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(...) Quem quer que já tenha tentado dominar uma arte sabe que a paciência é necessária, se se quer alcançar alguma coisa. Quem anda atrás de resultados rápidos nunca aprende uma arte.
Contudo, para o homem moderno, a paciência é prática tão difícil quanto a disciplina e a concentração. Todo o nosso sistema industrial incentiva exatamente o oposto: a rapidez. Todas as nossas máquinas são planejadas para rapidez: o automóvel e o aeroplano levam-nos rapidamente a nosso destino — quanto mais depressa, melhor. A máquina que pode produzir a mesma quantidade na metade do tempo é duas vezes melhor que a mais antiga e mais vagarosa. Sem dúvida, há para isso importantes razões econômicas. Mas, como em muitos outros aspectos, os valores humanos tornaram-se determinados por valores econômicos. O que é bom para as máquinas deve ser bom para os homens — assim diz a lógica. O homem. moderno pensa que perde alguma coisa — o tempo — quando não faz as coisas rapidamente; todavia, ele não sabe o que fazer com o tempo que ganha — a não ser matá-lo.
Afinal, condição do aprendizado de qualquer arte é uma preocupação suprema com o domínio dela. Se a arte não for coisa de suprema importância, o aprendiz nunca a aprenderá. Ficará, no máximo, como um bom amador, mas nunca se tomará um mestre. Esta condição é tão necessária para a arte de amar como para qualquer outra arte. Parece, entretanto, que a proporção entre mestres e amadores pesa mais fortemente em favor dos amadores da arte de amar do que no caso das outras artes.

(Erich Fromm - "A Arte de Amar") 

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publicado às 07:58


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