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O castigo de Tântalo

por Thynus, em 16.12.13

 "Podemos comer do fruto das árvores do jardim.  

Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: 

Vós não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais.”

“Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis! 

 Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, 

vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, 

conhecedores do bem e do mal. (Gn.3, 2-5)

 

Tântalo numa pintura de Gioacchino Assereto

 

Para o homem, a mais grave hybris consiste em desafiar os deuses ou, pior ainda, imaginar-se igual a eles. Inúmeros contos mitológicos, como você vai ver, giram em torno dessa questão central. Um exemplo entre tantos é a versão do famoso mito de Tântalo: por ter adquirido o hábito de acompanhar os deuses, sendo sempre convidado aos banquetes no Olimpo, Tântalo acaba achando que, no final das contas, não há tanta diferença entre eles quanto se imagina. E começa inclusive a duvidar que os deuses, a começar por Zeus, sejam tão clarividentes quanto dizem e, mais ainda, que de fato saibam tudo a respeito de todos os mortais. Ele convida, então, a todos para um almoço em sua casa — o que já demonstra uma certa falta de gosto, mas que ainda seria aceitável se sua atitude fosse de modéstia e de humildade. Mas o que ocorre é o contrário disso: para ter certeza de que os deuses não são oniscientes e nada mais sabidos do que ele, Tântalo tenta enganá-los da pior maneira possível, colocando na mesa, como prato, seu próprio filho, Pélops! Falta de sorte: os deuses são de fato oniscientes. Sabem tudo sobre os miseráveis mortais que somos — e nisso Tântalo se perde muito além do que podia imaginar. Os deuses percebem imediatamente a manobra mesquinha e ficam horrorizados. A punição, como sempre no caso da mitologia, é compatível com a enormidade do crime cometido. Foi pela alimentação que Tântalo pecou? Por intermédio dela também será punido: acorrentado nos infernos, no Tártaro, é condenado a sofrer eternamente de fome, de sede e também de medo, para se lembrar, justamente, que não é imortal, pois um enorme rochedo acima dele o tempo todo ameaça cair em sua cabeça e matá-lo por esmagamento.


(Luc Ferry - A sabedoria dos mitos gregos)

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publicado às 15:47



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