Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O TABU DA MORTE

por Thynus, em 05.12.10
O homem contemporâneo não sabe o que fazer exactamente com a morte. A única saída que nos ocorre é ignorá-la, não falar dela, não pronunciar o nome das doenças incuráveis. Convertemos a morte no moderno «tabu» que substituiu o antigo tabu sexual. Às crianças explica-se-lhes tudo sobre a origem maravilhosa da vida, mas ninguém se atreve a iniciá-las ao mistério da morte. Há muitos pais que, ante a criança que pergunta para onde foi o avô, sentem o mesmo mal-estar ou maior que antes, quando perguntavam de onde vinham os meninos. São admiráveis todos os esforços que fazemos para adiar a morte, ignorá-la e viver afastando de nós tudo o que nos possa recordar a sua proximidade. Toda gente quer parecer jovem, forte, agressivo e invulnerável. Desejamos a juventude, a saúde e a força porque cremos poder encontrar em tudo isso uma protecção contra o irremediável: a velhice e a morte. Não queremos recordar o que na realidade somos: seres profundamente débeis, vulneráveis e, em definitivo, mortais. Mas há, todavia, algo mais. São muitos os que se dizem cristãos porque admiram o evangelho e veneram Jesus Cristo, ainda que confessem modestamente não ambicionar nem desejar ou esperar com alegria a ressurreição. Na realidade, contentar-se-iam com prolongar esta vida de modo indefinido. Não será tudo isto sintoma de um grave empobrecimento e sinal de uma profunda ingenuidade? Se a nossa vida é insatisfatória, não é porque seja curta, mas porque nunca poderá satisfazer as nossas aspirações mais profundas. O homem pode e deve prolongar esta vida, humanizá-la, torná-la sempre melhor. Mas, apenas com isso, não alcança a vida que anela. Apenas desde o realismo profundo da nossa condição mortal e desde a necessidade sentida de salvação, podemos escutar com fé a promessa de Jesus Cristo: «Eu sou a Ressurreição e a Vida: quem que crê em mim, mesmo que morra, viverá» .Talvez, para entender estas palavras, precisamos antes de mais, deixar de lado os auto-enganos ilusórios, libertar-nos da nossa ingenuidade e recordar aquela observação tão certeira de D. Solle: «O homem não vive apenas de pão, morre também apenas com pão» (cfr. Mt. 4,4).

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:25


Comentar:

Comentar via SAPO Blogs

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

subscrever feeds