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As coisas do amor

por Thynus, em 21.07.11

Partindo de Amor e transcendência, abrangendo todas as facetas de um sentimento que "põe a nu a nossa alma" através da sua relação com sacralidade, sexualidade, perversão, solidão, dinheiro, desejo, idealização, sedução, vergonha, ciúme, traição, ódio, paixão, empatia, propriedade, linguagem, casamento, chegamos finalmente a amor e loucura "a voz misteriosa e enigmática da outra parte de nós mesmos."
Galimberti conduz-nos através de um percurso clássico, entre Sócrates, Platão, Nietzsche e Schopenhauer (que não eram estranhos aos clássicos) e, finalmente, a Freud e à relação com a loucura. Este é o caminho do amor, mas algo acontece ao longo do caminho? Uma busca de algo perdido e uma perda, se essa busca não produz respostas e isso, visto desde o texto e suas reviravoltas fascinantes, é o resultado mais provável.
A identidade é tanto o objeto perdido quanto o resultado da pesquisa, e se Galimberti torna improvável a sua solução acompanhando-nos talvez entre meandros de pensamentos sinuosos e talvez muito distantes, não deixa todavia de oferecer soluções, visto que esses meandros não são senão lugares de uma linguagem diversa que se exprimiu de modo diferente: o inconsciente. E isso é claro, se não nos tivermos perdido no labirinto.
Amar não é uma escolha: é sofrimento. O amor sofre-se porque acontece e acontece especificamente quando reflectimos os nossos fragmentos nos fragmentos de um espelho diferente que nos restitui aquilo que não sabemos ser. Por isso amamos; não o outro: nós mesmos. O a si mesmo que ignoramos e a que ansiamos, o que reflete aquela ausência de ser a que a harmonia original nos condena. Amamos, então? Não. Podemos dizer que nos identificamos com o ideal do Eu nunca realizado; por isso idealizamos e aqui reside a loucura por que não se trata de idealizar, mas de reconhecer. Um texto, então, que não fala de amor, mas de anti-amor, de tudo o que não significa amar; se a sombra perdida do inconsciente nos atrai, o outro está irreconhecível no seu verdadeiro ser; como nós mesmos, que não somos senão fragmentos.
O outro ansiado somos nós, e, portanto, oferece uma oportunidade de união com o tamanho de nossa falta. E da sua, porque se despoja do que não lhe pertence, também o outro aparecerá como é realmente e, na reciprocidade do reconhecimento,ver-nos-á finalmente como somos.
Reapropriação de identidade: isso é amor, não dispersão nos fragmentos de uma loucura nunca domada pelo amor.


Nascido em Monza em 1942, Umberto Galimberti foi desde 1976 professor de Antropologia Cultural e desde 1983 professor associado de Filosofia da História. Desde 1999 é professor na Universidade Ca Foscari de Veneza, titualr da cátedra de Filosofia da História. Desde 1985 é membro ordinário da Internacional Association for Analytical Psychology.

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publicado às 20:16



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