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Repressão sexual

por Thynus, em 12.12.12

De modo geral, entende-se por repressão sexual o sistema de normas, regras, leis e valores explícitos que uma sociedade estabelece no tocante a permissões e proibições nas práticas sexuais genitais (mesmo porque um dos aspectos profundos da repressão está justamente em não admitir a sexualidade infantil e não genital). Essas regras, normas, leis e valores são definidos explicitamente pela religião, pela moral, pelo direito e, no caso de nossa sociedade, pela ciência também.
Justificativas diferentes, no decorrer da história de uma sociedade, decidem quanto à permissão e à proibição de práticas sexuais que possam conservar ou contrariar as finalidades que tal sociedade atribui ao sexo. Na maioria das vezes, as justificativas serão racionalizações (...).
Assim, por exemplo, numa sociedade que considera o sexo apenas sob o prisma da reprodução da espécie, ou como função biológica procriadora, serão reprimidas todas as atividades sexuais em que o sexo genitalfor praticado sem cumprir aquela função: masturbação ou onanismo, homossexualismo masculino e feminino (ou sodomia), sexo oral (felácio, cunilíngua), sexo anal, coito interrompido, polução sem penetração (voyeurismo).
Também são reprimidas as práticas que possam perturbar as finalidades atribuídas à procriação. É o caso, por exemplo, da transformação do adultério em crime previsto em lei, nas sociedades onde a família, juridicamente constituída, tem como função a conservação e transmissão de um patrimônio ou a reprodução da força de trabalho.
Embora, de direito, o crime de adultério se refira tanto a homens quanto a mulheres, a repressão social se dirige, de fato, para o adultério feminino. Tanto assim que, no Brasil, os chamados ”crimes passionais em defesa da honra”, isto é, o assassinato da esposa e do amante, mas sobretudo o da esposa, não são passíveis de punição (ainda que os movimentos feministas estejam tentando modificar essa situação). No caso da família de classe dominante, o adultério é punido porque nele há risco de geração de um bastardo que participará da partilha dos bens ou da gestão dos capitais; no caso da família de classe explorada, o adultério é reprimido porque há risco de gerar, para um outro, uma boca a mais a alimentar, sem que o gerador seja responsabilizado pela criança.


(Marilena Chaui – “Repressão Sexual”)

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publicado às 07:30


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