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Em A civilização dos costumes (Uber den Prozess der Zivilisation), cuja primeira versão data de 1939, na Alemanha, Norbert Elias oferece um ensaio clássico de sociologia histórica que atualiza a genealogia das atitudes externas do corpo, relembrando assim o caráter social e cultural de vários comportamentos desde os mais banais até os mais íntimos da vida quotidiana. Uma sociologia que não irá além da obra de Goffman, mas que lhe daria a matéria-prima necessária para desvendar o âmago da moral e do conteúdo dos ritos de interação. A sociedade da corte é o laboratório onde nascem e a partir da qual se difundem as regras de civilidade que hoje adotamos em matéria de convenções de estilo, de educação dos sentimentos, de colocação do corpo, de linguagem e, sobretudo, no que diz respeito ao externum corporis decorum. A civilidade pueril (1530), de Erasmo, obra dedicada ao jovem príncipe Henrique de Borgonha e destinada ao ensino do savoir-vivre às crianças, cristaliza para diversas sociedades européias da época a noção fundadora de "civilidade". As regras de civilidade vão, de fato, impor-se para as camadas sociais dominantes. Como se comportar em sociedade para não ser, ou parecer, um bruto. Pouco a pouco o corpo se apaga e a civilidade, em seguida a civilização dos costumes, passa a regular os movimentos mais íntimos e os mais ínfimos da corporeidadejas (as maneiras à mesa, a satisfação das necessidades naturais, a flatulência, a escarrada, as relações sexuais, o pudor, as manifestações de violência, etc.). As sensibilidades modificam-se. É conveniente não ofender os outros por causa de um comportamento demasiado relaxado. As manifestações corporais são mais ou menos afastadas da cena pública, muitas delas desde então ocorrendo nos bastidores; tornam-se privadas. Obrigado a exilar-se na Inglaterra, Norbert Elias só retomará mais tarde as pesquisas.

(David Le Breton - "A Sociologia do Corpo")

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publicado às 22:18



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