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Que procurais?

por Thynus, em 05.12.10
As primeiras palavras que Jesus pronuncia no evangelho de João deixam-nos desconcertados porque vão ao fundo e tocam as raízes mesmas da nossa vida: “Que procurais?” Não é fácil responder a esta pergunta simples, directa, fundamental, desde o interior duma cultura fechada, como a nossa, que parece preocupar-se apenas dos meios, esquecendo sempre o fim último de tudo. O que é que procuramos exactamente? Para alguns, a vida é «um grande super-mercado» e o único que lhes interessa é adquirir objectos com os quais poder consolar um pouco a sua existência. Outros o que procuram é escapar da doença, a solidão, a tristeza, os conflitos ou o medo. Mas, escapar para onde? Para quem? Outros já não aguentam mais. O que querem é que os deixem sós. Esquecer os outros e ser esquecidos por todos. Não preocupar-se com ninguém e que ninguém se preocupe deles. A maioria de nós procuramos simplesmente satisfazer as nossas necessidades diárias e continuamos a lutar por ir cumprindo os nossos desejos mesquinhos. Mas, mesmo que todos eles se realizassem, ficaria satisfeito o nosso coração? Apaziguar-se-ia a nossa sede de consolo, libertação, felicidade e plenitude? Sinceramente, no fundo, no fundo, não andamos nós homens na procura de algo mais que uma simples melhoria da nossa situação? Não desejaremos algo que, certamente, não podemos esperar de nenhum projecto político ou social? Diz-se que o homem contemporâneo esqueceu Deus. Mas a verdade é que, quando um ser humano se interroga com um pouco de honradez, não lhe é fácil apagar do seu coração «a saudade de Deus». Quem sou eu? Um ser minúsculo, surgido por azar numa parcela ínfima de espaço e de tempo, lançado na vida para desaparecer em seguida no nada donde fui retirado sem razão alguma e só e apenas para sofrer? Isso é tudo? Não há nada mais? O mais honrado que pode fazer o homem é "procurar". Não fechar nenhuma porta. Não deixar cair nenhuma chamada. Procurar Deus, talvez com o último resto das suas forças e da sua fé. Talvez, desde a mediocridade, a angústia ou o desalento. Deus não joga ao esconde-esconde nem se esconde de quem o procura honradamente. Deus está já no próprio interior dessa procura. Mais ainda. Deus deixa-se encontrar, incluso, por aqueles que nem sequer O procuram. Assim diz o Senhor em Isaías: «Eu deixei-me encontrar por aqueles que não perguntavam por mim. Deixei-me achar por aqueles que não me procuravam. Disse: Aqui estou, aqui estou» (Is 65,01-02).

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publicado às 19:15



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