dos padres e religiosos, un sistema que hoje não funciona, como nunca funcionou na história da Igreja: por trás da fachada formal, muito poucos observaram este estato que em si mesmo é um valor, mas apenas se desejado por opção de vida, livre e consciente. Neste ponto, tomo o compromisso de colocar na ordem do dia o significado do celibato para que se chegue a um clero casado, mas também célibe por opção e apenas por opção.
Chego até vós, privado de toda a autoridade porque a perdi e de maõs vazias a pedir-vos perdão e em seguida, na cúria romana e nas igrejas locais, despedirei todos os que de qualquer modo estão implicados neste drama. Finalmemente, enquanto a justiça humana fará o seu papel, confiarei as pessoas responsáveis por estas ignomínias a um tratamento de saúde porque trata-se de mentes e corações doentes.

Finalmente, resignarei do cargo de papa e o farei desde a Irlanda, o país, talvez mais atingido. Retirar-me-ei num mosteiro para fazer penitência durante os dias que me restam porque falhei como padre e como papa. Não vos peço que esqueçais, suplico-vos que olheis em frente, sabendo que o Senhor que é Pai amoroso, de quem fomos indignos representantes, não abandona alguém e não permite que a angústia e o sofrimento tenham vantagem. Que Deus me perdoe, e com Ele, se puderdes, fazei-o vós também.
Com estima e tremor.
Roma, 19 de Março de 2010, memória de S. José, pai adotivo de Jesus
Francisco I, papa (ainda que por pouco tempo) da Igreja católica.

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publicado às 12:26


Celibato e pedofilia: o rei vai nu!

por Thynus, em 06.12.10

O bispo de Ratisbona, Gerhard Muller, protagonista da operação de transparência lançada pela Igreja Católica sobre abusos sexuais acontecidos no passado na Alemanha por religiosos com crianças, definiu como "uma estupidez" a hipótese de que o celibato clerical esteja na origem do fenômeno da pedofilia na igreja e disse que, por conseguinte, não há nenhuma razão para alterar esta instituição. Para saber se é uma estupidez seria suficiente, talvez, uma estatística que comparasse os casos de pedofilia por parte dos padres católicos com os padres ortodoxos ou os pastores de igrejas protestantes, que não são obrigados ao celibato. Certamente, o celibato não é a única causa, porém, pode ser uma razão, porque pode acontecer que um rio, não tendo a possibilidade de deslizar serenamente no seu leito, transborde, e tente outras vias. Mas mesmo que assim não fosse, porquê esta obstinação da Igreja em considerar o celibato um pré-requisito indispensável para o sacerdócio?
O conhecido teólogo católico Gianfranco Ravasi, escreveu em Il Sole 24 Ore, no domingo 28 de maio de 2006: "A ligação entre sacerdócio e celibato, segundo o Concílio Vaticano II, tem um alto valor “de conveniência ... mas não é um vínculo teologicamente necessário e estrutural." E então? Em Março de 2007, Bento XVI, por sua vez, declarou: "Reitero a beleza e a importância duma vida sacerdotal vivida no celibato ... e, portanto, confirmo a obrigação para a tradição latina." O erro do Papa está precisamente naquela pequena palavra: “obrigação”. Isto é, em transformar tranquilamente, arbitrariamente, os «conselhos evangélicos» em matéria de obrigações evangélicas. Hoje diz-nos que o celibato dos padres é uma "valor sagrado ". E então? Será sagrado o valor, mas os valores não se impõem.
Já dizia Édouard de Laboulaye, criador intelectual da estátua da Liberdade: “Todas as leis que se promulgam têm por base a desconfiança; nenhuma se apóia na virtude dos cidadãos.” E então? Se a hierarquia da igreja romana continua a desconfiar dos seus sacerdotes, a sociedade hodierna, por sua vez, agora tem certezas sobre escândalos vergonhosos e crimes sexuais dentro da Igreja e ocultados, durante séculos, pela sua hierarquia. E então? O celibato imposto é uma grande treta... O rei vai nu!

