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Religião e tesão

por Thynus, em 10.01.14
Na cultura ocidental contemporânea existem duas correntes de pensamento trágico que nós, homens que optamos pela ludicidade de viver, devemos denunciar e combater: o Catolicismo e a Psicanálise. O Catolicismo centra sua ação catequética e sua liturgia na perseguição, tortura, desespero e morte de Jesus Cristo, impondo como simbologia principal o filho de Deus crucificado, assassinado. Nada mais trágico, mais triste, menos belo. Porém, a atração e fascínio que exerce, deve ocorrer por conta de uma forma de prazer sadomasoquista, próprio da fé cristã. Inclusive, a beleza mórbida e repugnante que alguns crucifixos podem possuir, não disfarça sua função mórbida e cruel de fazer os fiéis sentirem, ao contemplá-los, dor, culpa e remorso.
Nascida do pensamento de um homem genial, mas profundamente pessimista, triste, amargo e ressentido, a Psicanálise reflete as características da história da religião e da raça judaica no mundo. Sigmund Freud era um homem que, segundo seu discípulo Wilhelm Reich, permitia-se pouca convivência com o prazer, com a beleza e com a alegria lúdicos da existência comum, o que provam suas obras principais. Afirmar a existência, no homem, de um instinto de morte, é supor ser a morte um mal, algo destrutivo e não simplesmente a ausência, o fim da vida. A sua afirmação de que a morte é uma entidade equivalente à da vida, parece coisa mais de sua formação religiosa que da científica, pois ela sujeita o homem aos poderes políticos (via religião ou via ciência) para ser exorcizado do mal inerente à sua natureza imperfeita. Isso os torna incompetentes e perigosos para a vida social, sem proteção, tutela e controle permanentes. Enfim, dependência, resultante da suposição de sua incapacidade natural para a autonomia e a autodeterminação.
Vivendo em sistemas políticos autoritários, aos quais tanto religião como ciência estão ligados, associados e dependentes, a visão trágica da existência é um dos suportes ideológicos mais poderosos e úteis para a sua manutenção. Assim, por exemplo, a análise infinita e inútil do complexo de Édipo. Para mim, não passa de um exercício de poder, tentativa de sujeição ao poder do pai, bem como ao do analista. Édipo, personagem da tragédia grega, que arranca os próprios olhos como punição para aliviar o sentimento de culpa por ter transado sexualmente com uma mulher que desconhecia ser sua mãe, mostra claramente como Freud, ao adotá-lo para simbolizar o complexo por ele descoberto, necessitava do sentimento trágico da existência para justificar a crença de que a vida lúdica dos homens estará inexoravelmente sujeita ao controle e punição por parte dos poderes autoritários e deuses antropomórficos, criados e utilizados por seus representantes na Terra.
Estou querendo concluir que a religião judaica e a cristã, bem como tudo aquilo que a elas está ligado, direta ou indiretamente, como a Psicanálise, por exemplo, representam o antitesão. Porque essas coisas existem apenas para combater e impedir o viver natural lúdico, e, sobretudo, o relativismo existencial que chamamos de liberdade. O tesão, assim, tanto o de fundo inconsciente (individual e coletivo na pessoa) quanto o consciente, é a principal arma que dispomos para lutar contra todas as tentativas de nos imporem as dependências, as limitações e as culpas que impedem as mutações existenciais e culturais, que fazem do homem um ser revolucionário.

(Roberto Freire - Sem tesão não há solução)

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publicado às 21:13



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