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SEXUALIDADE ASFIXIANTE

por Thynus, em 14.02.15
Como a espécie humana vive dramaticamente só devido à solidão paradoxal da consciência virtual, procuramos ter relações sexuais não apenas motivados pelo nosso instinto, mas também pela necessidade vital de fundir os mundos, que estão próximos, porém infinitamente distantes. O sexo na nossa espécie não tem o objetivo apenas de reproduzir e perpetuar a espécie, mas de interagir emoções, mesclar mentes, cruzar histórias. Enfim, de alcançar o inalcançável: a essência intrínseca do parceiro conscientizado.
Superamos de maneira saudável, embora nunca plenamente, a solidão da consciência virtual quando sobrevivemos primeiramente à solidão social interagindo, trocando, dialogando, reconhecendo erros, exaltando a importância de quem amamos. Em segundo lugar sobrevivemos à solidão intrapsíquica autodialogando, nos interiorizando, refletindo, questionando, corrigindo rotas.
 
As relações sexuais, quando saudáveis, são uma das formas de sobreviver a esses dois tipos de solidão, a social e no ato sexual, mas horas ou dias antes, pelo entrelaçamento do afeto, pela divisão de sonhos, pela admiração mútua, pela troca serena de experiências.
Mas muitos casais pensam que são os minutos do ato sexual que definirão o prazer. Esses casais são rígidos, instintivos e superficiais. Para eles o sexo se constrói quando estão nus. Reagem como duas paredes se sobrepondo, dois órgãos sexuais trocando fluidos e não duas histórias se amando. O Homo sapiens exige muito mais do que o instinto para financiar o prazer estável e profundo nas relações sexuais. Exige, antes e durante o ato, segredar sentimentos e elogios ao parceiro ou parceira.  Vivemos em tempos de liberdade sexual. Mas precisamos reconhecer que o tipo de liberdade sexual que prevalece nos dias de hoje não é a liberdade sexual emocional, mas sim a instintiva, que valoriza a exposição do corpo e na qual há troca de ideias, que valoriza o coito e não a interação interpessoal. A repressão sexual é um problema, mas o excesso de exposição no sexo também é, pois provoca nos solos do inconsciente a síndrome CIFE-P, ou seja, fecha-se o circuito da memória, o que contrai o encanto e a sustentabilidade do prazer sexual, incluindo o orgasmo.
A sexualidade torna-se banalizada, sem prelúdio, sem notoriedade, sem mistérios. As consequências são graves. Há pouco tempo um proprietário de uma grande cadeia de farmácias me disse preocupadíssimo que há muitos jovens tomando Viagra sem controle, sem orientação médica, o que pode comprometer sua saúde. Eles mal estão começando a vida e já têm dificuldade de ereção e prazer sexual. Não poucos têm ejaculação precoce.
Um capítulo à parte da sexualidade trata da sociopatia sexual. Como o pensamento é virtual, um ato sexual violento ou inapropriado não significa apenas uma agressão ao corpo, mas uma violação dramática do psiquismo. Os sociopatas sexuais, motivados por janelas killer duplo P, fecham o circuito da sua memória e aprisionam as suas vítimas em suas loucuras. Um abuso sexual ou estupro torna-se, portanto, um estupro do território da emoção, produzindo janelas altamente traumáticas e inapegáveis. Claro que é sempre possível conquistar saúde psíquica, em destaque quando se reeditam as janelas killer duplo P ou as plataformas de janelas light ao redor do núcleo traumático, como abordo no livro A fascinante construção do eu.
A educação sexual e emocional e o gerenciamento da mente humana são fundamentais para que os casais não tenham uma vida intima frustrada. Muitos são sexualmente frustrados porque não aquietam seus pensamentos, não desaceleram suas preocupações e não se entregam ao parceiro ou parceira. Eles iniciam o ato sexual preocupados em falhar, em não ter prazer, em não ter prazer, em não satisfazer seu parceiro ou parceira. Os fantasmas da sua emoção assombram a espontaneidade tão fundamental para o sucesso nas relações sexuais. Por isso, é vital gerenciar a mente e domesticar esses fantasmas psíquicos.
Portanto, reitero, a sexualidade é uma história e não um ato. É um reflexo, do amor e não somente do instinto. Antes e durante o ato sexual saudável devem-se promover elogios, segredar afetos, exaltar o valor, a troca, estimular a admiração mútua. O orgasmo emocional vem antes do orgasmo biológico. O texto e as vírgulas vêm antes do ponto final.

  (AUGUSTO CURY - AS REGRAS DE OURO DOS CASAIS SAUDÁVEIS)

Os segredos evolutivos do orgasmo feminino

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