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publicado às 12:18


Os delírios de Bertone

por Thynus, em 06.12.10

A ignorância Bertone é semelhante apenas à sua má-fé. A Igreja tem escondido, per omnia saecula saeculorum, pedófilos entre as suas fileiras por medo de escândalos e de perder credibilidade e muito dinheiro, enquanto hoje, descobertas as suas porcarias, tem a coragem de dizer que o abuso de menores está ligado à homossexualidade. "Numerosos psicólogos e psiquiatras demonstraram que não existe uma relação entre o celibato e a pedofilia e muitos outros provaram - e disseram-mo recentemente - que a relação é com a homossexualidade. Essa é a verdade, esse é o problema", afirmou o cardeal secretário de Estado do Vaticano.
Cardeais e papas deveriam talvez ler alguns livros a mais e fazer algumas viagens a menos. Não é certamente a visibilidade e a coragem daqueles que vivem abertamente sua homossexualidade a questão, mas a esquizofrenia do clero que, publicamente prega o bem e, na vida particular, faz o contrário. “Bem prega frei Tomás... olhai para o que ele diz e não para o que ele faz”
Agora ficou mais claro porque o Vaticano não quis a descriminalização universal da homossexualidade proposta pela França na ONU: para poder sustentar livremente que a pedofilia deve ser posta em relação com a homossexualidade e evitar, como diz claramente Bertone com as suas declarações, de pôr em discussão a questão do celibato uma pedra angular de sua instituição totalitária que eles chamam de sacerdócio. Não são apenas ignorantes, mas cegos: não vêem a própria realidade. Mas o pior é que, infelizmente, há quem os apoie, e entre estes também alguns psicólogos e psiquiatras (mas não a maioria).

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publicado às 12:16

Durante uma visita oficial ao Chile, o secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, recusou a ligação entre os casos de pedofilia dos membros do clero e o celibato, relacionando-os antes com a homossexualidade: "Numerosos psicólogos e psiquiatras demonstraram que não existe uma relação entre o celibato e a pedofilia e muitos outros provaram - e disseram-mo recentemente - que a relação é com a homossexualidade. Essa é a verdade, esse é o problema", afirmou o cardeal.
Por seu lado, associações de homossexuais e deputados chilenos desafiam o número dois do Vaticano a mostrar evidências científicas que associem a homossexualidade à pedofilia: "Adoraria conhecer os estudos científicos que ele diz possuir, pois não compartilho da sua opinião. Tenho em elevada consideração o cardeal Bertone, mas parece-me que, neste ponto, ele está enganado", afirmou o senador democrata cristão Patricio Walker (Chile). "Estudei o assunto e, sendo advogado, não psiquiatra, apresentei projetos de lei contra a pedofilia que hoje são legislação. A pedofilia é um problema mental de natureza sexual que tanto se revela em homossexuais como em heterossexuais", acrescentou.]
E a psiquiatra Tamara Galeguillos, da Faculdade de Medicina da Universidade do Chile, acrescenta: "Desafio o secretário de Estado do Vaticano, a hierarquia da Igreja Católica, a apresentar um relatório científico rigoroso, sério e independente da religião que comprove a referida ligação", sublinhou, manifestando uma posição apoiada nos meios científicos. "Parece-me impossível pensar numa relação direta entre homossexualidade e pedofilia, pelo menos com base na minha experiência", declarou a psiquiatra que, no âmbito do seu trabalho sobre delitos sexuais no Instituto Médico Legal, surgem tanto pedófilos homossexuais como heterossexuais.
“A Comunidade científica da Ordem dos psicólogos do Lazio rejeita firmemente as reivindicações do Secretário de Estado do Vaticano Tarcisio Bertone, que ligaram a homossexualidade com pedofilia.' A afirmá-lo foi o presidente da Associação de Psicólogos do Lazio, Marialori Zaccaria, para o qual, “as afirmações de uma voz tão autorizada vêm reforçar a existência de uma cultura homofóbica” no seio da Igreja.
"Se podemos compreender o desconforto da Igreja em relação aos numerosos incidentes de abuso que ocorridos dentro da Igreja Católica e denunciados pela imprensa internacional, não podemos aceitar a escolha de uma linha de defesa irresponsável pelos efeitos que pode causar".
No mínimo as declarações do senhor cardeal são irresponsáveis e criminosas. "Não faz sentido cientificamente e é intelectualmente desonesto", aponta Júlio Machado Vaz, psiquiatra e sexólogo e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica.
Ao relacionar a pedofilia com a homossexualidade o cardeal pretendeu escamotear a questão do celibato obrigatório, uma pedra no sapato na Igreja romana. Também o Movimento Nós Somos Igreja defende que está na hora da Igreja pôr fim à proibição dos padres casarem. "O celibato deve acabar porque não é essencial para o desempenho das funções de padre", refere Alfreda Ferreira da Fonseca.
A professora de filosofia acrescenta que as denúncias de pedofilia no seio da Igreja Católica podem servir para a instituição "resolver as questões da sexualidade, que devem ser pensadas não com critérios medievais, mas com critérios contemporâneos".
O secretário de Estado do Vaticano pelos vistos perdeu mais uma grande oportunidade de ficar calado ao tentar esconder o sol com uma peneira. Ou será que o senhor cardeal ainda acredita e defende que o Sol gira em volta da Terra? Perdoai-lhe, Senhor, porque ele não sabe o que diz!

