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JESUS, "O ARTISTA DO HOMEM"

por Thynus, em 04.12.12


O jornalista e escritor Sérgio Zavoli escreveu: "A humanidade acorda todo dia em nome do homem, e é nesse momento que o homem descobre o valor sagrado que é o próprio homem."

Já se disse que o homem é a medida de todas as coisas. As Igrejas dedicaram boa parte de seu tempo a estudar quem é Deus em vez de analisar quem é o homem, que é a realidade que temos nas mãos,
e só através dela poderemos, talvez, imaginar o rosto do divino, e não o contrário.
E esse é mais um dos traços característicos da personalidade de Jesus de Nazaré. Por isso ele foi chamado "o artista do homem". Porque ele se apresentou ao mundo não como Deus — nunca afirmou isso —, e sim como algo tão simples e elementar como "filho do homem", que em aramaico significava simplesmente "homem".

Os exegetas discutiram muito sobre o sentido que Jesus quis dar a esse epíteto de "filho do homem" tomado das velhas Escrituras. O certo é que os apóstolos não gostaram dele ou não o entenderam, pois nunca o chamam assim, nem as primeiras comunidades cristãs, que o substituíram por "filho de Deus". E, no entanto, essa é a expressão mais usada por Jesus para definir a si mesmo, o que significa que era a que mais lhe agradava. De fato, quando Jesus, curioso por saber como seus discípulos o viam, pergunta-lhes: "Quem credes que sou?", Pedro não lhe responde que é o "filho do homem", e sim "o filho de Deus vivo".

Diógenes perambulava com uma lanterna procurando um homem, e não o encontrou. Sempre foi difícil encontrar um verdadeiro homem no reino dos homens. Curiosamente, a primeira vez que Jesus é chamado de "homem" é durante o processo que o levou à morte, quando Pilatos o apresenta à multidão dizendo "Ecce homo", "eis o homem". Era um homem abatido, torturado, humilhado, sem poder, condenado à morte, símbolo de tantos homens que na história viram sua dignidade reduzida a um farrapo humano.
Mas Jesus não foi um deus do Olimpo, acima dos homens. O que sempre o aproximou da humanidade, sobretudo da sofredora, foi que ele nunca se envergonhou de ser o que todos somos: um projeto inacabado de humanidade, um feixe de desejos irrealizáveis, uma sede de infinito e uma terrível capacidade de produzir felicidade ou infelicidade.

(Juan Arias, in “Jesus – Esse Grande Desconhecido”)

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publicado às 16:53



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