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SABER “TRAÇAR”

por Thynus, em 08.12.13

 

A observação das pessoa em seus ambientes naturais e de suas expressões mais sinceras nos pode revelar muita sabedoria. E talvez demonstrar na prática os benefícios da autenticidade e da livre expressão de nossas tendências criativas. Um destes mestres de grupos musicais e folclóricos do nordeste, deu a TV um depoimento relevante:
Um cidadão de muito pouca educação formal, mas dono de sabedoria, diz à reportagem que o fundamental na vida é saber ‘traçar’. O que entende por traçar é relacionar-se com o outro: “...saber traçar é saber tratar bem a qualquer um nessa vida, seja pobre ou seja rico, homem ou mulher, seja de que cor for...”
Dá pra imaginar alguma expressão maior de civilidade?
Aquela gente canta, dança e se relaciona com elegância. Os velhos ensinam aos jovens a sua arte e são respeitados, todos compartilham do prazer. A alegria, a competição saudável, os desafios dos trovadores são exemplo de interação positiva e muito civilizada, sim, embora tão simples.
Se pudéssemos estar menos tempo submetidos a tensão e mais dedicados a atividades criativas, talvez soubéssemos todos "traçar melhor".
O mau humor e a irritabilidade são sinais de tensão interna. Indicam que há um desconforto mental gerado pelo fluxo inadequado de energias psíquicas.
Há uma compreensão popular que uma pessoa cronicamente mal humorada, e que suporta mal a alegria e satisfação alheias, é uma frustrada. Isso é verdadeiro. O quanto podemos nos permitir ter satisfação e, o quanto somos capazes de produzi-la, estão diretamente relacionados ao quanto poderemos suportar que os outros estejam bem.
E, quando alguém se encontra em tal situação de frustração, provavelmente foi por demais tolhido em sua espontaneidade, de forma que já não pode conectar-se com o que há de lúdico e autêntico em si, nem o permite aos demais.
Pode ser o meio que a cerca, pode ser ela própria que tenha banido de sua imagem ideal qualquer manifestação mais primitiva e desinibida, próxima a sua natureza.
Se, em seu meio ou em seu próprio código moral, a satisfação não é bem vista e aceita, as situações de frustração a que essa pessoa se exporá serão crônicas, e o mal estar inevitável.
Quando você está impedido de encontrar satisfação dificilmente concordará que outros encontrem. Mesmo que as pessoas a seu redor não sejam as responsáveis por seu estado de insatisfação, você tenderá a vê-las como tal. Essa é uma confusão típica da mente humana.
Como disse, não podemos nos reger sempre pela razão, há momentos em que o inconsciente e seu modo de funcionar entram em ação. Para ele, o que é parecido pode tornar-se igual e sentimentos podem ser inadequadamente desenvolvidos.
Por isso é tão necessário que ao menos tentemos criar um ambiente que permita um quantum de satisfação suficiente para nós mesmos e para aqueles que nos cercam. Senão, corremos o risco de nos sentir agredidos e roubados de forma absolutamente equivocada, e de não tratarmos nada bem a quem nos rodeia. Pior, podemos passar a tratar mal a nós mesmos e nos desinteressar pela vida, quando ela não mantém um mínimo necessário de seu caráter prazeroso.
Sem que estejamos ao menos medianamente satisfeitos com nossas vidas, é difícil que saibamos “traçar”, é difícil que ela nos interesse, e que permitamos ao outros viver em paz.

(Manoelita Dias dos Santos - "A lógica da emoção, da psicanálise à física quântica")

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publicado às 16:36



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