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publicado às 12:15

O flagelo da pedofilia tornou-se uma verdadeira doença orgânica da Igreja Católica. Nas condições actuais não pode ser derrotada pela ação hipócrita de censura, reprovação e condenação do Vaticano. Aliás basta olhar para o que fez a Igreja a todos os padres e bispos pedófilos americanos para perceber como, de facto, não reconhece a pedofilia como um crime e um comportamento inaceitável e classifica-a apenas como mais um "pecado" a ser excluído com a confissão.
No catecismo recentemente atualizado a pedofilia não é sequer mencionada no rol dos pecados. Em qualquer caso, a pena máxima prevista é pedir perdão e se arrepender. Como se o perdão e o arrependimento pudessem curar o dano quase permanente que marca as vidas das crianças abusadas para sempre. Até agora, a Igreja preocupou-se apenas em ocultar ao mundo as suas culpas, sem, na verdade, as reprimir.
Porque, entre as muitas religiões que existem no mundo, apenas a Igreja Católica está fortemente afectada de forma massiça pela doença da pedofilia?
Em primeiro lugar pela satanização da mulher, do sexo e do corpo. A mulher, apesar do culto da Virgem Maria e tantas santas, é concebida como instrumento do Maligno para corromper o homem corrupto.
Em segundo lugar pelo o celibato obrigatório. Se os padres pudessem casar-se e constituir família, poderiam ter uma vida sexual regular com a mulher que amariam, e certamente se criaria um ambiente mais normal dentro da rígida hierarquia da Igreja. Dentro de um par de gerações, o fenômeno da pedofilia poderia reentrar na normalidade fisiológica do mundo secular.
Em terceiro lugar pela monossexualidade da estrutura da Igreja. Do Papa ao padre da igreja de bairro a Igreja é gerida apenas por homens. Se as mulheres fossem admitidas ao sacerdócio em todos os seus graus até ao papado, se houvesse uma verdadeira igualdade entre homens e mulheres dentro da igreja, certamente tudo iria mudar para melhor. Mas isso não é possível e na fantasia da Igreja a figura de uma Papisa é vista como demoníaca. Lembramo-nos da história-lenda da papisa Joana assassinada por uma turba na alta Idade Média, por iniciativa dos cardeais do Idade Média.
Finalmente, devemos considerar que a Igreja vê a vida humana como processo de expiação e de redenção para a vida eterna. Uma espécie de antecâmara, como premissa, que deverá sofrer, sofrer tanta dor para ganhar o céu. Este ponto de vista distorce todos os valores em função de uma almejada vida eterna. Nesta distorção, a concepção demoníaca da carne em oposição ao "espírito", insinua-se a patologia pedófila.
Em conclusão: sacerdócio para as mulheres e o pleno reconhecimento da igualdade de gênero, fim do celibato, reabilitação do corpo humano sobre o chamado "espírito", pode curar a Igreja de pedofilia. Mas é difícil imaginar uma reviravolta humanista e secular de um poder que vive e prospera graças a proibições que impõe ao sexo e é incapaz de encontrar no Evangelho a sua motivação profunda da verdade.

