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"A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?”
A mulher respondeu-lhe: Podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Vós não comereis d
ele, nem o tocareis, para que não morrais.”

“Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis! Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.”
A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência, tomou dele, comeu, e o apresentou também ao seu marido, que comeu igualmente." (Gén,3,1-6)


Normalmente atribui-se a culpa do primeiro pecado a Eva, mas mesmo entre os cristãos nunca houve unanimidade sobre quem foi o culpado do pecado original. Os cristãos cátaros colocavam "a culpa do pecado original (a "transgressão") em parte na mulher, mas principalmente no demônio; os cristãos, ao contrário, descarregaram todas as acusações sobre o odiado sexo frágil. Durante a Idade Média, essa crença misógina foi em parte minimamente modificada. Santo Ambrósio, no De Paraíso, sustentava que Eva não tinha excessivamente culpa no pecado original (em virtude do qual a sociedade cristã, sexofóbica e machista, tem sempre culpado o outro sexo): "Deus disse: não tocareis no fruto proibido. Foi Adão quem recebeu a ordem de Deus, não Eva; a mulher, na verdade, não tinha sido criada ainda". Isso não impede que, em pleno Renascimento, "sábios" inquisidores acusassem a mulher de ser a causa e receptáculo de toda maldade; os caçadores de bruxas Jakob Sprenger e Heinrich Kramer "Institoris" chegaram até a falsificar a língua latina afirmando que o termo "foemina", fêmea, viesse de "fé minus", fé menor (do que o homem). Hoje sabemos que o pecado original não envolveu somente um casal (até os cátaros salientavam a presença de mais "corpos de barro"), mas mais pessoas; que a mulher não teve nenhuma culpa e que o mito da "queda" envolveu apenas algumas figuras vindas dos céus (na verdade, do espaço e, portanto, os astronautas) que "corromperam" as mulheres da Terra ensinando a elas, dizem os textos rabínicos, "como criar mundos". Em outras palavras, o "pecado original" foi a descoberta da ciência, diante de uma santa ignorância imposta pelos nossos criadores e patrões! E
sempre se soube que, na ignorância, se domina melhor o homem..." ("Os Códigos Poibidos", Alfredo Lissom)

A maçonaria sustenta uma leitura semelhante:
... "se feita uma rápida análise da fábula do Jardim do Eden poderá se inferir que "a aceitação do fruto proibido", contrariamente ao que se convencionou chamar de a gênese do pecado original, em realidade, resultou em uma grande conquista do homem: a conquista da inteligência, da mente, do poder de discernimento, da razão e do livre-arbítrio (a liberdade de escolha). Portanto, o Espírito Santo ou Lúcifer é, também, o próprio homem, em si mesmo!
A serpente, que representa a luz da inteligência, a mente e a razão (o Logos; Lúcifer) e que sempre é utilizada como símbolo da eterna sabedoria, oferece a Adão (o homem virginal, sem vontade própria) o fruto da árvore do conhecimento: "Aprendendo a diferença entre o bem e o mal (a dualidade), sereis como deuses", disse a serpente.
Ao aceitar a oferta (tentado por Eva; o desejo; a emoção), Adão (a mente; a razão) é, então, juntamente com sua contraparte, vestido com peles de animais (corpo físico) e expulso do Paraíso (porque pensou por si mesmo, contrariando assim, a vontade de Deus).
Vale lembrar que tão logo tomou consciência de sua nova situação, Adão e sua contraparte Eva, envergonharam-se por estar nus, e cobriram seus órgãos genitais com folhas de figueira (numa demonstração da perda da pureza original).
Dessa forma o homem, "caindo no abismo" (o mundo inferior), inicia a sua jornada evolutiva nas esferas da dualidade (a árvore do conhecimento ou árvore da vida). ("Regnum", Carlos A. Gonçalves)
"A serpente do Gênesis chamada Nahash significa “a vida universal quando está em círculo”. A luz astral é o agente mágico dessa vida universal. Tem também outro sentido, mais profundo: Nahash é a força que põe esta vida em movimento, a atração do corpo para outro corpo. Os gregos a chamavam Eros, isto é, Amor ou Desejo.
Desse modo, o pecado original se transforma na vasta espiral da natureza divina, universal, com seus reinos, seus gêneros e suas espécies, no círculo formidável e inevitável da vida. Logo, a queda simbólica era uma lei necessária para a evolução infinita do Universo... ("Do Sexo à Divindade", J. Adoum)

