Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



 

 

De modo geral, entende-se por repressão sexual o sistema de normas, regras, leis e valores explícitos que uma sociedade estabelece no tocante a permissões e proibições nas práticas sexuais genitais (mesmo porque um dos aspectos profundos da repressão está justamente em não admitir a sexualidade infantil e não genital). Essas regras, normas, leis e valores são definidos explicitamente pela religião, pela moral, pelo direito e, no caso de nossa sociedade, pela ciência também.
Justificativas diferentes, no decorrer da história de uma sociedade, decidem quanto à permissão e à proibição de práticas sexuais que possam conservar ou contrariar as finalidades que tal sociedade atribui ao sexo. Na maioria das vezes, as justificativas serão racionalizações (...).
Assim, por exemplo, numa sociedade que considera o sexo apenas sob o prisma da reprodução da espécie, ou como função biológica procriadora, serão reprimidas todas as atividades sexuais em que o sexo genital for praticado sem cumprir aquela função: masturbação ou onanismo homossexualismo masculino e feminino (ou sodomia), sexo oral (felácio, cunilíngua), sexo anal, coito interrompido, polução sem penetração (voyeurismo).
(...)Uma leitura dos livros de boas-maneiras para meninos e meninas das classes dominantes católicas é suficiente para percorrermos o minucioso controle do corpo, apresentado como boa-educação. Os meninos, por exemplo, não devem conservar as mãos nos bolsos. Conservá-las ali seria sinal de avareza? Talvez. Mas a proibição visa a outro fim: impedir a tentação da masturbação. As meninas não devem cruzar as pernas na altura dos joelhos, mas apenas na dos calcanhares. Sinal de elegância? Assim o diz a racionalização. Na verdade, trata-se de impedir que, pela fricção das coxas, a menina também se masturbe. Não se deve falar com superior fitando-o nos olhos. Sinal de modéstia e de obediência? Não. Risco de sedução sensual. Em suma, o ”templo do Espírito Santo” parece ter-se convertido num baú do diabo...
(...) A masturbação é pedagogicamente recomendada, pois a sexologia considera que só é possível amar outra pessoa quando se ama a si mesmo (nova versão do Segundo Mandamento e que os críticos julgam própria da civilização do selfservice).
(Marilena Chaui – “Repressão Sexual”)

Lembro-me de clientes em terapia que afirmavam sentir-se culpados com a masturbação porque, quando jovens, seus pais lhes ensinaram que isso era pecado. Às vezes um terapeuta “resolve” esse problema substituindo a autoridade dos pais do cliente pela sua própria e assegurando que a masturbação é uma atividade perfeitamente aceitável. Contudo, isso é assumir que a “culpa” é causada por uma concepçãoerrônea da moralidade da masturbação. Minha tendência é ver esse fato como o “problema da cortina defumaça”. O problema mais profundo é a dependência e o medo da auto-afirmação; mais especificamente, omedo de desafiar os valores de outras pessoas importantes. Portanto, trabalho primeiro para modificar adefinição do problema, assim: “EU não acho que a masturbação seja pecado, mas tenho medo dadesaprovação dos meus pais”. Reformulando o problema dessa maneira, nos afastamos da culpa e da autocondenação; damos ao problema uma definição mais útil e acurada. E o desafio passou a ser: “ESTOUPRONTO A ASSUMIR E A AGIR DE ACORDO COM MINHAS PRÓPRIAS PERCEPÇÕES E CONVICÇÕES?”. Essa disposição é um dos significados de “honrar o próprio ser”. Quando a pessoa aceita esse desafio, a autoestima aumenta. 
(Nathaniel Branden - "Auto-estima: como aprender a gostar de si mesmo")

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:51



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D