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publicado às 12:11

Quanto a sexo, a Igreja Católica tem andado, nos últimos tempos, pelas ruas da amargura. Mas isto não é de agora e até faz parte dos anais da história deste país de brandos costumes. Diz-nos Alexandre Herculano, na sua obra História da Origem e Estabelecimento da inquisição em Portugal: "... Os eclesiásticos, por exemplo, da vasta diocese de Braga eram um tipo acabado de dissolução....Os mosteiros ofereciam os mesmos documentos de profunda corrupção, distinguindo-se entre eles o de Longovares, da Ordem de Santo Agostinho, e os de Seiça e Tarouca, da Ordem de Cister, ou antes nenhum dos mosteiros cistercienses se distinguia, porque em todos eles os abusos eram intoleráveis". Assim se referia Alexandre Herculano ao estado moral dos monges em pleno século XVI, mas quanto aos conventos das freiras a situação não era melhor: "Os conventos de freiras não se achavam em melhor estado, sendo o de Chelas, o de Semide e outros teatro de contínuos escândalos. A história de Lorvão e da sua abadessa, D. Filipa de Eça, é um dos quadros mais característicos daquela época ... Das freiras então actuais uma parte nascera no mosteiro; suas mães não só não se envergonhavam de as criar no claustro e para o claustro, mas aí mantinham também seus filhos do sexo masculino".
Os conventos e mosteiros pouco se distinguiam de vulgares bordéis, onde freiras e abadessas recebiam os seus amantes, na maioria padres, aí tinham os filhos e os criavam, como no célebre convento do Lorvão, nas proximidades de Coimbra, cuja abadessa ficou na História por ter sido encontrada em alegre ménage à quatre com uma outra freira, o bispo de Coimbra e a sua amante (é o mesmo Alexandre Herculano que nos elucida).
Mas é alguém, que vem de dentro da própria Igreja Católica, que pretende dar uma explicação para isto. É o teólogo e médico psiquiatra alemão Eugene Drewermann - atacado e marginalizado por razões óbvias - que, numa perspectiva psicanalítica, vê os "desvios sexuais do homem da igreja" como resultado da repressão sobre a consciência e a sexualidade humanas; nas suas palavras: «o menosprezo do ego, a "mortificação" da pulsão sexual e a submissão do indivíduo ao grupo (isto é, hierarquia da Igreja)» - para a Igreja, a sexualidade humana é ainda considerada como uma "sobrevivência pagã", posição reiterada em 1975 pela Sagrada Congregação da Fé quanto a questões de sexo e de castidade.
O mesmo autor reconhece, fruto da sua experiência de psicoterapeuta, que a percentagem de homossexuais dentro da Igreja católica é grande, como consequência principal da sua moral repressiva e da atitude quanto ao celibato, quer entre religiosos de sexo masculino como do sexo feminino, chegando aos 25% os jovens seminaristas que, de forma permanente ou esporádica, se dedicam a práticas homossexuais. Homossexualidade que era considerada pela Igreja como uma das formas mais graves de pecado, os acusados pelo "crime nefando" eram sentenciados à fogueira pela Santa Inquisição - se fosse agora, muito havia que queimar!
E entre os padres que decidem abandonar o caminho do onanismo (prática muito vulgar entre os eclesiásticos) para se ligar a alguma mulher, confrontam-se as mais das vezes com o problema dos filhos não desejados, sendo, por isso, e segundo aquele teólogo alemão, os abortos coisa frequente. Realidade que entra em frontal contradição com as posições oficiais da Igreja quanto ao aborto, ou melhor dizendo, interrupção voluntária da gravidez, mas, ao que parece, esta proibição é só para os outros.
Contudo, a hipocrisia não fica por aqui. Enquanto que a masturbação - considerada pela Teologia católica como "um acto gravemente oposto à ordem", tal como o álcool, outro refúgio bastante solicitado - funciona como droga para vencer o medo e a insegurança, o "concubinato" é tolerado, desde que o sacerdote em causa não persista ou "não dê escândalo" (cânone 1395 do Direito Canónico), isto é, que não haja conhecimento do "pecado", por outras palavras, que fique pelo segredo do confessionário.
A Igreja Católica (continuamos a citar a obra de Drewermann, Funcionários de Deus) «falsifica a neurose em santidade, a doença em eleição divina e a angústia em confiança em Deus», separando, como realidades opostas, o pensamento da sensibilidade, a actividade intelectual da vivência emocional. Filosofia própria de uma religião que «é inimiga da natureza e oposta ao amor» e que tem como objectivo não a sua libertação, mas a subjugação do homem: a sua destruição como indivíduo livre e senhor do seu destino.
Contrariamente ao que pensam alguns renovadores da Igreja católica, temerosos desta não se saber moldar aos novos tempos e por isso apressar o seu desaparecimento, jamais esta Igreja aceitará as palavras de Jesus (de Kazantzakis) para a sua amante, Maria Madalena: "Eu não sabia, minha bem-amada, que o mundo era tão belo e a carne tão santa... Eu não sabia que a alegria do corpo não era pecado."

