Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Tipos religiosos

por Thynus, em 15.12.12

Religiosos dividem-se em três grupos principais quando confrontados com a ciência. Vou agrupá-los em os “sabe-nada”, os “sabe-tudo” e os “não-tem-nada-a-ver”. Suspeito que esse Dr. John Habgood, o Arcebispo de Nova Iorque, pertence provavelmente ao terceiro desses grupos, portanto começarei por ele.

Os “Não-tem-nada-a-ver” já se conformaram com o fato de que a religião não pode competir com a ciência em seu próprio terreno. Pensam que não há nenhuma disputa entre a ciência e a religião, porque simplesmente tratam de coisas diferentes. O relato bíblico da origem do universo (a origem da vida e do homem, a diversidade das espécies, etc.) – todas essas coisas, já se sabe, são inverdades.
Os “Não-tem-nada-a-ver” não se incomodam com isto: consideram esse relato extremamente ingênuo, sendo quase de mau gosto perguntar sobre uma história bíblica: “é verdadeira mesmo?”. Respondem: “Verdadeira, verdadeira? Claro que não. Pelo menos no sentido tosco e literal. A ciência e a religião não estão disputando o mesmo território. Tratam de coisas diferentes. São igualmente verdadeiras, mas cada uma a seu modo.”
Uma frase favorita e completamente sem sentido é “alçada religiosa”. Você depara-se com ela em declarações tais como “a ciência explica esse fato muito bem, mas esse outro é da alçada religiosa.”

Os “sabe-nada”, ou os fundamentalistas, de certa maneira são mais honestos. São fiéis à história.
Reconhecem que até recentemente uma das principais funções das religiões era científica: a explicação da existência, do universo, da vida. Historicamente, a maioria das religiões sempre foi cosmológica e biológica. Suspeito que hoje, se você pedisse que alguém justificasse sua crença em Deus, a razão predominante seria científica. A maioria, penso eu, acredita que é necessário um Deus para explicar a existência do mundo, particularmente da vida. Estão errados, é claro, mas nosso sistema de instrução é tal que muitos não sabem.
São também fiéis à historia porque não se pode escapar das implicações científicas da religião. Um universo com um Deus seria completamente diferente de um sem. Uma física, uma biologia onde haja um Deus é obrigada a parecer diferente. Assim, as afirmações mais básicas da religião são científicas. A religião é uma teoria científica.
Sou acusado às vezes de intolerância arrogante em meu tratamento dos criacionistas. Naturalmente, a arrogância é uma característica desagradável, e eu deveria odiar ser visto como arrogante de uma maneira geral. Mas a paciência tem limites! Para se ter uma idéia de como é ser um estudante profissional de evolução, chamado a ter um debate sério com criacionistas, a seguinte comparação é justa: imagine-se como um erudito que passou toda sua vida estudando a historia romana em todo seu rico detalhe; de repente, alguém aparece, formado em engenharia marítima ou no estudo da música medieval, e se põe a argumentar que o Império Romano nunca existiu. Você não acharia duro suprimir sua impaciência? E isso não se pareceria um pouco com arrogância?

Meu terceiro grupo, os “sabe-tudo” (eu indelicadamente chamo-os assim por causa da sua posição condescendente), pensam que a religião é boa para as pessoas, e talvez até mesmo para a sociedade. Talvez boa porque os consola na morte ou aflição, talvez porque forneça um código moral.
Não importa se a crença religiosa é ou não verdadeira. Talvez não haja um Deus; nós, os instruídos, sabemos que não existe quase nenhuma evidência para tal, sem falar em idéias tais como a Virgem dar à luz ou a Ressurreição. Mas a massa sem educação precisa de um Deus para mantê-la fora do crime ou confortá-la na aflição. O fato de Deus provavelmente não existir pode ser deixado de lado no interesse de um bem social maior. Não preciso dizer mais nada sobre os “sabe-tudo”, porque nunca declarariam ter qualquer coisa para contribuir à verdade científica.

(Richard Dawkins - "Os Tipos Religiosos")

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:41



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D