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UM VAZIO DIFÍCIL DE PREENCHER

por Thynus, em 05.12.10
A palavra «religião» suscita hoje em muitas pessoas uma atitude defensiva. Em muitos ambientes, o simples facto de colocar a questão religiosa provoca mal-estar, silêncios evasivos, um desvio hábil da conversa. Entende-se a religião como um estádio infantil da humanidade que já está sendo superado. Algo que pôde ter sentido noutros tempos, mas que, numa sociedade adulta e emancipada, carece já de todo o interesse. Crer em Deus, orar, alimentar uma esperança final é, para muitos, um modo de comportar-se que pode ser tolerado, mas que é indigno de pessoas inteligentes e progressistas. Qualquer ocasião parece boa para trivializar ou ridicularizar o religioso, incluso, nos meios públicos de comunicação. Dir-se-ia que a religião é algo supérfluo e inútil. O que é realmente importante e decisivo pertence a outra esfera: a do desenvolvimento técnico e a produtividade económica. Ao longo destes últimos anos foi crescendo entre nós a opinião de que uma sociedade industrial moderna não necessita mais de religião, pois é capaz de resolver por si mesma os seus problemas de maneira racional e científica. Porém, este optimismo «a-religioso» carece de ser confirmado pelos factos. Os homens vivem quase exclusivamente para o trabalho e para o consumismo durante o seu tempo livre, mas «esse pão» não preenche satisfatoriamente a sua vida. O lugar que ocupava anteriormente a fé religiosa deixou em muitos homens e mulheres um vazio difícil de preencher e uma fome que debilita as próprias raízes da sua vida. F. Heer fala de «esse grande vazio interior em que os seres humanos não podem por muito tempo viver sem escolher novos deuses, chefes e líderes carismáticos artificiais». Talvez seja o momento de redescobrir que crer em Deus significa ser livre para amar a vida até ao fim. Ser capaz de procurar a salvação total sem ficar satisfeito com uma vida fragmentada. Manter a inquietação da verdade absoluta sem contentar-se com a aparência superficial das coisas. Buscar a nossa re-ligação com o Transcendente dando um sentido último ao nosso viver diário. Quando se vivem dias, semanas e anos inteiros, sem viver verdadeiramente, só com a preocupação de «continuar funcionando», não deveria passar inadvertido o convite interpelador de Jesus: «Eu sou o pão de vida».

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publicado às 18:43



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