Muito pertinentre e acutilante é a visão do filósofo F. Nietzhe:
“O velho Deus, todo “espírito”, todo grão-padre, todo perfeição, passeia pelo seu jardim: está entediado e tentando matar tempo. Contra o enfado até os Deuses lutam em vão (Paráfrase de Schiller, “Contra a estupidez até os Deuses lutam em vão.”). O que ele faz? Cria o homem – o homem é divertido... Mas então percebe que o homem também está entediado. A piedade de Deus para a única forma da aflição presente em todos os paraísos desconhece limites: então em seguida criou outros animais. Primeiro erro de Deus: para o homem esses animais não representavam diversão – ele buscava dominá-los; não queria ser um “animal”. – Então Deus criou a mulher. Com isso erradicou enfado – e muitas outras coisas também! A mulher foi o segundo erro de Deus. – “A mulher, por natureza, é uma serpente: Eva” – todo padre sabe disso; “da mulher vem todo o mal do mundo” – todo padre sabe disso também. Logo, igualmente cabe a ela a culpa pela ciência... Foi devido à mulher que o homem provou da árvore do conhecimento. – Que sucedeu? O velho Deus foi acometido por um pavor mortal. O próprio homem havia sido seu maior erro; criou para si um rival; a ciência torna os homens divinos – tudo se arruína para padres e deuses quando o homem torna-se científico! – Moral: a ciência é proibida per se; somente ela é proibida. A ciência é o primeiro dos pecados, o germe de todos os pecados, o pecado original. Toda a moral é apenas isto: “Tu não conhecerás” – o resto é deduz-se disso. – O pavor de Deus, entretanto, não o impediu de ser astuto. Como se proteger contra a ciência? Por longo tempo esse foi o problema capital. Resposta: expulsando o homem do paraíso! A felicidade e a ociosidade evocam o pensar – e todos pensamentos são maus pensamentos! – O homem não deve pensar. – Então o “padre” inventa a angústia, a morte, os perigos mortais do parto, toda a espécie de misérias, a decrepitude e, acima de tudo, a enfermidade – nada senão armas para alimentar a guerra contra a ciência! Os problemas não permitem que o homem pense... Apesar disso – que terrível! – o edifício do conhecimento começa a elevar-se, invadindo os céus, obscurecendo os Deuses – que fazer? – O velho Deus inventa a guerra; separa os povos; faz com que se destruam uns aos outros (– os padres sempre necessitaram de guerras...). Guerra – entre outras coisas, um grande estorvo à ciência! – Inacreditável! O conhecimento, a emancipação do domínio sacerdotal prosperam apesar da guerra! – Então o velho Deus chega à sua resolução final: “O homem tornou-se científico – não existe outra solução: ele precisa ser afogado”...
...O padre deprecia e profana a natureza: esse é o preço para que possa existir. – A desobediência a Deus, ou seja, a desobediência ao padre, à lei, agora porta o nome de “pecado”; os meios prescritos para a “reconciliação com Deus” são, é claro, precisamente os que induzem mais eficientemente um indivíduo a sujeitar-se ao padre; apenas ele “salva”. Considerados psicologicamente, os “pecados” são indispensáveis em toda sociedade organizada sobre fundamentos eclesiásticos; são os únicos instrumentos confiáveis de poder; o padre vive do pecado; tem necessidade de que existam “pecadores”... Axioma Supremo: “Deus perdoa a todo aquele que faz penitência” – ou, em outras palavras, a todo aquele que se submete ao padre.” (“O Anti cristo”, F. Nietzche)

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publicado às 14:10



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