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por Thynus, em 26.11.12
A adoração do sexo, ou culto fálico, foi a forma comum de todos os povos; é um culto inspirado pela manifestação da Natureza no seu grande Mistério da vida e da procriação. Este sublime culto chegou ao seu desenvolvimento máximo entre os antigos egípcios, assírios, gregos, romanos e demais povos da Antiguidade em toda parte da terra: Pérsia, Ásia Menor, Etiópia, Ilhas Britânicas, México, América do Sul e outras partes do hemisfério. Até hoje existe esta religião na Índia e entre os Nusaireth do Líbano, e tem mais de cem milhões de adeptos e verdadeiros adoradores fálicos sem nenhum indício de degeneração do sexo pelas práticas indignas e pervertidas hoje existentes universalmente nos países que se consideram civilizados.
Todas as religiões atuais estão fundamentadas na religião fálica e não passam de modificações ou continuação das formas arcaicas adaptadas às condições modernas, aos ambientes e propósitos.
O impulso animador de toda vida orgânica é o instinto sexual; o sexo é o chamado universal rumo à reprodução; a Natureza assim o pede e a lei divina o sanciona. O chamado do sexo é o que atua na luta pela existência no mundo animal; é a fonte de todo esforço e emoção humanos, por mais sublimes ou por mais degenerados que possam ser os desejos que atuam por trás da paixão.
A lei de atração entre os sexos opostos para se unirem tem por objeto a produção de um novo ser, o qual por sua vez oferece a oportunidade para uma nova alma e um receptáculo para a Chama Sagrada. Este impulso é o fator mais poderoso em tudo quanto concerne à raça humana. É o mais alto dom de Deus outorgado ao homem.
O apetite sexual não é apetite animal, ao contrário, é o desejo mais elevado que a Deidade pôde depositar no ser humano; é um meio nos propósitos de Deus para a imortalidade da alma do indivíduo e o bem-estar de todos os homens. O sexo é a base da sociedade e o manancial da vida humana, de felicidade e de eternidade.
Sem o instinto sexual sobreviria a exterminação da raça e, depois, numa geração se despovoaria o mundo. O próprio céu seria algo sem razão. Contudo, as religiões atuais consideram o sexo denegrido e sujo.
O sexo tem a raiz na Divindade, porque sem sexo não pode existir o amor, que é a fonte da inspiração de toda beleza, moralidade e sublimidade. Nunca poderá haver amor, inspiração e beleza de sentimentos num homem sexualmente impotente. A Chama Inefável não pode manifestar sua luz através do ser assexuado ou impotente. Sem sexo não há amor e sem amor não há religião. As emoções religiosas brotam do poder animador da natureza sexual. A Religião Fálica adorava o mistério da Vida da criação ou reprodução: era a devoção ao Poder Criador Onipotente...
A Religião do Falo ensina até hoje que, ao orar, o homem invoca Deus; mas, ao unir-se sexualmente à sua mulher, se converte em Deus. O fogo do sexo é o fogo da Santidade; a origem do sexo tem a raiz na própria Divindade. O sexo está em Deus, assim como o filho está no Pai. O sexo e a santidade são duas linhas paralelas que se encontram em Deus; mas os olhos do libertino e os do hipócrita e fanático não podem ver esse encontro.

(Jorge Adoum - "Do Sexo à Divindade")

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publicado às 18:12



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