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"Não existe o inferno na Bíblia"

por Thynus, em 02.12.12
Não existe o Inferno na Bíblia (para a seita dos seleucenses, atuantes na Galácia nos séculos III e IV, o verdadeiro Inferno era esta Terra). As suas mais vívidas representações não são encontradas no Novo Testamento (vagas indicações em Mateus 8: 12-13,41-42; Lucas 16: 22-26; Apocalipse 20: 15 e 21,8), mas em alguns apocalipses apócrifos (Pedro, Paulo, Maria). Ele não exprimia a prisão em um lugar mítico, mas uma condição existencial caracterizada pela perda de Deus e pelo tormento provocado pela privação do Bem; punição que, depois da ressurreição, se tornaria definitiva. Até mesmo São Judas Tadeu (irmão de Tiago Menor, apóstolo e primeiro bispo de Jerusalém), na sua Carta bíblica, no versículo 6, precisa que o Inferno é apenas para os habitantes de Sodoma e Gomorra e para os anjos rebeldes: "Quanto aos anjos que não conservaram o seu principado, mas abandonaram a sua residência (porque desceram sobre a Terra, unindo-se às mulheres, como veremos em seguida), Deus aprisionou-os nas trevas com correntes eternas até o dia do Juízo Final". O mesmo faz Pedro no seu segundo livro, no versículo 2,4. Mas quando a Igreja se impôs como religião do Estado, em 325, Inferno e demônio se tornaram o fantasma para aterrorizar os incrédulos e sujeitar os supersticiosos. Assim, até o século III, a imagem do Diabo nos ícones era aquela de um anjo de luz, depois substituída com a aterrorizante representação do homem-bode, copiada do deus Pan da mitologia grega, o senhor dos prazeres. Além disso, por dois milênios, a patrística cristã continuou a identificar Lúcifer com Satanás, quase ignorando que no Novo Testamento (2 Pedro 1: 19; Apocalipse 22,16) Cristo era definido como "Lúcifer" ou "estrela da manhã", atributo que retorna na antiga oração do Exultet, na liturgia da véspera pascoal. Além disso, o "Lúcifer" que caiu do céu em Isaías 14: 10-15 não era o demônio, mas em hebraico, Helel ben Shashar, ou seja, o planeta Vênus, em uma metáfora com a qual o profeta ridicularizava o soberano babilónico Nabucodonosor, caído de fato das estrelas para os currais. Foi Orígenes quem uniu erroneamente essa alegoria da queda do Diabo, relacionando-a com o Evangelho de Lucas (10: 18): "Jesus disse a eles: Eu via Satanás cair do céu como o relâmpago". "Na verdade", comenta a mesma Bíblia na edição das Paulinas, "no contexto de Isaías não existe nada que possa levar a pensar no demónio, mas apenas na incrível queda do rei da Babilônia".
Mas na Bíblia não existe nem mesmo o purgatório, inventado no século IX e incorporado por inteiro na doutrina cristã apenas no século XII (mas recusado na sua totalidade pelos protestantes); e é provável que não exista nem mesmo o Paraíso (do persa pairi daeza, local arborizado), termo que no Novo Testamento aparece apenas uma vez, em Lucas 23: 43, enquanto em muitas ocasiões se fala do Reino de Deus que aguarda os justos.
E para falar a verdade, existe até quem não acredite na sobrevivência da alma. As testemunhas de Jeová, por exemplo, citando Ezequiel 18:4 ("A alma que peca, morrerá"), rejeitam a existência "de qualquer entidade abstrata que sobreviva à nossa morte". (Alfredo Lissom in "UFO-Os Códigos Proibidos")

Acho que Jean Paul Sartre tem razão: "O inferno são os outros!"

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publicado às 23:01



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