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1984

por Thynus, em 24.12.12
" 1984" representa a morte. A morte da alma, a morte da liberdade.
" Big Brother is watching you": este, no entanto, é o fim.


Escrito em 1949, "1984", de George Orwell, é considerado uma das representações mais lúcidas do totalitarismo. A acção tem lugar num mundo futuro próximo (ano 1984) no qual o poder está concentrado em três superestados enormes: Oceania, Eurásia e Lestásia. No vértice do poder político na Oceania está o Bigh Brother (Grande irmão) omnisciente e infalível, que nunca ninguém viu pessoalmente, mas de quem são visíveis grandes cartazes em toda parte. O Ministério da Verdade, no qual o personagem principal trabalha, Smith, tem a obrigação de censurar livros e jornais que não estão em consonância com a política oficial, para alterar a história e para reduzir as possibilidades expressivas da linguagem. Embora seja mantido sob controle por câmeras, Smith começa a levar uma existência "subversiva".

Romance mais distópico do que este não poderia existir, com uma visão de uma sociedade totalmente indesejável, mas não pouco profética.
Se a subdivisão da terra em 1984 em três grandes potências totalitárias em guerra umas com as outras não tem base na realidade, a figura do Big Brother, o todo-poderoso e omnipresente Grande Irmão que ninguém jamais viu, lembra os poderes ocultos a que se atribuem hoje todos os eventos de alcance global, tais como as crises económicas, as especulações financeiras e a criação de novos conflitos.
Além disso, ao controle generalizado dos cidadãos, juntou-se o bombardeio midiático propagandístico feito 24 horas sobre 24, embora na transposição fantástica que foi assumida pelo autor, tem um retorno indirecto no servilismo mental a que somos submetidos por dezenas de programas de televisão cada vez mais desculturizantes, que muito embora não se traduzam numa espia da vida privada, tendem a empobrecela, com um nivelamento voltado para a eliminação da liberdade de pensamento.
Mesmo a linguagem dos nossos políticos e comentadores da televisão é cada vez mais parecida com a Novilíngua dos protagonistas do romance, com palavras que reduzem o significado aos conceitos mais simples, quase elementares, impedindo assim o surgimento de um pensamento crítico individual. Além disso, a história não é conhecida e os líderes, portanto, podem dar-se ao luxo de cometer erros, porque ninguém vai fazer caso ou lembrar-se dela, para não mencionar que a ausência cognitiva das origens leva as pessoas à incapacidade para tomar decisões que serão, então, impostas por quem rege o leme.


Certamente, no romance tudo é levado ao extremo, enfim é enfatisado, mas, se pararmos por um momento e olharmos ao nosso redor, iremos perceber que o 1984 já está entre nós.
Um Orwell, então, capaz de ir muito mais longe no tempo e de resto não é improvável que a idéia para o romance tenha sido germinada em 1940, quando na BBC fazia uma transmissão de rádio destinada à Índia, país onde nasceu. Ainda não estava ciente dos efeitos nocivos da televisão, que com a imagem impõe a verdade, mas o conhecimento dos métodos soviéticos, por ele verificados durante a Guerra Civil Espanhola, além de inspirá-lo no célebre romance A Revolução dos Bichos, certamente não menos contribuíram para formar o substrato sobre o qual alinhavou o brilhante "1984".
Este livro, portanto, é, certamente, para ser lido, para entender o presente, sem esquecer que qualquer fantasia está enraizada na realidade e a situação contemporânea é o resultado de um contínuo histórico longo, que começou bem antes da escrita do romance. O grande mérito de Orwell é o de ter sido capaz de compreender certos factos, os sinais de alerta da sociedade futura, a nossa, e de ter sido capaz de desenvolver uma projeção no tempo que se provou verdadeira.

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publicado às 18:25



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