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O cheiro na sociedade actual é um sentimento esquecido. Comparado com a visão e a audição, que reinam no universo multimídia, o cheiro está ligado a uma dimensão mais profunda, e em certo sentido, mais animalesca. Mas voltando às raízes da nossa natureza humana, descobrimos que cheiros e perfumes sempre tiveram papéis-chave em toda a nossa conduta: da sedução ao medo, da curiosidade à intolerância. Os sete pecados capitais, que, desde tempos imemoriais, são uma das chaves mais seguras para interpretar o nosso comportamento, tornam-se neste estranho livro, a figura para organizar um mundo de cheiros diante dos quais frequentemente permanecemos sem palavras.
Nos "sete pecados capitais" descobriremos que o olfacto e, particularmente as sensações odorosas, jogam um papel oculto, mas essencial, e, assim, prestando um pouco de atenção, ouvimos falar de odor de santidade, de cheiro a queimado, de cheiro a dinheiro e até mesmo de “fumus persecutionis”: estas "sensações" não são apenas metáforas arguciosas ...
A transversalidade de uma classificação, que lhe permite atravessar diagonalmente todo o conhecimento, sem vinculação exclusiva a uma única disciplina, permitirá assim deslizar por caminhos que dificilmente encontram espaços próprios epistemológicos.

Este ensaio assume deste modo um caráter um tanto ambíguo e irreverente com os conhecimentos codificados e, apesar das Lições americanas de Italo Calvino, apresenta-se mais como um elogio da entropia, onde leveza , velocidade, exatidão, visibilidade, multiplicidade e consistência dão lugar à sensação de peso, lentidão, imprecisão, obscuridade, singularidade e inconsistência. E isto não é nem nunca poderia ser um sinal de dissidência contra este grande pensador, que foi capaz de misturar nos seus escritos argumentos rigorosos, fantasias bizarras e memórias históricas. A sua narração “O nome, o nariz” que apareceu na coleção póstuma intitulada “Sob o Sol do Jaguar”, mostra que a complexidade, filha do Kaos, é hoje como ontem mais do que actual.
(Vittorio Marchis)

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publicado às 08:48



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