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por Thynus, em 11.12.12

Freud elaborou várias teorias sobre a estrutura de nossa psiquê e a mais conhecida é aquela que divide nosso psiquismo em três instâncias articuladas entre si, a forma, o conteúdo e o sentido dessa articulação dependendo tanto de fatores individuais (nossa história pessoal), genéticos (a história da espécie humana), culturais ou coletivos (a vida social). Essas instâncias são; o id (do latim: isso, neutro, sem qualificação de gênero e número), ou seja, a libido plena, sem freios e sem limite, pura energia em busca de satisfação; o ego (do latim: eu, o sujeito, a primeira pessoa), isto é, nossa parte consciente, voluntária e racional; o super-ego, isto é, a instância repressora do id e do ego, tão inconsciente quanto o id, proveniente tanto das proibições culturais interiorizadas quanto das proibições que cada um de nós elabora inconscientemente sobre os afetos.
O id não conhece limites e o super-ego só conhece limites (o id, na canção de Chico Buarque e Milton Nascimento é o sem nome, sem vergonha, sem restrições, enquanto o super ego é a censura forçando o id, obrigando-o a satisfazer-se nos escuros, nos cantos, nos esconderijos). O ego é nossa maneira consciente de lidar com o que desconhecemos, embora imagínemos que estamos a lidar com afetos, impulsos, desejos cujas causas, sentido, finalidade poderíamos conhecer e controlar sem maiores problemas. É nossa maneira de elaborar a sexualidade sob as exigências irrefreáveis do id e sob as exigências repressoras do super-ego. A saúde, julga Freud, depende de nossa capacidade consciente para lidar com esse conflito inconsciente e a doença vem de sucumbirmos seja aos excessos do id, seja aos excessos do super-ego. Tudo depende de conseguirmos ”colar” essa ”rachadura” originária, essa divisão. Freud preferia usar o termo repressão para os processos conscientes e pré-conscientes, usando o conceito de recalque ou recalcamento para os processos inconscientes. O recalque se realizaria quando a satisfação de uma pulsão sexual (que poderia proporcionar prazer) aparece como capaz de suscitar desprazer e sobretudo como ameaçadora para o sujeito. Tal pode ser uma censura (repressão) como uma defesa (um ato de desinvestir numa pulsão, investindo em outras não ameaçadoras). Existem recalques originários (os que vão constituir os primeiros conteúdos e as primeiras formações inconscientes) e segundados (os que se realizam já sob os efeitos ou motivações dos primeiros, sendo variantes deles). A repressão (recalque) difere da supressão porque nesta realmente fazemos desaparecer definitivamente alguma coisa.


(Marilena Chaui – “Repressão Sexual”)

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publicado às 23:41



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