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Imediatamente após a sua morte, nas ilhas Canárias a 18 de Junho de 2010, Saramago foi realçado pelos meios de comunicação social de todo o mundo. O prémio Nobel, desaparecido aos 87 anos de idade, foi um dos últimos grandes baluartes da literatura mundial. Tantos elogios. Tantas recordações belas. Tantos artigos em comemoração. Um grande aplauso coletivo para o escritor português.

Uma posição uniforme? ...Não!

A Igreja, através do jornal L’Osservatore Romano, esperou encontrá-lo dentro de um caixão para poder apagar a sua figura, qual abutre que se nutre da carne podre. Uma acusação directa e covarde sem qualquer possibilidade de defesa. Um vergonhoso e calunioso testemunho para golpear um ateu que ousou desmascarar os aspectos mais obscuros do Vaticano. Palavras inaceitáveis lêem-se nas páginas do orgão de comunicação oficial do cristianismo.
"A (presumível) omnipotência do narrador". Logo no título pode-se ver a veia crítica e parcial do jornalista Claudio Toscani que busca apenas a desconstrução da figura do intelectual, agora incapaz de reagir.

"foi um homem e um intelectual de nenhuma admissão metafísica, ancorado até ao fim numa confiança arbitrária no materialismo histórico, aliás marxismo", lê-se no artigo.

Come reduzir una complexidade mental e uma abertura intelectual única a um rótulo simplicista. Marxismo come pecado, quase símbolo de inferno na terra.

"Colocado lucidamente entre o jóio no evangélico campo de trigo, declara-se sem sono pelo pensamento das cruzadas ou da Inquisição, esquecendo a memória do 'gulag', das purgas, dos genocídios, dos 'samizdat' culturais e religiosos".
A partir desta frase, parece que a Igreja coloca-se nos mesmos patamares de criminosos como Hitler e Stalin, manchando-se com vergonhas iguais e horrorosas. Saramago atreveu-se a criticar um sistema que se coloca e se colocou através de canais religiosos para depois agir como um Estado real e próprio.Uma nação que no passado actuou (e continua a actuar, embora de forma mais refinada) como uma superpotência de matriz ditatorial eliminando cruelmente todos os seus opositores.

Se ainda hoje existisse uma inquisição, José Saramago já teria sido queimado vivo há muito tempo, tendo o mesmo destino de Giordano Bruno. O que é mais nojento é o momento inoportuno de tais afirmações. Imediatamente após a morte do escritor surge a vontade de sujá-lo com lama, ao invés de deixá-lo descansar em paz.
Há os aforismos do autor e as obras do escritor, cada um pode fazer-se uma idéia da sua grandeza ou da sua ignorância, dependendo do ponto de vista. Tudo sem que se tenham forçosamente de ver estes filtros para-históricos e para-literários que indignam quem aprendeu a amar a literatura e a liberdade de expressão.
Perdoa-lhes, Senhor, porque não sabem o que dizem!

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publicado às 12:44



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