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Amor mercantil

por Thynus, em 22.12.12

Toda a nossa cultura se baseia no apetite da compra, na idéia de uma troca mutuamente favorável. A felicidade do homem moderno consiste na sensação de olhar as vitrinas das lojas e em comprar tudo quanto esteja em condições de comprar, quer a dinheiro, quer a prazo. Ele (ou ela) encara as pessoas de maneira semelhante. Para o homem, uma mulher atraente (e, para a mulher, um homem atraente), eis o lucro a obter. “Atraente” vem a significar, normalmente, um bom fardo de qualidades que sejam populares e muito procuradas no mercado da personalidade. O que torna especificamente unia pessoa atraente depende da moda da época, tanto física como mentalmente. Na década de 1920, uma moça que bebesse e fumasse, fosse decidida e sensual, era atraente; hoje, a moda pede mais domesticidade e recato. No fim do século XIX no começo do atual, um homem tinha de ser agressivo e ambicioso, para ser “mercadoria” atraente: hoje, tem de ser sociável e tolerante. De qualquer modo, a sensação de cair enamorado só se; desenvolve normalmente com relação aos artigos humanos que estejam ao alcance das possibilidades de transação de alguém. Saio para uma troca: o objeto deve ser desejável, sob o aspecto de seu valor social, e ao mesmo tempo deve desejar-me, levando em consideração minhas potencialidades e recursos expostos e ocultos. Assim, duas pessoas se apaixonam quando sentem haver encontrado o melhor objeto disponível no mercado, considerando as limitações de seus próprios valores cambiais. Muitas vezes, como na compra de um imóvel, as potencialidades ocultas que possam ser desenvolvidas desempenham considerável papel na transação. Numa cultura em que prevalece a orientação mercantil, e em que o sucesso material é o valor predominante, pouca razão há para surpresa no fato de seguirem as relações do amor humano os mesmos padrões de troca que governam os mercados de utilidades e de trabalho.

(Erich Fromm - "A Arte de Amar")

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publicado às 07:22



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