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publicado às 19:52


Padres Amantes

por Thynus, em 05.12.10

"Sexo na sacristia, no altar, nos bancos da igreja, com meninas católicas e inocentes, masturbação no confessionário." É assim, baseado em documentos espontâneos everdadeiros que o autor, ex-padre da Igreja Católica Romana, questiona o celibato e as aberrações que afectam a Igreja e a sociedade.
"A perturbação dos padres, pelo fato de conviverem o tempo todo com a sensualidade de suas ovelhas e não poderem toca-las, nem ao menos olha-las os leva para o caminho invariável do homossexualismo como válvula de escape para suas emoções sexuais reprimidas. Todas essas práticas seriam solucionadas à lua do casamento. Por que não integrar os padres casados no ministério sacerdotal e deixar que a influencia deles com a demonstração da formação de família possa influenciar aos demais, conduzindo-os para a vida natural do homem e da mulher? Seria o momento da igreja repensar a obrigatoriedade do celibato, tornando-o optativo.
O autor descreve a posição dos padres, que durante a confissão dos fiéis se excitam com a narrativa dos pecados, ficam com seus membros eretos e muitos até se masturbam durante o ato sagrado da confissão. Outros padres se servem das freiras, que trabalham como suas secretarias em várias paróquias, todas belas e sensuais, jovens em sua maioria, se entregam com volúpia e lascívia perpetrando o jogo proibido do sexo entre os filhos do Senhor.
Vários são os relatos de padres que sucumbem ao homossexualismo, conquistando suas vítimas dentre as crianças que vão até a igreja para aprenderem os primeiros passos do catecismo. A igreja tornou-se um lugar perigoso para as crianças!
Esses e outros casos escabrosos que assombram a igreja são narrados de modo imparcial e ao final sugere-se que o celibato seja expurgado da Santa Madre Igreja Católica.

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publicado às 19:51


O Papado

por Thynus, em 05.12.10

A Igreja católica sempre propagou a notícia falsa da cronologia papal, começando a lista com Pedro como bispo de Roma e primeiro Papa da Igreja. O problema em criar este tipo de coisas a posteriori consiste na inconsistência de seus argumentos: por um lado, o termo "bispo" em sentido eclesiástico (o nome vem do Grego e significa superintendente) não foi usado até mais ou menos à metade do século II. Não há dúvida que Dâmaso, hispano certamente, fez muito para abrir o caminho a seu sucessor para que este fosse o primeiro Papa no sentido actual do termo. Foi Dâmaso que impôs o latim como língua litúrgica da Igreja, logrou a primazia eclesiástica de Roma sobre Constantinopla, aplicou pela primeira vez o termo "sede apostólica" a Roma, e publicou a Vulgata. Vemos que somente a partir de Dâmaso, a seita de Roma se converte verdadeiramente em Igreja Católica Apostólica Romana. De igual modo Sirício se converteu no primeiro Papa. A sua atitude e intenção se puseram de relevo já desde as suas primeiras cartas. Os seus predecessores como bispo de Roma desde princípios do século se tinham exprimido até então como irmãos maiores na sua correspondência com seus colegas, os outros bispos. Sirício deixou de ser o irmão para converter-se em chefe. "Onde os anteriores ocupantes da cadeira de "Pedro" propunham, animavam, admoestavam, consolavam..., Siricio ordena, exige, autoriza, proíbe, ameaça. Os seus predecessores recorriam à Sagrada Escritura para justificar suas decisões, Sirício, ao contrário, apela à sua posição, à sua autoridade. Os termos de suas ordens são taxativos e seus mandatos indiscutíveis. Sua linguagem, mais que de pastor, começa a soar como própria de um monarca romano, de um imperador absolutista. Com ele, as especulações teológicas cedem seu lugar a questões de disciplina como, por exemplo, o celibato dos clérigos, a idade idônea para batizar os adultos, a melhor idade para que se ordenem os sacerdotes, etc. A ele se devem os decretos mais antigos chegados até hoje. Quando morreu em 399. deixou a seus sucessores, como legado, o "PAPADO".

(Nota: ainda hoje o Papa é apodado como "Pater Patrum, et Maximus Pastorum, Sol (sic) Ecclesiasticorum, et Lumen (sic) Christianorum"). Enfim, presunção e água benta, cada um toma a que quer!

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publicado às 19:41


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